A MULHER DO NASCIMENTO À VELHICE

  0 organismo da mulher possui uma série de características específicas que lhe permitem desempenhar as atividades que lhe são próprias, tanto do ponto de vista físico como do psíquico. 0 organismo da mulher não é o mesmo a vida toda. As alterações e evoluções por que passa provocam mudanças físicas e psíquicas nas várias fases de sua vida.

É importante que a mulher conheça bem o seu corpo, a fim de melhor entender essas transformações e, sobretudo, poder cuidar mais adequadamente dele. É indispensável que compreenda bem o funcionamento de seu organismo, as fases que atravessa e, principalmente, como cuidar dele, respeitando os seus limites. A melhor forma que encontramos para esclarecer estas dúvidas foi responder as perguntas que você gostaria de fazer.

o CORPO DA MULHER É SEMPRE IGUAL DURANTE A VIDA TODA ?

 

  A estrutura do organismo da mulher é basicamente a mesma durante toda a vida. Assim, podemos dizer que uma mulher de 30 anos, ama menina recém-nascida e uma senhora na menopausa tem uma estrutura corporal similar. Porém, isso não significa que ama mulher seja igual durante toda a vida. Ela, sem dúvida, sofre mudanças com o passar dos anos. Essas mudanças devem-se a um maior ou menor desenvolvimento dos órgãos.

 

O QUE CAUSA AS MUDANÇAS NO CORPO DA MULHER ?

 

 

Todos os órgãos femininos já estão formados no corpo da menina recém-nascida, mas a maioria deles só ira completar seu desenvolvimento muitos anos mais tarde. O desenvolvimento de certos órgãos femininos, como as mamas por exemplo, ocorrerá no período em que o corpo da mulher se prepara para ter a primeira menstruação, a puberdade. Essas mudanças são provocadas pela atuação de hormônios produzidos pelos ovários.

 

EM QUE FASE O CORPO DA MULHER ESTA TOTALMENTE DESENVOLVIDO ?

 

 

Por volta dos 18 anos o organismo da mulher está totalmente desenvolvido. Seus ovários, funcionando sob o comando de hormônios vindos do cérebro, liberam de forma regular e cíclica os hormônios femininos: Estrógeno e progesterona. Nessa fase da vida da mulher, iniciam-se os ciclos menstruais. Nas primeiras duas semanas os ovários produzem estrógenos e um óvulo — a semente feminina que cresce, amadurece e é liberado na metade do mês (ovulação). Na segunda metade do ciclo os ovários produzem a progesterona, que possibilita o desenvolvimento de uma gravidez.

 

ESSES CICLOS NUNCA SÃO INTERROMPIDOS ?

 

Durante cerca de 35 anos, o organismo da mulher funciona ciclicamente; os hormônios produzidos pelos ovários agem no corpo todo, especialmente nos órgãos genitais e nas mamas. Esses ciclos só não ocorrem durante o período de gravidez e nos primeiros meses após o parto, durante a amamentação.

Também há meses em que a regularidade dos ciclos hormonais da mulher se modifica. Isso ocorre mais freqüentemente durante a adolescência e nos anos que antecedem a menopausa.  

 

SISTEMA REPRODUTOR

 

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS QUE DIFERENCIAM 0 HOMEM DA MULHER?  

 

 

Urna série de características físicas diferenciam o corpo do homem do corpo da mulher. As mais marcantes dizem respeito ao sistema reprodutor. Mas existem outras de ordem mais geral. Por exemplo, a textura da pele, que na mulher è mais macia; a quantidade de pêlos, bem menor na mulher; a distribuição de gordura pelo corpo, que faz com que a mulher tenha quadris mais largos, ventre mais saLiente e coxas mais roliças. Todas essas características são determinadas pela ação dos hormônios femininos (estrógeno e progesterona).

 

COMO É FORMADO O APARELHO REPRODUTOR FEMIN1NO?

 

  O Aparelho reprodutor feminino é formado por órgãos externos, que são visíveis (genitais externos e seios) e internos (ovários, útero, trompas, etc).

 

QUAIS OS ÓRGÃOS EXTERNOS DO APARELHO REPRODUTOR FEMININO ?

 

Os genitais externos, que compõem a vulva, podem ser visualizados com a ajuda de um espelho. São eles:

 

Monte de Vênus Parte frontal da vulva. É uma saliência recoberta de pele e pêlos.

 

Grandes lábios Duas pregas de pele (uma de cada lado), recobertas total ou parcialmente de pêlos.

Pequenos lábios Duas pregas menores, sem pêlos, localizadas internamente aos grandes lábios, mais perto da entrada da vagina.

Clitóris Pequena saliência situada na junção anterior aos pequenos lábios. ii bastante sensível ao tato, tendo um papel importante na excitação sexual da mulher.

Orifício uretral Pequena abertura redonda localizada logo abaixo do clitóris, na entrada da vagina. É o canal que liga a bexiga ao meio externo, por onde a urina é eliminada.

Entrada da vagina ou intróito vaginal Abertura de contorno irregular, bem maior do que o orifício uretral e por onde é eliminada a menstruação.

Hímen Membrana fina, localizada na entrada da vagina. Ela geralmente se rompe nas primeiras relações sexuais.

 

 

Seios (ou mamas) - órgãos formados por dois tipos de tecido (glandular e gorduroso). Os seios começam a se desenvolver na adolescência, pela ação dos hormônios femininos. Também por essa ação, durante o ciclo menstrual, eles podem aumentar de volume e torna-se mais sensíveis, alguns dias antes da menstruação. Durante a gravidez, eles crescem, preparando-se para produzir leite (após o parto).

 QUAIS OS ÓRGAO5 INTERNOS DO APARELHO REPRODUTOR FEMININO?

 São eles:

Vagina - Canal em forma de tubo, que se estende da vulva (intróito vaginal) ate a parte inferior do útero (colo uterino).

Útero - órgão formado por tecido muscular, com formato de uma pêra (invertida). 0 útero tem uma cavidade cuja superfície está coberta por um tecido que possui muitas glândulas. Este tecido, conhecido como endométrio, se prepara durante cada ciclo menstrual para receber o ovo (óvulo fecundado). Se a gravidez não ocorrer, esse tecido se desprende e é eliminado, através da menstruação.

A parte inferior do útero, chamada de colo do útero, termina no fundo da vagina, onde está o canal cervical, responsável pela comunicação entre a cavidade uterina e a vagina.

