Reencarnação no Concílio de Constantinopla

(Orígenes x Teodora)

Introdução

É interessante observar que sempre aparece um ou outro fanático religioso querendo "ser mais realista do que o rei", conhecer mais de Espiritismo do que seus profitentes, e assim, defender seus dogmas dizendo que a reencarnação não fazia parte dos ensinos de Jesus, nem do cristianismo primitivo.

         A estes recomendamos que leiam alguns de nossos textos sobre reencarnação, que podem ser acessados pelos links:

1.      http://www.apologiaespirita.org/assuntos_biblicos/reencarnacao_na_biblia.htm

2.      http://www.apologiaespirita.org/assuntos_biblicos/ressurreicao_significado_biblico.htm

3.      http://www.apologiaespirita.org/assuntos_biblicos/ressurreicao_ou_reencarnacao.htm

4.      http://www.apologiaespirita.org/assuntos_biblicos/reencarnacao_no_contexto_historico.htm

Neles abordamos a questão bíblica, daí só iremos nos preocupar aqui com relação ao cristianismo primitivo, especificamente quanto a Orígenes, considerado um dos pais da Igreja, e sempre citado pelos anti-reencarnacionistas, como alguém que não aceitava a idéia da reencarnação.

         Iremos apresentar vários autores que falam sobre o assunto, inclusive, alguns fora do meio Espírita, para não se colocar sob suspeita essas opiniões, alegando ser isso invenção de espíritas.

O que vários autores falam disso

1. José Reis Chaves (à época era católico)

A preexistência do espírito é uma teoria que prega a existência do espírito, antes da existência do corpo. Foi – como veremos sem outro capítulo – uma das teses defendidas pelo grande sábio Orígenes, e que foi condenada pelo polêmico V Concílio Ecumênico de Constantinopla II (553).

Se o espírito fosse criado junto com o corpo, a este seria subordinada a existência daquele, mas o que aconteceu é justamente o contrário, pois jamais o espírito é subordinado ao corpo. Este é vivificado pelo espírito, sem o qual não vive; todavia o espírito vive sem o corpo: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita” (São João 6:63).

Como o espírito é criado por Deus, enquanto que o corpo é criado diretamente pelo homem, subordinar a criação do espírito à criação do corpo – e isso querem os anti-reencarnacionistas – seria querer colocar a criação das obras do homem acima da criação das obras de Deus. Além disso, submeter a criação do espírito à criação do corpo implicaria sujeitar o livre-arbítrio de Deus ao livre-arbítrio do homem. Em outros termos, Deus, para criar um espírito, dependeria da vontade de um casal de ir para a cama para realizar uma cópula.

Na hipótese de que o espírito fosse criado juntamente com o corpo, como se explicaria a criação de um espírito, cujo corpo fosse abortado, se a finalidade de um espírito, para a qual foi criado, é a de vivificar o corpo? Ficaria ele sem exercer eternamente a sua função? E não poderíamos dizer que o corpo abortado seria sempre por culpa dos homens, pois, apesar de isso acontecer, há também os abortos naturais.

A preexistência do espírito com relação ao corpo vivificado por ele, é a base fundamental para a Teoria da Reencarnação, pois que, ao admitirmos o reencarne de um espírito, automaticamente estamos admitindo que ele já encarnou antes, pelo menos uma vez que seja.

Seria por isso que ela foi condenada pelo V Concílio Ecumênico de Constantinopla II, em 553? É possível, pois as pressões do imperador Justiniano e de sua mulher Teodora, como veremos num outro capítulo, foram muito sérias, para não dizer um caso de polícia, como se diz hoje. Aliás, veremos que, na realidade, ele nem foi condenada por esse tal concílio. (CHAVES, 2002, pp. 139-140).

(...)

Orígenes é conhecido como um dos maiores sábios do cristianismo de todos os tempos. Foi praticamente o criador da nossa teologia cristã.

Com apenas 17 anos tornou-se reitor da Universidade de Alexandria, o mais importante centro intelectual do mundo, no século III.

O que Santo Agostinho foi para a teologia ocidental, Orígenes foi para a teologia oriental; de sabedoria e inteligência tão brilhantes, que ganhou o título de Adamantino.

Além disso, era dotado de um profundo misticismo e de virtudes raras. Chegou a se mutilar para, segundo ele, poder servir melhor ao Evangelho de Jesus Cristo. Isso, sem dúvida, foi um exagero. Nem tanto, talvez, para a mentalidade da época, mas, de qualquer maneira, é um exemplo de seu elevado sentimento de religiosidade.

Porém, como sempre acontece com as pessoas cujo brilho ofusca a vista dos invejosos, ele foi vítima da inveja por parte de Demétrio, bispo de Alexandria. Mas Orígenes, num exemplo de humildade e obediência a seu superior eclesiástico, procurava cumprir todas as suas ordens, pois desejava ordenar-se padre. Demétrio, porém, negava-lhe a ordenação.

Foi então que o bispo de Jerusalém, Alexandre, e de Cesaréia, Teoctisto, ofereceram a Orígenes a ordenação, o que é obvio ele aceitou.

Com isso, Demétrio ficou irado, tentando de todos os meios prejudicar o nome de Orígenes perante a Igreja. E, infelizmente, Demétrio consegui o seu objetivo.

Porém, perante Deus, a História do cristianismo e mesmo perante a Igreja de hoje, Orígenes é admirado e citado freqüentemente por estudiosos e pesquisadores da Bíblia, da Filosofia e da Teologia.

Embora ele tenha tido algumas de suas idéias condenadas pela Igreja, duas delas continuam sendo atacadas normalmente, e não só por católicos, mas por protestantes também.

E foi o polêmico V Concílio Ecumênico de Constantinopla II, de 553, que condenou suas doutrinas célebres: a Preexistência do Espírito e a Apocatástase (restauração de todas as coisas), as quais a humanidade, hoje, está amadurecida para entendê-las, julgá-las e aceitá-las. (CHAVES, 2002, pp. 162-163).

O V Concílio Ecumênico de Constantinopla II (553)

A Igreja teve alguns concílios tumultuados. Mas parece que o V Concílio de Constantinopla II (553) bateu o recorde em matéria de desordem e mesmo de desrespeito aos bispos e ao próprio Papa Virgílio, papa da época.

O imperador Justiniano tem seus méritos, inclusive o de ter construído, em 552, a famosa Igreja de Santa Sofia, obra-prima da arte bizantina, hoje uma mesquita muçulmana.

Era um teólogo que queria saber mais que teologia do que o papa. Sua mulher, a imperatriz Teodora, foi uma cortesã e se imiscuía nos assuntos do governo do seu marido, e até nos de teologia.

