Estrada a Fora 

Auta de Souza 

Ela passou por mim toda de preto,
Pela mão conduzindo uma criança...
E eu cuidei ver ali uma esperança
E uma Saudade em pálido dueto.

Pois, quando a perda de um sagrado afeto
De lastimar esta mulher não cansa,
N’uma alegria descuidosa e mansa,
Passa a criança, o beija-flor inquieto. 

Também na Vida o gozo e a desventura
Caminham sempre unidos, de mãos dadas,
E o berço, às vezes, leva à sepultura... 

No coração, - um horto de martírios! -
Brotam sem fim as ilusões douradas,
Como nas campas desabrocham lírios. 

...são assim as páginas da vida; 

Mil amarguras perto de cem flores,

Ao pé do riso, - a lágrima dorida.

H. Castriciano - Ruínas