 

Trompas Dois canais finos que saem de cada lado do fundo do útero e terminam com as extremidades dilatadas, perto dos ovários. E o lugar onde as sementes masculinas ou espermatozóides se unem ao óvulo, quando há fecundação.

 

Ovários Duas glândulas em forma de amêndoa, situadas de cada lado do útero, logo abaixo das trompas. Sob a ação do sistema nervoso central, os ovários produzem os hormônios femininos (estrógeno e progesterona) que provocam o desenvolvimento do óvulo. Uma vez por mês, expulsam o óvulo maduro que é captado pela trompa.

 

 

 

 

AULA 2

 

QUAIS SÃO OS ÓRGÃOS DO APARELHO REPRODUTOR MASCULINO?

 

 

São eles:

Testículos Duas glândulas de forma oval, localizadas na bolsa. Eles tem a função de produzir o hormônio masculino (testosterona) e os espermatozóides que são as células reprodutoras masculinas.

Epidídimo Formação tubular longa e fina onde os espermatozóides atingem maturidade e ficam ate sair por um canal mais grosso, chamado canal deferente que os leva ate a uretra.

Uretra Estrutura tubular com dupla função: excretar a urina produzida pela bexiga e conduzir o sêmen (ou esperma) para fora. A saída do sêmen se chama ejaculação.

Pênis Composto de tecido com muitas veias e artérias que se enchem de sangue durante a estimulação sexual, provocando aumento do diâmetro, dureza e comprimento do órgão.

 

COMO SE INICIA O PROCESSO DE REPRODUÇÃO HUMANA ?

 

 

0  processo de reprodução humana inicia-se com o encontro da semente ou célula reprodutora feminina, que é o óvulo, com a masculina, que é o espermatozóide, o que acontece em urna das trompas.

 

COMO SÃO PRODUZIDOS OS ESPERMATOZÓIDES ?

 

 

A produção de espermatozóides se dá de forma ininterrupta (sem parar). Em conseqüência, a fertilidade do homem não é cíclica como ocorre com a mulher mas praticamente continua, durante grande parte da sua vida. Isto quer dizer que, na grande maioria das vezes, o sêmen ejaculado contém espermatozóides em quantidade suficiente para fertilizar um óvulo e, portanto, para engravidar uma mulher.

 

 

 

E  A MULHER, COMO PRODUZ SEUS ÓVULOS ?

 

 Na mulher, o padrão reprodutor é bastante diferente. Como já explicamos, o ovário secreta um óvulo a cada mês e é somente neste período, o da ovulação, que a mulher torna-se fértil, podendo, portanto, engravida este período ocorre num prazo de cinco a sete dias em cada mês.

 

CICLO MENSTRUAL

 

O QUE  É  MENSTRUAÇÃO ?

 

 

A menstruação É a eliminação do revestimento interno do útero num ciclo em que não houve fecundação. Ela é percebida através de um sangramento pela vagina, que se repete regularmente a cada 4 semanas, mas ou menos. A quantidade de sangramento varia de mulher para mulher e, em geral dura de 3 a 5 dias.

 

POR QUE OCORRE A MENSTRUAÇÃO ?

 

 

 A menstruação ocorre devido à ação dos hormônios ovarianos sobre o revestimento interno da parede do útero (endométrio). Esses hormônios produzem a multiplicação das células do endométrio,

 

fazendo com que ele cresça e se tome mais espesso. Tudo isso para receber o óvulo fecundado (ovo). Quando a fecundação não acontece ou o ovo não consegue se fixar no endométrio, esse processo é inter­rompido. A produção de hormônios cai abaixo de determinada quantidade e o endométrio (agora major) perde seus mecanismos de sus­tentação e desprende-se do útero. Este tecido 6 eliminado, junto com pequena quantidade de sangue, pela vagina: é o fluxo menstrual.

 

DURANTE A MENSTRUAÇÃO, A MULHER PERDE MUITO  SANGUE?

 

 

Durante os 4 dias aproximadamente em que ocorre o fluxo menstrual, ha uma perda de cerca de 30 ml de sangue puro (cerca de 3 colheres de sopa), apesar de o volume eliminado corresponder a 200 ou 300 ml (cerca de 2 xícaras), pois, além de sangue, a menstruação contém também restos de tecidos da parede do útero. Quando a mulher está em condições normais de saúde, essa perda 6 facilmente re­posta pelo organismo, sem qualquer conseqüência negativa.

 

O QUE É A OVULAÇÃO E QUANDO OCORRE ?

 

 

A ovulação é o processo de liberação, por um dos ovários, de um óvulo (célula reprodutora feminina). Esse óvulo contém o material genético da mulher, acompanhado de elementos nutritivos, que permitirão o desenvolvimento inicial do ovo, caso haja fecundação. A ovulação ocorre mais ou menos no meio dos 28 dias do ciclo menstrual (perto do 1 4o dia do ciclo).

 

QUAIS SÃO AS CONSEQÜÊNCIAS DA OVULAÇÃO ?

 

 

OVULAÇÃO

Menstruação   Fase Pré-Ovulatória Fase Pós-Ovulatória Menstruação
3-5 dias Duração Variável Geralmente 10 Dias Duração Fixa 14 dias  

 

 

 A OVULAÇÃO PODE TER DUAS CONSEQÜÊNCIAS:

 

 

A primeira é que o ovário passa a produzir progesterona, que o hormônio que prepara o endométrio para receber o ovo em caso de haver Fecundação.

—A segunda conseqüência é a possibilidade de fecundação. Havendo

relações sexuais, o espermatozóide pode penetrar no interior do óvulo e

fecundá-lo. 0 novo ser origina-se pela junção desse material genético (masculino e feminino). Nesse momento, ele é chamado de ovo ou zigoto. 1

 

COMO SE DÁ O DESENVOLVIMENTO DO OVO ?

 

 

o ovo começa a se desenvolver multiplicando suas células. As­sim, ele vai crescendo ate formar o embrião. Esse ovo, que foi fecundado nas trompas, se desloca para aderindo à sua parede interna, onde forma a placenta. 0 ovo também produz um hormônio próprio para estimular o ovário a continuar produzindo progesterona além das duas semanas programadas. Esse hormônio produzido pelo ovo sc chama “gonadotrofina coriônica”.

 

 

COMO A MULHER PERCEBE QUE ESTA GRÁVIDA?

 

 

A existência do hormônio gonadotroftna coriônica no sangue ou na urina da mulher indica que ocorreu a fertilização. Quando a mulher faz os testes de gravidez e o resultado é positivo, isso significa que esse hormônio está presente em seu corpo.

