A RENOVAÇÃO DO PLANETA

 POR NELSON MORAES

Os fatos ocorridos nos Estados Unidos no último mês de setembro surpreenderam muita gente, principalmente aqueles que ainda não estão familiarizados com as leis sábias e justas que dirigem e organizam a vida no universo. Surpreendeu-me a reação de espanto por parte de alguns espíritas diante desses acontecimentos facilmente previstos dentro do conhecimento que adquiriram, fato que serve de referência para analisarmos de que forma se aprende e ensina Espiritismo em nossas instituições.

A Rede Globo convidou pessoas ligadas a várias religiões existentes para participarem de um programa, no qual deveriam opinar sobre os acontecimentos ocorridos nos Estados Unidos. Um representante de cada uma delas compareceu diante das câmeras e deu seu parecer sobre os fatos. No final do programa (que foi ao ar para todo o Brasil), para surpresa de muitos espíritas, o apresentador assim justificou: "Os espíritas se omitiram de participar alegando que ainda não têm uma opinião formada sobre os acontecimentos". Ora, se aqueles que representam o movimento espírita e que deveriam até prever esses acontecimentos não possuiam uma opinião formada sobre o que ocorre no mundo, precisamos urgentemente rever nossa metodologia de ensino e aprendizado em nossas instituições, para que, no futuro, tenhamos autênticos representantes do Espiritismo.

Nós, espíritas, pelo conhecimento que temos, deveríamos andar à frente dos acontecimentos, orientando a humanidade sobre a vida e o destino, revelando ao homem sua verdadeira natureza, agindo como verdadeiros terapeutas da alma. Os ensinamentos trazidos pelo Consolador e codificados por Allan Kardec não podem ser tratados de forma fria e acadêmica, pois é um material informativo e revelador de nossa mais profunda natureza e que deve se constituir em diretrizes consciênciais que gerem sabedoria, não apenas cognição. O espírita precisa desenvolver o verdadeiro sentimento de religiosidade. Albert Einstein afirmou: "A religiosidade dos sábios consiste em se espantar e se extasiar diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma inteligência tão superior que todos os pensamentos humanos e todo o seu talento não podem desvendar. Esse sentimento desenvolve a regra dominante de sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a escravidão dos desejos egoístas".

Hoje, com as revelações do Consolador, podemos ir mais além do espanto e do êxtase diante da Inteligência Suprema. Podemos compreendê-la em sua essência e entender suas leis sábias e justas.

 

 

O processo de evolução dos espíritos

 

O progresso material, físico e espiritual da humanidade está submetido à lei universal de causa e efeito, sob a qual o espírito humano, através de circunstâncias e de recursos que a vida lhe propõe, é induzido a alcançar seu mais elevado destino, que é a perfeição. Nesse processo infalível, as individualidades e as coletividades são colocadas nas respectivas salas de aula compatíveis com o grau evolutivo alcançado. E quais seriam essas salas de aula? São os lares, os bairros, as cidades, os estados, os países e os continentes.

Desta forma, ao reencarnarem, os espíritos são reunidos nos lares e nas coletividades que lhe são afins ou que se ajustam às suas necessidades de expiação e de prova. E à medida em que completam o tempo de aprendizado em suas respectivas salas de aula, esses espíritos migram, sozinhos ou com seus grupos familiares, para outras condizentes com suas necessidades evolutivas e expiatórias, ou seja, mudam para outros bairros, cidades, estados, países ou continentes.

É assim que o espírito em evolução e resgate é situado na sala de aula adequada, onde é submetido a uma convivência irrestrita e de onde só sairá quando cumprir os respectivos resgates e assimilar as lições que ali estão contidas. Quanto mais rápido aprender as lições que as circunstâncias lhe propõem e cumprir os resgates necessários, mais rápido poderá migrar para uma outra sala, buscando novos aprendizados.

Nesse contexto, em obediência às leis de causa e efeito, o espírito é colocado no lugar certo, na hora certa e junto com as pessoas certas, participando de acontecimentos individuais e coletivos ajustados às suas necessidades de expiação e prova. A cada ciclo evolutivo no decorrer dos séculos e milênios, cada uma dessas salas de aula ofereceu aos espíritos reencarnados um tipo específico de aprendizado, calcado na cultura e nos costumes predominantes em cada região e época. É nessa transmigração regional que os espíritos evoluíram e evoluem na Terra, vivendo valiosas oportunidades.

