Incrível Experiência de Materialização

Realizada no Início do Século XX

 


O Trabalho dos Mortos

Fonte: www.clotildes.tripod.com - Grupo de Fraternidade Espírita Irmã Clotildes

 

A seguir você verá as fotos e relatos de uma experiência realizada na década de 20 do século passado onde um grupo de pesquisadores espíritas manteve contato por vários meses com espíritos e com as suas materializações além de seus trabalhos em parafina líquida.

 

Todo este trabalho foi documentado no Livro "O Trabalho dos Mortos" com primeira edição em 1921 pela Federação Espírita Brasileira

 

As fotos que serão exibidas à seguir foram extraídas da 1ª edição do livro "O Trabalho dos Mortos", de Nogueira Faria - publicado pela editora da Federação Espírita Brasileira - Ano: 1921 (vide contracapa abaixo). Os textos foram extraídos da 5ª edição de mesma editora

 

Devemos considerar que as fotos digitalizadas são cópias fieis à 1ª edição do livro publicado em 1921. Conforme descrito no  próprio livro, as fotos foram obtidas no início do século XX - época em que possíveis montagens e/ou fraudes utilizando a fotografia era muito pouco provável.


      Os textos grifados em cor azul não fazem parte do livro. São comentários inseridos pelo Grupo de Fraternidade Espírita Irmã Clotildes. Justamente com o desejo de divulgar essas fotos para pesquisas e estudos sobre materialização de Espíritos e objetos,  colocamo-las disponíveis na intenet, com alguns trechos extraídos da própria obra acima citada. Sugerimos fortemente a leitura completa do "O Trabalho dos Mortos". Encontra-se disponível na livraria da Federação Espírita Brasileira.

 

 

Contra capa original da 1º edição - 1921

 

 

A grande maioria das fotos publicadas em "O Trabalho dos Mortos" foram obtidas pelo Maestro Ettore Bosio (Gravura 2) em casa da família Prado (Gravura 1). Justamente com o intuito de proporcionar total credibilidade e confiabilidade ao fenômeno, nas sessões faziam-se presentes numerosa assistência  (Gravura 7). O texto a seguir foi extraído da pág. 25.


       (...) Compositor exímio, seu temperamento e sua timidez o afastaram das glórias autorais, que lhe estavam reservadas, a julgar pelo início de sua carreira de artista, pelo êxito de seus trabalhos de moço. Uma das suas mais apreciadas óperas, quando ainda jovem, "O Duque de Vizeu", libreto de Pacheco Neto, conquistou aplauso dos mestres, a simpatia dos críticos, a consagração das platéias.
       Falem por nós testemunhos insuspeitos:


       Em 22 de Junho de 1895, Carlos Gomes, o imortal maestro nacional, escrevia ao empresário F. Brito, do Rio, recomendando-lhe "O Duque de Vizeu"(...)

 

 

Da esquerda para direita: 1) Srta. Antonina Prado (médium psicográfica); 2) Eurípedes Prado; 3) Sra. Prado (a médium); 4) Stra. Alice Prado; 5) Erastóstenes Prado.

MAESTRO ETTORE BOSIO

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 36.
       (...) "O João"- Chamou-se em sua última encarnação Felismino de Carvalho Rebelo, desencarnado há uns vinte anos. Era tio da médium e possuía o caráter jovial, de quando em quando trai em suas manifestações. É aliás um princípio comprovado na Doutrina Espírita: a morte, simples retorno à vida normal, que é a do Espírito, não melhora, só por só,o desenvolvimento intelectual e moral do morto. O que se dá, tão somente,é que, estando livre da influência, do jugo da matéria, a alma percebe melhor, e melhor compreende os diversos problemas da vida, da evolução eterna e progressiva dos seres, no seio da Criação.(...)

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 38, comparando foto de quando o Espírito de "João" era encarnado e desencarnado.
       (...) Ao lado direito coloco o seu retrato quando encarnado (Gravura 3), e junto, à esquerda, o mesmo em Espírito (Gravura 4). É notável a clareza e nitidez da fotografia, a "pose" solene, o manto duplo, estendendo o braço esquerdo que mal se vê segurando uma parte de sua vestimenta espiritual. Na parte superior da cabeça observa-se um arco fluídico e atrás uns panos também fluídicos, envolvendo-a. Apenas uma pequena diferença entre os dois retratos: é que o espiritual tem os bigodes um pouco mais visíveis.

 

Gravura 3
Fotografia de João, quando vivo

Gravura 4
A fotografia do seu Espírito

 

"Anita" - Pouco tempo depois das materializações de João, uma noite, inesperadamente surgiu do gabinete mediúnico uma moça. Quem seria? Deu o nome de Anita, dizendo ter sido florista em sua última encarnação. Dedicou-se especialmente aos trabalhos de parafina, confeccionando flores de admirável perfeição. Dentro de pouco era familiar nossa e não raras vezes deixou cair entre as nossas a sua mãozinha mimosa e branda (Gravura 5).

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 46.

 

Um marujo - Após o aparecimento de Anita, surgiu um Espírito vestido à marujo e que, desde logo, conquistou a simpatia dos assistentes pela sua jovialidade (Gravura 6)

 

O Espírito que foi alcunhado por "marinheiro", quando apareceu plea primeira vez na noite de 24 de Junho de 1920, em uma sessão realizada cm a presença de mais de 70 pessoas, na residência do Sr. Eurípedes Prado, esposo da médium


 

Gravura 5
A fotografia do Espírito de Anita

Gravura 6
A fotografia do Espírito do Marujo

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 64.


       No dia 24 de Junho comemorando o anversário do início das experiências de João, o Sr. Eurípedes Prado resolveu efetuar uma sessão. Perante numerosa assistência, avaliada em 80 pessoas, verificaram-se vários fenômenos com absoluta nitidez. (Gravura 7)

 

 

Gravura 7

Aspecto da assistência à sessão comemorativa da primeira manifestação de João, realizada na residência do Sr. Eurípedes Prado - Uma flor, trabalhada em parafina, durante a sessão, pelo Espírito de Anita.

