Estudo Dinâmico do Evangelho

AULA 1

 

Quais as razões para este estudo quando já existem tantos autores encarnados e desencarnados que se ocuparam em interpretar as passagens evangélicas? Autores como Allan Kardec, Leon Denis, Emmanuel, Pedro de Camargo Vinícius, Saramago e tantos outros mais cultos e mais capazes do que nós, já se ocuparam disto, o que leva alguém obscuro a tentar a mesma tarefa? Vaidade? Não. Afirmamos que não é vaidade, mas uma sede imensa de saber, de compreender a mensagem maravilhosa de Jesus de Nazaré, que nem as fraudes, as desfigurações, e as interpolações conseguiram anular.

O Evangelho ou os Evangelhos, no plural, tem sido estudado e examinado no meio espírita com uma visão religiosista, mística, e até igreijeira. Carlos Torres Pastorino, no livro Sabedoria do Evangelho faz uma abordagem histórica, e um exame dos documentos existentes desde o século I - d.C. Além desta obra estar esgotada há muito tempo, seus seis volumes com muitas abordagens esotérica (fechadas - iniciáticas) as vezes se mostra erudita, dificultando o entendimento dos mais simples, nos quais nos incluímos.

Sabemos que não temos nenhuma autoridade moral ou intelectual para fazer tal estudo, mas a nossa intenção primeira é que ele sirva para o nosso uso pessoal. O fato deste trabalho transformar-se em um curso foi mais por iniciativa dos amigos, que nossa.

Nossas fontes serão estudos já existentes e o que ficou sedimentado em nossa mente em 66 anos de vida física, 46 deles dedicados ao Espiritismo.

Nossa intenção em muitas passagens é a de humanizar a pessoa de Jesus, o Cristo grego ou Messias hebraico, para conhecer Jesus de Nazaré, o homem. No dizer de Kardec, o espírito mais perfeito já encarnado neste planeta de expiações e provas, com a missão de iluminar, esclarecer, guiar, e não a de salvar

Apesar de Allan Kardec ter feito um estudo sobre a divindade de Jesus, provando que ele não é Deus, nem mesmo um terço de Deus, o movimento espírita através de encarnados e desencarnados, tem divinizado a sua figura , copiando parcialmente o Cristo dos altares das igrejas.

Queremos deixar bem claro para quem vier a ler estas páginas, ou eventualmente participar deste curso, que amo e respeito Jesus de Nazaré, homem nascido pelos meios naturais através de um homem e uma mulher, nascido para uma missão, a de ensinar ao homem a descobrir e atualizar o Reino de Deus, que está dentro dele mesmo.

Amílcar Del Chiaro Filho

Guarulhos, janeiro de 2002

 

Capítulo I - Profecias Sobre o Nascimento do Messias

As pessoas versadas no 1º Testamento (Aliança) firmada entre Jeová, Deus familiar, regional, guerreiro, com Abraão, que os cristãos chamam de Velho ou Antigo Testamento, (Testamento, aqui, tem o sentido de aliança, e não de disposição dos bens para os herdeiros), em razão de que, com o Cristo, dizem eles, teria sido firmada uma nova aliança. Existem algumas profecias sobre o nascimento de um Messias, que seria o condutor do povo judeu para a supremacia política e econômica, no mundo.

Vamos citar apenas três passagens, mas as localizaremos mais adiante. Moisés afirma que Jeová enviará um profeta igual ou maior que ele. Isaías fala de uma virgem que conceberá e dará a luz a uma criança, que se chamará Emmanuel (Deus conosco). Daví escreveu um salmo (Salmo do Messias – salmo 22) 700 anos antes de Cristo e que Jesus teria orado este salmo na agonia da morte. O Salmo começa assim: Heli, Heli, lema sabachthami. Pai, Pai, por que me desamparaste? Muitos cristãos colocam em dúvida essa passagem porque consideram Jesus um Deus ou semideus, ou no mínimo um super-homem, ele não poderia fraquejar.

Rui Kremer, num artigo para a Revista dos Militares Espíritas -– O Cruzado — afirma que as duas primeiras palavras são hebraicas e as outras duas aramaicas. Marcos dá os vocativos em aramaico: Helahi, Helahi, mas só transcreve a pronúncia: Elôi, Elôi.

Rui Kremer é de opinião que Jesus recitou todo o salmo, pois as palavras Está consumado, se refere, também, ao Salmo do Messias, são as suas últimas palavras. Tetélestai (foi realizado, está consumado) Segundo Rui Kremer o Salmo 22 no início é de desespero, mas no final é de fé, e esperança entusiástica.

A verdade é que todas as vezes que a nação dos hebreus era submetida, a esperança do nascimento do Messias tornava-se uma ansiedade nacional. Lembremos que o Pompeu, General romano, invadiu a Palestina no ano 63 a.C., ocupando militarmente Jerusalém, impondo um governo militar. Instalou seu Quartel General numa das torres do Templo e ali hasteou a Águia Romana, o que era uma afronta para os judeus, como um espinho enterrado na carne.

Da Torre Antônia, onde estavam aquartelados, os soldados romanos tinha visão total do Templo e da cidade. O Templo, mandado edificar por Herodes, o Grande, ainda não estava terminado ao tempo de Jesus. Ele era bem maior que o Templo original, construído por Salomão. (ver as medidas no adendo, nas páginas finais)

As profecias não diziam quando o Messias nasceria, mas apenas que ele nasceria. Jesus, obedecendo uma das profecias, entrou em Jerusalém montado num jumentinho, conforme disse o profeta: Alegra-te filha de Sião, seu rei vem a ti montado num jumentinho...

O nascimento de Jesus foi cercado, posteriormente, de muito misticismo e piedosas lendas, a começar pela aparição do Anjo Gabriel à Maria, anunciando a gravidez milagrosa e o nascimento virginal. Sabemos que tudo isto, inclusive a estrela que surgiu no oriente, os Reis Magos, o nascimento numa estrebaria, tem significados profundos nas doutrinas secretas, (esotéricas), mas não vamos detalhar, porque a nossa intenção é mais objetiva, embora em algumas passagens façamos incursões esotéricas.

Contudo, vamos examinar levemente alguns pontos. A concepção virginal e milagrosa não tem sustentação. Aceitar essa teoria é aceitar que Deus fez leis e depois as contrariou. Ora, o argumento de que Deus pode fazer o que ele quiser, portanto, pode permitir um nascimento fora das leis biológicas do planeta, é insustentável. Como Jesus foi o primogênito, sua mãe, como qualquer outra mulher judia, era considerada virgem, até o nascimento do primogênito.

Muitas pessoas, mesmo espírita, se espantam quando se fala que José e Maria tinham relações sexuais como qualquer casal que se ama. Porém, herdamos o conceito judaico cristão da impureza sexual, por isso não admitem essa possibilidade. Para elas, sexo é bandalheira, é coisa suja. O sexo é criação divina, e se há conspurcação, essa está na cabeça das pessoas.

Já ouvimos de estudiosos do Evangelho que os espíritos superiores teriam feito uma inseminação artificial em Maria, colocando um gameta masculino em seu útero. De outra pessoa ouvimos que quem teria procedido essa inseminação, foram os extraterrestres. Nada contra. É uma teoria como as outras, mas preferimos a naturalidade do conúbio sexual, realizado com muito amor e respeito.

