Pureza Doutrinária ou Dureza Monetária?

 

Ao pensarmos em escrever este alerta, fomos estimulados pelo fato de verificarmos ao longo dos anos, que muitas Casas Espíritas que poderiam estar sendo administradas de forma mais produtiva e conduzidas doutrinariamente de modo mais coerente com os postulados da Doutrina dos Espíritos, parecem destinadas ao fracasso e à conseqüente falência de suas estruturas físicas, morais e espirituais.

Outro fator estimulante foi a velha e insistente pergunta: será que a “dureza monetária”, absolutamente comum nas Casas Espíritas, justifica macular a pureza doutrinária? É evidente que não! Mas nem todos pensam assim.

Mas o vil metal, não é tão vil assim... Afirmam alguns companheiros de jornada.

Não, não é. Pelo menos enquanto não cai em mãos erradas. Nunca o dinheiro em si mesmo, foi inexoravelmente mau. Ele torna-se um meio, um instrumento mau, quando cai em mãos más. Gera orgulho, egoísmo, avareza, exacerba as paixões, estimula o cometimento de inúmeros crimes, abre portas perigosas, alimenta o materialismo sufocante e por aí vai...

O Espiritismo não condena o dinheiro ou quem o tem. Até porque nos maravilhosos postulados da Doutrina dos Espíritos, não estão inseridos a pecha condenatória, o estigma do preconceito ou o julgamento de irmãos. E o dinheiro nas mãos certas, pode ajudar tanto a tantos...

É sabido que os nossos irmãos trevosos trabalham incansavelmente para enfraquecer o Espiritismo, o Grande Consolador. Para tanto, não medem esforços, nem selecionam meios mais ou menos escrupulosos, para conseguirem seus escusos intentos. Tudo, absolutamente tudo que for usado para diminuir o brilho intenso das verdades luminosas ensinadas por Jesus, para eles será tido como válido.

Planejadores das sombras se reúnem em seminários, congressos e debates, para uma constante atualização dos meios mais eficazes de como debilitar o Espiritismo. Há tempos que esses irmãos ainda presos nas teias da cruel ignorância ou alimentados por um terrível e cego ódio, tentam infiltrar-se nas fileiras espíritas.

Mas como podem? Os espíritas estudam tanto! Alguns ingênuos companheiros indagam.

É aí que está o grande problema. Muitos se dizem tão preparados que até sentem-se profundamente ofendidos, se alguém lançar a hipótese deles estarem sendo obsidiados.

O quê? Eu, obsidiado? Jamais! Comigo isso não acontece...

E baixam suas defesas e param de estudar, por acharem que já sabem demais, principalmente muitos dirigentes de instituições e de grupos, que pelo fato de exercerem uma função de algum destaque, sentem-se protegidos e dispensados dos indispensáveis: “amai-vos e instruí-vos” e “orai e vigiai”! Quando na realidade é o contrário, pois os dirigentes sempre são os alvos preferenciais dos irmãos das sombras!

Temos que estar atentos. Sob o título de modernidade e no outro extremo, de manter o tradicionalismo, erros são cometidos e golpes desferidos na nossa Doutrina. É aí que se faz necessário exercer uma das maiores virtudes que o Codificador mostrou e demonstrou no seu missionário trajeto na Terra: bom senso!

O Espiritismo, no seu aspecto científico, precisará sempre se modernizar e adequar-se à época vivida, pois como o próprio Kardec asseverou, o Espiritismo é dinâmico e precisa ombrear-se à ciência.

Entretanto, quanto aos seus aspectos filosófico e principalmente religioso, faz-se necessário que se mantenha fiel aos seus preceitos lógicos, racionais, alicerçados sempre em alguns pilares basilares, como fé, esperança e caridade, todos capitaneados pelo maior dos sentimentos, o amor!

É isso que ousada e pretensiosamente fazemos: gritar aos homens e aos espíritas em particular, sobre o perigo que paira sobre as nossas cabeças. As ameaças ao Espiritismo, já não são grosseiras, rudes, espalhafatosas. Elas mudaram. São sutis, astuciosamente enganadoras, envolventes, sedutoras e muitas vezes não estão ocultas nas sombras. Estão ao nosso lado! E isso as torna muito mais aterrorizantes!

A tática dos irmãos trevosos mudou. Não mais pensam em explodir as Casas Espíritas. O objetivo agora é implodir, pois o material explosivo, inúmeras vezes está nas mãos – conscientes ou não – daqueles que estão ao nosso lado, diariamente, trabalhando na mesma Casa!

Não desejamos com essa afirmação, fazer que passemos a vigiar nossos irmãos de trabalho. Longe disso. O clima reinante deve ser sempre o de confiança recíproca. Contudo, quando algum companheiro começar a dar sinais de querer conspurcar, desvirtuar, macular a Doutrina dos Espíritos, é hora de ficarmos atentos e ajudando esse irmão, pondo-o novamente na trilha que leva ao Pai, estaremos ajudando a nós mesmos, à Casa que nos abriga e principalmente à Causa Espírita.

J. Herculano Pires, na sua sempre atual obra O Centro Espírita, foi profético ao afirmar:

Antes dos espíritas se preocuparem em atualizar a Doutrina dos Espíritos, eles precisam se atualizar na Doutrina! (grifos nossos)

Assim, reiteramos que o nosso objetivo maior, é divulgar um alerta e ensejar uma convocação a todos os espíritas, para unirmos nossas forças na hercúlea, mas necessária e nobre missão de lutarmos, hoje e sempre, pela preservação da Pureza Doutrinária do Espiritismo.

 

Agnaldo Cardoso