 

 

O texto a seguir se refere à comunicação entre o Maestro Ettore Bosio com o autor do livro, Sr. Nogueira de Faria. (extraído da pág. 79)
      (...) De como se fizeram as primeiras experiências de fotografia, dá-nos informações o próprio maestro Ettore Bosio nas linhas seguintes:
      “Prezado amigo Dr. Nogueira de Faria.
      Cumprimentos.
      Em resposta à sua carta solicitando-me informações sobre os trabalhos fotográficos obtidos por mim em diversas manifestações espíritas na casa do Sr. Euripedes Prado, tenho o prazer de remeter-lhe a seguinte notícia:
       Após ter assistido por três vezes, na residência do Sr. Eurípedes Prado, as sessões de fenômenos de materialização, em Março de 1920, lembrei-lhe da possibilidade de fotografar os Espíritos, quando  materializados. A minha proposta foi de súbito rejeitada, alegando o Sr. Prado que já tinha feito com o Sr. Pedro Batista experiência idêntica, que dera resultado completamente negativo. Ponderei que este fato não era motivo para desistir do propósito, comprometendo-me a fazer prévios ensaios em minha residência para estudar o assunto e fixar a dosagem de magnésio precisa e parcamente necessária, a fim de evitar excesso de luz, prejudicial à médium e à impressionabilidade justa da chapa. Felizmente minha lembrança foi aceita.
      No meu gabinete de estudo fiz aquelas experiências, transformando-o em “atelier” fotográfico. Depois de um mês, fixei exatamente a quantidade do magnésio em 25 centigramas e, não satisfeito ainda com essas experiências, quis fazer outros ensaios na própria sala da materialização em casa do Sr. Prado, tanto que a cubagem desta não era igual à do meu gabinete.

 

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA
   (Gravuras 8, 8-A e 8-B)

       Um dia do mês de Abril de 1920, às 16 horas, foquei a máquina em um ponto determinado da varanda da residência do Sr. Prado, onde um de nós devia posar, fazendo “o papel do Espírito”. Coloquei a estante para o magnésio debaixo do balão, suspenso e seguro no teto, destinado a receber a fumaça, evitando assim molestar os assistentes e empanar o ambiente. Tudo pronto, perguntei ao Sr. Prado quem iria posar. “Minha filha Antonina”- respondeu, solícito. Esta, por sua vez, recordou ser mais conveniente a própria médium, para sentir a impressão da luz do magnésio. Aceito este último alvitre, aliás mais razoável, a Sra. Prado (a médium) colocou-se no lugar indicado.
       Foram tiradas seguidamente três chapas, apenas com o tempo para a mudança do chassis e da nova dose do explosivo.
       Quando tirávamos a terceira chapa, a Sra. Prado, cambaleando, espavorida e trêmula, foi auxiliada por seu esposo, sentar-se em uma das cadeiras mais próximas. Disse, então, ter sentido, pouco antes da explosão, pousar suavemente, sobre seu ombro esquerdo, uma espécie de mão, impressão esta que lhe era completamente desconhecida, sendo a primeira vez que, em vigília, experimentava o contato de um ser invisível.
       A dosagem de pólvora para as três chapas foi a seguinte: 25, 20 e 15 centigramas, sendo que a última foi insuficiente, produzindo fraca impressão, como se pode verificar pela fotografia junto
(Gravura 8-B).

 

 

Gravura 8 e 8-A

Gravura 8-B

 

Grande surpresa nossa e júbilo imenso! Todas as chapas continham manifestações do fenômeno espírita, observando-se ao lado esquerdo da figura, na terceira, uma pequena mão,  minúscula mesmo, sobre o peito, perto do ombro.
       Encorajados pelo primeiro sucesso, dois dias depois, à noite, fizemos outros estudos, sendo estes coroados do melhor êxito. Daí em diante, fizemos a prova oficial, conforme está descrita.
       Escusado será falar-lhe da nossa alegria, quase infantil, desses primeiros sucessos; longe estávamos de pensar nos dissabores que em breve nos aguardavam”. (...) 

*** 

A seguir são narradas as considerações do Sr. Nogueira de Faria (página 85)

      (...) Reparando-se as três primeiras fotografias: Gravura 8-A, B e C, nota-se que a Sra. Prado apresenta, na primeira, uma espécie de luva na mão direita; na segunda, uma espécie de bolsa de veludo preto, na mão esquerda; e finalmente, na terceira, a mão, pequenina e aberta, a que se refere o maestro Bosio.
       Um quase-nada que valeu tudo para os experimentadores que, aliás, nessa sessão nada experavam obter.
       Na segunda série, vê-se que o fenômeno progride.
 Primeiramente, a cadeira, que estava inteiramente despida, aparece oculta a ponta esquerda do espelho coberto por um pano; na segunda, há uma larga faixa de sobreposta ao vestido da médium e caindo ao lado; na terceira, essa mesma faixa, mais nítida, porque a médium está de pé; e finalmente, na quarta, surgindo do pano preto, preso à parede, uma formosa cabeça de criança ou de boneca, se o quiserem, e uma espécie de toalha branca envolvendo parte da cadeira (Gravuras 9 e 9-A).

 

Gravura 9

Gravura 9-A

 

Certamente que nenhum valor probatório têm essas experiências, feitas, como foram, na mais absoluta intimidade. Serviram apenas para  fortalecer os experimentadores, que tinham convicção segura do fenômeno indubitável passado só entre eles e pessoas da família.

