DIZIAM AS ESCRITURAS... CONFIRMAM OS ESPÍRITOS...

Os tempos atuais são marcados pela presença da violência, do terrorismo, do ceticismo, da incredulidade, do fanatismo, da indiferença. Estimulado por doutrinas puramente humanas, grandemente distanciadas da Verdade Libertadora, o homem moderno sente o vazio do desespero e o frio que exala das relações humanas. Há séculos a semeadura tem sido ruim. O joio se misturou ao bom trigo por nossa livre iniciativa. E a colheita, sempre obrigatória, não poderia oferecer senão frutos amargos. Exibimos uma ciência vitoriosa que derrubou os limites do impossível.  No entanto, não conseguimos evitar o fracasso moral/espiritual em que estamos mergulhados. O conhecimento científico, indispensável ao progresso,  proporcionou considerável conforto e saúde a nossa transitória vida material, prolongando nossos dias sob este solo de lutas. E assim deveria ser. Inevitável é a marcha da humanidade no sentido de dominar e conhecer as forças que colocam nossa existência física em movimento. Indispensável, porém, seria que não tivéssemos nos descuidado do espírito imortal. Conseguirmos “ter” muito. Mas não realizamos o desejo íntimo de “sermos” alguém. Diria Jesus que ganhamos o mundo mas perdemos a nós mesmos(Mateus 16:26). Fizemos escolhas. O livre-arbítrio, presente de Deus a todas suas criaturas, nos conferiu tamanho poder.

Embriagados pela excessiva busca de “direitos”,  esquecemos que a sociedade perde seu equilíbrio se os “deveres” não tiverem seu peso na balança da justiça. Em outras palavras,  o “direito de ser feliz” é o discurso que se encontra nos lábios da maioria. Mas, “o dever de fazer feliz” está mudo nos corações. Tais pensamentos, surgidos de nosso egoísmo e orgulho somente poderiam nos levar ao caos social.

E as sombras vão se alastrando em todas as direções. Levantamos altares a falsos ídolos, induzindo a dança ao redor do bezerro dourado repetindo a mesma cena que se passou ao tempo de Moisés quando os hebreus facilmente influenciáveis acreditaram mais na fragilidade das promessas humanas do que na inabalável promessa  do céu(Êxodo 32:1-4). O dinheiro, o poder, a beleza dominadora quando associados ao pecado original(imperfeições que trazemos no espírito em nossas diversas vidas) são outras fontes de graves prejuízos  à harmonia do conjunto. É o materialismo, ou Doutrina do Nada (niilismo) que, com seu chicote enlouquecido, permanece direcionando os destinos dos bilhões de seres que compõem nosso planeta. Carentes de referenciais, observamos jovens desorientados, elegendo a droga como companheira inseparável na tentativa de preencher o espaço deixado pela ausência dos pais, demasiados preocupados com o próprio bem-estar. Valoriza-se mais uma novela, um programa noturno, um jogo de futebol, o boteco, do que o diálogo construtivo com os filhos. Isso quando existe a possibilidade de diálogo já que em muitos lares as distâncias que se criaram são tão gigantescas que vive-se ali como verdadeiros estranhos, não raro competindo entre si por objetivos que não passam de futilidades. Os problemas da juventude trazem seu histórico desde a primeira infância. Pais desavisados bombardeiam ou permitem o bombardeio de suas crianças por um consumismo doentio,  veiculado pela televisão na forma de desenhos ou programas ditos “ inocentes”  que nada mais fazem senão perturbar o cérebro sensível dos pequeninos, transformando-os em fonte de lucro fácil na máquina imoral do capitalismo. Pais assim, certamente responderão diante do tribunal divino pelo extravio dessas almas(LE questão 208). Os efeitos de todos os males que nos cercam são inumeráveis. Sociólogos, economistas, filósofos, psicólogos tentam equacionar  soluções dentro de suas concepções pessoais, forjadas, quando muito, no ilusório saber do mundo. Não queremos afirmar com isso que o intelecto seja inútil. De forma alguma. Apressamo-nos apenas em dizer que todo o conhecimento que possuímos será nulo e mesmo nocivo quando o mesmo não estiver fundamentado na moral(Livro dos Espíritos questão 629). E quando dizemos moral, não nos referimos a uma “ética” humana e sim ao conhecimento do Espírito imortal, sua relação com a Lei de Deus, suas vidas sucessivas e suas experiências com o restante da criação.

Se os efeitos remontam ao infinito, a causa é uma só: Ignorância e descumprimento das leis divinas(LE qt. 619). O lamentável é que as religiões que, teoricamente, deveriam ser faróis nestes tempos de escuridão, sendo porta-vozes das verdades celestiais, se desviaram de sua rota. Humanizaram Deus e materializaram o espírito ao invés  de divinizar o Criador e espiritualizar os homens.

O mal será excessivo nestes últimos dias conforme assinalam as Escrituras. O amor se esfriou(Mt 24:12). O  homem tornou-se mais amigo das coisas terrenas do que do Pai Celeste(2Timóteo 3:1-5). Mas, onde abunda o pecado, abunda também a graça(Paulo, Romanos 5:20). E a graça é a oportunidade de recomeço.

O desafio é imenso. Poucas vozes possuem coragem de romper com o silêncio e retirar a mordaça, cuidadosamente colocada pelos guardiões do atraso que exerceram e exercem sua influência maligna nas religiões (inclusive no Espiritismo), nas ciências e nas filosofias. Mas, nada há de oculto que não seja descoberto, dizia o Mestre(Mt 10:26). É apenas questão de tempo e consciência para que a luz da verdade brilhe novamente e, desta vez, de maneira definitiva. Para tanto, precisamos nos comprometer, inicialmente, com nossa própria reforma de valores e princípios. Abandonar o homem velho, com todas as suas inclinações para as coisas passageiras, estéreis na edificação espiritual e nos revestirmos do homem novo(Efésios 4:22-24), consciente de sua imortalidade, sua paternidade divina e destino final que é a vida eterna prometida pelo Cristo a todos.

O pecado caminhará ao nosso lado, dificultando nossos passos,  mas Deus proverá e do mal tirará o bem. Sufocados pelos erros que nos escravizam buscaremos a verdade que nos liberta. Fé, Razão e Trabalho. Eis as alavancas que nos impulsionarão ao Reino dos Céus e ainda farão desta morada uma habitação de justos, a Nova Jerusalém, descrita no Apocalipse de João.

Não haverá, então, mais morte nem pranto, nem clamor nem dor porque as primeiras coisas terão passado(Apocalipse  21:1-4)...  Avante, pois, e que brilhe a nossa luz nestes tempos de escuridão !

Autor:  Paulo de Tarso Freitas

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 São Bernardo do Campo - SP

 

   


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