HEPATITES

 

Hepato = fígado

Ite = inflamação

As hepatites são processos inflamatórios agudos do fígado, na qual o paciente demonstra evidências clínicas e laboratoriais de necrose das células hepáticas. A hepatite pode ser provocada por um grande número de organismos infecciosos, agentes terapêuticos, toxinas e reações auto-imunes.

Atualmente a principal preocupação são as hepatites virais causadas pelos vírus B e C, são as formas que mais provocam hepatites, eles serão explicados neste estudo.

Diferentes tipos de vírus podem provocar hepatite, como da família Herpesviridae, alguns Coxsackie vírus, citomegalovírus, vírus da rubéola, vírus Epstein-Barr, vírus da caxumba. Neste apanhado nós vamos dar ênfase aos tipos virais mais difundidos e conhecidos, que são os vírus do tipo A (Picornaviridae), tipo B (Hepadnaviridae), tipo C (Flaviviridae), tipo D (vírus Delta) e tipo E (Caliciviridae).

 

HEPATITE A

 

O vírus da hepatite A (HAV) possui uma molécula de RNA, fita simples. A transmissão deste tipo de vírus é fecal-oral, pois o vírus está presente nas fezes dos pacientes infectados. O HAV é resistente e pode nas fezes ficar viável por um longo tempo infectando água e alimentos.

A hepatite pelo vírus A (HAV) não evolui para formas crônicas e nem para o estado de portador, é um distúrbio autolimitado, agudo e benigno. Nas crianças a infecção pode ocorrer de forma assintomática. Possui um período de incubação curto de algumas semanas (15 a 45 dias). Em alguns casos pode não haver sintomas, ou estes serem bem leves, similar a qualquer infecção viral. Apenas 5% dos casos apresentam um quadro mais grave. Cerca de 90% dos doadores de sangue possuem cicatriz sorológica (presença de anticorpos do tipo IgG contra o HAV) e não sabem que já entraram em contato com o vírus.

Se você tem sorologia negativa para o HAV deve procurar se vacinar para adquirir imunidade.

 

HEPATITE B

 

Após o contato com o vírus da hepatite B (HBV), ele fica incubado no organismo do indivíduo por um período que varia de 6 a 8 semanas, até o aparecimento dos sintomas.

A transmissão do HBV ocorre principalmente por via sanguínea (o contato com o sangue do paciente quando da manipulação de hemocomponentes, em usuários de drogas que compartilham agulhas e seringas, médicos, enfermeiros e profissionais de laboratório que manipulam material biológico), pela relação sexual e da mãe para o filho durante a gestação. O indivíduo infectado apresenta o vírus no sangue na fase aguda, de convalescença (recuperação) e nas formas crônicas.

A grande maioria das pessoas infectadas tem uma recuperação total, adquirindo após uma imunidade contra o vírus HBV. No entanto, 5 a 7% evoluem para formas crônicas (portador crônico, hepatite crônica ou cirrose, essa cirrose pode também evoluir para carcinoma hepatocelular), 1% desenvolve hepatite fuminante (chegando a morte). A hepatite B pode ser evitada através da vacinação que vai conferir imunidade ao organismo contra o vírus.

 

HEPATITE C

 

Anteriormente chamada de "hepatite não A e não B", o vírus da hepatite C (HCV) foi descoberto em 1989 através de técnicas de biologia molecular. É responsável por cerca de 80% das hepatites não A e não B pós-transfusão.

Em vários aspectos é muito semelhante ao HBV, também pode levar o paciente a doença crônica, ao estado de portador crônico, e também relacionado ao carcinoma hepatocelular (câncer de fígado).

Comparada ao HBV a hepatite aguda pelo HCV é leve e os casos fulminantes menos comuns. No entanto, o HCV tem uma maior tendência a evoluir para a cronicidade.

A forma de transmissão também é igual ao HBV. Os grupos de alto risco incluem aqueles que se submetem a transfusões sanguíneas, hemodiálise, transplantes, usuários de drogas, profissionais da área de saúde expostos ao sangue e seus derivados, contato sexual.

 

HEPATITE D

 

O vírus da hepatite D (HDV) também recebe o nome de "agente delta", é um RNA vírus que só se manifesta em conjunto com o HBV. Ele tem um defeito genético que o torna dependente da informação genética do HBV para sua replicação.