Um ponto crucial do cenário em que nasceu Jesus, é a estrela que teria guiado os reis magos até Belém. Teria existido essa estrela que andaria à frente dos Magos? Há uma teoria de que a grande estrela seria o resultado da conjunção de três planetas. A posição quase linear dos três astros formaria uma grande estrela. Os astrônomo afirmam que houve essa conjunção na época atribuída ao nascimento de Jesus. Outros estudiosos contestam. Uma parte está facilmente explicada, mas resta a questão da estrela andar à frente dos Magos..

Segundo alguns autores, os Magos seriam iniciados de grande sabedoria, e que tinham os cálculos do nascimento de um grande espírito, mas não há provas de que tenham ido a Belém ou a qualquer lugar onde Jesus pudesse ter nascido. Os nomes pelos quais são conhecidos: Melchior, Gaspar e Baltazar, foram dados a eles 700 anos depois, por um escritor inglês chamado Beda. A tradição cristã ocidental limita-os a três, porém a igreja Síria e Armênia afirmam que eram doze.

Este episódio suscita uma questão muito importante: a matança dos inocentes, que examinaremos um pouco mais à frente, depois do nascimento.

Para um melhor entendimento, vamos examinar a história. Com a morte de Herodes, O Grande, sucedeu-o o seu filho Arquelau, e na Páscoa do ano 4 a. C. houve uma revolta dos judeus porque Arquelau não concordou em destituir o Sumo Sacerdote Joazar. Consta que morreram 3.000 pessoas. Roma, então, dividiu o poder de Arquelau, que ficou reinando sobre a Judéia, a Samaria e a Iduméia. Herodes Antipas ficou com a Galiléia e a Peréia. Filipo, ficou reinando sobre a Batanéa e Traconítide. E Salomé, irmã de Herodes, governou Jamnia, Azoto e Fazelis. Herodes governou de 4 a. C. a 39 d. C. Era cínico, ambicioso e sensual.

Herodes, o Grande, foi nomeado Rei da Judéia pelo Senado Romano em 37 a.C. – era perverso e depravado. Ele foi um títere nas mãos dos romanos. Jonh Drane afirma que a sua ascensão ao poder foi através de intrigas e brutalidades. Sua personalidade era uma combinação de brilho diplomático, com uma estupidez quase inacreditável. Os seus adversários políticos podiam contar com uma morte brutal. Ele matou uma das suas esposa e envolveu-se no assassinato de dois filhos, Alexandre e Aristóbulo. Cinco dias antes da sua morte, ordenou a execução de outro filho, Antípater, que seria o seu sucessor no trono.

A seu favor tem o fato de ter mantido a paz em todo o território, e realizou muitas construções. Foi Herodes, O Grande que iniciou a construção do Templo de Jerusalém. Ele construiu esplendidos edifícios em Jerusalém, Cesaréia e até em cidades fora da sua jurisdição.

No ano 6 d.C. tornou-se a Judéia uma província de terceiro grau, governada por um oficial da classe superior da ordem eqüestre, que ficava sob o comando do Governo Militar da Síria. Posteriormente os governadores militares romanos da Judéia passaram a ser chamados "procuradores". Foram vários os procuradores romanos na Judéia, e Poncio Pilatos, o mais famoso de todos eles, devido o episódio com Jesus, sucedeu Grato e foi procurador de 26 a 36 da Era Cristã.

Todas essas informações podem parecer irrelevante, contudo, o que procuramos é a verdade histórica.

As seitas religiosas eram: Fariseus, Saduceus e Zelotas. Além disso havia o Templo, as Sinagogas e o Sinédrio, mas detalharemos no momento em que aparecerem em nossa história.

Obs. Os quatro evangelhos constituem a Vulgata Latina. O Papa Dâmaso incumbiu Jerônimo, que depois foi canonizado, a escolher os textos que seriam consagrados pela igreja. Mesmo assim, o texto não é o definitivo. Embora oficializado pelo Concílio ecumênico de Trento em 1546, dois Papas fizeram modificações. Sixto V – foi Papa entre 1585 a 1590, declarou o trabalho de Jerônimo insuficiente e errôneo, determinou uma revisão em 1590. A revisão que trazia seu nome foi revisada mais uma vez, por ordem de Clemente VIII – que pontificou de 1592 a 1605. Desde então tem sido chamada de Vulgata Sixto-Clementina. Os texto atribuídos a Marcos, o mais antigo, Mateus, Lucas e João, possivelmente foram escritos por outras pessoas, baseadas nas memórias deles. Os textos bíblicos foram escritos sem sinais de pontuação e as palavras se achavam emendadas. Usava-se apenas letras maiúsculas e não existia divisões em capítulos e versículos. As letras minúsculas começaram a ser usadas no século sexto da nossa era. A separação das palavras só no século IX. O primeiro a repartir os livros em capítulos foi o Cardeal Etephen Langton, arcebispo de Cantuária – Inglaterra – em 1214. A divisão dos capítulos em versículos foi introduzida em 1527, pelo dominicano Saintes Pagnino nos livros do Velho Testamento. Foi só em 1551 que o impressor francês Robert Étiene estendeu-a também ao Novo Testamento.

Os Evangelhos atribuídos a Mateus, Marcos, Lucas são denominados Sinopticos, o que quer dizer que podem ser abrangidos num só golpe de vista. O de João é o Evangelho Pneumático (pneuma = espírito — Evangelho espiritual)

Mateus teria escrito baseado nos escritos de Marcos, que era tradutor dos discursos de Pedro, aos que não entendiam o aramaico, (Pedro só falava este idioma), e também nas suas anotações dos ensinos de Jesus. Fica claro que Mateus escreveu para os judeus da diáspora, pois é o que mais cita o Velho Testamento.

Lucas afirma que existia muitas histórias sobre Jesus, a quem ele não conheceu. Deve ter se baseado nessas histórias e também no relato de Marcos.

Acredita-se que os Evangelhos foram escritos após a morte de Paulo de Tarso.

(Observações baseadas em Pinheiro Martins – História da Formação do Novo Testamento)

 Continua na próxima semana . . .

Segunda Aula - O Nascimento de Jesus

Não temos nenhuma dúvida quanto ao nascimento de Jesus. Sabemos que ele existiu porque há evidências históricas, e o mundo espiritual assim nos afirma, contudo, sobreexiste dúvidas sobre a data e o local, pois, com relação à magia do nascimento, acreditamos ter esclarecido o suficiente, ao menos para o momento. Herculano Pires, afirma que os Evangelhos foram escritos numa época mitológica, e que era necessário despir o texto do mito.

Nenhum dos ingredientes sobrenaturais ou mitológicos, aumenta ou diminui a beleza do ato de nascer de um missionário, um avatar de alta estirpe, como Jesus.

Está sobejamente comprovado o erro de cálculo do início da Era Cristã, erro de cerca de 7 anos. O cálculo foi feito pelo Diácono Dionísio, O Pequeno, no ano 525 da nossa era Carlos Torres Pastorino, no livro, Sabedoria do Evangelho, afirma que Jesus teria ao menos 38 anos ao ser crucificado. Outros autores concordam com essa tese. O escritor Jonh Drane, coloca o nascimento de Jesus no ano 5 antes da Era Cristã; O Gen. Milton Orreilly, exegeta, num artigo para a Revista Presença Espírita, de Salvador-BA afirma que o Diácono Dionísio, o pequeno, errou ao estabelecer o início da Era Cristã. Afirma ele que o nascimento se deu no ano 747 da fundação de Roma, e a crucificação no ano 785, portanto ele teria 38 anos quando foi crucificado. 785 - 747 = 38.