Outro sinal é a ausência de menstruação (a mulher percebe que já passou o momento em que o fluxo deveria ocorrer). Como o ovário continua produzindo progesterona, o endométrio, que deveria ser eliminado na menstruação, permanece no útero, desempenhando importante papel no desenvolvimento do embrião.

 

  ORGANISMO DA MULHER TEM AS REAÇÕES DURANTE TODO  O CICLO MENSTRUAL?

 

 Para definir melhor o ciclo menstrual, de­vemos dividi-lo em duas fases de duração semelhante (aproximadamente 15 dias cada). A primeira é a fase pré-ovulatoria, chamada também de fase proliferativa; a segunda é a fase pós­ovulatória, também chamada de fase secretora.

A mulher, geralmente, percebe essas fases por sensações próprias, bem características.

A fase pré-ovulatoria começa com a menstruação, seguida por dias em que o colo do útero produz um muco. A vagina fica mais úmida, provocando na mulher uma sensação de lubrificação. Conforme vai se aproximando o dia da ovulação, a sensação de umidade é máxima: a mulher apresenta uma secreção vaginal abundante, transparente e elástica, semelhante à clara de ovo crua.

Na fase pós-ovulatória, essa umidade diminui progressiva­mente. A produção de hormônios é modificada nesse período e, em conseqüência, o útero passa a ter contrações musculares, sentidas pela mulher como cólicas fracas, que geralmente não chegam a ser dolorosas ou desagradáveis. Inicia-se uma nova menstruação, o que define o começo de um novo ciclo. Assim, o primeiro dia de menstruação é considerado como o primeiro dia do ciclo menstrual.

 

CICLO REPRODUTIVO

 

QUAIS SÃO AS FASES DO PROCESSO REPRODUTIVO?

 

EXISTE UM PERÍODO MAIS ADEQUADO PARA A REPRODUÇÃO

 

A reprodução é uma função normal do organismo humano. 0 processo reprodutivo envolve atividade sexual, período gestacional, parto, puerpério, amamentação e cuidados com a criança. Por isso, é preciso definir, dentro da vida familiar, pessoal, social e profissional, o  momento adequado para a reprodução.

 

 

QUANTO TEMPO DURA 0 PERÍODO REPRODUTIVO PERÍODO REPRODUTIVO

 

E QUAL A CAPACIDADE DE REPRODUÇÃO DA MULHER?

 

 

o período em que o organismo feminino estÁ apto à gestação de longa duração (30 a 35 anos). Isso possibilita a ocorrência de não apenas 3 nascimentos (número médio de filhos da mulher paulista), mas de 7 a 10 vezes mais, pois a atividade sexual não se restringe aos períodos em que se deseja engravidar. Assim, as pessoas valem-se de técnicas e processos que ajudam a evitar a gravidez, sem que se necessite suspender as relações sexuais. Essas técnicas e processos são os métodos anticoncepcionais (todas as dúvidas sobre esse assunto sac esclarecidas em um capitulo mais adiante).

 

Há diferenças entre o final dos períodos reprodutivos do homem e da mulher ?

 

 

o final do período reprodutivo na vida da mulher é razoavelmente definido pela ocorrência da menopausa (fim da menstruação). 0 organismo da mulher sofre modificações funcionais, já citadas anterior­mente e que serão bem mais detalhadas em capitulo especifico.

No homem, esse período é diferente. Não ha tantas modificações em seu corpo e em sua fisiologia e ele continua com capacidade de fertilizar e ter filhos ate idades mais avançadas (mais adiante também haverá uma explicação detalhada a respeito).  

 

 

Aula 3

SAÚDE DA MULHER E EDUCAÇÃO SEXUAL

 

EDUCAÇÃO SEXUAL É UMA QUESTÃO DE SAÚDE?

Não é uma questão só de saúde. É uma questão mais ampla, que envolve diversos setores da sociedade. Mas o setor da saúde tem sido um dos mais envolvidos quando se abordam as questões de sexo, pois é impossível desvincular da prática sexual os aspectos da reprodução, do planejamento familiar, etc.

Também é na área da saúde que estão os profissionais (médicos, enfermeiras, psicólogos e assistentes sociais) que freqüentemente são procurados para esclarecimentos e orientações, quando as pessoas sentem dificuldades com relação à vida sexual. Ternos ainda que considerar que, se saúde significa um estado de completo bem-estar, uma pessoa que entenda ter urna sexualidade inadequada ou insatisfatória não pode se sentir de todo saudável.

APENAS AS MULHERES NECESSITAM ASSISTÊNCIA OU EDUCAÇÃO SEXUAL?

  É claro que não. Homens e mulheres tem o direito ao conheci­mento de como funciona seu corpo, tem o direito de conhecer as causas e conseqüências de sua atividade sexual, de corno agir para que esta atividade seja agradável, prazerosa e saudável.

 MAS SÃO AS MULHERES QUE MAIS FREQÜENTEMENTE SE QUEIXAM DE QUE SUA VIDA SEXUAL É INADEQUADA?

São. Isto é conseqüência da falta de esclarecimentos que temos acerca do funcionamento de nossos organismos, da crença inadequada de que sexo é uma atividade destinada só a ter filhos, e que a satisfação sexual não é tão necessária para as mulheres como o é para os homens. Desde crianças, as mulheres são ensinadas a resignar-se a aceitar uma vida sexual não realizadora, a não questionar sobre estes assuntos, como se fosse pecado faze-lo. Na medida em que as mulheres deixam de aceitar essa verdadeira dominação, em que passem a sentir-se pessoas independentes, elas passarão a entender que a satisfação sexual é um direito de todos, homens ou mulheres.

ENTÃO, AS MULHERES 1PM MAIS PROBLEMAS NA VIDA SEXUAL QUE OS HOMENS?

Se considerarmos que “problemas” são a constatação de que a vida sexual não é completamente satisfatória, sim. Os homens “podem” aprender mais sobre sexo que as mulheres, ainda que este aprendizado seja por vezes incompleto e, em geral, egoísta, pois não considera o prazer da mulher que tem que se responsabilizar pela gravidez, que tem que usar métodos anticoncepcionais, as vezes sofrendo seus efeitos colaterais ou tendo temor de engravidar. É ela que sofre os efeitos destes fatores que influenciam negativamente sua vida sexual homens e mulheres não são idênticos em seu comportamento sexual, no funcionamento de seus corpos. Se a mulher já tem escasso conhecimento das particularidades de seu organismo, este conhecimento é ainda menor por parte dos homens, tanto a respeito deles mesmos, quanto a respeito de suas parceiras.