SEGUNDA EXPERIÊNCIA
(Gravuras 9 e 9-A)

       Apesar de obtidas assim, sem controle porque em absoluta intimidade, não havia outro motivo para ocultar a narração de tais fatos e em breve, embora sem notícia na imprensa, eles foram de domínio público.
       Então alguém lembrou a “prova oficial” a que alude o Maestro Bosio. Consultado, o Espírito garantiu a possibilidade da mesma, solicitando apenas o máximo rigor de controle. Paracia que previa a celeuma que essa fotografia iria levantar.
       Ficou, então,  assentada a reunião para o dia 15 de Maio de 1920.
       Para ter uma idéia do rigor dessa sessão, basta ler o testemunho insuspeitíssimo dos dois grandes diários matutinos de Belém, acompanhando a publicação dos clichês.

Da “Folha do Norte”, de 20 de Maio de 1920:
“FENÔMENOS ESPÍRITAS
Um habitante do Além fotografado nesta Capital

       A fotografia, que reproduzimos a seguir, revela um interessantíssimo fenômeno espírita, manifestado na noite de 17 do corrente, na residência do Sr. Eurípedes Prado, guarda-livros da firma Albuquerque & Cia., desta praça, e cavalheiro muito conceituado nesta Capital.
       Como há de sido noticiado pelos confrades do “Jornal da Tarde”, na residência do Sr. Prado tem ocorrido vários desses fenômenos, a que têm assistido pessoas de conceito em nosso meio social, entre as quais diversos médicos, magistrados, jornalistas, advogados, etc.
       Atraído por essas manifestações, o maestro Ettore Bosio que é um excelente fotógrafo amador, deliberou apanhar um clichê do Espírito manifestado, tendo para isso realizado uma experiência.
       Estudando o processo que poderia garantir melhor êxito aos trabalhos do maestro Bosio, este, para dar um caráter de absoluta autenticidade à prova que ia realizar, convidou os Srs. Senador Virgílio de Mendonça, Dr. Antônio Chermont, diretor do “Estado do Pará”, e João Alfredo Mendonça, secretário da “Folha”, a controlarem com suas assinaturas as chapas fotográficas que iam servir à interessante experiência. 
       De fato, na tarde de 17 do corrente, reunidos aqueles cavalheiros no “Centro Fotográfico”,  de propriedade do professor José Girard, à rua 13 de Maio, onde foram adquiridas as chapas, aí autenticaram as mesmas com as suas assinaturas, em presença dos fotógrafos José Girard e Armando Mendonça.
       Assinadas as chapas e carregado o “chassis”, foi este lacrado e só entregue, à noite, ao maestro Bosio, na residência do Sr. Eurípedes Prado, onde, às 8 horas, além de outras pessoas, estavam presentes o Srs. Senador Virgílio de Mendonça, o Dr. Nogueira de Faria, 1º prefeito, deputado Apolinário Moreira, Dr. Feliciano Mendonça, farmacêutico Pedro Batista, corretor Pedro Bastos e esposa, João Alfredo de Mendonça, etc.
       Feitos os preparativos, o maestro Ettore Bosio, à luz do magnésio, pois o trabalho necessitava ser em plena escuridão, apanhou uma chapa, a qual, depois de revelada, denunciou a presença de um ser estranho à assistência.
       Convém frisar que a chapa foi revelada poucos momentos depois da explosão do magnésio, tendo sido o maestro Bosio auxiliado nesse trabalho por um fotógrafo do “atelier” Girard.
       Impressa a fotografia, com geral surpresa para todos e indizível comoção do Sr. Eurípedes Prado, declarou este que o vulto fotografado reproduzia as feições do Sr. Joaquim Prado, pai daquele cavalheiro, há  anos falecido. (Gravura 10)

 

Gravura 10

Na fotografia que reproduzimos e que é cópia fiel do clichê do maestro Bosio, vê-se colado à parede branca e junto à senhora do Sr. Eurípedes, a qual é a médium, uma figura humana, envolvida numa túnica preta, divisando-se-lhe apenas o rosto.
       O fato, que encerra uma prova positiva da comunicação dos habitantes do Além, impressionou profundamente tanto quantos a ele assistiram, os quais não regatearam as suas felicitações ao maestro Bosio, pelo explêndido êxito da sua interessante experiência, que pela primeira vez se realiza em Belém.”

Do “O Estado do Pará”, de 20 de Maio de 1920:
O ESPIRITISMO EM BELÉM
Uma fotografia transcedental

       Os fenômenos ditos espíritas há uns cinquenta e tantos anos que entraram de se produzir simultaneamente, pode-se dizer, em todos os pontos do Globo.
       Daí os seus prosélitos os tomarem como uma terceira revelação.
       Nos Estados Unidos, chamaram a atenção de homens de reconhecida idoneidade moral e responsabilidade científica, como, entre outros, o célebre juiz Edmonds.
       Surgiram na Europa e na América nomes de responsabilidade como Willian Crookes, Alexandre Aksakof, Lombroso e tantos outros não menos ilustres, que se entregaram ao estudo desses fenômenos, obedecendo a rigoroso método de experimentação científica.
       São célebres as sessões da Sra. Esperance, nas quais, entre numerosos Espíritos, materializava-se o de Iolanda, que operava também a materialização de vagetais, às vistas surpresas de alguns dos mais conceituados cientistas da culta Europa, entre os quais figura o grande Alexandre Aksakof, que a isso se reporta no seu monumental trabalho – “Animismo e Espiritismo”, vasta polêmica em que, sustentando a tese dos espíritas, refuta, com minúcia extrema e grande poder de lógica, as teorias do sábio alemão Hartmann, sobre o assunto.
       Aksakof estuda teoricamente o Espiritismo, durante 15 anos, e, praticamente, durante 20, para produzir, após, a obra a que nos referimos.
       Não sã menos célebres as sessões procedidas, durante três anos consecutivos, pelo grande cientista inglês Sir Willian Crookes, que, com o auxílio da médium Florence Cook, estudou o fenômeno de materialização do Espírito Kate King, uma senhorita indiana que, materializada, conseguiu conviver com a família do ilustre sábio britânico pelo espaço de várias semanas, materializando-se e desmaterializando-se consecutivamente.
       De tal forma interessaram tais fenômenos os centros científicos, que hoje, pode-se dizer: a literatura sobre o Espiritismo, na sua maioria firmada por nomes de grande fama mundial, é uma das mais vastas, e são inúmeras as sociedades e centros de estudos científicos que se entregam à acurada observação dos fatos.
       Na França, na Inglaterra, na Alemanha, Áustria, Itália, Rússia e América do Norte fundaram-se também as sociedades de estudos psíquicos, compostas dos nomes mais notáveis nos domínios da ciência experimental, para o estudo desses fatos.
       Nesta Capital, o conhecido comerciante Eurípedes Prado iniciou estudos dessa natureza, na casa de sua residência, acompanhado de pessoas idôneas.
       Uma vez conseguidas as primeiras manifestações positivas, S. Sª. convidou várias personalidades em destaque, nessa cidade, para assistirem aos seus trabalhos e as quais são unânimes em confirmar a realidade dos fatos observados.
       Nessas sessões, segundo sabemos, já foram observados fenômenos de nítida materialização, com emissão de voz, transporte, entre outros menos importantes, o que demonstra o alto grau de transcendentalidade a que já chegaram aqueles fenômenos.
       A fotografia que damos estampa é uma nítida chapa, em que aparecem, à luz do magnésio, a médium em transe e um fantasma de um homem, que nos informam ser a reprodução fiel do falecido genitor do Sr. Eurípedes Prado (Gravura 10). (...) 