O Evangelista Lucas afirma que no 15º ano do Reinado de Tibério César, João, o Batista iniciou a sua pregação. (Luc. 3: 1 a 6) Mateus (3: 1 a 6) e Marcos, 1: 1 a 6) falam da aparição de João e da profecia de Isaías

(Voz do que clama no deserto; preparai o caminho do Senhor. Endireitai suas veredas...) Tibério sucedeu Augusto que morreu no dia 19 de agosto do 767 da fundação de Roma, 14 da nossa era, quando assumiu de fato o título de César e começou a governar. Portanto, João começou a pregar no ano 28. O batismo de Jesus, antes da Páscoa de 29, com 35 anos. E a sua morte no ano 31 da nossa era, 784 da fundação de Roma, contando Jesus 38 anos de idade Pastorino informa ainda, que o historiador judeu Josefo, afirma que Herodes morreu nos primeiros meses do ano 4 a. C. após um eclipse da lua, que ocorreu entre 13 e 14 de março do ano 4 a. C. - Pastorino afirma que o nascimento se deu no ano 7 a.C.

Teria Jesus nascido em Belém, no ano I - da nossa era? As profecias rezavam que o Messias nasceria de uma virgem, em Belém, na descendência de David. José e Maria descendiam de David, mas não moravam em Belém. Dizem que houve um recenseamento, e que cada um tinha que ir alistar-se em sua cidade, o que levou José e Maria à Belém.

O censo, segundo alguns autores, ocorreu no ano 6 antes da era Cristã, o que confirmaria as informações anteriores. O recenseamento citado não é o de Quirino - Governador da Síria, que aconteceu no ano 6 e 7 da Era Cristã. Seria, então o censo determinado por Sentius Saturninus, legado imperial na Palestina, realizado de 8 a 6 a.C. O maior problema é que não se conhece determinação dos romanos para o comparecimento dos recenseados na cidade do seu nascimento. Somente 100 anos depois, no Egito, houve a exigência para que os recenseados comparecessem na sede do município.

Era importante que Jesus nascesse em Belém, para ser identificado como o Messias, que significa Cristo, ou ungido. Mesmo não sendo verdade, como provavelmente não é, o nascimento em Belém tem ensinamentos belos e muito interessantes: C.T.Pastorino ensina que o significado etimológico de Belém, é Casa do Pão, e por extensão, Casa do Pão Espiritual. Mais tarde Jesus se referiu a si mesmo como: Eu sou o pão que desceu do céu, portanto, em qualquer lugar que ele nascesse, seria a simbólica Belém espiritual.

Quando Lucas diz com sentimento, no seu Evangelho: ... e não havia lugar para eles; num mundo violento, cheio de misérias, explorações e maldades, não tinha lugar para o nascimento dele. Mais de 2000 anos depois existiria este lugar em nossos corações?

Concluindo que o nascimento não foi em Belém, os acessórios como a estrebaria, a manjedoura, a gruta, os pastores perdem a razão de ser.

Examinemos a visita dos Reis Magos e as suas conseqüências diretas: Herodes sentiu-se ameaçado, porque os Magos procuraram por um Rei, nascido na Judéia, dizendo terem visto sua estrela no oriente. Herodes não deixou transparecer a sua preocupação e pediu aos Magos para voltarem e avisá-lo se o encontrassem, pois, também queria adorá-lo. Os Magos foram avisados por sonhos, que Herodes queria matar o menino, e retornaram por outro caminho para a sua terra. Enraivecido, Herodes mandou passar a fio de espada todos meninos até dois anos de idade, em Belém e arredores. Era uma verdadeira malha fina a que Jesus não escaparia, mas José foi avisado em sonho (mediunidade onírica) e fugiu com o menino para o Egito. O Gen. Milton Orreilly, profundo conhecedor da história evangélica, deduz que Jesus tinha um ano e meio quando se teria dado a matança dos inocentes.

Segundo os evangelistas, José foi avisado em sonho (mediunidade onírica) e fugiu com o menino para o Egito. Com isto se cumpriria a profecia de Oseas: "Do Egito chamei meu filho".

Contudo, não existe nenhum registro histórico deste bárbaro acontecimento, a matança dos inocentes. A única referência é o Evangelho de Mateus. Teria acontecido tal episódio? Possivelmente, não.

Quanto a virgindade de Maria, vale a pena verificar uma teoria de Allan Kardec, publicada na Revista Espírita. Kardec levanta a hipótese de José e Maria terem vindo de mundo superior, para a missão de paternidade e maternidade de Jesus. Espíritos mais perfeitos que os terrícolas, seus perispíritos terrestres, por força da afinidade, teriam sido construídos com os fluidos mais puros, mais sutis do nosso ambiente planetário, e certamente teriam corpos melhores que dos terrícolas, propiciando ao corpo físico de Jesus uma herança genética mais perfeita. Como eles não tinham ligações anteriores com a Terra, eram espiritualmente virgens, isentos de dívidas para com o nosso planeta e seus habitantes.

A escolha da data de 25 de dezembro feita por um frade sábio, é devido esta data, no hemisfério norte marcar a volta do sol após o longo inverno, quando o gelo cobre toda a plantação e a natureza parece morrer. Na antigüidade os povos pagãos comemoravam a volta do sol com a Festa do Sol Invicto, ou a Festa da Mitra, divindade Persa, que vem fertilizar a messe.

25 de dezembro é o Solstício do Inverno. Antes do sol reaparecer surge no céu a constelação de Virgem, e os antigos diziam que a Virgem deu nascimento ao sol e permanece virgem antes, durante e depois do parto. Jesus foi comparado ao que dá a vida. A maior luz que a humanidade já viu.

A Igreja Bizantina, que não obedece o Papa romano, acusou Roma de paganismo, por fixar o natal na data da Festa da Mitra. Isto ocorreu após o ano 300.

Alguns pesquisadores tem colocado a possibilidade de Jesus ter nascido em fevereiro, provavelmente no dia 23. Outros situam o seu nascimento entre 15 de março a 15 de abril, e há quem prefira setembro. Entretanto, em nosso ponto de vista são especulações. Não temos conhecimento de nenhum documento confiável que resolva essa questão.

No livro Crônicas de Além Túmulo, de Humberto de Campos, (espírito) pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, tem uma crônica maravilhosa, reproduzindo um diálogo entre Jesus e João, o Evangelista, com título, "A Ordem do Mestre". Vamos apresentar o trecho mais informativo:

" - João, disse-me o Mestre, lembra-te do meu nascimento na Terra?

- Recordo-me, Senhor, foi no ano 749 da era romana, apesar da arbitrariedade do Frei Dionísio, que calculando no século VI - da Era Cristã, colocou erradamente o vosso natalício, em 754."

Aníbal Vaz de Melo, autor do livro A Era de Aquário, afirma que foi Paulo de Tarso, que conhecia profundamente o culto Solar da Mitra, que aproveitou a oportunidade para insinuar a adaptação da grande figura de Jesus de Nazaré ao culto astronômico do Sol Invicto. Jesus passou a ocupar o lugar do sol e Maria, sua mãe, o lugar da constelação de Virgem.