COMO RESOLVER ESTES PROBLEMAS DE NOSSA VIDA SEXUAL ?

A imensa maioria destes problemas se resolve através do conhecimento da nossa sexualidade, do nosso organismo.

Conhecimento exige informação, educação. A discussão dos pontos básicos do funcionamento do corpo, dos porquês de nossas respostas sexuais permite cada um fazer urna avaliação realista de onde se localizam as causas das dificuldades sexuais que sente.

Os profissionais de saúde estão progressivamente aprendendo a orientar estas discussões, a esclarecer os pontos de desconhecimento que as pessoas tem. Urna pequena minoria das pessoas com problemas sexuais apresenta condições que exigem tratamento físico ou psicológico. Uma vez identificadas estas condições, é perfeitamente possível tratá-las, geralmente com ótima recuperação.

A solução mais eficiente dos nossos problemas sexuais se consegue, sem dívida, pela prevenção. A educação sexual, com informações precisas e orientação adequada desde a vida escolar, é, sem dúvida, o melhor instrumento para possibilitar urna vida sexual realizadora e saudável para todos, homens e mulheres.  

 

Aula 4

PRÉ-NATAL, PARTO E PUERPÉRIO

 

O QUE ACONTECE LOGO APOS A FECUNDAÇÃO DO ÓVULO ?

Quando o espermatozóide fecunda o óvulo, forma-se o ovo. Isso normalmente nas trompas da mulher logo após a fecundação, o ovo começa a se desenvolver através da reprodução das células, sai das trompas e se desloca para o útero. Sete a dez dias depois da fecundação, ele adere a parede interna do útero, que já está preparada para recebê-lo (sabe-se hoje que em torno de um, de cada três ovos, não consegue se fixar no endométrio, e é eliminado com a menstruação, sem que a mulher perceba o que aconteceu). Nas primeiras oito sema­nas o ovo é chamado de embrião. E depois desse período, ate o nasci­mento, é chamado de feto.

O QUE É A PLACENTA E QUAL A SUA FUNÇÃO?

A placenta é um órgão formado a partir das células da mãe e do embrião, que vai se desenvolvendo simultaneamente com o ovo. Ela é a principal ligação entre a mãe e o feto durante a gravidez, sendo responsável pela nutrição, respiração e proteção do feto. Tudo isso é feito com a ajuda dos chamados anexos placentários.  

QUAIS SÃO OS ANEXOS PLACENTÁRIOS E QUE PAPEL ELES DESEMPENHAM DURANTE A GRAVIDEZ ?

Os anexos placentários são as membranas ovulares e o cordão umbilical. 0 cordão umbilical faz a ligação entre o feto e a placenta. Por ele circula o sangue do feto, levando assim alimento, oxigênio e tudo que ele precisa para se desenvolver. Já as membranas ovulares são responsáveis pela proteção do feto. Elas se desenvolvem e formam uma bolsa (a mesma que se rompe antes do parto), que contém um líquido chamado amniótico, onde o feto fica submerso durante toda a gestação.

A GRAVIDEZ É UMA DOENÇA ?

Não. A gravidez é um processo de desenvolvimento que forma um novo ser. Muitas pessoas associam gravidez a uma doença porque, durante esse período, a mulher fica mais sensível aos problemas de saúde, tanto do ponto de vista biológico, quanto do psíquico. Isto porque no período de gestação, os problemas são duplamente prejudiciais, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Por este motivo, e importante que a mãe seja assistida de perto por médicos do serviço de saúde. Os serviços de saúde devem estar organizados para realizar o acompanhamento pré-natal de todas as mulheres grávidas.

POR QUE O PRÉ-NATAL É TÃO IMPORTANTE ?

O objetivo do acompanhamento pré-natal é garantir, na medida do possível, que toda gestação resulta em uma mãe e um filho sadios. O trabalho baseia-se em ações de prevenção e tratamento de possíveis doenças. Durante todo o pré-natal são realizadas consultas médicas, programas de educação e apoio emocional. Isto tudo prepara adequadamente a mulher para o parto e para os cuidados com o recém-nasci­do, inclusive o aleitamento materno.

QUANDO SE DEVE COMEÇAR O PRÉ-NATAL E QUAL A SUA DURAÇÃO ?

Quanto mais cedo se inicia o pré-natal, maiores os benefícios para a mãe e para a criança. Por isso, recomenda-se que, tão logo a mulher suspeite de uma gravidez, procure o serviço de saúde para fazer os exames e começar o pré-natal.

De modo geral, a gestante deve ser consultada pelo medico uma vez por mês, durante a maIor pare da gravidez, e quinzenal ou semanal­mente, no final dela. 0 pré-natal só termina quando o bebê nasce.

COMO SÃO FEITOS OS EXAMES ?

Na primeira consulta, o médico faz um exame físico cuidadoso, traça um perfil histórico-clínico da paciente (doenças que já teve e problemas de saúde na família) e solicita exames de laboratório. Isto tudo para verificar se a gestação e normal ou se apresentará algum problema (as chama­das gestações de alto risco), o que exigirá acompanhamento especializado. As próximas consultas vão avaliar se a criança está se desenvolvendo bem e identificar o eventual aparecimento de problemas. Neste período, as ações educativas são muito importantes e devem estar presentes em todas as consultas. Este trabalho pode ser desenvolvido através de grupos de gestantes ou individualmente.

POR QUE DIVIDIR O ATENDIMENTO ENTRE GESTAÇÃO NORMAL E DE ALTO RISCO ?

0  serviço público de saúde divide o atendimento conforme os níveis de risco da gravidez, para tentar suprir as necessidades de 100% das gestantes. Assim, as mulheres que apresentam gestação normal são atendidas nos Centros de Saúde próximos de sua casa. Já as mulheres que apresentam problemas são encaminhadas para os ambulatórios especializados, capazes de realizar um acompanhamento mais intenso e eficaz durante toda a gravidez. Essa estratégia é utilizada em muitos países do mundo desenvolvido. No Brasil, ela é importante, porque permite aproveitar mais e melhor os poucos recursos disponíveis. Apesar de tudo isso, a atenção pré-natal entre nós ainda está muito distante do ideal. Ha muitas deficiências, principalmente nas regiões carentes, como Norte e Nordeste. Nas regiões Sul e Sudeste, elas são menores, mas, mesmo assim, consideráveis.

O QUE SE CONSIDERA UMA GESTAÇÃO NORMAL ?