Contam alguns autores que, por ter sido ela uma prostituta, isso era motivo de muito orgulho por parte das suas ex-colegas. Ela sentia, por sua vez, uma grande revolta contra o fato de suas ex-colegas ficarem decantando tal honra, que, para Teodora, se constituía em desonra.

Para acabar com esta história, mandou eliminar todas as prostitutas da região de Constantinopla – cerca de quinhentas.

Como o povo naquela época era reencarnacionista, apesar de ser em sua maioria cristão, passou a chamá-la de assassina, e a dizer que deveria ser assassinada, em vidas futuras, quinhentas vezes; que era seu carma por ter mandado assassinar as suas ex-colegas prostitutas.

O certo é que Teodora passou a odiar a doutrina da reencarnação. Como mandava e desmandava em meio mundo através de seu marido, resolveu partir para uma perseguição, sem tréguas contra essa doutrina e contra o seu maior defensor entre os cristãos, Orígenes, cuja fama de sábio era motivo de orgulho dos seguidores do cristianismo, apesar de ele ter vivido quase três séculos antes.

Como a doutrina da reencarnação pressupõe a da preexistência do espírito, Justiniano e Teodora partiram, primeiro, para desestruturar a da preexistência, com o que estariam, automaticamente, desestruturando a da reencarnação.

Em 543, Justiniano publicou um édito, em que expunha e condenava as principais idéias de Orígenes, sendo uma delas a da preexistência.

Em seguida à publicação do citado édito, Justiniano determinou ao patriarca Menas de Constantinopla que convocasse um sínodo, convidando os bispos para que votassem em seu édito, condenando dez anátemas deles constantes e atribuídos a Orígenes [O Mistério do Eterno Retorno, pág. 127-127, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, 1996].

A principal cláusula ou anátema que nos interessa é a da condenação da preexistência que, em síntese, é a seguinte: “Quem sustentar a mítica crença na preexistência da alma e a opinião, conseqüentemente estranha, de sua volta, seja anátema” [A Reencarnação e a Lei do Carma, pág. 47, William Walker Atikinson, Ed. Pensamento, São Paulo, 1997].

Vamos ver agora essa cláusula na íntegra: “Se alguém diz ou sustenta que as almas humanas preexistiram na condição de inteligências e de santos poderes; que, tendo-se enojado da contemplação divina, tendo-se corrompido e, através disso, tendo-se arrefecido no amor a Deus, elas foram, por essa razão, chamadas de almas e, para seu castigo, mergulhadas em corpos, que ele seja anatematizado!” [O Mistério do Eterno Retorno, pág. 127-127, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, 1996]. (Si quis dicit, aut sentit proexistere hominum animas, utpote quae antea mentes fuerint et sanctae, satietatemque cepisse divinae contemplationis, e in deterius conversas esse; atque  ideirco apofixestai id este refrigisse a Dei charitate, et inde fixás graece, id est, animas esse nuncupatas, demissasque esse in corpora suplicii causa: anathema) [Magia e Religião, Dr. Rozier, Editora Iniciação, abril de 1898, tradução para o francês por Papus. A Reencarnação, págs. 89-90, Editora Pensamento, São Paulo, 1995]. (CHAVES, 2002, pp. 185-187).

2. Edward Wriothesley Russel (Repórter norte americano).

O caso Teodora

“A resistência às idéias novas aumenta em função do quadrado de sua importância”. A lei de Russel

Cap. 7 – O que passou é prólogo

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2

(...)

Embora se esteja quebrando o tabu e o público cada vez mais se interesse pela reencarnação – como qualquer livraria ou jornaleiro o demonstram – os líderes cristãos, com algumas exceções notáveis, ainda consideram o assunto de grande importância potencial, mas inadequado para discussões.

Tudo isso é mais estranho ainda porque a reencarnação é realmente implícita no cristianismo. Porque os cristãos acreditavam que Cristo existiu, como o Filho de Deus, antes de se encarna na forma humana. Acreditam que sua finalidade era levar os homens a se conduzirem como Ele; e que o seu poder permite que o consiga. Os homens, todavia, dificilmente poderiam fazer isto se as suas naturezas e origens fossem completamente diferentes. E se isto acontecesse, certamente Cristo iria mencioná-lo e não iria esperar que fossem como Ele.

3

Por uma das ironias mais divertidas da História, esta atitude estranha do clero do século vinte é parcialmente o resultado das intrigas desapiedadas de uma cortesã superlidibinosa do Oriente Médio, que viveu acerca de 1400 anos atrás. Trata-se de Teodora, filha de um guardião de ursos, que se tornou amante e mais tarde a esposa do Imperador bizantino Justiniano.

Naquele tempo, muitos cristãos aceitavam a reencarnação como uma parte essencial do cristianismo. Seguiam os ensinamentos de Orígenes, um dos sábios mais brilhantes das Igrejas Cristãs primitivas, que uns 250 anos antes escreveu no seu Princípios: “cada alma... vem a este mundo fortificada pelas fraquezas ou vitórias da vida anterior. Seu lugar neste mundo, como um vaso escolhido para honrar ou desonrar, é determinado pelos seus méritos ou deméritos. Seu trabalho neste mundo determina a sua vida num mundo futuro”.

Esta filosofia enraiveceu Teodora, que queria acreditar – e que o público acreditasse – que sua atividade neste mundo lhe daria a certeza de uma posição, mais eminente no outro. Esperava, em outras palavras, um “céu” imediato, e naturalmente encarou com desagrado qualquer sugestão de que ela só obteria o “céu” em encarnações sucessivas nas quais expiaria seus crimes. Então esforçou-se por tirar tais noções do cristianismo.

Há suspeitas de que tenha sido a responsável pelo assassinato de dois Papas que a ela se opuseram, segundo o estudo fascinante de suas conspirações desonestas pelo romancista e teatrólogo Noel Langley. E, depois de sua morte, Justiniano, que também esperava um “céu” imediato, encerrou a discussão sobre a reencarnação convocando no ano de 553 o Quinto Concílio Ecumênico da Igreja que – em termos modernos – foi cuidadosamente organizado para declarar que a reencarnação era anátema.

Sem dúvida o Imperador e seus bobocas eclesiásticos ordenaram a destruição de qualquer escrito que desenvolvesse idéias sobre a reencarnação porque pretendiam liquidar as últimas reminiscências do ensino sobre esta matéria. E estes escritos poderiam conter algumas das “pérolas” sobre as quais Cristo admoestou seus discípulos que não as jogassem aos porcos – um caminho para segurança, de passagem, que suscitaria uma revolta épica sobre o direito do público de se manter informado se houvesse jornais naqueles tempos. Mas Justiniano e seus colaboradores não fizeram um serviço completo de censura e há ainda algumas referências na bíblia e Apócrifos que, pelo menos, sugerem que a reencarnação foi aceita naturalmente.