Diz ainda o Aníbal Vaz de Melo que quando Jesus nasceu, o sol estava ingressando no signo zodiacal de Piscis, ou peixe, por isso, toda a história do Mestre, no Novo Testamento, está relacionada a água e aos peixes: O batismo (mergulho na água) - A pesca maravilhosa - O Mar da Galiléia - A Piscina de Betesda - A multiplicação dos pães e peixinhos - Jesus anda sobre as águas - a tempestade acalmada e muitas outras. Mas vejam isto: A palavra grega para peixe é ICHTHYS - e as suas cinco letras são as do título completo dado a Jesus: I esus Christus Theou Yicus Soter, o que quer dizer: Jesus Cristo filho de Deus Salvador.

 

Terceira Aula - A Infância de Jesus - A Benção da Virilidade

 

Teria alguma importância saber onde e quando Nasceu Jesus? Apenas a verdade histórica. Provar que ele não é um mito, embora tenha nascido numa época mitológica. Jesus de Nazaré, não é um mito como muitos historiadores pensam, mas um ser real, de carne e osso. Não é, também, um fantasma, como quiseram os "docetista", 200 anos depois do seu nascimento, ou como querem os Roustanguistas, do século XIX na França e no Brasil no mesmo século e na atualidade, por parte de alguns espíritas. Não adianta escolhermos uma data se ele não nascer em nosso coração.

Se o nascimento de Jesus foi cercado de lendas, não menos lendária foi a sua infância. A necessidade de divinização da sua figura, fez com que se criasse fantasias em torno do menino. Os quatro evangelhos não falam praticamente nada sobre a sua primeira e segunda infância. Lucas cita a visita ao Templo e a discussão com o doutores, o que teria sido aos 13 anos para a benção da virilidade. Os Evangelhos apócrifos (apócrifos porque não foram escolhidos por Jerônimo) contam algumas passagens tão interessantes quanto absurdas. Por exemplo: o menino colocar um peixe salgado numa bacia com água e ordenar que voltasse à vida, e o peixe começou a nadar. Noutra ocasião, num sábado, teria feito pardais de argila, e como foi repreendido pelos adultos, porque estava profanando o sábado, ele deu vida aos passarinhos de barro e mandou que eles voassem bem alto) Conta-se, também, que como aprendiz de carpinteiro, era muito útil, pois podia fazer a madeira aumentar de tamanho até o ponto desejado. Alguém disse, também, que quando ele fazia a junção, o encaixe de duas vigas, era tão perfeita a junção que parecia ter nascido assim. (essas informações, exceto a última, estão no livro de A.N.Wilson - Jesus - Uma Biografia.

Mesmo no meio espírita, quando se fala da infância de Jesus, é inevitável a adjetivação melosa, como, o divino menino - a Augusta criança, etc.

Ao que tudo indica José fixou-se com a família em Nazaré, embora C.T.Pastorino coloque em dúvida a existência de uma cidade chamada Nazaré ao tempo de Jesus, ou nos primeiros anos do século I - da Era Cristã. Mas, voltemos atrás, logo após o nascimento.

A lei judaica determinava que o primogênito varão fosse consagrado a Deus. Isto queria dizer que deveria ser sacerdote, porém, como esta era uma atividade exclusiva dos filhos da tribo de Levi, os primogênitos das demais tribos eram dispensados da obrigação, pagando resgate de cinco ciclos de prata. Sendo Jesus da tribo de Judá, Maria fez o pagamento isentando-o do sacerdócio.

Maria fez também a oferta pela sua purificação do sangue do parto. Como era pobre, ofereceu um casal de rolinhas. Neste episódio aconteceu o encontro com Simeão e com a profetiza Ana. A esta altura o menino já havia sido circundado, aos 8 dias de vida, como mandava a lei.

A circuncisão era uma medida religiosa, mas de grande inteligência, e importância e higiênica, pois ela consiste no corte da pele que cobre a glande, (prepúcio). Com a glande descoberta não se cria ali o "esmegma", uma espécie de sebo, nem se segura resíduos de urina, ficando o indivíduo muito mais saudável.

Foi durante a apresentação do menino para a circuncisão, que houve o encontro com Simeão, um homem muito idoso, que reconheceu o menino como a encarnação do Messias, ( Senhor, despede o teu servo, pois os meus olhos já viram a salvação). e também com a profetisa Ana, que previu para Maria muitas dores, como se o seu peito fosse trespassado por uma espada.

Após a apresentação no Templo, a única referência ao menino é que crescia de corpo e espírito. Só volta a ser citado aos 12 ano

Na Revista Educação Espírita, da Editora Edicel, criada por José Herculano Pires, no seu nº 3 trouxe um trabalho de Walter da Silveira Franco

( do Grupo de Estudos Pedagógicos de São Paulo), denominado, A Educação de Jesus, tendo como bibliografia, além de Tratados de Pedagogia, Solen Asch, no seu livro Maria, (dados sobre a educação de Jesus, segundo a tradição judaica), há, ali, trechos de grande beleza, mas que fugiria ao objetivo deste estudo. Edouard Schuré, em Os Grandes Iniciados, também fala da educação familiar recebida por Jesus e descreve os hábitos e costumes da época.

Até os 7 anos Jesus foi educado por Maria, recebendo as noções religiosas e históricas do seu povo, e aprendendo as primeiras letras. Aos 7 anos é encaminhado para a Sinagoga onde dá continuidade a sua educação religiosa e à alfabetização.

Quanto a discussão com os doutores e anciãos, Herculano Pires afirma ter sido A Benção da Virilidade, que todo menino judeu recebe ao completar 13 anos. Segundo Herculano, os doutores da lei e os anciãos sabatinavam os rapazinhos para saber o quanto eles sabiam da história do povo hebreu e das suas tradições. Como o menino de Nazaré demonstrou uma grande sabedoria para a sua idade e a sua condição social e sendo natural de uma pequena cidade da Galiléia, prazerosamente alongaram a sabatina.

Isto não explica o fato de José e Maria não saberem que ele havia ficado no Templo, pois, eles deveriam estarem lá, embora Maria tivesse que ficar no Pátio da Mulheres. Na nossa opinião o relato é parcialmente fantasioso. Outra dificuldade nesse passo do evangelho é que Lucas afirma que o menino tinha 12 anos, e não faz referência, em nenhum momento, à benção da virilidade. Esta é uma passagem privativa de Lucas. Huberto Rohden e Torres Pastorino conservam os 12 anos para o acontecimento. Pastorino recorre à numerologia e afirma que o 12 é o números dos Messias, dos Enviados.

No entanto, as maiores controvérsias estão após este acontecimento, porque os evangelistas guardam absoluto silêncio do que Jesus teria feito dos 13 aos 30 anos, pela cronologia do evangelho, ou dos 14 aos 32 ou 35 anos conforme as investigações históricas.

Existe um livro muito interessante de Francisco Klors Wernek, Jesus dos 13 aos 30 Anos, que apresenta as traduções de manuscritos históricos, que conta sobre um moço judeu que teria estado em vários templos de diferentes países. O moço corresponderia ao nome e características de Jesus de Nazaré.

Existem muitas hipóteses, e alguns autores, baseando-se em documentos que aparentam exatidão, afirmam que Jesus esteve em várias escolas iniciáticas, no Egito, na Índia, ou mesmo na Judéia, entre os essênios.

Schuré, no livro, Os Grandes Iniciados, compara a Doutrina de Jesus com a dos Essênios, e afirma que Jesus foi um iniciado Essênio, galgando os graus iniciáticos com rapidez espantosa. Segundo Schuré, havia uma espécie de ordem terceira, composta por essênios casados, vivendo nas comunidades judaicas. (Ob. Os essênios eram celibatários). Isto explicaria porque Jesus ia de cidade a cidade com os discípulos e sempre encontrava pousada e alimentação.

