Brasil da Paz
Castro Alves


Na caverna primitiva,

Armada de pedra e clava,

A terra move-se escrava

Do sul ao setentrião.

Sob o medo que a domina,

Espessa nuvem a encerra:

É o carro estranho da guerra,

Gerando destruição.


Desde os lêmures remotos

A Atlântida bela e flórea,

Hoje segredos da história 

No torvo arquivo do mar,

Suplicam povos nascentes:

__ “Viver e amar! ... Ao porvir!...

Crescer, lutar, construir!...”

E a guerra pede: “ arrasar!...”



Das glebas remanescentes

Aninha-se na Caldéa,

Paira fremente na idéia

Dos seguidores de Deus!...

Antigos povos pastores

Bradam rixas e vinganças

E empunham pérfidas lanças

Na guerra dos filisteus.



Filósofos pregam paz

Sobre espadas e tambores,

Há novos conquiatadores

Decretando novas leis...

Passa a rude caravana,

Sesoztriz, Ramsés, Cambises

E as multidões infelizes,

Seguido sobas e reis.



Um dia, Alguém contra o ódio

Desce da Altura infinita,

Faz-se a palavra bendita

De vida, verdade e amor,

Mas a voz da crueldade

Dirigi-se em rumo certo

E impõe-lhe, a cenário aberto,

A morte de malfeitor.



Desde Jesus, entretanto,

Cresce a Divina Demanda,

O bem sugere e comanda

No Direito Natural!...

Tantas armas se acumulam,

Tanta violência subleva

Que a treva receia a treva

E o mal sente o horror do mal...



No contexto das nações,

Eis que o duelo se atiça,

Mas a chama da justiça

Acende a luz da razão;

Rogam-se ajustes, tratados,

Cessação de toda luta,

Concórdia, amparo, permuta,

Auxílio e cooperação.



Brasil, no posto da paz

Em que a vida te agasalha,

Serve, abençoa, trabalha

Na fé a que o céu te induz! ...

E ainda que o ódio estoure,

Clama, em brado soberano,

Que em todo conflito humano,

O vencedor é Jesus.


Médium: Francisco Cândido Xavier

< Voltar