A reencarnação é confirmada pela Bíblia?

  Os administradores do Portal do Espírito nos remeteram um e-mail recebido por eles onde o missivista questiona essa questão. Em atendimento à solicitação deles, fizemos a nossa resposta, que para ficar mais fácil o entendimento a colocamos em meio ao texto do internauta. Nesta apresentação que faremos, deixaremos em recuo o texto do contestador e quanto ao nosso este seguirá normalmente.

  Como o nome de quem nos enviou o e-mail não é o importante, nós o citaremos somente como Abelardo.

Mensagem Original-----

De: Abelardo

Para: [email protected]

Enviada em: terça-feira, 19 de abril de 2005 08:10

Assunto: A reencarnação é confirmada pela bíblia

 

Caros Senhores,

 

Geralmente não perco tempo em ficar corrigindo ninguém, pois sei que na maioria dos casos é perda de tempo, além de que passaria a vida inteira fazendo tal coisa sem sucesso.

Essa é uma afirmação peculiar de fanático tipo dono da verdade, que se acha ser um “iluminado” a tal ponto que todo mundo deve pensar exatamente como ele pensa, embora advogue para si o direito de pensar como melhor lhe convier. E pelo que veremos, já perdeu seu tempo.

Li o texto de vocês de título apresentado no assunto e pude perceber o quanto vocês erraram em interpretação bíblica, logicamente forçada para corroborar esta a doutrina espírita. Algo anti-ético e incorreto.

Espinosa já dizia:

Ora, se todos possuem o pleno direito de pensar livremente, mesmo em matéria religiosa, não podendo sequer conceber-se alguém que renuncie a esse direito, então todos são igualmente possuidores do pleno direito e da plena autoridade de julgar em matéria religiosa e, conseqüentemente, de a explicarem e interpretarem para si próprios. (Tratado Teológico-Político, p. 157).

Assim, como você tem o direito de interpretar a Bíblia à sua maneira, nós também o temos. Só que você apelou feio, pois interpretação diferente não quer dizer necessariamente uma coisa antiética. Até mesmo porque falta-nos um móvel fundamental para agirmos dessa forma, como por exemplo: não cobramos dízimo, não vivemos de nossa religião, não andamos atrás de adeptos, seguimos, sem afastarmos um milímetro, da recomendação: é preferível rejeitar dez verdades que aceitar uma mentira. Agora, se analisar as coisas friamente, verá que quem tem tudo para falsear a verdade são os que possuem interesses escusos, aqueles que se preocupam com o próprio estômago, mas infelizmente aqueles que os seguem não enxergam isso, uma vez que após uma completa e competente lavagem cerebral passam a enxergar só o que eles querem.

Um exemplo é querer dizer que João Batista era Elias.

Mas estamos bem acompanhados nisso, veja o que o "fundador" do Cristianismo disse sobre isso: “E se vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia vir. Quem tem ouvidos, ouça". (Mt 11,14-15). Favor prestar bem a atenção que nem mesmo Jesus está obrigando a ninguém a aceitar isso, já que para muitos isso é alimento sólido (1Cor 3,2).

Ora Todo Judeu sabe e crê como REGRA DE FÉ que Elias foi levado para o céu em uma carruagem de fogo, sem morrer e a tradição Judaica, desde este tempo, cerca de 1000 anos antes de Cristo, já profetizava que ele viria, em carne e osso, da mesma maneira que foi levado, em duas situações, a primeira para anunciar o Messias, e Jesus mostrou que neste caso, não era Elias, mas sua força, sua virtude, pois caso contrário deveria vir Elias mesmo, pois não havendo morrido, não deveria ter nascido em João Batista.

Seria interessante que pudesse ser mais claro dizendo onde se pode encontrar que a tradição judaica, desde 1000 anos A.C., profetizava que ele viria em carne e osso, uma vez que Elias viveu entre 873 a 854 a.C.