A nosso ver, baseado em Herculano Pires e outros espíritas, e no nosso próprio raciocínio, Jesus viveu na Aldeia de Nazaré, onde aprendeu o ofício de carpinteiro e construtor, porque os pais judeus faziam os seus filhos aprenderem duas profissões, para que nunca passassem necessidades. Jesus permaneceu em Nazaré até o início do seu ministério, possivelmente aos 32 ou 35 anos.

Nosso ponto de vista é que Jesus não foi iniciado em nenhuma religião. Ora, se ele foi o espírito mais perfeito que se encarnou em nosso planeta, conforme afirma O Livro dos Espíritos, e se ele é o governador da Terra, conforme diz Leon Denis, em Cristianismo e Espiritismo, (Sic) e Emmanuel, em A Caminho da Luz, (Sic) tendo presidido a sua formação, evidentemente ele não precisaria de iniciação. Huberto Rodhen também não acredita numa halo iniciação, mas sim, numa autoiniciação. Francisco Klors Wernek. No seu livro, Jesus dos 13 aos 30 anos, apresenta evidências sedutoras, com documentos antiquíssimos, sobre as iniciações de Jesus.

Sua educação infantil pode ser aceita, porque, além do espírito ainda não ter domínio completo do corpo, era preciso não chamar muita atenção sobre si.

 

Quarta Aula - O Batismo de Jesus - A Tentação no Deserto

 

 

João, o Batista (o que mergulha) apareceu na Judéia como um profeta popular anunciando a próxima vinda do Messias. De aparência rústica, vestindo desconfortáveis roupas de couro de camelo, vivia no deserto, alimentando-se frugalmente.

 

Ele profligava os vícios da sociedade judaica, chamando os homens ao arrependimento. Quando perguntavam se ele era o Messias, respondia que não, mas era a voz que clama no deserto, e veio para endireitar os caminhos do Senhor. Após mim, dizia ele, virá aquele de quem não sou digno de desatar as correias das sandálias.

Os judeus sabiam, pois estava escrito, que antes da vinda do Messias, viria o Profeta Elias, que não morreu, mas foi arrebatado ao céu num carro de fogo, segundo a crença dos judeus.

A importância de João, o Batista, avulta para o Espiritismo, porque Jesus afirmou que ele era Elias. Sendo Elias, só poderia ser reencarnado, porque o episódio do carro de fogo, foi simbólico, não temos nenhuma dúvida. Se ficar provada a reencarnação de um espírito, estará provada a reencarnação de todos.

Apenas como curiosidade, mas sem afirmar ou negar, lembramos que muitos espíritas do final do século XIX - e início do século XX - acreditavam que Allan Kardec era a reencarnação de João, o Batista e conseqüentemente, de Elias.

O Evangelista Lucas afirma que Jesus e João eram primos, mas quando eles se encontraram à margem do Jordão, no momento em que Jesus quis ser batizado, João não o reconheceu, e o que chamou a atenção do Batista, foi o halo de espiritualidade que emanava do moço galileu, ou segundo outros autores, as suas vestes de iniciado essênio. Carlos Torres Pastorino diz que João reconheceu sim, a Jesus, e por isso se recusou a batizá-lo, afirmando que ele é que deveria ser batizado pelo Messias. Jesus disse a ele que por ora deveria ser assim. Na verdade Jesus precisava ser apresentado publicamente à nação, pois ali estavam, além do povo, algumas autoridades, espiões do Templo, militares romanos e espiões de Poncio Pilato e Herodes.

Alguns estudiosos consideram que João era essênio, e que o Batismo era uma cópia das abluções rituais destes. Outros autores afirmam que João foi buscar a inspiração para o Batismo na seita pagã dos Baptas, cujos sacerdotes banhavam-se com água perfumada, antes de oficiar os rituais dedicado à deusa Cotito, a deusa da torpeza.

Segundo Edouard Schuré, no livro Os Grandes Iniciados, João não era iniciado essênio, mas profeta popular que pregava a vinda do Messias como vingador e justiceiro, e muitos dos seus seguidores estavam dispostos a pegar em armas contra os romanos.

O Batismo, ou Mergulho, tinha o significado de uma nova disposição de vida, o arrependimento dos erros cometidos, , preparo para uma nova sociedade que deveria ser instalada com o Messias. João batizava somente adultos.

Como já falamos, João era de personalidade forte e atacava com duras palavras os fariseus e os saduceus, chamando-os de hipócritas e raça de víboras. Para ser batizado era preciso que o candidato se arrependesse dos seus pecados e se dispusesse a mudar de vida.

Existe uma controvérsia se João foi ou não essênio. Jonh Drane, autor do livro, Jesus, e Schuré, acham que não. Carlos Torres Pastorino afirma que sim. Há, também, uma suposição não confirmada, que ele foi adotado, quando ainda criança pela comunidade do Quinram, comunidade essênia, localizada no mesmo deserto onde João viveu e pregou.

Durante o Batismo de Jesus, teria acontecido fenômenos mediúnicos, como a aparição de um espírito em forma de pomba, e a voz, que disse: Este é o meu filho amado, em quem coloco todo a minha complacência. Este episódio provoca algumas dúvidas: havia muitas pessoas junto à margem do Jordão onde João batizava, se aparecesse um espírito ou se ouvisse uma voz no espaço, haveria, certamente, uma comoção e até pânico. Acreditamos que se houve essas manifestações, foi no íntimo de João, no seu psiquismo.

Mesmo assim, pouco tempo depois, já no cárcere, João manda dois discípulos perguntar a Jesus se ele era o Messias ou se deveriam esperar outro. Comentaremos este passo no momento adequado.

As personalidades de João e Jesus eram bem diferentes. João era duro, implacável. Falava de castigos, punições, proibia, condenava largamente. Jesus era manso, pronto a perdoar. Não condenou Madalena, nem a mulher que lavou seus pés com as suas lágrimas. Convivia com ladrões, publicanos e com pecadores.

É importante ressaltar que João dizia: Eu vos batizo com água, porém, após mm virá aquele que vos batizará com o fogo e o espírito.

Retiramos a palavra santo, porque não existe no mundo, nenhum documento antigo sobre Jesus, que tenha a palavra "santo" adjetivando a palavra espírito. Foi Jerônimo, ou São Jerônimo, autor da Vulgata Latina, que acrescentou Santo depois de Espírito. Pinheiro Martins afirma que as escrituras diziam espírito bom.

Para os espíritas a morte de João, (reencarnação de Elias), por degolamento, foi o resgate do ato do antigo Profeta, ao ordenar a morte de 400 sacerdotes do deus Baal.

Carlos Torres Pastorino, tem uma interessante interpretação para este fato. Diz ele, que as crianças degoladas por ordem de Herodes, o Grande, foram os judeus que obedeceram a incitação de Elias para matar os sacerdotes. Argumenta que foram degolados ainda crianças porque tinham menos responsabilidades. João foi supliciado adulto, porque foi o incitador, o mentor da crueldade.

