O ESPÍRITA E OS TEMAS POLÊMICOS

 

 

 

José Medrado

 

 

Tenho ao longo da minha caminhada espírita me debatido com uma resistência muito grande às mudanças. Os espíritas mais velhos, “nascidos da repressão, inclusive política”, como me disse recentemente um amigo vereador, não têm se dado conta de que a vivência espírita precisa ser dinâmica, transformadora, em todos os âmbitos e sentidos reclamados pela sociedade. Não vejo crível a manutenção de uma estrutura embolorada, onde a omissão é a principal característica copiada e repassada.

A questão nº 657, de O Livro dos Espíritos, não perdoa, quando disfere: "Têm, perante Deus, algum mérito os que se consagram à vida contemplativa, uma vez que nenhum mal fazem e só em Deus pensam? - Não, porquanto, se é certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem e são inúteis. Demais, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que o homem pense nele, mas não quer que só nele pense, pois que lhe impôs deveres a cumprir na terra. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive toda uma vida pessoal e inútil à humanidade e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito.”.

Ora, companheiros, mais claro impossível, precisamos sair de uma vez por todas da penumbra, em achar que somos piores ou melhores dos que aí estão, colocando a todos nossos entendimentos filosóficos e religiosos, sem fantasias ou hermetismos ignóbeis. Temos como fulcro para o nosso discurso e ação uma fé raciocinada, que se propõe a ser consoladora. Então?! Precisamos aprender a nos posicionarmos em tudo, oferecendo o nosso viés às críticas e reflexões do grande público. Basta de pregação intramuros, de um Espiritismo que calca pelo bonito, mas sem praticidade para aliviar o sofrimento, a dor dos que precisam de um direcionamento para melhor viverem neste mundo.

Não falo de revisão de obras de Kardec, mas postura desassombrada frente aos questionamentos da sociedade moderna.

Precisamos, por exemplo,  nos posicionar acerca de assuntos como política, sem pleito partidarista, mas deixar de resistir negativamente a este ou qualquer outro tema, pois isto só demonstrará desinformação e preconceito, e não tem aí nenhuma fuga da ética doutrinária.

Lembro aqui o dito do Deputado Dr. Bezerra de Menezes : “Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos".

Antecipo-me aos precipitados, por julgar de boa prudência, em registrar publicamente que não sou, nem nunca serei candidato político partidário a nada. Guarde-se e registre-se. Todavia, não podemos viver com medo de querer melhorar o mundo, a nossa sociedade, fingindo que não temos opinião formada sobre nada. Pura conveniência, para não dizer covardia.

Assim, políticos, tenham em mente o alerta do Nosso Senhor Jesus Cristo: "E quem governa seja como quem serve". (Lucas, 22:26).

Para finalizar: "Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons? - Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão". (Questão nº 932 de O Livro dos Espíritos).

   


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