A informação que temos é que o profeta Malaquias foi quem previu a volta de Elias. Essa profecia será encontrada em Ml 3, 1.23 ou em 4,5 dependendo da Bíblia que se consultar. A data exata do período Malaquias não foi possível levantar pois há divergências, entretanto ela situa entre 465 a 400 a.C.

Favor nos indicar onde se encontra, segundo diz, a segunda profecia a respeito da outra vinda Elias.

Você diz “Jesus mostrou que neste caso, não era Elias, mas sua força, sua virtude”, também pediríamos que nos citasse a passagem que diz isso, pois o que temos é o contrário, veja: “Este é aquele de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti” (Mt 11,10) que é exatamente a profecia de Malaquias (Ml 3,1), assim, é Jesus quem relaciona João Batista a essa profecia.

Interessante que na seqüência dessa passagem Jesus diz: “Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto”. (Mt 11,11-12). Considerando que “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10,34; Rm 2,11), como explicar que João Batista é maior que todos os nascidos de mulher e mais, mesmo tendo toda essa evolução, Jesus diz que no reino dos céus ele é o menor?

A uma pessoa que é sua contemporânea você diria “desde os dias de João” ou essa expressão só tem sentido de se dizer de uma pessoa que tenha vivido algum tempo antes de você? Assim, quando Jesus diz “desde os dias de João” para se fazer sentido devemos entender que desde os dias que João Batista viveu como Elias.

Algumas dúvidas:

A primeira: Em 2R 2, 1: “Quando estava o Senhor para tomar Elias ao céu por um redemoinho...”, isso nos parece apenas uma descrição de um fenômeno de ordem natural, cuja causa não era conhecida, mas que sempre atribuíam a uma manifestação da divindade, não seria mais lógico explicar esse episódio por esse ângulo que inventar um milagre?

A segunda: considerando que entendiam como céu, àquela época, o azul que vemos por cima de nossas cabeças, achavam inclusive que era sólido, Elias foi para lá? Mas parece que os discípulos de Elias não acreditaram que ele tenha ido de corpo e alma para o céu, pois ficaram três dias a procurá-lo, conforme se comprova em 2Rs 2,17. O historiador judeu Flávio Josefo (37-103 d.C) também não diz dessa crença que ele tenha subido ao céu:

Foi sob seu reinado que Elias desapareceu sem que jamais se tenha podido saber o que aconteceu a ele. Ele deixou, como eu disse, a Eliseu, seu discípulo, e nós vemos bem nas Sagradas Escrituras que ele e Enoque, que viveu antes do Dilúvio, desapareceram do meio dos homens, não se sabe, nem nunca se soube, que tenham morrido. (História dos Hebreus, CPAD, pg. 225).

Está dito que desapareceram não que subiram ao céu. O corpo do Dep. Ulisses Guimarães após um acidente de avião em alto mar não foi encontrado, dirá que ele não morreu o que tenha subido ao céu?

A terceira. No Tsunami, acontecido recentemente na Ásia, as pessoas cujos corpos não foram encontrados você dirá que foram para o céu? Já que também é um fenômeno de ordem natural, como o é o que aconteceu com Elias: um redemoinho.

A quarta: Está dito que “tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3,19) onde se encontra na Bíblia que se aplica a todos, menos a Elias e Enoque?

A quinta: Se “ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem” (Jo 3,13), como explicar a ida de Elias e Enoque ao céu sem contradizer a Jesus?

A sexta: Se “ao homem está destinado morrer uma só vez” (Hb 9,27) como não prevaleceu tal determinação a Elias?

A sétima: Considerando que “Deus é Espírito”; que “...Deus dos espíritos de toda a carne...”; que “o espírito é que dá a vida, a carne de nada serve” (Jo 6,63); que “a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus” (1Cor 15,50), como conciliar isso tudo com o arrebatamento em corpo e alma de Elias, supondo-se ele verdadeiro?