Os nomes Fariseu e Saduceu aparecerá muitas vezes neste nosso estudo, portanto, vamos defini-los agora: Fariseus = separados - Eram cerca de 6.000 ao tempo de Jesus. Obedeciam rigorosamente a lei. Evitavam os impuros e acreditavam na sobrevivência da alma e na ressurreição. Tornaram-se detalhistas e hipócritas. Saduceus = de Sadoc, sacerdote do tempo de David. Era mais um partido político do que religioso. Eles formaram, 200 anos a.C. , um Conselho que dirigia toda a nação judaica. Um século depois os Fariseus conseguiram se introduzir nesse Senado, que passou a chamar-se Sinédrio.

Os Fariseus eram adversários dos Saduceus, porque estes, para não perder seus cargos, submetiam-se servilmente aos dominadores estrangeiros. Os Saduceus não acreditavam na sobrevivência da alma, nem nos anjos, e admitiam somente a lei escritas, recusando a tradição oral.

Quando João foi questionado pelos sacerdotes, que enviaram mensageiros para perguntar se ele era o Cristo, ou um profeta, ou Elias, a resposta foi não. Isto faz o deleite dos adversários da reencarnação, porém, era natural que ele não soubesse ter sido Elias, pois, como todos, ele passou pelo processo do esquecimento. Contudo, Jesus muito superior a João, sabia claramente que ele foi Elias. Cabe neste passo, as palavras de Crishna a Ajurna, no Bagava-gita: Tanto eu como vós, temos tido vários nascimentos. Os meus, só de mim são conhecidos, porém vós, nem mesmo os vossos conheceis.

Lembremos da afirmativa de Jesus, QUE, DOS NASCIDOS DE MULHER, João é o maior, mas o menor no Reino dos Céus é maior que ele. Filho de Deus, Filho do homem, e filho de mulher são graus iniciáticos. João, como nascido de mulher, ainda tinha dívidas para com o planeta, e muito a aprender.

Outro fator que precisa ser levado em conta, é que João até poderia saber que fora Elias, mas respondeu de acordo com a pergunta: Tu é Elias? Não. Sou João. Ele foi Elias em outra reencarnação. Agora era João.

Após o Batismo Jesus retirou-se para o deserto, onde, segundo o Evangelho, permaneceu em jejum e orações durante 40 dias.

Carlos Torres Pastorino e Schuré nos dão uma interpretação esotérica, ou oculta, para essa passagem das tentações. Nenhum dos dois aceitam que o diabo, como ser real, tenha realmente tentado a Jesus. Pastorino coloca que foi a luta entre a individualidade e a personalidade, matéria contra o espírito. Diz Pastorino: após o mergulho na água (líquido anminiótico), o espírito é levado ao deserto (aos embates da Terra), para ficar em contato com as feras (homens ferozes, involuídos, pequenos, atrasados, egoístas). Talvez, até aí, Jesus não soubesse que era o Messias, ou como cumpriria a sua missão.

Contudo, é em Jonh Drane, no livro, Jesus, que encontramos belíssima explicação, aliás, parecida com a de Schuré, porém, menos metafórica, mais simples.

Jesus sabia que tinha três modos de cumprir a sua missão, sem envolver-se com o sofrimento, porém, sabia também, que aquelas não eram a vontade do Pai.

A primeira proposta, ou tentação, era fazer da Judéia uma nação rica, onde não existisse fome ou pobreza, onde não faltasse o pão para ninguém, e as necessidades de cada um seriam satisfeitas. Pedras se transformariam em pão, isto é, a produção de alimentos seria muito grande. Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra saída da boca de Deus. Disse uma voz dentro do seu coração.

A segunda tentação seria atirar-se do pináculo do Templo, no meio do povo, sem ferir-se. Isto seria uma prova de que era o escolhido. Os judeus tinham o hábito de pedir sinais. Havia uma velha profecia no Antigo Testamento, que o Messias apareceria de repente, e de forma dramática no Templo. Jesus rejeitou a idéia, porque dentro dele uma voz voltou a se fazer ouvir: Não tentarás o Senhor teu Deus.

O terceiro modo era o mais sedutor, por ser o que a maioria dos judeus queria. Eles esperavam um Messias político. Eles acreditavam que o governo da Terra seria entregue aos judeus. A tentação seria: adora-me e te entregarei todos os reinos, todas as nações do mundo. O adora-me, logicamente se refere adorar o poder, o mando. Mas a voz soou mais uma vez em seu coração: Somente Deus deve ser adorado.

É pena que a visão aguda de Jonh Drane, não evitou que ele visse um demônio real como tentador.

Mas vamos arrematar com uma colocação belíssima de Edouard Schuré, no livro, Os Grandes Iniciados:

- Por que sinal vencerei?

- Pelo sinal do Filho do Homem.

- Mostra-me esse sinal.

Então, uma constelação brilhante surgiu no horizonte. Ela tinha quatro estrelas em forma de cruz. O galileu reconheceu o sinal das antigas iniciações, familiar ao Egito e conservada pelos essênios.

Depois, um monte emergiu na planície. Era um monte despido de vegetação, nele havia três cruzes fincadas, e o moço galileu reconheceu-se crucificado na cruz do meio. Esta era a vontade do Pai, o sacrifício pessoal para deixar o exemplo.

Quinta Aula - Os Primeiros Discípulos - O Festim das Bodas

 

Após a sua estada no deserto, para ser tentado, segundo os evangelistas, ou para eleger as suas prioridades e como desenvolveria a sua tarefa, segundo o nosso ponto de vista. João ao vê-lo passar junto ao Jordão, exclamou: - Vejam ali o cordeiro de Deus. O jovem João, e André, discípulos do Batista, sentiram-se irremediavelmente atraídos por Jesus, e seguiram-no, incentivado pelo Batista. Torres Pastorino criou este diálogo. Jesus volta-se e pergunta:

- Que desejais?

- Mestre, onde moras?

- Vinde e vereis.

Mestre = igual a Rabi, em hebraico-talmúdico, era o título oficial reservado aos doutores da lei, mas era dado por respeito, delicadeza, e por admiração a alguém mais sábio.

No dia seguinte foram chamar Simão, irmão de André, que Jesus chamou de Cefas = Pedro. Depois outros discípulos foram chegando, num total de 12. Entretanto, o número de seguidores era maior, 72, que Jesus mandou em duplas num dado momento, pregar nas cidades vizinhas.

No seu ministério, Jesus e os seus discípulos iam de aldeia em aldeia, de cidade em cidade. Sustentavam-se com as esmolas recebidas, pois o grupo não exercia atividades remuneradas. Ao que parece algumas mulheres ricas, como Joana de Cusa, Maria de Magdala patrocinavam a causa do moço galileu. Se aceitarmos que Jesus era um iniciado essênio de alta estirpe, certamente encontrava casas de essênios não celibatários, onde era acolhido fraternalmente. No entanto, preferimos ficar com a idéia de que Jesus não foi um alo-iniciado, (exterior) e sim um autoiniciado (interior).

Não vemos motivo de escândalo se o grupo fosse sustentado por mulheres ricas e eventuais esmolas de simpatizantes. Também não podemos esquecer que Pedro e João eram sócios de Zebedeu numa empresa de pesca e deveriam usufruir algum lucro, mesmo não trabalhando.

O primeiro ato público, ou milagre de Jesus vem narrada por João, no capítulo 2: 1 a 11 do seu Evangelho - As Bodas de Caná. Não vamos relatar como está no Evangelho porque basta lê-lo. Vamos narrar o fato baseado em Carlos Torres Pastorino, no Sabedoria do Evangelho. Jesus vai com sua mãe, irmãos e irmãs e os seus quatro primeiros discípulos: João, André, Pedro e Natanael, numa festa de casamento, de família amiga. As festas de casamentos, de conformidade com as condições econômicas da família, duravam de três a oito dias. Faltou vinho e Maria mandou os criados encherem 6 talhas de pedra com água e Jesus transformou a água em vinho.