Podemos dizer que 90% das gestações são normais isto é, não apresentam nenhum problema durante os nove meses de gestação e também no momento do parto. Nestes casos, o trabalho de parto e o nascimento da criança ocorrem num período compreendido entre 38 a 41 semanas, contadas desde o inicio da ultima menstruação. Estas crianças geralmente nascem saudáveis com peso adequado (superior a 2,5Kg) e, em poucos dias podem deixar o hospital, juntamente com a mãe.

QUAIS OS FATORES QUE PODEM COMPLICAR UMA GESTAÇÃO ?

Cerca de 10% das gestações podem não ter urna evolução tão satisfatória. Existem muitos fatores que podem complicar a gestação. Entre eles, podemos citar: condições de saúde da mãe (pressão alta, diabetes e infecções), problemas na gravidez e no feto (sangramentos, incompatibilidade do sistema Rh e má formação) também um acompanhamento ineficiente do serviço de saúde (pré-natal insuficiente e tratamento inadequado de moléstias). Todos estes fatores contribuem para a ocorrência de nascimentos prematuros, recém-nascidos com baixo peso, e infecções.

ENTÃO, É POR ISSO QUE A DIVISÃO DO ATENDIMENTO É TÃO IMPORTANTE ?

Exatamente. Algumas gestantes (cerca de 10%), exigem uma atenção diferenciada, tanto antes do parto (pré-natal), quanto no parto e durante o puerpério (logo após o nascimento do bebê). As crianças também precisam de diferentes tipos de cuidados. Seria muito difícil prestar atendimento adequado se a distinção entre os casos “normais” e complicados” só fosse feito no momento do parto. Hoje, com todos os recursos de que dispomos, é possível definir com boa precisão quais os casos potencialmente complicados e encaminhá-los aos serviços especializados no inicio da gravidez.

ATUALMENTE,  O NÚMERO DE CESÁREAS É MUITO ELEVADO ?

Sim. Hoje, em São Paulo, cerca de metade dos nascimentos é feita através de cesariana. Isto não ocorre em nenhum outro país do mundo. Na América do Norte, assim corno nos países da Europa, raramente a incidência de cesáreas alcança 25% do total de partos.

EM QUE CONDIÇÕES A CESARIANA É INDICADA ?

A cesárea deve ser utilizada apenas quando se mostrar urna alternativa mais segura a via vaginal, ou seja, ao parto normal — somente nos casos em que este se mostrar mais arriscado para a mãe ou para a criança. Nos demais casos, o parto normal ainda é a alternativa mais natural e traz menos inconvenientes para a mãe e para o recém-nascido. Pedir ao médico para marcar a data de uma cesárea, apenas por vontade da mãe é totalmente errado, porque a cesárea é muito mais perigosa para a mãe e para o bebê que o parto vaginal, quando não existem complicações, na gravidez ou no parto. Tam­bem a cesárea com data marcada aumenta o risco de parto prematuro. 0 melhor é esperar o momento que a natureza decide qual é a hora do bebê nascer.

 

Aula 5

DST

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

 

O QUE É DOENÇA SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL E POR QUE SE DISCUTE TANTO ESTE ASSUNTO?

As doenças venéreas e qualquer outro tipo de doença adquirida pelo contato sexual são consideradas doenças sexualmente transmissíveis (DST). Este conceito foi ampliado, com a inclusão de alguns problemas de pele e enteropatias, porque se constatou que o contato sexual tem grande influência na transmissão dessas doenças.

Por algum tempo, as DST deixaram de ser alvo de preocupação, pois, com o surgimento dos antibióticos (principalmente a penicilina) o tratamento da maioria delas ficou bem mais fácil. Porém, nos últimos anos, a incidência dessas doenças voltou a crescer e elas tornaram-se novamente motivo de preocupação. O aparecimento da AIDS chamou a atenção da sociedade para isso e, hoje, as DST são consideradas pela Organização Mundial de Saúde um problema de saúde pública que atinge o mundo inteiro.

 

PORQUE ISSO ASSUSTA TANTO ?

 

As conseqüências do crescimento dessas doenças são graves, por­que a população mais atingida é formada por jovens em idade reprodutiva. E o que se tem constatado é que o problema está atingindo pessoas cada vez mais jovens. As complicações são imediatas, causando inflamação s genitais internos, do homem e da mulher — o que pode provocar a infertilidade de ambos; infecção dos recém-nascidos - causada pela transmissão da doença pela mãe (este problema é responsável por 15% das anomalias congênitas, 30% das conjuntivites e 20% das pneumonias em bebês). Todos esses problemas provocam internações hospitalares e deixam várias seqüelas. como esterilidade e gravidez tubária (já que as trompas ficam comprometidas), aumentando assim o número de mortes por causa da doença.

Mas o fator que mais preocupa os médicos é que, em 80% dos os dessas doenças, as pessoas se tratam sozinhas (automedicação) ou uem apenas a orientação do balconista da farmácia que nem sempre indica o remédio mais adequado. Em geral. esses tratamentos não funcionam criando resistência aos antibióticos e difundindo ainda mais DST. Outro problema é que geralmente o parceiro, por não apresentar sintomas, não faz nenhum tratamento, sendo agente portador e disseminador da doença.

Nesse quadro também se inclui a AIDS — Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, cuja incidência cresce em proporções assustadoras. Ela tem atingido principalmente pessoas jovens, com vida sexual ativa, e a probabilidade de o paciente morrer é potencialmente 100%. Esta doença, ate o momento incurável, será abordada no título seguinte.

 

 POR QUE HOUVE UM AUMENTO NOS CASOS DE DST ?

 

Nas últimas décadas, a sociedade passou por grandes transformações, principalmente no que se refere a sua estrutura familiar. Muitos foram os fatores que contribuíram para essas mudanças. Houve uma liberalização dos costumes; as pessoas passaram dar mais valor relações afetivo-sexuais, encarando a sexualidade como um importante fator de satisfação; as mulheres, principalmente, adquiri­maior conhecimento de seu corpo. Isso tudo provocou um avanço nas tecnologias médicas, que tiveram que buscar novas saídas para atender a sociedade, corno o aperfeiçoamento dos métodos anticoncepcionais.

Esse conjunto de mudanças na sociedade contribuiu para um aumento dos casos de DST. Não há estatísticas precisas no Brasil, mas estima-se que 2 milhões e 600 mil novos casos surjam todos os anos. Mais ou menos metade deles corresponde a gonorréia e a sífilis. Em São Paulo, por exemplo, acredita-se que surjam cerca de 2 mil casos novos por dia.

