Quem sou eu ?

Serei alguém afável? Paciente? Tolerante? Resignado? Eu aparento estas virtudes? Mas será que aparentar é suficiente? Provavelmente não. As virtudes acima, que caracterizam a mansuetude e a índole absolutamente contrárias à belicosidade, precisam ser vivenciadas!

Será que a educação e a sociedade conseguiram forjar em mim, uma terrível máscara de hipocrisia para o uso mundano? A Terra, nosso querido planetinha, está repleto de pessoas que ostentam um belo sorriso nos lábios e veneno no coração; que são doces, desde que não sejam molestadas; que possuem uma língua dourada quando falam face a face, mas que se transforma em dardo envenenado no anonimato e, ainda há alguns, que têm estrelas na voz, quando em um púlpito, mas secretamente semeiam ondas de vaidade, inveja e melindres! Serei assim?

Será que eu sou o manso e pacífico, aplaudido pelo mundo por ser tão bom, mas que em casa, torno-me o mais perfeito protótipo do tirano doméstico, que faz a sua família e subordinados suportarem todo o peso do meu louco orgulho e despotismo? Que não ousando ou não conseguindo impor meu autoritarismo aos estranhos, que me poriam no meu merecido e medíocre lugar, quero ser temido, pelo menos, pelos que não conseguem me resistir?

Será que me realizo quando permito que a vaidade e o orgulho me levem a dizer: Aqui eu mando; aqui eu sou obedecido! Sem parar para pensar que poderia acrescentar e com mais forte razão ainda: Aqui eu sou detestado?

Como o homem ainda é pequeno e tolo! Ainda é tão tolo que se torna fiel escravo da moda, de jóias, de roupas, de carros, e tem vergonha de se declarar humilde servo do amor, da caridade, da justiça e do perdão. Por conta disso, cede lugar a outras forças de resultados danosos: o orgulho e o egoísmo!

A partir daí, a queda é bem mais rápida. O orgulho doentio o leva a se julgar mais, muito mais do que realmente é; a não aceitar comparações que possam rebaixá-lo; a se considerar tão acima dos seus irmãos, que qualquer tentativa de comparação o fere, irrita e lhe desperta a terrível cólera!

A cólera que embrutece, que o faz atingir tudo e todos e até quebrar objetos por não lhe obedecerem ou por terem ficado impassíveis! Ah! Se nesses momentos ele pudesse se ver em um enorme espelho... Vermelho, olhos arregalados, explodindo e despejando palavrões com a família, chutando móveis, quebrando louças, com certeza não se reconheceria e se por acaso se reconhecesse, teria horror e vergonha de si mesmo, por ser tão ridículo! Se ele se ama e se acha ridículo, imagine a impressão causada nos outros!

Hora de parar. Hora de tentar mudar. Hora de mergulhar dentro de si mesmo. Hora de ouvir a própria consciência. Hora de se perguntar: Quem sou eu? Um homem? Um cristão? Um espírita preocupado com a sua reforma íntima? Ou um tirano desmiolado? Quem sou eu?


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