À primeira vista, é difícil entender por que as Igrejas Cristãs não questionaram a teologia do Imperador e da Imperatriz dissoluta e do falso concílio. Mas, provavelmente, há duas razões para isto:

Por muitos séculos a autoridade e os dogmas das Igrejas raramente foram contestados, em parte porque todos os que o tentaram receberam certamente um tratamento doloroso e pouco cristão. Mais importante, os líderes cristãos primitivos, que lutaram para aumentar o poder da Igreja, provavelmente julgaram as idéias de Teodora e Justiniano mais eficazes politicamente que o ensinamento da doutrina da reencarnação, porque prometer um “céu” e um “inferno” imediatos dava-lhes mais poder e autoridade que ensinar a doutrina da reencarnação, que promete não somente uma segunda chance mas também muitas outras.

Torna-se difícil rejeitar ou modificar um dogma uma vez cristalizado, como poderemos ver pelas angustiantes discussões teológicas de nossa época atual. Assim, devemos compreender nosso clero moderno que sem culpa própria está preso numa gaiola teológica fabricada  - bastante estranhamente – pela filha do alimentador de ursos enjaulados, de 1400 anos atrás. (RUSSEL, 1972, pp. 128-130).

3. Elizabeth Clare Phophet

Preexistência, reencarnação ou ambos?

Uma vez que muitos dos textos de Orígenes foram destruídos, e o restante profundamente alterado, os estudiosos discutem se ele realmente ensinou a reencarnação. Alguns afirmam que ele apenas fala sobre a preexistência: a

existência da alma antes do corpo. Mas, no tempo de Orígenes, a preexistência e a reencarnação eram inseparáveis.

Algumas vezes Orígenes parece confirmar a reencarnação, em outras foge ao assunto e, numa certa ocasião, ele a nega. Para descobrirmos a verdadeira crença de Orígenes, precisamos avaliar essa sua única negação no contexto dos seus outros escritos, do tempo em que viveu e da sua prática deliberada do sigilo. Depois de examinarmos todos esses elementos, ficará claro que ele ensinou a reencarnação secretamente. Para Orígenes, a reencarnação fazia parte de um sistema de salvação – uma salvação baseada no esforço individual e no relacionamento da alma com o Deus interior que acabaria conduzindo à união com Deus.

Nos séculos II e III muitas pessoas cultas aceitavam a reencarnação. Sabemos que pelo menos cinco fontes que afirmavam a reencarnação eram familiares a Orígenes:

1. As Escrituras cristãs e judaicas – Orígenes conhecia bem as tradições judaicas sobre a reencarnação e a divinização e, às vezes, parecia fazer eco à palavras de Filon, que escreveu sobre a reencarnação. Orígenes acreditava que os judeus ensinavam a reencarnação.

2. Os clássicos gregos – Os textos de Platão e Pitágoras fizeram parte da educação de Orígenes.

3. O Gnosticismo – Orígenes absorveu este conceito através de um professor chamado Paulo de Antioquia.

4. O neoplatonismo – Orígenes estudou-o com o seu fundador, Amônio Sacas.

5. Clemente de Alexandria, um professor cristão que dirigiu a escola de catequese antes de Orígenes. – Diz-se que ele ensinava a reencarnação.

Existe ainda uma possível sexta fonte para a crença de Orígenes na reencarnação. Ele pode tê-la aceito por ter-se convencido – através do estudo do Gnosticismo, dos escritos de Clemente ou de outras escrituras que se perderam – de que a reencarnação fazia parte dos ensinamentos secretos de Jesus.

Se Orígenes tivesse rejeitado a reencarnação, teria que ter sido coerente e defendido da sua posição diante das pessoas cultas da sua audiência, porque muitas, sendo neoplatônicas e gnósticas, acreditavam na reencarnação. Mas não existe qualquer registro disto. Ao contrário, perguntava constantemente se os atos das vidas anteriores não seriam a causa dos problemas que as pessoas enfrentavam.

Em sua obra Sobre os Primeiros Princípios Orígenes explica que as almas são enviadas para o seu “lugar, região ou condição” de acordo com os atos realizados “antes da vida atual”. Deus “organizou o universo de acordo com o princípio de uma retribuição totalmente imparcial”, diz ele. Deus não criou “com favoritismos” mas deu corpos às almas “de acordo com os pecados de cada uma”. Orígenes pergunta: “Se as almas não existiam previamente, por que encontramos cegos de nascença que nunca pecaram, enquanto outros nascem sãos?” Ele responde à sua própria pergunta: “É claro que alguns pecados existem [isto é, foram cometidos] antes das almas [terem corpos] e, como resultado, cada alma recebe a recompensa de acordo com o seu mérito”. Em outras palavras, o destino das pessoas é determinado por suas ações anteriores.

Estas passagens demonstram que Orígenes ensinou a preexistência da alma. E, certamente, trazem implícito o conceito da reencarnação. Como observou o teólogo do século XII, Tomás de Aquino, quem quer que tenha afirmado a preexistência da alma afirmou implicitamente a reencarnação.

Ao dizer que o nosso destino resulta de nossas ações passadas, Orígenes dá a entender que tivemos alguma forma de existência anterior que precedeu o nosso corpo atual. Para Orígenes a conclusão óbvia é que a esta existência anterior também foi vivida sob a forma humana.

Um mar tempestuoso

A falta de referência explícitas sobre a reencarnação nos textos de Orígenes deve-se ao fato dele ter ocultado sua crença, por temer represálias de seus superiores, que já a haviam excluído de sua teologia. Quando escreveu Sobre os Primeiros Princípios, pretendia reservá-lo aos seus discípulos mais avançados. Mas cópias deste trabalho acabaram vindo a público e envolvendo-o em controvérsias. Mas tarde, comparou as atribulações causadas pela sua doutrina a um mar tempestuoso e passou a ser mais cauteloso com os seus escritos.

Demétrio, bispo de Orígenes, invejava seu crescente prestígio e irritava-se com as suas especulações filosóficas. Em 215, quando Orígenes já dirigia a escola de catequese há mais de 10 anos, Demétrio proibiu-o de pregar na igreja por nunca ter sido ordenado padre. Mas ele era muito requisitado em outros locais. Numa visita a Cesaréia, na Palestina, Orígenes pregou a pedido do bispo local. Enfurecido, Demétrio exigiu que ele retornasse a Alexandria. Mas sua fama continuou a se espalhar pelo império, inclusive na Corte. Julia Mamea, mãe do Imperador Alexandre Severo e eminência parda do trono, convocou Orígenes para que lhe explicasse o Cristianismo.