 

O QUE É A SÍFILIS E COMO PODE SER TRATADA ?

 

A sífilis — também conhecida corno lues ou cancro duro — é transmitida durante o ato sexual com um parceiro infectado. Ela é causada por um treponema (um tipo de micróbio) que passa através de alguma lesão da pele ou da mucosa (mesmo que essa lesão seja imperceptível aos nossos olhos). Em três semanas, surge urna ferida de bordos elevados, conhecida corno cancro duro. Ele é contagiosa e desaparece sozinha em três semanas. Porém, se não for tratada, pode causar o alastramento da doença, fazendo surgir, após 6 semanas, outras lesões na pele e na mucosa. Todas essas feridas desaparecem sozinhas, mas causam um agravamento da doença, levando a um quadro preocupante de sífilis tardia. Se não for tratada, a doença pode afetar o sistema nervoso central, os ossos e o coração.

Quando a sífilis atinge urna mulher grávida, pode causar sérias lesões ao feto, corno problemas de pele, icterícia, doenças no cérebro, no baço, no fígado, nos ossos e nos dentes. Pode também levar ao aborto, morte do feto no útero ou ainda retardar o crescimento do feto.

0 diagnóstico da sífilis é feito sempre através de consulta médica e de exames de sangue. A doença e combatida com determinados antibióticos, tratando-se também o parceiro. E muito importante pro­curar um médico, ao notar qualquer sintoma, pois a sífilis pode estar associada a outras DST.

 

0 QUE É GONORRÉIA E COMO SE FAZ 0 TRATAMENT0 ?

 

A gonorréia é causada pelo gonococo, uma bactéria extrema­mente resistente. Mais de 90% das mulheres desenvolvem a doença depois de contato com um parceiro infectado. Em geral, os sinto­mas começam a surgir após 2 a 6 dias e o quadro típico é de febre, lesões na pele, inflamação na uretra e artrite. Em cerca de 15% das pacientes a doença evolui, a ponto de comprometer as trompas, for­mando abscessos (grande quantidade de pus) na região pélvica. Em geral, a gonorréia provoca esterilidade em 15% das pessoas, após ter contraído a doença pela primeira vez, em 36% após a segunda vez e em 75% após a terceira vez.

o diagnostico é feito por um medico, através da analise de exames laboratoriais, onde se identifica o gonococo. A gonorréia pode estar associada a outras DST, que precisam ser diagnosticadas e trata­das. O tratamento e feito com antibióticos, indicados para cada caso; e o parceiro também deve ser medicado.

 

O QUE É CONDILOMA ACUMINADO E QUAIS OS PROBLEMAS QUE ELE P0DE CAUSAR ?

 

o condiloma acuminado é causado pelo vírus papiloma, que se manifesta através do surgimento de verrugas, aglutinadas ou não, na região genital, tanto do homem como da mulher. É urna doença alta­mente contagiosa, que infecta 65% dos parceiros após o contato sexual. A lesão pode demorar ate 8 meses para se desenvolver e, em 50% dos casos, está associada a outra DST. A relação da doença com o aparecimento do câncer no colo do útero, na vulva e no pênis está ficando cada vez mais evidente. É possível que o feto seja contamina­do na hora do nascimento, podendo também desenvolver o condiloma na garganta.

O tratamento e feito com substâncias cáusticas ou através de uma cirurgia, fazendo a cauterização elétrica ou a laser da região. Ambos os parceiros devem ser examinados minuciosamente, inclusive para que se possa tratar outras DST, que estejam associadas. O acompanhamento medico é muito importante. Hoje nós sabemos que existem dois tipos de vírus do papiloma humano, o que causa risco de câncer do colo uterino e o que causa só verrugas ou outras lesões, eles podem ser exames como hibridização e PCR.

 

O QUE É HERPES GENITAL E QUAL 0 MELHOR TRATAMENTO ?

 

 O herpes é urna das doenças que apresentam maior incidência, por causa da alta contagiosidade do vírus causador. Cerca de 85% das mulheres desenvolvem a doença após um único contato com a lesão. A doença manifesta-se em uma semana, proporcionando o aparecimento de lesões vesiculares avermelhadas que coçam e ardem.

O tratamento e feito com remédios anti-virais, porém eles não impedem que a doença novamente apareça. A mulher grávida pode transmitir a doença para o feto que nasce com lesões nos olhos, boca, pulmão, intestinos e órgãos sexuais. Muitas vezes, ela também pode causar a morte do feto ou provocar um nascimento prematuro.

 

QUAIS OS CUIDADOS PARA SE EVITAR AS DST ?

 

 A melhor maneira de evitar doenças sexualmente transmissíveis é escolher bem os parceiros, usar camisinha, proteger-se, não ter vergonha de se cuidar e, principalmente, evitar o contato com pessoas infectadas — o melhor é esperar que o parceiro se trate, para depois ter relações sexuais.

Mas se, mesmo com esses cuidados, a doença surgir, o melhor a fazer é procurar logo um médico (quanto mais cedo isso for feito, menores são as chances de complicação). Todos os parceiros devem ser tratados. Os postos de Saúde estão preparados para atender adequada­mente os portadores de DST. 0 Posto de Saúde e também o melhor local para tirar todas as dúvidas sobre esse assunto.

 

Aula 6

AIDS

Síndrome da Imunodeficiência Adquirida

 

A AIDS, ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma gravíssima doença infecto-contagiosa provocada por um vírus atualmente conhecido como HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). A doença ainda não tem cura, não tem vacina ou remédios eficazes para controlá-la. A única forma de evitá-la é a prevenção.

 

O que é vírus ?

 

Vírus é a menor partícula viva que existe. Ele não tem capacidade de se reproduzir sozinho e necessita sempre de outro ser para se multiplicar e viver. O vírus da AIDS sobrevive em células do sistema de defesa do ser humano, provocando sua destruição.

 

O que é imunidade ?

 

É a capacidade do organismo de se defender dos agentes agressores. No caso do ser humano, existe um "sistema imune", formado por várias células que fazem a defesa do organismo contra o aparecimento de doenças, entre elas as infecciosas. O vírus da AIDS atinge os linfócitos, que são células que fazem parte do nosso sistema de defesa.

 

E a imunodeficiência ?

 

A imunodeficiência é a perda da capacidade de defesa do organismo.

 

Como ela ocorre ?