O texto a seguir transcrito, extraído da pégina 150, refere-se à gravura 11 e à gravura 12. Nelas, podemos observar a impressão digital da médium e a impressão digital do "Espírito". Porém, a experiência verificou que a impressão digital da médium é idêntica à do "Espírito". Isso mostra a possibilidade da ocorrência do fenômeno anímico em uma reunião Espírita - conforme estudado por Ernesto Bozzano em seu livro "Animismo e Espiritismo". 
       (...) Fomos dos que, repetimos, abraçámos com entusiasmo a idéia das impressões datiloscópicas, lembrada pelo nosso ilustre amigo, Dr. Renato Chaves. Elas viriam, sobretudo de modo indiscutível e inequívoco, provar a existência do fenômeno anímico ou do fenômeno espírita. Seria o meio, senão de distingui-lo, ao menos de provar que são distintos, porque um não elimina o outro. Por diversas e frequentes vezes trocámos idéias sobre o assunto com o operoso diretor do nosso Gabinete de Identificação, dando-lhe conta com a maior franqueza e lealdade das experiências íntimas que o Sr. Eurípedes Prado se dispusera a realizar, o que é um testemunho de boa  fé e confiança.(...)

 

Gravura 11
Trechos da ficha da Sra. Prado, retirada diretamente

Gravura 12
Trechos da impressão dos dedos do Fantasma

TRABALHOS EM PARAFINA

 

Gravura 13


TRABALHOS EM PARAFINA OBTIDOS EM DIVERSAS SESSÕES

 

Rogamos a atenção dos que nos lêem, especialmente para as mãos: a 1ª, da esquerda para direita, apresenta os dedos fechados; a 2ª, que é de uma perfeição admirável, tem a cintura do punho bem acentuada; a 3ª, como que segura alguma coisa entre o polegar e o indicador. Com efeito, este modelo último, que foi obtido em uma das sessões de Abril, tinha entre os dedos uma flor. Vê-se que seria, em qualquer um dos casos, impossível retirar a mão sem quebrar a parafina, se essa mão fôsse de um ser encarnado. (Gravura 13)

 

Gravura 14


Um dos mais perfeitos trabalhos de Anita

a florista de além-túmulo. (Gravura 14)

 

Gravura 15


Formosíssimas flores oferecidas pelo espírito

de Anita à Sra. Ettore Bosio

 

 

Gravura 16

 

Uma das formosas cataléias feitas por Anita na sessão comemorativa do aparecimento de João, perante a numerosa assistência que se vê na gravura 7

 

 

 

 

Gravura 17

Outra lindíssima cataléia feita por Anita

 na sessão de 24 de junho de 1920

 

 

 

Gravura 18

 

Luvas e flores obtidas em uma das sessões realizadas em casa do Sr. João Alfredo de Mendonça e expostas, a pedido do Espírito, num dos estabelecimentos da Rua Conselheiro João Alfredo, uma das mais concorridas de Belém.

 

 

 

Gravura 19


O MODELO EM GESSO
Depois de exposto durante alguns dias ao público, este modelo, que, como os demais, era oco, recebeu gesso a fim de reproduzir a conformação interior. Essa operação foi feita no mesmo estabelecimento “A Brasileira”, sendo operador o Dr. Nilo Pena e outras pessoas que ali se achavam casualmente.

 

 

Gravura 20


MODELO EM GESSO

 

É um dos mais perfeitos modelos obtidos. Distingue-se perfeitamente bem toda a trama da epiderme. Cremos que foi esse trabalho em parafina, que impressionando vivamente o Dr. Nilo Pena, o levou a assistir a algumas sessões da Sra. Prado, das quais, segundo nos afirmou, guarda a mais funda impressão.

 

 

Gravura 21

De quando em quando, sempre apontada pelos inimigos do Espiritismo, surgiu a idéia da fraude como a única capaz para explicar os fenômenos. Tendo o “João” fabricado, em parafina, o modelo de um pé, em sessão a que assistiram, entre outras pessoas, os Srs. Gentil Norberto, chefe da Comissão de Saneamento do Oiapoc; Dr. Pontes de Carvalho, médico; Amazonas de Figueiredo, lente da Faculdade de Direito; Desembargador Anselmo Santiago e outros, o maestro Bosio e o Sr. Eurípedes Prado resolveram oferecer a importância de 5:000$000 (atualmente, cinco mil cruzeiros), a quem fizesse um outro modelo em idênticas condições às em que o Espírito fizera aquela. Escusado será dizer que pessoa alguma apareceu. O molde supra é a reprodução em gesso.