No mundo espiritual, os espíritos afins são separados naturalmente, situando-os nos planos vibratórios aos quais se ajustam. No plano físico, essa separação ocorre através das fronteiras regionais e continentais, onde se reúnem as massas que se identificam pelo comportamento e pelos sentimentos. Por isso, na fase evolutiva em que estamos, onde ainda não existe uma homogeneidade de sentimentos, as fronteiras ainda são necessárias.

 

Completando o ciclo evolutivo

 

Embora tenha sido uma mãe pródiga e generosa, suportando agressões de cada geração de seus habitantes, tudo indica que, com a entrada do terceiro milênio, a Terra deverá completar seu ciclo evolutivo na condição de planeta de expiação e prova. Conseqüentemente, o remanejamento universal da humanidade terá que ser efetivado através de grandes imigrações. A seleção dos espíritos vem se operando naturalmente, através do tempo e das leis de causa e efeito, reunindo as massas homogêneas dentro das fronteiras territoriais e colocando-as em locais estratégicos, onde os acontecimentos futuros facilitarão essas imigrações.

Na Revista Espírita de outubro de 1866, sob o título "As instruções dos espíritos sobre a regeneração da humanidade", Kardec publicou as informações que foram recebidas em abril do mesmo ano, por meio de sonambulismo, pelos médiuns denominados como Sr. M. e Sr. T., nas quais os espíritos falam do remanejamento dos espíritos, referindo-se à transformação moral da humanidade. Informaram o seguinte: "Quando essa melhora for isolada e individual, passará despercebida e não terá influência ostensiva no mundo. O efeito será outro quando for operada simultaneamente em grandes massas. Porém, então, conforme as proporções, as idéias de um povo ou de uma raça poderão ser profundamente modificadas em uma geração. É o que se nota quase sempre depois dos grandes abalos que dizimam populações. Os flagelos destruidores só atacam o corpo, mas não atingem o espírito. Ativam o movimento de vai-e-vem entre o mundo corporal e o mundo espiritual e, em conseqüência, do movimento progressivo dos espíritos encarnados e desencarnados. É um desses movimentos gerais que se opera neste momento e que deve determinar o remanejamento da humanidade. A multiplicidade das causas de destruição é um sinal característico dos tempos, pois estes devem apressar o surgimento dos novos germes".

Quando os espíritos falaram sobre a multiplicidade das causas de destruições, sabiam que, no curso de algumas décadas, o homem iniciaria uma corrida armamentista que culminaria em um incomensurável poder de destruição. Isso sem contar os efeitos dos desequilíbrios morais que, através dos séculos, plasmaram uma virose astral que se corporifica a cada geração, criando doenças que desafiam a ciência contemporânea.

Como afirmou Albert Einstein, não é preciso ser um profeta ou um adivinho para decifrar o futuro e como se desencadeará esse processo. Com o conhecimento das leis de causa e efeito, basta analisarmos o panorama que nos apresentam as diversas escolas e suas respectivas salas de aula para descobrirmos de onde e de que forma partirão as grandes massas reprovadas.

 

A situação das partes envolvidas na guerra

 

Antes de uma análise apressada, devemos entender que o status evolutivo das regiões e dos países que as compõem não pode ser medido apenas pelo avanço cultural, científico, tecnológico ou econômico, mas sim (e principalmente) pelas atitudes, pensamentos e sentimentos cultivados pela maioria de seus habitantes. Na Ásia, vemos a predominância do fanatismo religioso e do despotismo, promovendo a violência e a morte. Já na Europa e na América do Norte, sob a égide do egoísmo humano, temos a predominância do capitalismo selvagem, que afetou todos os continentes neste final de século e milênio, disseminando a fome e alimentando as guerras no mundo.

Esse é um quadro parcial, mas o mais grave de todos, cujo final já está plasmado no éter em poderosas egrégoras emanadas dos pensamentos e sentimentos dessas coletividades. Segundo a lei de causa e efeito, essas regiões deverão experimentar os amargores da destruição e do sofrimento que vêm promovendo, tornando-se vítimas de si mesmas.