No ano de 231, Orígenes deixou Alexandria e retornou a Cesaréia, onde o bispo local o ordenou à revelia de Demétrio. Utilizando como pretexto a ordenação não autorizada de Orígenes e suas opiniões controversas, Demétrio iniciou então uma campanha contra ele. Acusando-o de dizer que o Demônio seria salvo, obteve o apoio dos outros bispos do Egito, que anularam a ordenação de Orígenes e o excomungaram.

Ele defendeu-se dizendo que somente havia afirmado que o Demônio poderia ser salvo. Como veremos, este argumento sobre o Demônio é muito importante nas doutrinas de Orígenes sobre o livre-arbítrio e a justiça divina que incluem a preexistência da alma.

Depois da morte de Demétrio, Orígenes teve um período de trégua. Estabeleceu-se em Cesaréia, que se tornara a cidade mais importante da Palestina depois da destruição de Jerusalém nos anos 70. Sob a proteção dos bispos da Palestina, recebeu finalmente o respeito que merecia.

O conflito entre Orígenes e seu bispo, Demétrio, representa em menor escala os futuros conflitos entre a Igreja e os “hereges”. Orígenes, que estudara a filosofia grega, assim como as Escrituras judaicas e cristãs, seguiu a tradição dos sábios gregos e judeus – instrutores inspirados e solitários que buscavam a verdade onde pudessem encontrá-la. Ao tentar estruturar-se e consolidar sua autoridade, a Igreja não poderia permitir que tais instrutores se mantivessem independentes. Nos séculos seguintes, como veremos, a Igreja restringiu severamente a sua liberdade ao codificar a doutrina e definir as escrituras, substituindo a iluminação pela ordem.

Os ataques de Demétrio e de outros bispos reduziram o impacto das últimas obras de Orígenes. Como refugiado da Alexandria, sabia que a sua situação na Cesaréia era precária. Em seu Comentário sobre João, trata da questão da reencarnação, mas não chega a oferecer uma resposta dizendo: “O assunto da alma é muito amplo e difícil de ser esclarecido... Exige, por isso, tratamento diferenciado”.

Embora Orígenes tenha argumentado contra a reencarnação no Comentário sobre Mateus que escreveu quando já estava com mais de 60 anos (por volta dos anos 246-48), o seu contexto leva-nos a questionar se não a estaria negando como uma tentativa de despistar seus inimigos. Pois Orígenes, assim como todos os iniciados nos mistérios gregos e gnósticos, praticava o sigilo.

O ensinamento secreto de Orígenes

Clemente, precursor de Orígenes na escola de catequese de Alexandria, dizia possuir uma tradição secreta, reservada aos poucos que a podiam compreender, que lhe havia sido passada por Pedro, Tiago, João e Paulo. Clemente afirmava que os mistérios ocultos que Cristo revelara aos apóstolos eram diferentes dos ensinamentos dados aos cristãos comuns.

Orígenes também tinha um ensinamento secreto. Ao contrário de Clemente, não dizia tê-lo recebido dos apóstolos mas tê-lo encontrado nas próprias Escrituras. Afirmava possuir a inspiração, o conhecimento e a graça necessários para descobri-lo.

Isto não quer dizer que os revelasse a todos. Orígenes diz que o homem que encontrar o significado oculto das Escrituras, deve escondê-lo: “Um homem vem ao

campo... e encontra um tesouro oculto de sabedoria... E, ao encontrá-lo, esconde-o, pois pensa ser perigoso revelar a todos os significado oculto das Escrituras, ou os tesouros de sabedoria e de conhecimento em Cristo”.

Qual seria o conteúdo deste seu ensinamento secreto? Nos Primeiros Princípios Orígenes dá-nos uma pista. Numa lista das doutrinas mais importantes aponta a “questão das diferenças entre as almas e de como elas surgiram”. O estudioso R.P.C. Hanson conclui que esta lista de doutrinas representa claramente “os pontos do ensinamento secreto de Orígenes”. Se o ensinamento secreto de Orígenes inclui as razões pelas quais as almas são diferentes no nascimento, seria lógico que ele incluísse também a preexistência e a reencarnação.

Se ainda restam dúvidas sobre o fato de Orígenes ter se referido ou não à reencarnação, podemos confiar no Patriarca da Igreja do século IV, Jerônimo, que o acusou de fazê-lo. Jerônimo teve acesso aos seus textos originais em grego, e disse que uma das passagens de Primeiros Princípios prova que Orígenes “acreditava na transmigração das almas”. (PROPHET, 1999, pp. 174-178).

Jogo de Poder Bizantino

(...)

Justiniano, que reinou de 527 a 565, foi o imperador mais hábil depois de Constantino – e o que mais ativamente interferiu na teologia cristã. Emitiu éditos, que esperava que a Igreja endossasse sem questionar, nomeou bispos e mandou até mesmo prender o Papa. Sua esposa Teodora, antiga cortesã, manipulava os assuntos da Igreja nos bastidores.

Depois da queda do Império Romano no final do século V, Constantinopla permaneceu como capital do Império Oriental ou Bizantino. A história da rejeição ao origenismo inclui os jogos de poder que ornaram famosa a corte imperial.

Por volta de 543, Justiniano parecia ter tomado o partido dos antiorigenistas, porque promulgou um édito condenando dez princípios do origenismo, inclusive a preexistência. Decretou um “anátema para Orígenes... e para todos os que assim pensarem”. Em outras palavras, Orígenes e qualquer um que acreditasse nestas idéias estaria eternamente condenado. O édito, que todos os bispos tiveram que assinar, foi ratificado por um concílio em Constantinopla. (PROPHET, 1999, p. 211).

As igrejas protestantes também rejeitam a preexistência e a reencarnação. Baseando-se, em primeiro lugar, nos anátemas de Justiniano. Martinho Lutero não aceitava Orígenes, em parte porque não gostava da prática de Orígenes de procurar alegorias nas Escrituras. Lutero escreveu: “Na obra de Orígenes não existe uma só palavra sobre Cristo”. (PROPHET, 1999, p. 213).

4. Holger Kersten

Dentro dos moldes deste ideal budista, no seio dos incontáveis ciclos de reencarnação, o que importa é aperfeiçoar constantemente o Carma através de ações corretas, para que, finalmente, se possa atingir o plano divino. Quando abordei o tema da “Reencarnação no Novo Testamento” (pág. 128) tentei demonstrar que Jesus – e depois dele todas as comunidades cristãs primitivas – aceitavam sem problemas a idéia de metempsicose, tal como exposta pelas crenças orientais da reencarnação. Aqui é interessante esclarecer como foi que o princípio da reencarnação se converteu em um tremendo erro histórico em algum momento do século 4.