 

 

Gravura 22
MODELO EM GESSO 

 

Gravura 23

 

 

Gravura 24

 

MODELO EM GESSO

 

Experiência feita pelo maestro Bosio. S. Sª. pôs anel de ouro, amarrado ao qual um pedacinho de papel por ele rubricado, entre os baldes empregados nos trabalhos de parafina e já anteriormente descritos. A experiência foi coroada de pleno êxito. A luva obtida apresentava no dedo anular a jóia em questão, conservando perfeitamente o papel. Posto o gesso e desfeita a luva de parafina, o novo modelo conservou-a tal qual aparece na fotografia. Pretendia-se repetir esta experiência, feita em 31 de Janeiro de 1921, em presença do Exmo. Sr. Dr. Lauro Sodré. Entretanto, tendo S. Ex. embarcado a 3 de Fevereiro pela manhã, não foi possível fazê-la por absoluta carência de tempo do benemérito ex-governador do Pará.

 

Gravura 25

 

Modelo fabricado pelo Espírito de “João”, na noite de 31 de Março de 1921, e ao lado o positivo em gesso.

 

Gravura 26


O MESMO MODELO VISTO PELO DORSO
. Seria possível retirar a mão que produziu semelhante  modelo, inteiriço como todos os demais, estando assim inteiramente fechada, sem quebrá-lo ? Repare ainda o leitor na estreitura do punho em relação ao corpo da mão.

 

 

O texto a seguir foi extraído da página 198. Trata-se de escrita direta do Espírito "Guilherme", irmão do maestro Bosio. Sua cópia em fac-símile consta na Gravura 27.

 

 

Gravura 27

 

COMUNICAÇÃO
       “A paz seja entre vós.
       A dor é uma benção que Deus envia aos seus escolhidos. Não vos aflijais quando sofrerdes, pois se vos designou a dor nesse mundo para obterem a glória do Céu.
       Sede pacientes, pois a paciência é também uma forma de caridade ensinada por Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil das caridades; porém a mais penosa e, por consequência, a mais meritória, é a que consiste em perdoar àqueles que Deus colocou entre o vosso caminho para serem instrumentos do vosso sofrimento e vos porem em prova a paciência.
       Eu vos abençoo. Dou este conselho porque vejo a união entre vós; continuem a ser unidos. É o que desejo.”
       Esta comunicação é uma cópia (33), com poucas modificações, de outra dada por “Um Espírito amigo”, no Havre, em 1862, e publicada n’ “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, sob o título “A Paciência”. 
(33) Este fato faz lembrar o fenômeno idêntico observado  por Stainton Moses, e por ele narrado no seu precioso livro Ensinos Espiritualistas.(...)
 

O texto a seguir foi extraído da pág. 207

FOTOGRAFIA LUMINOSA

       (...)  Desde a época do 2º aniversário da aparição do “João” materializado, diz-nos o maestro Bosio, que ele prometera, pela tiptologia, uma fotografia luminosa. Ainda a família Prado residia na rua dos Tamoios, quando foi feita a primeira tentativa, de efeito negativo.
       Colocada a máquina no corredor da casa, focada em um dos pontos indicados pelo Espírito e deixada a objetiva aberta toda a noite, apenas se conseguiu na chapa algumas manchas fluídicas branco-neve.
       Perguntado ao “João” a razão do insucesso, disse-nos, por meio de uma mesinha mediúnica, que pretendera fazer posar um Espírito de velha, mas que não o lograra, visto esta não somente não querer fotografar-se, mas também não ficar diante da objetiva o tempo necessário para impressionar a chapa.
       No mês de Julho, não recordo o dia, a família Prado e a minha foram convidados para passar o dia com a do Sr. João da Rocha Fernandes, dedicado amigo nosso, voltando de lá, perto da meia-noite.
       Já no dia anterior a este o “João” nos prometera outra tentativa na nova residência do Sr. Prado, Travessa São Mateus, 142. Recebidas as instruções precisas, cumprimo-las escrupulosamente.
       A máquina, àquela hora mesma, foi focada para o centro da pequena sala do 1º andar, ao lado de outro aposento, com a porta de comunicação, ficando esta aberta, e no qual a Sra. Prado e seu esposo dormiam. Abri o chassis e tapei cuidadosamente a objetiva, perguntando ao “João” se ele podia tirá-la, o tempo preciso para fazer a exposição, e recolocá-la. Respondeu-nos afirmativamente.
       Fechou-se a porta que dava para o corredor, retirando-me em seguida. De manhã cedo, às 6 horas e meia, fui saber do resultado. A máquina estava aí com a objetiva tapada da mesma forma como a tinha deixado.
       Teria o “João” aberto a máquina e impressionado a chapa? Como sabê-lo? Perguntamos-lhe então, pela tiptologia, e ele nos respondeu o seguinte: -Quero saber vossa opinião sobre o meu primeiro trabalho fotográfico!
       Seria possível? Mau grado as coisas espantosas a que já assistíramos, ansiávamos pela prova desta experiência.
       Corri a revelar a foto no atelier do Girard.
       Não poderei descrever a  minha emoção ao descobrir, ainda no banho revelador, que a chapa fora impressionada! É a mais bela fotografia que obtivemos (Gravura 28) (...)

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 208

FOTOGRAFIAS ESQUISITAS

      (...) Assim o caso das três fotografias que se seguem, todas esquisitas, prestando-se admiravelmente à maledicência e crítica parcial, ávida de ensejos para o ataque injusto.
       Na primeira fotografia aparece fora da grade, onde está a médium, uma perfeita cabeça de boneca sobreposta a roupagens brancas, a cujas pontas, do lado direito, está como que amarrado no mastro que, lacrado, fechava a grade. De onde veio essa cabeça de boneca? Um transporte? Não é inteiramente inadmissível a idéia. Perguntado, o Espírito disse, apenas: imagem do Manoel Barbosa Rodrigues – um dos mais assíduos frequentadores das reuniões de materialização, que não fora, aliás, nessa noite. “Ele se lembrará”, acrescentou o Espírito. (Gravura 29).