A essa altura, o leitor estará perguntando: aqueles que, embora fazendo parte dessas coletividades, não participam dos sentimentos e pensamentos predominantes sofrerão inocentes?

Na Terra não existe ninguém sofrendo inocentemente! Se alguns dos habitantes dessas regiões não estiverem inscritos nesse quadro de provações, certamente já migraram ou migrarão para a sala de aula que lhes é de merecimento. Entretanto, devemos entender que alguns, mesmo não tendo participado desses sentimentos coletivos nesta vida, poderão estar ali para resgatar débitos contraídos em outras existências. Assim, deverão perecer, mas não serão excluídos do planeta.

Todas as regiões da Terra sofrerão o remanejamento necessário. Não serão apenas as guerras que promoverão o expurgo dos espíritos que deverão partir para o mundo destinado a recebê-los. A natureza possui recursos ainda incompreendidos pelo homem que, de certa forma, contribuirão com o plano divino para que essa imigração aconteça sem violência e de forma natural.

 

O papel do Brasil

 

Nosso leitor deve estar agora se perguntando: e qual será a posição do Brasil diante desse quadro? Em nosso país está concentrada uma massa selecionada de espíritos que compõem a maioria de sua população encarnada, que atingiu um grau elevado de mansuetude. Em vista dessa qualidade predominante, o Brasil surgirá como o grande benfeitor da humanidade, trabalhando arduamente para socorrer o que restará do velho mundo. Finalmente assumirá o papel de "coração do mundo" e, mais tarde, com a religiosidade esclarecida pelo conhecimento das leis de causa e efeito e da reencarnação, consagrar-se-á definitivamente como a "Pátria do Evangelho".

Em 1988, dois cosmonautas russos, depois de ficarem circulando pela órbita terrestre durante um ano a bordo de uma astronave, concederam uma entrevista à imprensa quando do desembarque, publicada no jornal Folha de S. Paulo nos dias 9 e 10 de dezembro do mesmo ano. Iuri Romanenko, um dos cosmonautas, afirmou: "De lá do cosmos, reconhecíamos quando estávamos sobrevoando o Brasil através das explosões de luz que partiam de toda a região brasileira".

Quando um espírito benfeitor me levou em desdobramento para um lugar no cosmos no qual visualizei as emanações mentais enviadas para o éter pelas coletividades humanas, isso em 1995, observei essas explosões de luz emitidas pela região brasileira. Então perguntei ao benfeitor se estas seriam as explosões vistas pelos cosmonautas russos e ele me respondeu afirmativamente, acrescentando: "A rota em que transitava a astronave lhes deu um ângulo visual com o alcance além da visão limitada ao físico e este fato proporcionou a oportunidade para eles as enxergarem". A luz que chega ao cosmos oriunda do território brasileiro provém das emanações dos pensamentos e sentimentos da maioria dos brasileiros, confirmando suas características de povo manso e pacífico.

Portanto, para aqueles que já estão familiarizados com as realidades da vida eterna, nada do que venha a acontecer nesses momentos de transições mais profundas deverá trazer sustos. Pelo contrário, ficarão cheios de esperança por saberem que tudo o que virá trará conseqüências benéficas para o planeta e, principalmente, para a maioria dos brasileiros que, ao longo dos séculos, fazem por merecer, pois têm dado profundas demonstrações de resignação, paciência, tolerância e fraternidade.

Em meu livro Profecias, a verdade vinda do cosmos, publicado em 1998, relato as revelações que recebi em desdobramento sobre esses acontecimentos que ocorreram e a guerra que agora está em curso, mais tarde abordados com profundidade no livro Terceiro Milênio – as crianças voltarão a brincar. No livro Há dois mil anos, de Emmanuel, psicografado pelo médium Chico Xavier, Jesus se refere à seleção natural dos espíritos quando afirma: "Trabalharemos com amor na oficina dos séculos porvindouros, reorganizaremos todos os elementos destruídos, examinaremos detidamente todas as ruínas buscando o material passível de novo aproveitamento e, quando as instituições terrestres reajustarem suas vidas na fraternidade e no bem, na paz e na justiça, depois da seleção natural dos espíritos e dentro das convulsões renovadoras da vida planetária, organizaremos para o mundo um novo ciclo evolutivo, consolidando com as divinas verdades do Consolador os progressos definitivos do homem espiritual".

 

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