A INSENSATA TRANSFERÊNCIA

Procurando a satisfação material para efêmeros interesses, encontramos o homem lato sensu manietado num cipoal de dores e aflições por ele mesmo criado.

 

Ignorando ser um espírito imortal, viajor eterno de mulfitárias existências, desconhece que, pela misericórdia de Deus, temos a oportunidade de retornar ao bendito educandário, que é o planeta Terra, através da reencarnação para aprender o que, por vontade própria, preferimos ignorar no passado.

 

Nesse ponto de reinício, esse espírito se vê na condição do aluno que retorna a escola, na mesma série, para aprender o que, por sua exclusiva vontade (livre-arbítrio), preferiu não aprender, optando por seguir pela porta larga, que é a porta da perdição.

 

Essa é a posição da maior parte dos irmãos que retornam ao Planeta egressos da verdadeira pátria, que é a espiritual, não se podendo olvidar da sua natureza, que é espiritual.

 

Na seqüência, atento ao equivocado aprendizado que lhe é ofertado por seus pais, outros irmãos em Cristo, segue acreditando ser apenas matéria e, por efeito lógico, passa a procurar (desatento às leis de Justiça , Amor e Caridade, que emanam do Criador Misericordioso) somente seus interesses materiais, a qualquer custo.

 

Como a maioria passa a agir dessa maneira equivocada, encontramos o conflito de interesses em que a maioria, quase sempre, não consegue seus quiméricos objetivos.

 

A partir daí, o desavisado espírito passa a atribuir culpa a terceiros, preferindo não enxergar que ele próprio é o único artífice de seu insucesso, chegando a se revoltar contra todos e contra tudo, até mesmo contra Deus, que é misericórdia infinita.

 

Passou, assim, a transferir a culpa de sua invigilância e egoísmo para os outros, começando a colher os frutos amargos dessa triste semeadura.

 

Para retornar ao caminho da Verdade, necessita ser visitado pela dor, revoltando-se, também, contra ela. Entretanto, deve observar que a dor, essa mestra, é que vai ensiná-lo de que deve plantar o bem, para poder colher o bem.

 

A dor, em verdade, é o buril da alma que faz com que o desavisado Ser passe a refletir sobre suas atitudes, suas equivocadas plantações, apercebendo-se, então, que deve ser vigilante ao plantar e que deve valorizar o essencial, ou seja, aquilo que efetivamente fará parte de sua bagagem ao iniciar a viagem de retorno ao plano espiritual.

 

Perceberá, assim, que todo o seu esforço objetivando, apenas, obter os bens materiais foi em vão, já que nada do que é material poderá ser levado em sua mala de viagem. Compreenderá, depois de verter muitas lágrimas, que a verdadeira riqueza se encontra em seu coração, através da caridade que tiver praticado, com desinteresse.

 

Nesse momento, o Ser - de coração dorido – olha para o passado e se arrepende de tantos atos que praticou, e de outros tantos que deveria ter praticado, percebendo os desacertos que cometeu. Sente uma imensa angústia se elevar, oprimindo o seu coração já vergastado pelos equívocos cometidos, insulando-se em atmosfera deletéria de pensamentos negativos, olvidando da infinita Caridade de Jesus que sempre é dispensada a todos os irmãos.

 

Nesse doloroso despertar, percebe quanto é efêmera a vida daquele que procura, apenas, a satisfação material, esquecendo-se dos demais irmãos em Cristo que  também clamam por paz e esperança.

 

Já aqueles outros, que lograram satisfazer seus interesses transitórios,da mesma forma, passam a perceber que os bens materiais não conseguem matar a sede e a fome do espírito, e sentem que a verdadeira felicidade não é encontrada neste Planeta de provas e expiação, e como é tênue esse momento.

 

Percebem que a quimérica felicidade, procurada nos bens materiais, não é suficiente para matar a fome do espírito que clama pela luz do esclarecimento sobre a sua origem e o seu destino. Então, perlustrando  o que se passou nessa sua frívola existência, constata que era mais feliz quando ainda criança.

 

Entende, então, porque Jesus, o Mestre da vida eterna,disse: “Digo-vos, em verdade, que, se não vos converterdes e tornardes quais crianças, não entrareis no reino dos céus. -Aquele, portanto, que se humilhar e se tornar pequeno como esta criança será o maior no reino dos céus - e aquele que recebe em meu nome a uma criança, tal como acabo de dizer, é a mim mesmo que recebe.” (S. MATEUS, cap. XVIII, vv. 1 a 5.)

 

Compreende, assim, que o maior dentre todos será aquele que mais tiver servido, e não aquele que possuir riquezas materiais, ou títulos, assumindo, com resignação, os frutos de seus inconseqüentes atos.

 

Essa resignação derivada da fé raciocinada que nos é ofertada pela Doutrina Espírita,  nos proporciona o esclarecimento necessário para  promovermos a nossa reforma íntima, conscientes de que os bondosos guias espirituais, verdadeiros trabalhadores da caridade de Jesus, não poderão fazer por nós o esforço que nos compete realizar para conseguirmos a elevação do espírito.

 

A propósito, da transferência insensata da responsabilidade encontramos em o livro “Leis Morais da Vida” , psicografado por Divaldo Pereira Franco, a lição do Iluminado Espírito de Joanna de Angelis, que diz:

 

“Muito cômodo atribuir-se o insucesso das realizações a outrem, transferindo responsabilidades. Incapaz de encarar o fracasso do verdadeiro ângulo pelo qual deve ser examinado, o homem que faliu acusa os outros e exculpa-se, anestesiando os centros de discernimento, mediante o que espera evadir-se do desastre” . sic

 

Joanna de Angelis esclarece, ainda, que:

 

“A luta sem desfalecimento e perseverança no posto em qualquer circunstância são as honras que se reservam ao candidato interessado na redenção”.sic

 

Mesmo entre os espíritas encontramos alguns irmãos que, apesar do conhecimento do Evangelho de Jesus e da Doutrina Espírita, se deixam prender no emaranhado das irrefletidas reclamações e, como verdadeiros queixumeiros renitentes, esperam, de maneira equivocada, que a casa espírita, ou os bondosos mensageiros da caridade de Jesus, lhes substituam no esforço que somente a eles competem realizar nos embates diários pela reforma íntima.

 

Sabem esses irmãos em Cristo que o verdadeiro batismo é aquele onde o homem enfrenta a expiação e sofrimentos com resignação, sabendo que Deus é justiça absoluta, e que estão colhendo os frutos da plantação equivocada do passado.

 

Encontramos, ainda, em o livro “O espírito da Verdade”, psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, editora F.E.B., mensagem do espírito MILITÃO PACHECO, sob o título O ESPIRITIMO PERGUNTA, que finaliza dizendo:

 

“Vives novamente na carne para o burilamento de teu espírito. A reencarnação é o caminho da Grande Luz.

Ama e trabalha. Trabalha e serve.

Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de transformar”. Sic (g.n.)

 

Devemos, pois, irmãos em Cristo, procurar não transferir a ninguém o esforço que nos compete realizar, assumindo e estudando os erros do passado, para que se convertam nos acertos do futuro, confiantes em Jesus e com a inquebrantável certeza de que Deus nos fez para a vitória, e não para a derrota.

 

Que a PAZ de Nosso Senhor Jesus Cristo nos felicite a todos.

 

César Luiz de Almeida – um irmão em Cristo.

 

Grupo Espírita Fraternidade de Mogi das Cruzes

 

<-Voltar