 

 

Gravura 28

 

 

Gravura 29

 

Interrogado por nós, Barbosa Rodrigues, por mais esforços que fizesse, não conseguiu reconhecer a cabeça, fato que até hoje o intriga.
       Vê-se também, nessa fotografia, como que saindo das mãos ou da boca da médium, uma faixa branca que, atravessando da grade maior para a outra menor, onde se achavam os baldes, cai sobre estes. Dentro desta última grade, muito pregada, se encontravam os baldes em que o Espírito mergulhava a mão para fazer moldes em parafina. Nota-se, numa das extremidades da faixa branca fluídica, como que um molde de mão.

***

      Esquisita é a fotografia de nº 30. Vê-se entre a Sra. Leopoldina Fernandes e a Sra. Antonina, que é médium psicógrafa, um vulto com o rosto coberto. Em inúmeras fotografias publicadas em obras congêneres temos observado casos idênticos. Consulte-se, por exemplo, os recentes trabalhos de Madame Lacombe e de Madame Bisson.
      Não sabemos a que atribuir esse fato de os Espíritos ocultarem a fisionomia – a não ser que, nem sempre permitindo o ambiente de materialização tão perfeita que faculte a recomposição dos traços fisionômicos em seus mínimos detalhes, eles prefiram apresentá-los vendados.
      Repare-se, por exemplo, nestas fotografias obtidas de Madame Lacombe (Gravuras 30-A e 31)

 

 

Gravura 30

 

 

Gravura 30-A

 

 

Gravura 31

 

 

Gravura 32

 

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 211

      (...) Muito esquisita é ainda a terceira fotografia. Vê-se um fantasma de pés e mãos de adulto como que segurando uma criança, cuja cabeça encantadora e de uma beleza celestial surge à altura em que devia estar aquele. (Gravura 32)

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 212

      (...) Ainda merece uma referência a fotografia do Espírito de “João”, reproduzida na gravura nº 41. Está envolto numa espécie de lençol visivelmente amarrotado e calçando sapatos de lona branca. Seria ainda um caso de transporte e cuja recomposição de tais peças de uso fôsse tão somente de sorte a impressionar a chapa e não a retina do experimentador? Eram 9 horas da manhã.
Além da médium, nada era visto diante daquela objetiva. Revelada a chapa, acusou a roupagem e os sapatos. Não é desnorteador?

 

Gravura 33

Primeira experiência, após a memorável sessão de 20 de Agosto de 1920. Vê-se, colocada sobre o braço do Sr. Manoel Tavares, sentado, em primeiro lugar, à esquerda, uma pequena mão branca, envolta em panos.

 

Gravura 34

Segunda experiência. No soalho, tocando os pés do Sr. Manoel Tavares, está a mão aparecida na experiência anterior. O Sr. Tavares acusou a pressão dos dedos do Espírito, apertando-lhe os pés.

 

INÍCIO DA FOTOGRAFIA ESPÍRITA EM PLENO DIA

      Narra-me assim o Maestro Bosio a descoberta da fotografia diurna dos Espíritos, sem auxílio do magnésio:
“O meu amigo Prado se achava ausente; tinha ido a Santa Isabel, localidade distante 2 horas da capital.
Falando-me a Sra. Prado sobre sua extrema sensibilidade mediúnica, dizia-me que, quando longe de seres queridos, como sua mãe, filhos, esposo, etc., sentia profunda tristeza e uma impressão estranha, uma espécie de abandono  e enfraquecimento geral, provocando isto um estado que não sabia bem definir. Nestas ocasiões, acrescentou, vejo o meu próprio duplo.
      - Eureca! disse eu, temos fotografia em pleno dia!
      - Como?
      - Permita-me, senhora, que eu coloque, focada, a máquina na direção da cadeira em que se acha presentemente sentada, a qual será conservada sempre no mesmo lugar conjuntamente com o aparelho fotográfico. Qualquer momento em que a senhora se sentir cair em transe, procure sentar-se nela e confie em Deus. Nada lhe sucederá de maior.
      Ficou assim combinado. Instruí a Sra. Antonina (filha da médium), pedindo-lhe que, dado o momento preciso, abrisse a tampa da objetiva, contando 5 tempos regulares.
      O momento não se fez esperar, impressionando uma chapa, a qual, revelada incontinenti, acusou a fotografia fluidicamente a médium, de tamanho muito maior do que o natural, ficando apenas na cadeira poucos fluidos e vendo-se, sempre nesta, a forma tenuíssima da parte inferior do corpo da Sra. Prado! Maravilhoso! Assombroso mesmo! (Gravura 35)

 

Gravura 35

 

Gravura 36

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 213

 

      (...) Renovámos a experiência poucos dias depois. Estavam presentes nessa ocasião o Dr. João Correa (irmão da médium) e também as Srtas. Alice  e Antonina (suas filhas), além do seu amigo Bosio, na qualidade de fotógrafo-amador. Eis o magnífico resultado: (Gravura 36) (...)
      (...) O Sr. Prado resolveu outra viagem e desta vez por maior tempo, indo com seu filho Erato até ao Rio. Permitiu-me, por extrema gentiliza, e dados os laços de recíproca extima entre nossas famílias, que observasse todos os fenômenos espíritas produzidos por efeito de mediunidade de sua esposa, menos o da materialização.
      Foi quando pude obter a bela série de chapas que se acham no “O Trabalho dos Mortos” (Gravuras 37 a 44)

 

Gravura 37

Terceira fotografia obtida de dia, às 8:30h. da manhã de 16 de Janeiro de 1921. Os fluidos brancos formam uma figura diáfinaà esquerda da médium, cujo corpo, desmaterializado em grande parte, é quase todo transparente. Vê-se através dele o encosto e a armação da cadeira, a palhinha do assento, sendo apenas opacos o braçodireito e uma pequena parte da mão.