A oitava: encontramos a seguinte explicação na Bíblia de Jerusalém, traduzida por católicos e protestantes:

A busca infrutífera certifica apenas que Elias não é mais deste mundo; seu destino é mistério que Eliseu não quer desvendar. O texto não diz que Elias não morreu, mas facilmente se pode chegar a essa conclusão. Sobre o ‘retorno de Elias’ cf. Ml 3,23+. (p. 509),

Assim, são os próprios tradutores que não acreditam que Elias não tenha morrido.

A nona: há indícios de que ele continuou na terra, pois o rei Jorão recebeu dele uma carta, aproximadamente dez anos após esse suposto arrebatamento. (2Cr 21,12).

E a outra é que ele virá junto com Enoque, que também não morreu, no tempo escatológico para batalhar com o dragão e aí sim ser morto por ele, e estes estão no livro do apocalipse descritos como os dois justos que morreram pelas mãos da besta.

Que nos indique então onde se encontra essa passagem que Elias voltaria outra vez. Interessante uma colocação de Espinosa:

O comum dos teólogos, todavia, entende que se devem interpretar metaforicamente aquelas passagens em que se atribuem a Deus coisas que eles conseguem ver pela luz natural serem incompatíveis com a natureza divina, ao passo que tudo aquilo que escapa à sua capacidade de compreensão se deverá aceitar à letra. Porém, se todas as passagens daquele gênero que se encontram na Escritura tivessem obrigatoriamente de se interpretadas e entendidas metaforicamente, então a Bíblia não teria sido escrita para o povo e para o vulto ignorante, mas unicamente para os especialistas, designadamente os filósofos (Tratado Teológico-Político, p. 213).

Daí se a interpretação do Apocalipse deve caber só aos teólogos, não ao vulgo, então qual a utilidade dele? Mas uma coisa gostaríamos que alguém nos explicasse é que “tempo está próximo” (Ap 1,3) são esses que nunca chega, apesar de terem se passados quase vinte séculos, a não ser que tenhamos que aceitar que tudo aquilo que se encontra nesse livro já passou. Mesmo assim, no Apocalipse nada é dito especificamente sobre Elias ou Enoque, isso é conclusão gratuita sua. Antes de chegarmos a alguma conclusão, devemos sempre lembrar que "ausência de evidência não é evidência de ausência", pois dentro desse princípio, só porque a Bíblia não diz explicitamente que morreram, isso não implica que estejam vivos até hoje, em algum lugar do Cosmos, sem terem passado pela morte. Mas ela fornece algumas pistas sobre isso, algumas das quais já mostramos acima. E sobre Enoque, o que sabemos é que obteve um livramento temporário e isso não significa que Jesus estivesse enganado e que ele tenha subido ao céu. Observe que depois de citar Enoque e outros heróis da fé, veja o que diz o autor do livro de Hebreus: E todos estes, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa; (Hb 11,39).

Desse modo, concluímos que não há qualquer anacronismo, mesmo porque julgamos que nosso amigo descarta a hipótese de equívoco da parte de Jesus.

Devo lembrar-lhes que Jesus era Judeu, e portanto tinha a mesma fé judaica. Crendo portanto no que a tradição judaica dizia. Querer interpretar diferente é forçar gratuitamente uma interpretação.

Mas é o que estamos dizendo sempre. Entretanto isso nos leva a outras indagações. Se Jesus nasceu, viveu e morreu como judeu como explicar: que ele tenha dito que era Deus, que ele tenha recomendando o ritual do batismo, que ele tenha pregado o inferno, quando não se encontra isso no AT? É por isso que concordamos com você; querer interpretar diferente é forçar a interpretação.

Os Judeus nunca acreditaram na reencarnação.

Fora a questão já colocada de que Jesus afirmou categoricamente que João era o Elias que devia vir, ainda podemos acrescentar mais alguma coisa. Mas primeiro é preciso definir duas palavras: Ressurreição, no sentido tradicional, é voltar a viver no mesmo corpo, enquanto que reencarnação é voltar a viver num outro corpo.

