À LUZ DO EVANGELHO

“Meus amigos:

Saudando o nosso irmão presente, bem como aos demais companheiros da nossa caravana evangélica,  faço-o na paz de Jesus, desejando-vos a sua luz santificadora.

Nada mais útil do que o esforço de evangelização,  na atualidade,  e é dentro dessa afirmativa luminosa que precisamos desenvolver todos os nossos labores e pautar todos os pensamentos e atitudes.

As transições terríveis e amargas do século têm sua origem na clamorosa incompreensão do exemplo do Cristo.

O trabalho secular de organização das ciências positivas caminhou a par da estagnação dos princípios religiosos. Os absurdos contidos nas afirmações e negações de hoje são o coroamento da obra geral das ciências humanas,  entre as quais, despojada de quase todos os seus aspectos magníficos da Antigüidade,  vive a filosofia dentro de um negativismo transcendente. E o que se evidencia,  aos amargurados dias que passam,  é , de um lado,  a ciência que não sabe e,  de outro,  a religião que não pode.

O nosso labor deve caracterizar-se totalmente pelo esforço de renovação das consciências e dos corações,  à luz do Evangelho. Urge,  pelos atos e pelos sentimentos,  retirar da incompreensão e da má-fé todas as leis orgânicas do código divino,  e aplicá-las à vida comum.

O vosso sacrifício e o vosso esforço executarão o trabalho regenerador,  mas necessário é não vos preocupeis com os imperativos do tempo,  divino patrimônio da existência do espírito. À força de exemplificação e apoiados nas vossas convicções sinceras, conseguireis elevadas realizações, que farão se transladem para as leis humanas as leis centrais e imperecíveis do Divino Mestre

Esse o grande problema dos tempos.

Nenhuma mensagem do mundo  espiritual pode ultrapassar a lição permanente e eterna do Cristo, e a questão,  sempre nova,  do Espiritismo é,  acima de tudo evangelizar,  ainda mesmo com sacrifício de outras atividades de ordem doutrinária. 

A alma humana está cansada de ciência sem sabedoria e,  envenenado pelo pensamento moderno,  o cérebro,   nas suas funções culturais,  precisa ser substituído pelo coração,  pela educação do sentimento.

O Evangelho e o trabalho incessante pela renovação do homem interior devem constituir a nossa causa comum.  

Procuremos desenvolver nesse sentido todo o nosso esforço dentro da oficina de Ismael,  e teremos encontrado,  para a nossa atividade,  o setor de edificação sadia e duradoura.

Que Jesus abençoe os labores do nosso amigo e dos seus companheiros,  que,  com abnegação e renúncia,  lutam pela causa do glorioso Anjo, servindo de instrumento sincero à orientação superior da sua Casa no Brasil,  é a rogativa muito fervorosa do irmão e servo humilde.

Emmanuel”

Psicografada no dia 13 de maio de 1938.
Dirigida  a Manuel Quintão, na época Vice-Presidente da Federação Espírita Brasileira, 
que se achava em Pedro Leopoldo em  visita ao Chico.
Foi publicada  pelo Reformador  daquele mesmo ano ( p. 210 )  e
republicada no número de maio de 1.976,   da mesma revista  ( p. 123 ).

 

 

 

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