Até agora, quase todos os historiadores da Igreja acreditaram que a doutrina da reencarnação foi declarada herética durante o Concílio de Constantinopla em 553. No entanto, a condenação da doutrina se deve a uma ferrenha oposição pessoal do imperador Justiniano, que nunca esteve ligado aos protocolos do Concílio. Segundo Procópio, a ambiciosa esposa de Justiniano, que, na realidade, era quem manejava o poder, era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio. Ela iniciou sua rápida ascensão ao poder como cortesã. Para se libertar de um passado que a envergonhava, ordenou, mais tarde, a morte de quinhentas antigas “colegas” e, para não sofrer as conseqüências dessa ordem cruel em uma outra vida como preconizava a lei do Carma, empenhou-se em abolir toda a magnífica doutrina da reencarnação. Estava confiante no sucesso dessa anulação, decretada por “ordem divina”!

Em 543 d.C. o imperador Justiniano, sem levar em conta o ponto de vista papal, declarou guerra frontal aos ensinamentos de Orígenes, condenando-os através de um sínodo especial. Em suas obras De Principiis e Contra Celsum, Orígenes (185-235 d.C.), o grande Padre da Igreja, tinha reconhecido, abertamente, a existência da alma antes do nascimento e sua dependência de ações passadas. Ele pensava que certas passagens do Novo Testamento poderiam ser explicadas somente à luz da reencarnação.

Do Concílio convocado pelo imperador Justiniano só participaram bispos do Oriente (ortodoxos). Nenhum de Roma. E o próprio Papa, que estava em Constantinopla naquela ocasião, deixou isso bem claro.

O Concílio de Constantinopla, o quinto dos Concílios, não passou de um encontro, mais ou menos em caráter privado, organizado por Justiniano, que, mancomunado com alguns vassalos, excomungou e maldisse a doutrina da preexistência da alma, apesar dos protestos do Papa Virgílio, com a publicação de seus Anathemata.

A conclusão oficial que o Concílio chegou após uma discussão de quatro semanas teve que ser submetida ao Papa para ratificação. Na verdade, os documentos que lhe foram apresentados (os assim-chamados “Três Capítulos”) versavam apenas sobre a disputa a respeito de três eruditos que Justiniano, há quatro anos, havia por um edito declarado heréticos. Nada continham sobre Orígenes. Os Papas seguintes, Pelágio I (556-561), Pelágio II (579-590) e Gregório (590-604), quando se referiram ao quinto Concílio, nunca tocaram no nome de Orígenes.

A Igreja aceitou o edito do Justiniano – “Todo aquele que ensinar está fantástica preexistência da alma e sua monstruosa renovação será condenado” – como parte das conclusões do Concílio. Portanto, a proibição da doutrina da reencarnação não passa de um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica. (KERSTEN, 1988, pp. 239-241).

5. Hermani Guimarães Andrade

Atualmente, qualquer pessoa que saiba acessar a Internet, poderá obter informações, inclusive, de documentários históricos sobre diversos assuntos, até há pouco, interditados à análise devido à sua antigüidade e raridade com obras ou registros dos mesmos. Por exemplo: O Quinto Concílio Ecumênico Constantinopla II, 553 da nossa era; este Concílio é muito importante, porque foi nele que se lançaram os fundamentos do dogma anti-reencarnacionista que predomina nas religiões judaico-cristãs do Ocidente.

Por esse documentário, acessível a qualquer pessoa, fica-se sabendo que tal Concílio não deveria ter validade universal, pois não foi convocado pela Papa Vigilius que, na ocasião, achava-se prisioneiro do Imperador Justiniano I.

Vamos, por curiosidade, transcrever o início da introdução histórica desse célebre Concílio, contida na obra “Hefele, History of the Councils, Vol. IV, p.289”:

“In accordance with the imperial command but without the assent of the Pope, the synod was opened on the 5th of May A.D. 553, in the Secretarium of the Cathedral Church at Constantinople. Among those present were the Patriarchs, Eutychius of Constantinople, who presided, Apollinaris of Alexandria, Domninus of Antioch, three bishops as representatives of Patriarch Eustochius of Jesuralem, and 145 other metropolitans and bishops, of whom many came also in the place of a sent colleagues”.

(De acordo com ordens do Imperador mas sem o consentimento do Papa, o Sínodo foi aberto em 5 de maio de 553 da nossa era cristã, na Secretaria da Igreja Catedral em Constantinopla. Entre os presentes achavam-se os Patriarcas Eutichis de Constantinopla, quem presidiu, Apollinaris de Alexandria, Domninus de Antioquia, três bispos como representantes do Patriarca Eustochius de Jerusalém, e 145 outros bispos metropolitanos e bispos, dos quais vários vieram também em lugar de colegas ausentes.)

Um dos objetivos desse Concílio foi a condenação da heresia de Orígenes, entre cujas afirmativas encontra-se a asserção da preexistência das almas.

Devido à extensão das atas que compõem o documento em questão, permitimo-nos ficar nesse ponto, sugerindo aos demais interessados uma consulta ao site da

Encyclopaedia Britânica. É importante que se diga ainda que a Encyclopaedia Britânica define Orígenes como “o mais distinto e ilustre entre todos os teólogos da antiga Igreja”. Orígenes ensinava a preexistência da alma, segundo a idéia Platônica. Os outros que tiveram a mesma idéia (de Platão e Hermes Trismegisto) foram Agostinho e Clemente, também Pais da Igreja.

Resumindo: no Século VI, o Imperador Justiniano I, chefe do Império do Oriente declarou guerra aos discípulos de Orígenes. No Sínodo de 553, em Constantinopla, os seus ensinos foram condenados. Em 553, foram também publicados os anátemas contra Orígenes e sua doutrina da preexistência da alma. Ficou claro que o V Concílio Ecumênico: Constantinopla II, 553 foi promovido pelo Imperador Justiniano e conduzido por bispos orientais manobrados pelo próprio Imperador Justiniano, sem nenhum representante de Roma.

É estranho que a Igreja católica e, mais tarde, a protestante hajam adotado as mesmas idéias, ao que parece, sem razões fortes para semelhante adoção. (ANDRADE, H.G., 2002, pp. 221-223).

6. Giovanni Reale e Dario Antiseri

(...)