Em Lc 9,18-19, lemos: “Enquanto ele estava orando à parte achavam-se com ele somente seus discípulos; e perguntou-lhes: Quem dizem as multidões que eu sou? Responderam eles: Uns dizem: João, o Batista; outros: Elias; e ainda outros, que um dos antigos profetas se levantou”. Observar que se acreditavam que Jesus poderia ser Elias ou um dos antigos profetas só teria sentido em outro corpo, ora, a idéia que alguém pudesse voltar em outro corpo é uma idéia correspondente a reencarnação e não a ressurreição. Só que não tinham uma idéia perfeita sobre isso, daí acreditarem que Jesus poderia também ser João Batista, coisa impossível já que foram contemporâneos.

Em João no cap. 9 está narrado o encontro de Jesus com um cego de nascença. Ao vê-lo os discípulos perguntaram a Jesus se foi ele ou os seus pais que pecaram para ele ter nascido cego. Se não acreditassem em uma vida anterior como explicar o pecado do cego de nascença? Assim, temos que tinham sim a crença no carma, e carma está associado a reencarnação. A resposta de Jesus confirma isso: "nem ele pecou, nem seus pais pecaram". Essa resposta mostra que o cego não pecou em sua vida anterior, para ter nascido cego. Não era seu caso. O objetivo da cegueira de nascença era outro.

Mas continuando, novamente vamos ver o que disse Josefo sobre a crença dos judeus. Citando a classe dos fariseus, disse deles:

Eles julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta. (História dos Hebreus, CPAD, p. 416).

Ora, voltar a esta quer dizer reencarnar e não ressuscitar.

Podemos ainda para comprovar que era crença dos judeus apresentar a opinião do Rabino Philip S. Berg:

A palavra hebraica para reencarnação é Guilgul Neshamot, que literalmente quer dizer “roda da alma”. É para esta vasta roda metafísica, com sua coroa constelada de almas, como estrelas nas bordas de uma galáxia, que devemos dirigir nosso olhar, se desejamos ver além da aparência da inocência punida e da maldade recompensada. Guillgul Neshamot é uma roda em constante movimento e, ao girar, as almas vêm e vão diversas vezes, num ciclo de nascimento, evolução, morte e novo nascimento. A mesma evolução ocorre com o corpo no decorrer de uma única vida (Reencarnação – As rodas da alma, CABALA, p.17).

Assim, acreditamos ter provado que era sim crença dos judeus, embora possamos dizer que não era, necessariamente, de todos os judeus.

Do livro Analisando as Traduções Bíblicas, Severino Celestino, Idéia, transcrevemos:

Sobre a Reencarnação, apresentamos, aqui, para ilustrar, o depoimento do Rabino Shamai Ende, colaborador da Revista Jurídica “Chabad News”, publicação de dez. a fev 1998. Vejamos o texto na íntegra:

  “O conceito de Guilgul (Reencarnação) é originado no judaísmo, sendo que uma alma deve voltar várias vezes até cumprir todas as leis do TORÁ. Na verdade, cada alma tem dois tipos de missões neste mundo. A primeira é a missão geral de cumprir todas as mitsvot (plural de mistvá que significa mandamento ou práticas de boas obras – caridade) da Torá. Além disso, cada alma tem uma missão especifica. Caso não tenha cumprido a sua, a alma deve retornar a este mundo para preencher tal lacuna. Somente pessoas especiais sabem exatamente qual é a sua missão de vida”.

  “Existem também Reencarnações punitivas para reparar alguma falha cometida numa vida anterior. Neste caso, a alma pode reencarnar até mesmo no corpo de um não-judeu, de animal ou de planta”.

  “Atualmente é um pouco diferente, por estarmos vivendo na última geração do exílio e na primeira gueulá, conforme já anunciado pelo Rebe. Maimônides esteve Leis de Techuvá onde a Tora prometeu, no final do exílio, que o povo fará techuvá e imediatamente será redimido. Assim, as almas desta geração, que vivenciarão a futura redenção, não mais passarão por Reencarnações, devendo retificar o quanto antes tudo que deve ser feito para aproximar a vinda de Mashiach”. (p. 161).