Quando Maria foi dizer a Jesus que o vinho havia acabado, Jesus parece tratá-la com indiferença, dizendo: - O que nos importa isso a mim e a ti? A minha hora ainda não chegou.

Maria não insistiu; afastou-se. Pastorino afirma que as talhas ou tinas, ou tonéis, vasilhas próprias para as abluções rituais, ou para lavar as mãos, e pratos, suportando de duas a três "metretas" cada uma, o que significa, segundo o mesmo autor 75 a 120 litros cada uma.

Cheias as talhas de pedra, Jesus manda um dos criados levar uma amostra ao presidente do banquete, que fica muito admirado, pois o vinho era muito superior ao já consumido.

As Bodas, é um dos mais belos símbolos do Evangelho, e que aparece em algumas passagens e pode ser interpretada assim: o espírito reencarnado, ao vencer as suas inferioridades e tomar conhecimento da verdade, celebra as suas núpcias com a luz, passa a ser um cidadão do universo.

Torres Pastorino diz: No Jardim Fechado (Galiléia) realiza-se as bodas em Caná - Qanâh (Caniço) planta que nasce reta para o alto, como uma flecha que está para ser disparada verticalmente. É a flecha da oração que elevará as vibrações, partindo do jardim fechado ( interior do homem)

Pedra - exprime a interpretação literal das escrituras.

Água - significa a interpretação alegórica dessas mesmas escrituras.

( Moisés feriu a pedra com o seu cajado e dela saiu água. Êxodo 17: 6)

Vinho - é a sabedoria profunda, o sentido simbólico, místico e espiritual, que inebria os sedentos da verdade, e alegra o coração. Quando a Doutrina está adulterada, Isaías diz: O teu vinho está misturado com água. (Isaías 1:22).

A passagem das Bodas pode ser entendida como acontecimento real, e tida como milagre, ou no seu sentido esotérico (fechado): O povo hebreu bebia da água vertida da pedra (escrituras), dada por Moisés, ou bebiam das doutrinas inferiores, (vinho ordinário). Contudo, Jesus usando as mesmas escrituras (talhas de pedra cheias água), transformou-a em vinho excelente, ou seja, transformou ensinos alegóricos em ensinos puramente espirituais, cheios de sabedoria. Os convivas ficaram ébrios de felicidade.

Após as Bodas em, Caná (200 metros acima do mar), Jesus vai para Cafarnaum

( Cidade do Consolador) - 200 metros abaixo do mar Mediterrâneo) , com a família e os quatro primeiros discípulos. Pastorino cita os nomes dos quatro irmãos de Jesus: Tiago, José, Simão e Judas. O nome de suas irmãs não foram revelados. De Cafarnaum ele vai para Jerusalém, para a Páscoa dos judeus. (Páscoa = Passagem e é comemorada com pão ázimo, sem fermento) O ano é 29 d.C. - 782 da Fundação de Roma. Jerusalém (Visão da Paz), fica a 780 metros acima do nível do mar Mediterrâneo, daí a expressão: subir a Jerusalém.

" A. N. Wilson - no livro - JESUS - Uma Biografia" - interpreta assim: As talhas judaicas são a velha Israel e continha algo que era refrescante e nutriente, água, e purificante também, mas não capaz de embriagar. O próprio Jesus é o novo vinho, enchendo as talhas. Deus está fazendo uma nova Israel. O que fora meramente ritual vazio - lavar-se com água antes de comer, lavar as panelas especificadas na ocasião especificada e da maneira especificada - torna-se algo inteiramente novo: uma embriaguez com Deus vivo.

Os quatro evangelistas narram a expulsão dos mercadores do Templo. João coloca no início do seu Evangelho, no capítulo 2: 14 - que corresponde à primeira viagem à Jerusalém. Marcos coloca no capítulo 11: 15 - Lucas no capítulo 19: 45 e Mateus no 21: 12. Pastorino considera que João é quem está certo, colocando a passagem no início da vida pública de Jesus, e não na semana da sua prisão.

O Templo de Jerusalém tinha vários pátios, mas os vendedores ficavam no Adrio, único lugar onde podiam ficar os "gentios" (os não judeus). Alinhavam as bancas no pórtico, e ali vendiam bois, ovelhas, pombos, farinha, bolos, incenso, óleo, sal, vinho. Havia, também, os cambistas que trocavam o dinheiro grego - dracma - e o romano - denário - por siclos judeus, única moeda aceita no Templo. A troca era com ágio. Todos os vendedores e cambistas pagavam porcentagem aos sacerdotes. O Rabi Simeão Bem Gamaliel, queixa-se dos altos preços extorsivos cobrados pelos vendedores do Templo. Outro hábito a que Jesus se insurgiu, foi o de atravessarem o Templo para encurtar caminho, as vezes carregando mercadorias.

Os evangelistas narram que Jesus ficou indignado fez um chicote (azorrague), com cordéis e espantou os animais, derrubou as mesas dos cambistas, espalhando as suas moedas pelo chão. Indignado, dirigiu palavras candentes aos mercadores, e impediu que os transeuntes cortassem caminho por dentro do Templo, carregando objetos. Jesus citou Isaías 56: 7 - Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações. E também a Jeremias 7:11 - quando esse profeta exorta os israelitas a melhorarem suas vidas, pois, se continuassem a roubar, matar e mentir, entrando no Templo com os seus crimes, " esta casa que é chamada de meu nome, se tornaria a vossos olhos um covil de salteadores. Muito mais tarde é que os discípulos se lembraram das palavras do salmo 69:9 "O zelo da tua casa me devorá". Ou (O zelo da tua casa me devorou)

Muitos espíritas não acreditam que Jesus tenha feito tal coisa. Tendo Jesus como modelo perfeito de bondade, não poderia jamais agredir ou prejudicar alguém. Aceitam, quanto muito, que as suas palavras tiveram o efeito de chicotadas. Não pensamos assim, pois a bondade não dispensa a energia. Além disso, os evangelistas não afirmaram que Jesus bateu em alguém com o chicote, mas que fez um chicote e espantou os animais. Nem sempre complacência é bondade. Jesus era um moço forte, másculo, e jamais teve medo do que quer que fosse.

Não façam do Templo casa de negócios, covil de ladrões. Infelizmente aqueles que se intitulam a Igreja do Cristo, não levaram a sério as suas palavras.

Torres Pastorino faz uma abordagem esotérica, que podemos resumir assim: nosso corpo é o nosso Templo, ou Templo do Espírito. Por ser um veículo inferior tem desejos e necessidades inferiores. Quer trocar o prazer espiritual, a elevação do espírito, por sensações animalizadas, e para isto ele vende as coisas santas do espírito (Simonia), compra prazeres, troca sensações, e acha tudo isso muito natural. O espírito é ainda fraco, conivente (como os sacerdotes judeus) permite o abafamento das potencialidades superiores, para melhor gozar as coisas inferiores. Eis que o espírito desperta e reage com um chicote (energia), expulsa os animais e os cambistas que trocam o Reino dos Céus pelos interesses ilusórios do mundo. O espírito precisa ser enérgico e vencer as tendências inferiores, e não se acomodar a elas. Pode acontecer e tem acontecido, que após a reação espiritual, depois de algum tempo o espírito se acomoda e deixa retornar todos os mercadores e cambistas, e volta a conviver com eles embora tenha, de quando em quando, algumas crises existenciais.

