Ao Sr. Tales de Mileto

Em que pese o poder argumentativo de sua filosofia materialista, decorrentes, em grande parte, da ideologia social, bem como o grau de conhecimento de sua época, não foi possível vislumbrar, sob os aspectos lógicos e humanos, alicerces suficientemente firmes e coesos para a sustentação de tal idéia.

Inicialmente poderemos citar as incoerências da corrente filosófica criada pelo senhor e bem pouco praticada na atualidade. Tais como a questão da consciência e o conhecimento. Como conceber a cognição do passado, estudada amplamente em laboratório, em algumas criança? Não poderemos nos utilizar da teoria da parapsicologia de "Memória genética", visto que a mesma não possui a menor comprovação científica (tão proclamada pelo materialismo), bem como, se a mesma existisse ou houvesse a possibilidade de adquirí-los geneticamente, cito, em laboratórios, se realmente os conhecimentos e as habilidades pudessem ser repassados geneticamente, qual o motivo de termos apenas um Beethoven, um Einstein, um Cristo? Qual seria o motivo de não guardarmos o material genético de um ícone que viesse a surgir, preservando assim o respectivo arcabouço de conhecimentos? A tecnologia para tal já existe. Porque não preservar, ou melhor multiplicar, este material para que os mesmos prossigam nas suas obras maravilhosas? Estes sim, seriam os verdadeiros patrimônios da humanidade.

Poderemos citar também a questão das habilidades reveladas ainda em tenra idade, sem que haja um traço ancestral voltado para tal habilidade ou no determinado grupo, desconsiderando, assim, mais uma teoria não comprovada pela parapsicologia a da "Memória coletiva", a qual diz que, de alguma sorte, um ser poderá ter acesso ao conhecimento de um grupo o qual o mesmo convive.

Sr. Tales, já se passaram 27 séculos desde a proposição da sua doutrina, e a humanidade em muito foi alterada em todas as ciências, homens mudaram conceitos, criaram idéias, revolucionaram o ser, o conhecer, novas tecnologias foram descobertas e muito ainda haverá de se descobrir. Sabemos que não mais somos o centro e sim um fragmento dentro de um universo de 200 bilhões de corpos celestes, de inigualável beleza e todos em perfeita harmonia.

Impossível conceber tais mudanças sem a crença de um ser superior, de uma consciência magna, intransferível e inalcançável. Não obstante a teoria reencarnacionista (proposta pela Doutrina do Espíritos), cuja consciência, ou a individualidade não se perde ou fica oclusa, mas se expande, prossegue. A partir daí, percebemos que o nosso querido planeta não se faz de homens e mulheres que chegam e simplesmente partem, mas sim de um grupo, em constante ciclo na orbe, nos planos materiais e espirituais, aprendendo e ensinando sempre, como, e de fato, irmãos.

Não escapemos a fenomenologia, longe de serem justificadas pelo materialismo, as manifestações do espírito se processam em todo o globo, no entanto, nos detenhamos na mensagem de esperança e consolação propostas, e cada vez mais aceitas, pela Doutrina dos Espíritos, em detrimento ao pessimismo compulsório do materialismo. A simplicidade doutrinária materialista não inclui ou prevê as desigualdades e injustiças, de forma ao espiritismo, considerando-as como um fruto individual, mas de alcance coletivo, onde por trás se dá a justiça divina, em forma de providencia, cadenciando a humanidade, bem como seus indivíduos, para o bem comum, a paz, o amor. Se assim não fosse embarcaríamos nos suicídios coletivos, como remédio ao sofrimento, já que tudo não passa de matéria e não contrariaríamos as dádivas do criador, mas agora sabemos que quando se mata, não se morre, a vida, na sua expressão maior, na vida espiritual continua sempre.

Não sr. Tales, não queremos, e a vida não termina no último suspiro do invólucro carnal, tão pouco queremos que os laços de afetividade desapareçam, pois desejamos nos reencontrar em uma nova dimensão, em uma nova forma, em um novo patamar espiritual, no bem comum.

Finalmente, sr, Tales, busquemos este despertar de consciências e as alegrias do ensinamento do Mestre Galileu, o qual nos envia às beneficências sempre na forma que necessitamos, mas nem sempre na forma que queremos, no entanto, de maneira incessante. Contrariando a simplicidade do materialismo e considerando, das leis universais aos aspectos sutis da existência de cada um em conformidade do nosso único, verdadeiro e infinitamente bom, caridoso e justo Deus, arrematando-nos a fé e a esperança, palavras estas inexistentes no dicionário materialista.

 

Pedro Henrique Valiati


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