O pensamento de Orígenes foi durante longo tempo objeto de debates e acessas polêmicas, que envenenaram os ânimos e alcançaram sua fase culminante no início do século VI, a ponto de provocarem a condenação de algumas teses de Orígenes até pelo imperador Justiniano, em 543, e depois por um concílio, em 553. Provocadas em larga medida pelos excessos a que haviam sido levados os origenistas, essas condenações causaram a perda de grande parte da enorme produção de Orígenes. Dentre as obras que nos chegaram, interessam à filosofia: Os princípios, que é a sua obra-prima doutrinária (infelizmente, porém, não nos chegou em sua redação original), Contra Celso e Comentários a João. (REALE, e ANTISERI, 1990, pp. 412-413).

(...)

Uma doutrina típica de Orígenes (derivada dos gregos, embora com notáveis correções) é aquela segundo a qual o "mundo" deve ser entendido como uma série de mundos, não contemporâneos, mas subseqüentes um ao outro: "Deus não começou a agir pela primeira vez quando criou este mundo visível. Acreditamos que, como depois do fim deste mundo haverá outro, da mesma forma, antes deste houve outros". Essa visão relaciona-se estreitamente com a concepção origeniana segundo a qual, no fim, todos os espíritos se purificarão, resgatando as suas culpas, mas para purificarem-se inteiramente é necessário que sofram longa, gradual e progressiva expiação e correção, passando, portanto, por muitas reencarnações em mundos sucessivos.

Portanto, para Orígenes, o fim será exatamente igual ao princípio, isto é, tudo deverá tornar a ser como Deus criou. (REALE, e ANTISERI, 1990, p. 415).

Dados dos autores:

Giovanni Reale nasceu em 1931. É doutor em filosofia pela Universidade Católica de Milão, onde leciona, com aperfeiçoamento em universidades alemãs. É autor de vasta obra filosófica.

Dario Antiseri nasceu em 1940. É doutor pela Universidade de Perúgia, com aperfeiçoamento em filosofia nas universidades de Viena, Münster e Oxford. É professor de filosofia da linguagem e filosofia da ciência na Universidade de Pádua. Autor de vasta bibliografia filosófica.

7. Léon Denis

Dentre os padres da Igreja, Orígenes é um dos que mais eloqüentemente se pronunciaram a favor da pluralidade das existências. Respeitável a sua autoridade. São Jerônimo o considera, “depois dos apóstolos, o grande mestre da Igreja, verdade, diz ele, que só a ignorância poderia negar”. São Jerônimo vota tal admiração a Orígenes que assumiria, escreve, todas as calúnias de que ele foi alvo, uma vez que, por esse preço, ele, Jerônimo, pudesse ter a sua profunda ciência das Escrituras.

Em seu livro célebre, “Dos Princípios”, Orígenes desenvolve os mais vigorosos argumentos que mostraram, na preexistência e sobrevivência das almas noutros corpos, em uma palavra, na sucessão das vidas, o corretivo necessário à aparente desigualdade das condições humanas, uma compensação ao mal físico, como ao sofrimento moral que parece reinarem no mundo, se não se admite mais que uma única existência terrestre para cada alma. Orígenes erra, todavia, num ponto. É quando supõe que a união do espírito ao corpo é sempre uma punição. Ele perde de vista a necessidade da educação das almas e a laboriosa realização do progresso.

Errônea opinião se introduziu em muitos centros, a respeito das doutrinas de Orígenes, em geral, e da pluralidade das existências em particular, que pretendem ter sido condenadas, primeiro pelo concílio de Constantinopla. Ora, se remontarmos às fonte [Ver Pezzani, A pluralidade das Existências, páginas 187 e 190], reconheceremos que esses concílios repeliram, não a crença na pluralidade das existências, mas simplesmente a preexistência da alma, tal como a ensinava Orígenes, sob esta feição particular: que os homens eram anjos decaídos e que o ponto de partida tinha sido para todos a natureza Angélica.

Na realidade, a questão da pluralidade das existências da alma jamais foi resolvida pelos concílios. Permaneceu aberta às resoluções da Igreja no futuro, e é esse um ponto que se faz preciso estabelecer. (DENIS, 1987, pp. 50-51).

O Cristianismo primitivo possuía, pois, o verdadeiro sentido do destino. Mas, com as sutilezas da teologia bizantina, o sentido oculto desapareceu pouco a pouco; a virtude secreta dos ritos iniciáticos desvaneceu-se como um perfume sutil. Aa escolástica abafou a primeira revelação com o peso dos silogismos ou arruinou-a com sua argumentação especiosa.

Entretanto, os primeiros padres da Igreja e, entre todos, Orígenes e S. Clemente de Alexandria, pronunciaram-se em favor da transmigração das almas. S. Jerônimo e Ruffinus (“Carta a Anastácio”) afirmam que ela era ensinada como verdade tradicional a um certo número de iniciados.

Em sua obra capital, “Dos Princípios”, livro I, Orígenes passa em revista os numerosos argumentos que mostram, na preexistência e sobrevivência das almas em outros corpos, o corretivo necessário à desigualdade das condições humanas. De si mesmo inquire qual é a totalidade dos ciclos percorridos por sua alma em suas peregrinações através do Infinito, quais os progressos feitos em cada uma de suas estações, as circunstâncias da imensa viagem e a natureza particular de suas residências.

S. Gregório de Nysse diz “que há necessidade natural para a alma imortal de ser curada e purificada e que, se ela não o foi em sua vida terrestre, a cura se opera pelas vidas futuras e subseqüentes”.

Todavia, esta alta doutrina, não podia conciliar-se com certos dogmas e artigos de fé, armas poderosas para a Igreja, tais como a predestinação, as penas eternas e o juízo final. Com ela, o Catolicismo teria dado lugar mais largo à liberdade do espírito humano, chamado em suas vidas sucessivas a elevar-se por seus próprios esforços e não somente por graça do alto.

Por isso, foi um ato fecundo em conseqüência funesta a condenação das opiniões de Orígenes e das teorias gnósticas pelo Concílio de Constantinopla em 553. Ela trouxe consigo o descrédito e a repulsa do princípio das reencarnações. Então, em vez de uma concepção simples e clara do destino, compreensível para as mais humildes inteligências, conciliando a Justiça Divina com a desigualdade das condições e do sofrimento humanos, vimos edificar-se todo um conjunto de dogmas, que lançaram a obscuridade no problema da vida, revoltaram a razão e, finalmente, afastaram o homem de Deus. (DENIS, 1989, pp. 273-274).