 

Ela pode ocorrer em algumas situações:

 

- Em recém-nascidos ou pessoas muito idosas. No caso do bebê, o sistema imune, isto é, suas defesas, ainda não está maduro;

- Pelo uso prolongado de alguns medicamentos, como a cortisona e remédios usados no tratamento do câncer.

- Em alguns tipos de câncer, como os linfomas.

- A imunodeficiência também pode ser congênita, isto é, quando as crianças já nascem sem resistência a certas doenças;

- A imunodeficiência mais conhecida no momento, a AIDS, que ataca as células de defesa do organismo.

 

Onde vive o vírus da AIDS ?

 

Nos indivíduos com AIDS o vírus vive nas secreções humanas, principalmente sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno.

 

Como se dá a transmissão ?

 

Através dessas secreções e das seguintes maneiras:

 

- Nas relações sexuais, tento entre homossexuais masculinos (homens que mantêm relações sexuais com homens) quanto nas relações heterossexuais ( entre homens e mulheres ). A contaminação pode ocorrer nas relações vaginais e anais ( pela frente ou por trás). Um homem pode contaminar a mulher; esta também pode contaminar o homem. A infecção através de relações orais é pouco provável, porém não deve ser de todo descartada;

- Qualquer pessoa que receba sangue ou partes de sangue contaminado pelo vírus HIV pode infectar-se. É o caso de pessoas que receberam transfusões sanguíneas em cirurgias ou após acidentes. É também o caso de hemofílicos: estes têm de tomar freqüentemente um produto do sangue, chamado Fator VIII, que é essencial para a coagulação do sangue. A hemofilia é doença que ocorre só em homens. O sangue de quem tem essa doença não coagula;

- A AIDS também é transmitida pelo uso de seringas e agulhas usadas por pessoas infectadas. Quem injeta drogas na veia tem o hábito de compartilhar seringas e agulhas com outros viciados. Atenção: mesmo agulhas e seringas usadas para medicação podem levar à AIDS. Portanto, é preciso que haja esterilização bem feita ou que as agulhas e seringas sejam descartáveis ( usadas uma vez só );

- Uma mãe portadora do vírus da AIDS pode contaminar a criança, no período da gravidez, no parto ou na amamentação;

- O vírus da doença foi encontrado em outras secreções humanas como lágrima, saliva, urina e fezes. Apesar disso, a quantidade do vírus existente nessas secreções não é suficiente para infectar outra pessoa. Assim, não se justifica o medo de pegar a doença através do beijo, mesmo que prolongado, ou entrando em contato com qualquer uma dessas secreções. Importante: a transmissão também não ocorre pela picada de mosquitos ou outros insetos;

- A transmissão é facilitada quando existe feridas que permitem a passagem do vírus, como acontece com pessoas com sífilis, herpes ou outras doenças.

 

E a convivência com Aidéticos ?

 

Pelo que foi dito acima, fica claro que a convivência social, isto é, morar na mesma casa, utilizar os mesmos copos e talheres, trabalhar junto com um aidético, nada disto oferece risco de contaminação. Também não se pega AIDS em piscinas, banheiros públicos, etc.

 

E a ida a manicures e dentistas ?

 

A possibilidade de infecção através de alicates de unha e instrumentos cortantes é muito pequena. Mesmo assim, recomenda-se que sejam de uso individual ou desinfectados após o uso. Objetos utilizados em tratamento médico ou odontológico devem ser  sempre esterilizados ou descartáveis. é fundamental que os viciados em drogas injetáveis utilizem agulhas e seringas descartáveis.

 

E as relações de mulher com mulher ?

 

Até o momento, não são conhecidos casos de transmissão pela relação sexual entre duas mulheres. Apesar disso, devem ser tomados os mesmos cuidados apontados para o contato com sangue e secreções vaginais de pessoas pouco conhecidas ou que possam estar contaminadas.

 

Quais são os testes para identificar a AIDS ?

 

Quando uma pessoa é infectada por um vírus, seu sistema de defesa produz substâncias chamadas anticorpos. No caso da AIDS, existem anticorpos específicos para o vírus HIV. Estes anticorpos são detectados através do teste conhecido por Elisa - Geralmente, o primeiro a ser feito. Porém este exame pode ser positivo sem que a pessoa seja portadora do vírus da AIDS ( falso positivo ).

 

Por que ele é o primeiro ?

 

Porque é o mais simples. Se o resultado do Elisa for positivo, é necessária a realização de outros exames para confirmar o resultado. Há, então, dois testes para a confirmar a infecção - o Westernblot e o teste de Imunofluorescência indireta.

 

O que significa um teste positivo ?

 

Não significa que a pessoa esteja doente, mas que foi contaminada. Diz-se, então, que o indivíduo é portador do vírus, podendo ou não apresentar sinais e sintomas da doença.

 

Todo portador transmite o vírus ?

 

Ainda não se tem certeza disso. Também não se sabe se todos os indivíduos portadores do vírus irão apresentar a doença, nem quanto tempo depois ela pode aparecer. Cerca de metade das pessoas portadoras do vírus da AIDS apresentará a doença nos primeiros 5 anos após ter adquirido o vírus.

 

Quais os sinais e sintomas da infecção ?

 

Existem sintomas gerais que podem aparecer na forma de aumento dos gânglios (ínguas), febre persistente, diarréia prolongada, cansaço e perda de peso.

Aos poucos, o vírus vai destruindo o sistema de defesa do organismo, possibilitando o aparecimento de infecções oportunistas. As mais comuns são a monolíase oral (sapinho), a pneumonia por "pneumocistis carinii", a tuberculose e um tipo de câncer , o carcoma de Kaposi. A infecção pelo HIV é um longo processo e suas manifestações variam de pessoa para pessoa.

 

E os remédios e vacinas contra a AIDS ?

 

Ainda não existem medicamento eficazes para a cura da AIDS. Entre os remédios usados está o AZT que, durante alguns meses, mantém o paciente sem apresentar os sintomas, os quais, posteriormente, voltam a aparecer. Em relação às vacinas, há apenas muitos e avançados estudos, o que ocorre também quanto aos medicamentos contra a doença. Mas, ainda é muito cedo para se falar em cura e vacina.

 

Como a AIDS se manifesta em crianças infectadas na gestação ?

 

Os sintomas aparecem, na grande maioria das vezes, antes de um ano de vida. O quadro é semelhante à desnutrição - a criança não ganha peso e aparenta diarréia e outros processos infecciosos, como pneumonia e meningite.

 

Quem procurar em caso de dúvida ?

 

Se você tiver dúvidas sobre a necessidade de realizar testes ou sobre sintomas clínicos que esteja apresentando, não deixe de  perguntar  par ao médico ou qualquer outro profissional do Centro de Saúde.