O Prof. Abraão Bernardo Zweiman, presidente de uma sinagoga no Bairro Bom Retiro, em São Paulo (SP), administrador de cemitérios israelitas em São Paulo e diretor da Faculdades Renascença, respondendo à pergunta:

“Então, para os judeus, existe a reencarnação?” diz:

Acreditamos na reencarnação e, também, na ressurreição dos mortos. Sob a ótica do judaísmo, a reencarnação não tem um momento preciso que conheçamos, mas entendemos que a alma, durante sua existência, passa por um estado de aperfeiçoamento eterno. Passar pelo mundo terreno para adquirirmos experiências das coisas, sentimentos, valores e sensações físicas é necessário para nosso aperfeiçoamento e nossa aproximação de Deus. Agora, ressurreição dos mortos é algo que viria estritamente com a chegada do Messias, seria o momento em que todos os mortos se reergueriam de suas sepulturas. Explicando melhor, parte dessas almas retornaria para dar vida aos corpos de que se utilizaram. Segundo os conceitos judaicos, a alma poderia estar reencarnada, entretanto, na chegada do Messias, ele animaria todos os outros corpos pelos quais já passou. Acreditamos ainda que a alma não é simplesmente humana, o que significa que, em um estágio anterior, ela pode ter vivido em outros reinos, como o mineral, o vegetal ou o animal, podendo reanimá-los também. (Coleções Religiões do Mundo: Judaísmo, São Paulo: s/d, p. 23-24).

Até o Século II a.c eles criam, como os saduceus creram até na época de Jesus, até 70 d.c quando foram exterminados com o Templo de Jerusalém, que após a morte nada havia. A partir do século II com Judas Macabeu, passaram a predominar os Fariseus que criam na ressurreição, ou seja o retorno da vida após morto - no mesmo corpo - quando Deus viesse para Julgar os homens.

Bom aqui você acaba de jogar por terra que a Bíblia é inerrante ou de total inspiração divina, pois se conceitos foram incorporados como produto de influência cultural de outros povos, no caso os gregos, ela refletindo isso não pode ter como origem a divindade.

A citação de Josefo não confere com o que você diz a respeito dos fariseus, pois ele diz que voltam a outro corpo, isso é nada mais, nada menos que reencarnação e não ressurreição.

Defendam a sua doutrina, porém sem querer deturpar fatos.

Abelardo.

Por tudo o que colocamos aqui, provamos que não somos nós os que deturpam os fatos, entretanto, não podemos dizer o mesmo de você, tomando-se por base o que está dizendo aqui.

Mas ainda podemos, para finalizar esse assunto, perguntar-lhe: Como você não acredita na reencarnação a sua opção é céu e o inferno, poderia nos provar que Deus tenha criado esse último. Por que Deus, ao instituir os Dez Mandamentos, não colocou como pena para quem não os cumprissem o inferno eterno? Se não fez isso naquela época e o fez depois (ninguém conseguirá provar isso) então foi injusto com os que foram para o inferno sem saber que era uma pena imposta por ele. Onde Deus demonstra mais misericórdia: mandando-nos para uma nova vida aqui na terra a fim de pagarmos pelos nossos erros ou nos enviando para o inferno eterno, onde nunca conseguiremos pagar por eles? Ademais, a própria crença num inferno nos faz crer que Deus não gosta de si mesmo, pois sendo onipresente e onisciente, um jamais escapará do outro, e consequentemente, somos levados a crer que Deus o fez para seu próprio tormento eterno. Este não é o Deus que seguimos.

 

Abraços

 

Paulo Neto

  Aqui terminamos a nossa resposta, deixando a você, caro leitor, o julgamento dessa querela.

 

 

 

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Out/2005.