8. Jayme Andrade (ex-Pastor)

Orígenes, discípulo de Clemente, foi o mais completo dos Pais da Igreja no tocante ao ensino palingenésico. Ele chegou a tecer judiciosas ponderações sobre certos trechos da Escritura (como os de Malaq. 1;2/3 e Jerem. 1:5) que não teriam sentido sem admitir a preexistência da alma:

 “Se o nosso destino atual não era determinado pelas obras de nossas existências passadas, o que dizer de um Deus justo permitindo que o primogênito servisse ao mais jovem e fosse odiado, antes de haver cometido atos que merecessem a servidão e o ódio? Só as nossas vidas anteriores podem explicar a luta de Jacó e Esaú antes do seu nascimento, a eleição de Jeremias quando ainda estava no seio da sua mãe... e tantos outros fatos que atirarão o descrédito sobre a Justiça Divina, se não forem justificados pelos atos bons ou maus cometidos ou praticados em existências passadas” (“Contra Celso”, I, III, cit. por Mário C. Mello, em “Como os Teólogos Refutam”, pg. 153). (ANDRADE, J., 1997, pp. 183-184).

9. Francisco Cajazeiras

A idéia da reencarnação, dissemos antes, integrava os princípios aceitos pelos protocristãos ou, pelo menos, por aqueles que o conseguiam entender. Dentre os chamados “Pais da Igreja”, muitos foram os que aceitaram ou, pelo menos, conjecturaram acerca desta questão, como Santo Agostinho, Clemente de Alexandria e Justino, o Mártir.

Mas, indubitavelmente, foi Orígenes, que viveu em Alexandria, considerado um dos maiores pensadores cristãos do seu tempo e também um dos maiores de todos os tempos, autor de cerca de dois mil livros doutrinários, aquele que mais defendeu e propagou o fenômeno da reencarnação.

Com ele surge uma corrente no seio da Igreja, que recebeu o nome de Origenismo, que defendia os seguintes princípios.

ORIGENISMO

a)                 Todos somos filhos de Deus e, dessa foram, somos iguais diante dEle.

b)                 Deus não usa de favoritismos com ninguém, mas trata a todos os Seus filhos de maneira semelhante.

c)                 Os Espíritos foram criados por Deus em condições de felicidade, mas em função de sua rebeldia, caíram e passaram a depender de um desenvolvimento no corpo de carne.

d)                 Todos somos dotados de livre-arbítrio e, em assim sendo, somos responsáveis por nossa felicidade e nosso sofrimento.

e)                 Os Espíritos preexistem aos corpos.

f)                  A alma, com a ajuda de Deus, é responsável por sua própria salvação.

g)                 Os demônios são os Espíritos que mais se rebelaram, por isso, tiveram maior queda. No entanto, todos voltarão ao seio do Criador.

Nesse tempo, havia várias polêmicas, todas resultantes das diferentes maneiras de interpretar (ou mesmo de acomodar) os ensinamentos de Jesus.

Um dos temas mais discutidos era a divindade de Jesus. Uma ala afirmava ser Jesus um Espírito criado por Deus, a despeito de se haver tornado perfeito e, assim, uno com o Criador. Outros, não aceitavam esta teoria, elevando o Cristo à condição de Deus. Constantino resolveu interferir e convocar um concílio para a discussão do caso.

Destarte, em 325 d.C., realizou-se o Concílio de Nicéia, onde se tratou principalmente sobre a Divindade de Jesus, criando-se a idéia da trindade (um só deus mas três pessoas distintas – Pai, Filho e Espírito Santo), importada, em verdade, da Índia e do Egito. A discussão, no entanto, persistiu por longo tempo.

Já no sexto século da nossa Era, Roma era governada por Justiniano e, como o Cristianismo havia sido declarado por Teodósio I (Edito de Constantinopla) a religião oficial do Estado, no ano de 391 d.C., o imperador afirmava-se cristão.

Conta-se que influenciado por sua esposa Teodora e aproveitando ainda a polêmica que se mantinha, a despeito do Concílio de Nicéia, sobre a divindade crística, o imperador convocou um concílio a se realizar em Constantinopla, então capital do Império.

Dez anos antes, porém, preciso é saber, havia convocado um sínodo para discutir (!?) sobre a questão das vidas sucessivas que tanto lhe incomodava, mas especialmente à sua esposa, haja vista não admitirem retornar a um corpo em condição social inferior, pois, assim, de deuses, como eram considerados seus antecessores, desceriam, conduzido por esta doutrina, à condição de simples Espíritos, podendo mesmo renascerem na condição de plebeus, por exemplo...

Contam alguns historiadores que a imperatriz havia sido prostituta e, por isso, ordenou a matança de quinhentas mulheres nessa condição, em Constantinopla, porque estas se orgulhavam de haver saído de seu meio a mais nova imperatriz romana, sentimento não compartilhado por Teodora.

O povo, que em grande parte acalentava a idéia da reencarnação, passou a comentar que a imperatriz deveria, por esse motivo, ser assassinada quinhentas vezes em suas vidas futuras. Isto teria levado Teodora a convencer o imperador a anatematizar definitivamente e com o seu áureo poder a crença na reencarnação.

O resultado deste sínodo foi apresentado no Concílio de Constantinopla, como matéria secundária, de vez que o principal assunto a ser tratado dizia respeito, ainda, á discutida questão da divindade de Jesus.

Ao quinto concílio ecumênico – o II Concílio de Constantinopla (1) – realizado no ano de 553 d.C., compareceram praticamente membros da Igreja do Oriente, pois até mesmo o Papa Virgílio, de Roma, em decorrência de desentendimentos com o Imperador, foi impedido de comparecer, sendo mesmo mantido prisioneiro por sua ordem, quando viajava para Constantinopla.

Hermínio Correia de Miranda, notável pesquisador espírita, anota em seu livro “Reencarnação na Bíblia”, a afirmativa do Reverendo Leslie D. Weantherhead, da Igreja Anglicana de Londres, que no sínodo há pouco citado, a reencarnação foi posta em votação e derrotada em um apertado e inexpressivo placar de 3x2.

Foi, portanto, desde este concílio que, aos poucos se foi deixando de aceitar a reencarnação no Movimento Cristão, portanto, a partir da anatematização do Origenismo, como se pode depreender dos anátemas que ali se fizeram, como reproduzido abaixo parcialmente:

“Contra todo aquele que assevere a fábula da preexistência das almas e afirme que se segue monstruosa reconstrução: anátema seja”.

“Contra todo aquele que diga que, após a ressurreição, o corpo do Senhor era etéreo, e em forma de esfera, e que assim serão os corpos de todos depois da ressurreição; e que depois que o próprio Senhor tenha jogado seu corpo e os outros que surgem tenham jogado os seus, a natureza de sues corpos será destruída: anátema seja”.

