Entrevista com Richard Simonetti 

 

Autor de várias obras de grande sucesso, colaborando assiduamente na imprensa espírita. Dias 10 e 11 de junho esteve em Fortaleza, participando de workshop promovido pelo Centro Espírita Francisco de Assis (Rua Senador Catunda, 117 – Benfica) com o tema título de seu mais recente livro “Luzes no Caminho”, ocasião em que prestou rápida entrevista ao GAZETA ESPÍRITA.

GAZETA ESPÍRITA – O que nunca lhe perguntaram numa entrevista e você gostaria que lhe fosse perguntado ?

RICHARD SIMONETTI – Não me ocorreu ... (risos). Eu nunca pensei nisso. Fica meio complicado responder, porque realmente eu não me lembro de alguma coisa que eu gostaria que me perguntassem e que não tenham perguntado. São tantas coisas e normalmente tudo gira em torno do trabalho, da doutrina espírita, das minhas experiências. Eu não posso dizer para você que tenha alguma coisa que não me perguntaram que eu gostaria.

G.E. – Você acha que tudo que existe já lhe perguntaram ?

R.S. – Não. Tudo não, mas coisas que envolvem o meu trabalho, a doutrina espírita, sobre temas de meus livros, são as perguntas mais freqüentes. Não tem nada assim que eu possa dizer: - gostaria que me perguntassem tal coisa, mas tudo bem.

G.E. – Qual a sua visão da Arte no Espiritismo ?

R.S. – A arte é importante em qualquer setor de atividade humana, principalmente no Espiritismo. É uma forma de elevar as pessoas, de divulgar a doutrina, de sensibilizar as pessoas em relação a um aspecto importante da nossa vida, que é o cultivo do belo. O cultivo do sublime, de algo espiritualizado que é a arte no seu sentido mais puro. Sou francamente favorável a que o Movimento Espírita desenvolva iniciativas envolvendo a arte, a música, o teatro, o cinema, a televisão, enfim todas as formas de manifestação artística, eu acho que devem ser bem vistas, bem recebidas no Movimento Espírita.

G.E. – Qual a virtude indispensável que todo espírita deve ter ?

R.S. – Eu acho que o fundamental como espírita é termos coerência doutrinária. Coerência em relação aos princípios da doutrina. Se eu sou espírita, o mínimo que eu posso fazer é buscar vivenciar os princípios espíritas, no campo social, no moral e em relação a minha vida de um modo geral. Essa coerência é fundamental. Aliás o que caracteriza o desvio do religioso é exatamente o fato dele se despreocupar do sentido de vivenciar os princípios que diz esposar. Então a coerência é fundamental.

G.E. – Depois do “Ovo de Colombo” que fez espalhar livros por todo esse Brasil, com a criação dos Clubes do Livro Espírita, surgiu alguma outra idéia na área de divulgação ?

R.S. – Não. Eu tenho me empenhado muito na divulgação em relação a livros, como escritor. Na imprensa espírita, como colaborador de vários órgãos. Tenho participado de programas de televisão. Eu acho que a mídia deve ser usada, tanto quanto possível e o que eu sinto necessidade do Movimento Espírita, na atualidade; não estou assumindo o movimento, mas simplesmente tenho procurado destacar; a importância de conquistarmos a televisão. O Movimento Espírita, como um todo, ter um programa de âmbito nacional. Programa bem preparado, bem feito e com o tempo, quem sabe até conseguirmos um canal de televisão. Entendo que isso é fundamental para a divulgação da doutrina espírita. Nós vemos que outros segmentos religiosos, como o catolicismo, o protestantismo, as igrejas evangélicas, hoje têm esse segmento já bem desenvolvido. Nós espíritas estamos um pouco atrasados em relação a isso. Não tem havido da parte dos órgãos de direção do Movimento Espírita, tanto a nível Municipal, Estadual e Federal, essa preocupação. Vamos arregaçar as mangas e vamos fazer alguma coisa. No dia em que nós nos decidimos a fazer, a gente vai conseguir, há possibilidade, o que está faltando é a vontade !

G.E. – O Alamar Regis de Salvador já tem um programa semanal, o “Espiritismo via Satélite” que é levado ao ar todos os domingos, será um embrião dessa idéia ?

R.S. – É um começo. Entendo que o Alamar é um idealista, alguém que está fazendo um trabalho muito interessante, que começou e acho que na esteira do trabalho do Alamar haveria necessidade de que os órgãos de unificação do Movimento Espírita se interessassem pelo assunto. O Alamar está trabalhando quase que sozinho, pouca colaboração e ele luta com dificuldades. Entendo que um movimento assim de projeção Nacional, no sentido de envolver a mídia deveria estar vinculado, principalmente, aos órgãos de unificação do movimento, teriam mais força para isso.

G.E. – Sua mensagem aos espíritas cearenses.

R.S. – Estou voltando ao Ceará, depois de aproximadamente dez anos, vejo com satisfação que o Movimento Espírita está se desenvolvendo, está organizado. Acontece no Ceará o que está acontecendo no Brasil de um modo geral. Os espíritas vão se conscientizando da necessidade de divulgação da Doutrina num primeiro momento e de aplicação prática dos princípios doutrinários. Vejo que o trabalho no campo social vai se disseminando no meio espírita, o que é muito importante, até porque a Doutrina nos conduz a esse tipo de trabalho. Ela prega a construção de um mundo melhor, mas a partir do nosso esforço no campo do bem, do nosso empenho em participar de uma forma efetiva da comunidade em que vivemos. Isso é ser espírita de fato. É arregaçar as mangas e fazer alguma coisa. E eu vejo com satisfação os companheiros aqui do Francisco de Assis, em Fortaleza, desenvolvendo um trabalho dessa natureza, o pessoal interessado em participar, de divulgar a doutrina. Enfim de sair fora do âmbito fechado, restrito, daquele espiritismo familiar, em que pequenos grupos desenvolvem um trabalho quase que a portas fechadas, sem permitir assim uma ampliação do trabalho, um desenvolvimento. Percebe-se que vai acontecendo no Brasil todo, isso é muito importante! A doutrina tem que ir por ai mesmo, é o processo de conscientização do espírita e o seu empenho de participação.

 < Voltar para a página anterior