 

Gravura 38

Fotografia tirada no dia 18 de Janeiro de 1921, às 10 horas da manhã. O maestro Bosio considera o resultado incompleto e incerto por não ficar provado, positivamente, se as manchas que apareceram na vidraça da porta ao fundo foram efeitos de algum fenômeno ou por outra qualquer causa. Mas perguntamos, que causa seria essa? Elas lá não estavam e, entretanto, impressionaram a chapa. Donde vieram?

 

Gravura 39

Experiência. Fotografia obtida às 9 horas da manhã de 19 de Janeiro. Fantasma diáfano, de estatura muito maior que a médium. Veja-se, como que se derramando do corpo da médium, a onda fluídica formadora do fantasma.

 

Gravura 40

Fenômeno luminoso, refletindo-se no soalho. Fotografia diurna. Com uma boa lente, parece-nos que distinguimos vários semblantes, embora indistintamente. Atente bem o leitor para o alto da claridade da parede e à direita da mesma claridade.

 

Gravura 41

Fotografia obtida no dia 30 de Janeiro, às 9 horas da manhã. Reconhece-se francamente a fisionomia do Espírito “João”, confrontando-se já com o seu próprio retrato reproduzido na página 39, gravura 3, já com a do fantasma (pág 41, gravura 4)

 

Gravura 42

Fotografia de um grupo de Espíritos obtida no dia 10 de Fevereiro de 1921, às 8:30h. da manhã. Além dos fantasmas perfeitamente visíveis, no primeiro plano, o leitor atento, com auxílio de uma lente, distinguirá, no alto, vários semblantes também perfeitamente visíveis.

 

Gravura 43

Fotografia obtida no dia 23 de Março, às 9 horas da manhã. Para conseguir fotografar esse Espírito foi uma luta insana, que o maestro Bosio relata minuciosamente no seu livro tantas vezes citado. O Espírito de “João” disse-o perseguidor de um dos nossos estimados confrades.

 

Gravura 44

Fotografia obtida às 3 horas da tarde do dia 25 de Março de 1921, pelo maestro Bosio. Vê-se distintamente o corpo do fantasma, todo transparente. Dava nas sessões o nome de Evangelista. Além do seu vulto, há sombras luminosas em diversos pontos da chapa.

 

O texto a seguir foi extraído da pág. 280

 

      (...) "OS SENSACIONAIS FENÔMENOS ESPÍRITAS
Duas horas e 40 minutos materializada! - Pais
que revêem a filha falecida - Muitos Espíritos
materializados na mesma sessão - O que nos 
disse o Sr. Fred Figner

       Em uma das vezes em que veio a público, pela imprensa, o Sr. Fred Fígner, chefe da Casa Édison, do Rio de Janeiro, afirmou ter visto sua filha (Gravura 45), falecida há muitos meses, completamente materializada, por virtude da mediunidade da Sra. Eurípedes Prado, nesta Capital.

 