Além destes, havia um anátema do próprio imperador:

“Contra todo aquele que declare ou pense que a alma humana preexistia, ou seja, que foram primeiro espírito e sagrados poderes (...): anátema seja”. (CAJAZEIRAS, 2002, pp. 55-59).

10. Outros autores citando outros autores.

10.1 - José Reis Chaves.

Rufino, em carta a Santo Atanásio, o autor de um dos credos cristãos, afirma que a crença na reencarnação era comum entre os padres primitivos. [Reencarnação, Annie Besant, pág. 12, Editora Pensamento, São Paulo, citando Ed Walker em Reincarnation: a Study of a Forgotten Truth]. (CHAVES, 2002, p. 157).

Papus [A Reencarnação, pág. 87, Editora Pensamento, São Paulo, 1996], o renomado escritor cabalista francês, diz que a idéia da reencarnação faz parte dos ensinos secretos da Igreja, pois esta recebe continuação direta da religião egípcia: cada um dos evangelistas é acompanhado pelo símbolo de cada uma das quatro formas de esfinge, a cabeça humana ou anjo, águia, o leão e o touro. (CHAVES, 2002, p. 157).

John Van Auken [Reencarnação, pág. 151, Editora Record, Rio de Janeiro] diz que a reencarnação não tem tido nenhum lugar na corrente principal do cristianismo, mas que havia sido um conceito na época de Jesus, pouco depois de sua ressurreição, e muito antes do seu nascimento. Fala inda que ela foi condenada no Quinto Concílio de Constantinopla, em 553, quando os escritos do pai da Igreja primitiva, Orígenes, foram

expurgados da Igreja, tendo sido, inclusive, modificados alguns conceitos na Bíblia, referentes à reencarnação. (CHAVES, 2002, p. 157).

Não é de se estranhar que Santo Agostinho tenha sido reencarnacionista, já que era inteiramente platônico.

De uma enciclopédia anotamos: “Santo Agostinho aceitava a reencarnação” [The Catholic Encyclopaedia, 1909, Ed., Vol. 10. Metempsychosis e The Esoteric Tradition, por G. de Purucker, pág. 236-7]. (CHAVES, 2002, p. 166).

São Jerônimo, o famoso autor da Vulgata e amigo de Santo Agostinho, também aceitava a reencarnação.

Ele afirma que a transmigração das almas foi ensinada durante um longo tempo na Igreja [Evangelho Esotérico de São João, pág. 68, Paul le Cour, Editora Pensamento, São Paulo, 1993]. (CHAVES, 2002, p. 167).

São Gregório de Nissa era reencarnacionista, e fazia parte dos teólogos e cabalistas que afirmavam que o maior argumento a favor da reencarnação era a justiça de Deus [A Reencarnação e a Lei do Carma, pág. 47, Willian Walker Atkinson, Editora Pensamento, São Paulo, 1990].

Um texto dele: “Há necessidade de natureza para a alma imortal ser curada e purificada, e se ela não o for na sua vida terrestre, a cura se operará através de vidas futuras e subseqüentes” [Reencarnação, pág. 153, John Van Auken, Editora Record, Rio de Janeiro, 1989; e O Mistério do Eterno Retorno, pág. 123, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo]. (CHAVES, 2002, p. 169).

São Justino, mártir, autor de Apologia da Religião Cristã, também faz parte da lista de santos reencarnacionistas e sábios do cristianismo primitivo. Segundo ele, “a alma habita corpos sucessivos, perdendo a memória das vidas passadas” [A Reencarnação e a Lei do Carma, pág. 46, William Walker Atkinson, Editora Pensamento, São Paulo]. (CHAVES, 2002, p. 170).

São Francisco é um outro santo da Igreja que aceitava a reencarnação [The Catholic Encyclopaedia, pág. 235-67, Ed., vol. 20, Metempsychosis e The Esoteric Tradition, G. de Pururucker, 1909], embora a Igreja faça silêncio sobre isso, como no caso de Santo Agostinho e outros mencionados neste livro. (CHAVES, 2002, p. 171).

São Boaventura é mais um grande sábio e santo da Igreja, que abraçou a reencarnação [Reencarnação, pág. 14, Annie Besant, Editora Pensamento, São Paulo, 1989]. (CHAVES, 2002, p. 171).

10.2 – Hermínio C. Miranda

O sacerdote católico G. Nevin Drinkwater escreveu, na publicação The Liberal Catholic, que a reencarnação nunca foi declarada herética por um Concílio Ecumênico.

- O que realmente aconteceu – diz ele textualmente – segundo Robertson e Hefele, foi que um sínodo local condenou os ensinamentos de Orígenes acerca da preexistência em 543, na cidade de Constantinopla, mas isto não é, naturalmente, uma decisão a ser obrigatoriamente acatada pela Igreja Universal (²). E conclui o padre Drinkwater:

- Há pessoas hoje na Igreja Católica que aceitam a reencarnação sem que sejam declaradas heréticas.

(²) cf. Church History, de Robertson, vol. I, p. 157 e History of the Councils of the Church, de Hefele, vol. IV, p. 223 ss.

(MIRANDA, 1995, p. 96).

Conclusão

         Embora alguns autores não tragam a mesma versão para o caso Teodora, todos são unânimes em relatar a influência do Imperador Justiniano, quer por conta dele próprio quer por sua esposa, mas o fato é que exerceram essa influência no V Concílio Ecumênico de Constantinopla, de tal forma que as idéias de Orígenes foram anatematizadas.

         Para finalizar, transcrevemos a opinião lúcida, imparcial e abalizada de Elizabeth Clare Phophet:

Os ortodoxos usaram a frase “com Deus tudo é possível” para explicar a falta de lógica de uma ressurreição física. Mas Orígenes classificou esta crença como “pobreza intelectual” ou “falta de instrução”. Qualificando-a como “uma idéia excessivamente baixa e insignificante”, disse que essas especulações contradiziam a afirmação de Paulo de que o corpo ressurrecto é espiritual. Orígenes achava que a doutrina da ressurreição física era para os “simplórios” e para o “povo comum, que é induzido a viver uma vida melhor através da sua crença”.

(...)

A ressurreição física é um conceito de difícil explicação e talvez por isso a Igreja Católica diga àqueles que perguntam como ela ocorre que a resposta “excede a nossa imaginação e compreensão e só pode ser aceita através da fé”. (PROPHET, 1999, pp. 152-153).

         Ao terminar esse estudo, relacionamos abaixo, uma literatura sobre o tema, para os que quiserem se aprofundar em suas pesquisas a respeito desse assunto.

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Fev/2005.

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