A hepatite pelo HDV pode ocorrer em duas circunstâncias, quando o indivíduo entra em contato com o HBV e HDV conjuntamente, ou quando um portador crônico de HBV sobre uma agudização da hepatite pelo HDV, levando a uma deterioração progressiva do quadro clínico. A infecção conjunta pode levar a uma hepatite fulminante. Como ele existe em associação com o HBV as formas de transmissão são iguais.

O vírus é endêmico no Mediterrâneo, Oriente Médio,União Soviética e partes da África, ocorrendo esporadicamente em todo o mundo.

 

HEPATITE E

 

O vírus da hepatite E (HEV) é um vírus RNA de fita única simples muito semelhante ao HAV. A transmissão também é fecal-oral e ele não provoca hepatopatia crônica. Sua importância clínica está na alta incidência de hepatite fulminante em gestantes (20%).

 

SINTOMAS

 

Geralmente a hepatite é uma doença aguda, autolimitada. Menos comumente, uma lesão prolongada ou uma reativação pode levar a inflamação crônica, dando origem a fibrose difusa (cirrose), hipertensão porta e insuficiência hepática.

A hepatite aguda pode ser dividida em quatro estágios : (1), período de incubação, (2) estágio pré-ictérico, (3) estágio ictérico e (4) convalescença.

Durante o período de incubação a pessoa é assintomática, as evidências de infecção hepáticas podem ser detectadas por testes séricos de ALT (alanina-aminotransferase) e AST (aspartato-aminotransferase) que estarão elevadas.

Na fase pré-ictérica pode haver mal-estar, náuseas e perda do apetite. Febre baixa, cafaléias (dores de cabeça), dores musculares e vômitos ou diarréia são menos freqüentes. O exame físico neste estágio pode revelar um fígado levemente aumentado e doloroso.

Nas hepatites podem ocorrer dois padrões clínicos diferentes. Em um deles, nunca ocorre elevação dos níveis séricos de bilirrubina e após algumas semanas o paciente se recupera (hepatite anictérica). No outro os sintomas são acentuados, com febre mais elevada, calafrios e cefaléia, algumas vezes acompanhados por dor no quadrante superior direito (região do fígado) e aumento doloroso do fígado, com presença de icterícia (hepatite ictérica).

 

 

DIAGNÓSTICO

 

O diagnóstico da hepatite começa com o exame clínico após o qual o médico vai pedir confirmação laboratorial. O laboratório também vai fornecer ao médico o tipo viral que está provocando a hepatite, se o HAV, HBV com o HVD, HVC. Isto vai permitir um prognóstico e um acompanhamento correto do caso.

Cada tipo de hepatite possui seus marcadores imunológicos. Esses marcadores podem ser os anticorpos desenvolvidos pelo organismo contra a estrutura viral, ou então os chamados antígenos virais (partes específicas da estrutura viral).

Através de exames bioquímicos o médico terá como avaliar o grau de comprometimento hepático.

A determinação dos níveis séricos da atividade das aminotransferases, como a ALT (alanina-aminotransferase) e AST (aspartato-aminotransferase). Estas enzimas estão presentes nas células hepáticas e são liberadas em grandes quantidades no sangue quando ocorre lesão celular. No início das hepatites corre um aumento entre 10 a 100 vezes o limite superior da normalidade. Esse valor retornam ao normal em poucas semanas nas formas benignas. Na HBV quando esses níveis permanecem altos por um período superior a 6 meses, existe forte probabilidade de evolução para a cronicidade.

A determinação dos níveis séricos da Fosfatase alcalina (FA) e Gama-glutamiltransferase (GGT) que também aumentam discretamente pode fazer o diagnóstico diferencial com a icterícia obstrutiva.

A bilirrubina é uma substância metabolizada (transformada) pelo fígado e usada como parâmetro para avaliar a função hepática. A dosagem da concentração sérica de bilirrubina total, indireta (livre) e direta (conjugada) permite observar níveis altos principalmente da bilirrubina direta (conjugada). Essa concentração elevada de bilirrubina no sangue provoca a icterícia, quando o paciente apresenta a pele e os olhos amarelados pela deposição dessa substância nos tecidos.

Os marcadores imunológicos podem ser detectados por diferentes técnicas laboratoriais. É importante você realizar esses exames e procurar se vacinar, principalmente se você faz parte do grupo de risco já citado no texto. Ter uma conduta sexual equilibrada e usar preservativos ajuda a prevenir.

 

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