Gravura 45

Depois desta declaração, e, alías, antes dela, começaram a circular na cidade diversas narrativas dos sensacionais acontecimentos. Resolvemo-nos, pois, obter do Sr. Fred Fígner, hospedado no Grande Hotel, uma entrevista, na qual pudéssemos informar aos nossos leitores, com absoluta segurança, o que de verdade havia naquelas narrativas.
       Dirigimo-nos, assim, àquele hotel, onde fomos recebido cavalheirosamente pelo Sr. Fígner.
       Formulado nosso desejo, S. Sé. falou:
       - Deseja o senhor que lhe relate os fenômenos por mim presenciados e produzidos com a privilegiada mediunidade da Sra. Eurípedes Prado? Pois não, Sr. Redator, com muito prazer. Vou dar-lhe alguns pormenores que presenciámos, eu e minha família, em três sessões riquíssimas de fenômenos.
       Comeárei por lhe dizer que aqui vim, não por curiosidade minha, visto que sabia ser a materialização um fato comprovadopor Crookes, em primeiro lugar, em Lodres, desde o ano de 1871, quando começou, então, a hoje célebre materialização de Katie King, servindo de médium a Sra. Florence Cook, e, seguidamente, experiências idênticas relatadas por tantas outras sumidades científicas.
       Vim com o fito único de minorar a tristeza e a dor que acabrunhavam minha esposa, por haver desencarnado uma filha nossa muito amada.
       Aqui chegando, tive a desilusão de não encontrar a família Prado. Recebido pelos meus confrades, prontificaram-se eles a telegrafar ao Sr. Prado, participando-lhe minha chegada com a família, e pediram, se fôsse possível, viesse até aqui. A despeito de adoentada sua esposa, resolveu ele aceder ao apelo, aqui chegando no "Pais de Carvalho", no dia 28 de Abril depoisde uma penosa viagemn de 7 dias.
       No dia 1º de Maio, fêz-se uma sessão preliminar, a que estiveram presentes, além da família Prado, a família Manoel Tavares, a família Bosio e o Dr. Mata Bacelar.
       Materializaram-se João e um Espírito denomindao Evangelista. Havia bastante luz e distinguiam-se os Espíritos perfeitamente, como se fôssem homens com vestes brancas que andassem de um lado para o outro. Demorou-se João bastante tempo conosco, de forma que bem o pudemos ver e sentir. Minha esposa, dirigindo-se a João, contou-lhe seu sofrimento, o que atento ele ouvia. Recebeu de minha senhora umas flores que ela levara, as quais João passou para a mão esquerda. Em seguida João estendeu a mão direita à minha senhora, fazendo ela o mesmo; João passou sua mão sobre a dela, fazendo-lhe sentir que estava perfeitamente materializado.
       Por fim, João, sacudindo um lenço em sinal de despedida, entrou na câmara, começou a desmaterializar-se às nossas vistas, como o fizera quando se materializou. Daí a pouco, ouvimos umas pequenas pancadas que ele dava no rosto da médium para a despertar.
       Esta primeira sessão me deixou completamente frio, visto que eu vira tão somente aquilo que esperava.
       Tudo aquilo era coisa muito natural para mim, quanto `sua realidade.
       Minha esposa, porém,apesar de também conhecer, de leitura, os fenômenos, ficou muito satisfeita, começando a nutrir esperanças de ver nossa filha, moça de 21 anos, desencarnada em 30 de Março de 1920.
       A segunda sessão, realizada a 2 de Maio, foi, realmente, muito mais importante.
       Havia nessa ocasião pessoas que não conheciam os fenômenos, bem como a Doutrina Espírita, entre elas o Dr. Remígio Fernendez, o Sr. Barbosa e a Sra. Pernanbuco.
       Materializaram-se muitos Espíritos de diversas estaturas, entre eles a nossa cara filha Racuel.
       Mas, devido talvez ao excessivo número de materializações, que absorveram muitos fluidos, e entre os Espíritos materializados um de nome Diana que, creio, se apresentou com um brilhante de diadema na cabeça, a materialização da nossa Rachel não era tão perfeita quanto esperávamos; no entanto,era bastante para ser reconhecida por todos nós. Nessa sessão, ela perguntou, à sua mãe, "porque aquele vestuário preto, visto que ela se sentia muito feliz".
       No dia 4 de Maio fizemos outra sessão, e nesta a materialização de nossa filha foi a mais perfeita possível. Rachel apresentou-se com tanta perfeição, com tanta graça e tão ela mesma, com os mesmos gestos e modos, que não pudemos conter nossa emoção e todos, chorando, de joelhos, rendemos graças a Deus, por tamanha esmola.
       Era Rachel viva, pronta para ir a uma festa. A sua cabeça erguida, os seus braços redondos, o seu sorriso habitual, as suas bonitas mãos e até a posição destas, toda sua exatamente como era na Terra. Falou à mãe, pedindo-lhe exatamente que na próxima sessão viesse toda de branco como desejava e aí estava materializada.
       Rachel tocou todos nós com a sua mão; sentimos todos o seu calor natural e, à observação de minha esposa: “Rachelzinha, tu tinhas os cabelos tão bonitos, mostra-nos os teus cabelos”, ela entrou no gabinete e, voltando instantes depois, virou-se duas vezes, mostrando-nos seus cabelos compridos e ondulados. Aceitando as flores que lhe oferecemos, fêz sua mãe sentar-se em uma cadeira junto ao gabinete e de costas para        este. Abraçou-a e beijou-a muito carinhosamente, depois lhe colocou uma rosa na blusa branca, que minha esposa vestira para ser agradável à filha, que na véspera não gostara de vê-la de preto. Na ocasião em que lhe colocou a rosa, falou-lhe de seus próprios lábios, dizendo-lhe: “Não quero que ande de preto, ouviu? Quero que venha toda de branco, assim como eu estou.”
       Toda essa frase minha filha a pronunciou tão clara e distintamente que todos, além de minha esposa, a ouvimos.
       Depois, sentando-me eu na mesma cadeira por ordem sua, acariciou-me como fizera à sua mãe, colocou uma angélica na lapela de meu paletó, apoiando-se com todo o peso de seu corpo sobre os meus ombros. Por fim, sacudindo um lenço em sinal de despedida, entrou no gabinete e desapareceu.
       Puxei o relógio, Rachel tinha estado aí 40 minutos.
       Depois saiu o João e cantou, muito satisfeito com a materialização de sua discípula.
       A 6 de Maio fizemos a última sessão.
       O resultado foi o mesmo da anterior, com acréscimo de Rachel fazer diante de nós uma luva em parafina, de sua mão esquerda, consultando muitas vezes João, que se achava no gabinete, porém à nossa vista, durante todo o tempo em que ela trabalhava com a parafina. Logo ao se materializar, Rachel, saltando e batendo palmas, demonstrou sua satisfação por ver sua mãe toda de branco; e, ao despedir-se, pediu-lhe que levasse sua irmã Leontina às festas e ao Teatro, como fazia com ela. Rachel esteve conosco, nessa ocasião, durante duas horas.
       Por fim, pedi a Rachel que me permitisse beijar-lhe a mão. O mesmo pedido foi feito por minha esposa e mais duas filhas aí presentes, além de umas 10 pessoas. Ela deu a mão a beijar à sua mãe e à menor das suas irmãs; e, aproximado-se de mim, num gesto rápido, todo seu, pegou minha mão com bastante força e beijou-a. E, sacudindo um lenço em sinal de despedida, entrou no gabinete. Não sentimos sua partida, pois estamos certos de que não será esta a última vez que a veremos. Rachel vive! Disto estava certo antes de aqui vir e continuo com a mesma certeza.
       Tenho entretanto de confessar que estas duas horas e 40 minutos foram para todos nós o tempo mais feliz de nossa existência.
       E permita-me que, por seu intermédio, uma vez mais agradeça ao Sr. e Sra. Prado o sacrifício que fizeram de vir aqui, e ao maestro Bosio e senhora as gentilezas de que nos cumularam, assim como a todos os confrades e amigos o acolhimento que nos fizeram. Agradeço também à “Folha do Norte” pela cessão de suas colunas. Que Deus lhe pague!

 

Gravura 46

 

Escrita direta do Espírito João, em reunião mediúnica a 6 de Maio de 1921, da qual comparecia o Sr. Fred. Fígner

 

Gravura 47

Molde de parafina da mão de Rachel, flor, também de parafina, feita pelo Espírito de Anita, e lenços atados pelo Espírito de João.

 


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