Existem serviços da Secretaria da Saúde que já atendem pacientes portadores do vírus e doentes de AIDS. Se você se encaixa em alguma situação de risco e quer realizar o teste, existem muitos Centros de Saúde que fazem o exame. Procure o Centro de Saúde mais próximo de casa. Se você não se encaixa nas situações em que o risco é maior, não é necessária a realização do teste.

Para tirar qualquer dúvida sobre a doença, no estado de São Paulo, você pode telefonar para Disque-AIDS: 0800-162550.

 

Aula 7

Planejamento Familiar

 

O que é Planejamento Familiar ?

 

É o ato consciente de planejar o nascimento dos filhos, tanto em relação ao número desejado, quanto à ocasião mais apropriada de tê-los. Isto pode ser conseguido através de técnicas e métodos anticoncepcionais e de procedimentos para obter a gravidez em casais inférteis. Bom método anticoncepcional é aquele que oferece segurança ( protegendo a mulher de uma gravidez e não apresentando riscos à saúde ) e que está de acordo com os conceitos éticos, morais e religiosos do casal.

 

Como escolher um bom método ?

 

Para escolher o melhor método de planejamento familiar é preciso conhecer todos. a escolha deve basear-se nas necessidades do casal, analisando as indicações e principalmente as contra-indicações para cada caso, sempre com orientação médica.

Nós últimos anos, o planejamento familiar no Brasil evoluiu muito. Até o final dos anos 70, ele era imposto de fora para dentro do país, com poucas opções para a mulher ou o casal. Apenas dois métodos eram normalmente utilizados: a pílula e a esterilização feminina. Quem não desejasse usar nenhum deles ficava sem alternativa.

Hoje, as coisas estão mudando e o casal pode escolher entre os vários métodos existentes: naturais, de barreira, hormonais, DIU e esterilização.

 

Quais são os métodos naturais e como funcionam ?

 

Os métodos naturais se baseiam na abstinência sexual no período em que a mulher está fértil. Estes são os métodos recomendados pela Igreja Católica. Entre eles, podemos destacar os dois principais: o da abstinência periódica (tabelinha) e o Billings ( o da ovulação ). Cada um deles usa uma forma diferente para identificar em que dias do ciclo a mulher está potencialmente fértil, para que o casal evite relações sexuais nesse período.

Outro método natural muito eficiente nos primeiros seis meses após o parto é o aleitamento exclusivo, enquanto a mulher não menstrua . A eficácia do eleitamento perde-se quando a mãe dá outros alimentos ao bebê ou quando retorna a menstruação.

 

Como usar a tebelinha ?

 

Pelo método da tabelinha, marca-se no calendário os dias  em que a menstruação ocorre em cada ciclo. A marcação é feita durante seis meses seguidos, para que se conheça a duração dos ciclos. Um ciclo completo vai do primeiro dia de menstruação até o dia anterior à próxima. Os ciclos, em geral, duram de 24 a 32 dias. Calcular o período fértil é simples: basta ver nas anotações  o ciclo mais curto e subtrair 18; o número encontrado será o primeiro dia do período fértil. Para achar o último dia fértil, basta pegar o ciclo mais longo e subtrair 11. Por exemplo, se uma mulher tem ciclos menstruais com duração de 26 a 30 dias, deve-se subtrair 18 de 26 (ciclo mais curto) e 11 de 30 (ciclo mais longo): os dois números obtidos, 8 e 19 indicam, respectivamente, o início e o fim do período fértil, nesse exemplo. Ou seja, para não engravidar, esta mulher não deve ter relações sexuais do 8º ao 19º dia do ciclo menstrual ( o 1º dia do ciclo é o primeiro dia da menstruação ).

 

Como usar o método da ovulação ?

 

Para saber quando ocorre o período fértil pelo método da ovulação, é preciso observar a lubrificação da vagina. Isto porque o colo do útero, sob a influência dos hormônios do ovário, produz um muco. Através das diferenças de quantidade, coloração e consistência desse muco, identifica-se o período fértil. Os dias de máxima fertilidade ( ou seja, de maior chance de engravidar ) são aqueles em que a mulher apresenta uma secreção mucosa abundante, transparente e elástica (semelhante à clara de ovo crua ). Mas, atenção: este muco não tem cheiro forte, nem coloração escura. Se a mulher perceber algum destes aspectos deve procurar um Posto de Saúde, pois pode estar com algum problema.

 

Quais são os métodos de barreira ?

 

Como o próprio nome diz, são aqueles que colocam uma barreira entre o esperma masculino e sua penetração no colo co útero e nas trompas da mulher. eles evitam que o espermatozóide vá se juntar ao óvulo. Entre esses métodos, há dois principais: a camisinha e o diafragma.

 

Quais as vantagens do uso da camisinha e como utilizá-las corretamente ?

 

Este método está cada vez mais difundido, porque, além de evitar uma gravidez indesejada, ainda protege contra doenças sexualmente transmissíveis (doenças venéreas e AIDS ). Ela deve ser colocada no pênis imediatamente  antes da penetração (mas depois da ereção) e retirada  imediatamente após a ejaculação (depois da retirada do pênis de dentro da vagina ). Para garantir  bons resultados, a camisinha deve ser de boa qualidade; ela não deve ser guardada em locais pouco ventilados ou úmidos ou junto ao corpo (bolsos e etc).

 

O que é o diafragma ? É um bom método de planejamento familiar ?

 

O diafragma é uma espécie de camisinha feminina. ele é um pequeno aparelho de borracha oval, para colocar no fundo da vagina, antes da relação sexual. O diafragma deve ser usado junto com uma geléia espermicida, que tem a propriedade de matar os espermatozóides que são introduzidos na vagina. O diafragma funciona como uma barreira, tampando o colo do útero e impedindo que os espermatozóides penetrem nas trompas e no útero. Este método é bastante usado na Europa. No Brasil, ainda não é muito conhecido.

Para utilizá-lo, é preciso um treinamento prévio, bastante simples e que muitos Centros de Saúde podem oferecer. Para que o diafragma produza o efeito desejado, deve ser retirado somente seis horas após a relação sexual.

Uma das vantagens do uso do diafragma é a proteção do colo do útero. ele evita traumatismos causados pela relação sexual, prevenindo assim o aparecimento de ferimentos no colo do útero.

 

 

 


Fonte: Livro Saúde da Mulher - Dr. J. A. Pinotti - Ed. Panorama

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