Aula VI - A Conversa Com Nicodemus

 

João 3: 1 a 15 narra com pormenores, o diálogo que Jesus teve com Nicodemus, membro do Sinédrio e Mestre em Israel. O texto da oportunidade a várias interpretações. Mais uma vez recorremos a Torres Pastorino, Huberto Rodhen e Edouard Schuré. Embora os três tenham uma visão profunda e completa da missão de Jesus, colocam-se em posições diferentes. Vamos incluir também a interpretação espírita.

Comecemos pelo Espiritismo. Nós, os espíritas, vemos nesta passagem a confirmação da reencarnação. Na verdade podemos interpretar restritivamente assim, mas, é apenas uma face do transcendental diálogo. Ficam, porém, algumas dúvidas. Se Nicodemus era Mestre em Israel, deveria conhecer a reencarnação, pois, o historiador Josefo, escreveu que os fariseus ensinavam que as almas são imortais, e que as justas, passam depois desta vida a outros corpos.

Concordamos que o ponto de vista espírita satisfaz inteiramente o raciocínio, porém, há muito mais a ser explorado, e por isso não vamos parar aqui, mas ir adiante. Contudo, queremos desde já, registrar a absurda tese das igrejas cristãs, que afirmam que Jesus se referia ao Batismo instituído por João. Allan Kardec, em O Evangelho Segundo O Espiritismo, afirma que os antigos acreditavam que a água era o elemento gerador absoluto. "Que as águas produzam animais viventes, que nadem na água, e pássaros que voem sobre a terra e debaixo do firmamento". Deste modo, não quer dizer água do batismo. Todo o capítulo 4º de o E.S.E. é voltado para a argumentação da necessidade da reencarnação.

Todos os comentários que lemos, inclusive Rohden e Schuré, concordam que a entrevista de Nicodemus com Jesus, se deu durante as horas avançadas da noite, Porque Nicodemus não queria que o encontro se tornasse público, temendo, possivelmente, o juízo do Sinédrio. Torres Pastorino refuta essa hipótese, mas, isto veremos mais à frente.

O encontro se dá entre dois personagens apenas: Nicodemus e Jesus. Não havia testemunhas. O Senador judeu teria sido covarde? Justamente ele, cujo nome grego, Nicodemus, significa o Vencedor do Povo? Como o jovem João poderia ter tomado conhecimento do fato? Simples! Segundo Torres Pastorino, a entrevista teria se dado no plano extrafísico, isto é, durante o sono, em desdobramento, por isso oculto dos demais homens, e testemunhado por João, também em desdobramento.

O jovem João, tinha grande amor e admiração pelo seu Mestre, por isso gravitava em torno dele, mesmo fora do corpo, e pôde testemunhar esse diálogo transcendental entre Jesus e Nicodemus.

Pastorino, na análise do diálogo coloca coisas muito interessantes. Por exemplo: O que é nascido da carne e o que é nascido do espírito, como dois acontecimentos diferentes. Na carne renascem os espíritos que estão sujeitos ao Carma, ou Lei de Causa e Efeito, individual, grupal, coletivo ou planetário. Precisam renascer da carne porque suas vibrações são densas. O que nasce do espírito se liberta, se eleva a planos superiores. Pastorino coloca um simbolismo interessante dizendo que Adão seria a alma vivente (que vive). Cristo, o espírito vivificante, (que dá a vida). Passou do estado humano ao espiritual. Deixou de ser nascido da carne para ser nascido do espírito.

Jesus cita no final do diálogo, a Moisés, que ergueu a serpente no deserto, e que ele também deveria ser suspenso. A serpente, segundo Pastorino, simboliza a inteligência, ou o intelecto. ( veja a tentação de Eva pela serpente). Quando a serpente é elevada verticalmente, significa, a mente espiritual. Jesus foi suspenso na cruz da matéria (horizontal sobre a vertical). Só depois de elevada na cruz, pode essa serpente conquistar o Reino dos Céus. Para viver o Reino de Deus, temos que nascer de novo como filhos de Deus.

Amílcar D.C. Filho, considera o simbolismo da cruz como um dos mais belos ensinamentos de Jesus. A cruz, composta de duas traves, tem na horizontal, os cuidados deste mundo, como, o que comer, o que vestir, onde morar, trabalho, escola, assistência médica, lazer, família e tudo o que compõem a vida material, que não é desprezível, nem condenável, quando conquistados honestamente. Estamos crucificados aos deveres. A trave vertical representa nossas aspirações superiores, a nossa busca do Reino de Deus. Sendo vertical ela aponta para o firmamento e nos leva para o infinito, como a flecha da oração (Caná= caniço). Entretanto, sua base está fixada no solo, pois, podemos ter a mente nas estrelas, mas o nosso lugar, neste momento, é aqui na Terra. Só seremos lançados para o espaço quando as coisas da matéria se tornarem naturais, e não mais mentirmos, roubarmos, matarmos, fraudarmos, odiarmos para possuí-las. Quando compreendermos que tudo pertence a Deus, e somos simples usufrutuários desses bens. Que, quando os recebemos em qualquer quantidade, somos apenas mordomos, desses bens, e devemos aprender a distribuí-los com sabedoria.

Huberto Rodhen, separa o que ele chama Fatos e Valores. Ele situa a reencarnação como fato, mas não como valores. Diz ele que o que nasce da carne é carne, é corpo físico, mas é produzido por terceiros. Para alguém nascer é preciso que um homem e uma mulher produzam um corpo. O Reino de Deus, o nascer espiritual, não pode ser produzido por terceiros. É algo que o ser produz dentro de si, pelo poder do seu livre arbítrio. Diz Rohdem, que a função do Mestre é indicar ao discípulo o caminho para o nascimento espiritual.

Torres Pastorino, na análise deste passo do Evangelho, estranha que os tradutores, traduziram a palavra "pneuma", quatro vezes por espírito, e uma vez por vento. Na verdade, diz ele, o espírito sopra onde quer (atua - age) e não se sabe de onde veio, (sua última reencarnação) nem para onde vai (próxima reencarnação).

Edouard Schuré, em Os Grandes Iniciados, considera que o diálogo de Jesus com Nicodemus se refere ao Batismo, mas esclarece que o Batismo da água representa a verdade percebida intelectualmente, abstratamente, de uma forma geral. A água purifica a alma e desenvolve o seu germe espiritual. A renascença pelo espírito, ou o Batismo pelo fogo (celeste), significa a assimilação dessa verdade, pela vontade, de tal modo que ela se torne o sangue e a vida, a alma de todas as ações. O Batismo pela água é o começo da renascença. O Batismo pelo espírito é a renascença total. São dois graus da iniciação.

Cairbar Schutel, no livro - Parábolas e Ensinos de Jesus, esclarece: Não é bastante nascer da água, não basta tomar um corpo de carne neste mundo e nascer aqui, não basta nos encarnarmos aqui nesta Terra, precisamos principalmente "nascer do espírito"; por isso o Mestre acrescenta no versículo 6: o que é nascido da carne é carne; o que é nascido do espírito é espírito. Quando visitou o Mestre, Nicodemus já havia nascido da água; mas não havia nascido do espírito.

 


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