PACIFICIDADE,[1] SIM.   PASSIVIDADE NÃO .

 

"E, se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, ela

voltará para vós." - Jesus. (LUCAS, 10:6.)

 

PAZ, sublime eflúvio que desce do Criador, Deus de Misericórdia, sobre todas as criaturas, como refrigério para as almas atormentadas pelos interesses e necessidades transitórias da matéria.

 A verdadeira PAZ é aquela que nasce da retidão da conduta, sendo aquisição que demanda, obrigatoriamente, o esforço individual da criatura que tenha o sincero desejo de se reformar intimamente. Por isso, eclode no íntimo de cada ser, morando na consciência limpa.

 Ao contrário do que muitos irmãos em Cristo pensam, a PAZ não é brinde dispensado aos filhos por um pai perdulário e insensato que  a espalha aleatoriamente, mas sim um justo e merecido prêmio que o espírito esforçado em obtê-la recebe de Deus, nosso Pai de Justiça absoluta, já que um dos atributos do Pai é ser soberanamente justo e bom.[2] (ver L.E. – Allan Kardec)

 Destarte, a criatura que cumpre com os seus deveres (com a família, o trabalho e o próximo) estará trilhando o caminho que lhe permitirá, não obstante as aflições geradas pelas carências transitivas da matéria, encontrar a Paz que tanto almeja. 

 É certo que neste planeta de provas e expiação, onde o bem ainda está por se realizar, todos sofremos as conseqüências naturais de nossas imperfeições, com os constantes afastamentos das leis de Justiça, Amor e Caridade que emanam do Criador, dando origem às dores e sofrimentos.

 Porém, não menos certo é que essas dores e aflições são por nós mesmos criadas, e como plantações equivocadas, nos cumpre colher, o que, sem dúvida, nos dá a razão da justeza dessas dores.

 Apesar disso, já conseguimos divisar nesses sofrimentos a Justiça absoluta do Criador que, consoante os ensinamentos de Jesus Cristo, O Médico das Almas, sempre dá a cada um segundo as suas obras[3], favorecendo a nossa resignação diante dessas provas.

 Não podemos olvidar, ainda, que o Divino Mestre Jesus nos aconselhou ao esforço necessário para passarmos pela porta estreita, porquanto larga é a porta da perdição[4], no sentido de que não devemos desistir de arrostar, com resignação, todas as dores e aflições que, em verdade, se prestam para purificação do espírito, elevando-o.

 De outro vértice, mesmo os irmãos em Cristo que estão se esforçando e logrando obter o equilíbrio e a resignação frente às vicissitudes da vida, além de sua luta íntima para remoção dos vícios e defeitos, ainda padecem em razão dos sofrimentos e desequilíbrios dos entes queridos que, de igual forma, se encontram neste santo educandário, que é o globo terrestre, e por isso sofrem.

 É a decorrência natural do amor que temos por essas pessoas que, em razão dos erros do pretérito, hoje se encontram em processo de resgate, sofrendo suas conseqüências.

 Entretanto, nesses momentos em que se esquece a Paz, pelas dores dos entes queridos, o possuidor da fé raciocinada, adquirida através da Doutrina Espírita, não deve se olvidar que as leis do Criador Misericordioso atingem, inexoravelmente, a todos, e que nossos atuais filhos, irmãos, esposa, pai e mãe são, também, viajores eternos de multifárias existências que se encontram encarnados para o devido resgate das dívidas contraídas no passado obscuro.

 Assim, devem se esforçar para, nesses momentos de aflições, se lembrar do Divino Médico das Almas, Jesus, o Filho do Deus Vivo, que nos prometeu o lenitivo necessário para que consigamos passar, com resignação, também por essas dores.[5]

 Jesus não prometeu nos afastar dos sofrimentos e dores que foram criados por nós mesmos, mas sim o alívio necessário para, com equilíbrio, continuarmos nosso trabalho no caminho da evolução, resignando-nos com a colheita que hoje realizamos, na certeza de que, infalivelmente, a plantamos no passado tenebroso.

 De outro lado, não devemos nos entregar à passividade[6] diante das lutas diárias. É imprescindível ao candidato ao discipulado do Cristo Jesus, a coragem de enfrentar as dificuldades e dores do caminho, com a certeza inquebrantável de que o Divino Amigo Jesus está amparando a todos.

 A indiferença diante do árduo trabalho por realizar em nós mesmos, extirpando de nossos espíritos os vícios e defeitos, se traduz em falta de fé raciocinada, ou, então, que o irmão em Cristo ainda não logrou encontrá-la, entregando-se à fé cega que só faz precipitar o viajor no báratro da ignorância.

 Essa apatia no enfrentamento das vicissitudes, não permite que o indivíduo consiga lobrigar a calmaria no mar proceloso de sua existência, entregando-se, pelo desequilíbrio, às dores e aflições que, dessa forma, acredita serem eternas.

 É nesse sentido (de apatia e inércia) que a passividade não pode encontrar pousada no coração daquele que se diz cristão quando dos enfrentamentos dos obstáculos e das dores.

 

A propósito, esclarece-nos o Iluminado espírito de Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro Vinha de Luz, Editora F.E.B., que: A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento, já que a verdadeira PAZ é sempre produtiva. Ainda nesse livro temos a ilação de que a paz de Jesus não é aquela ofertada pelo mundo [7], e que : Nos círculos da carne, a paz das nações costuma representar o silêncio provisório das baionetas; a dos abastados inconscientes é a preguiça improdutiva e incapaz; a dos que se revoltam, no quadro de lutas necessárias, é a manifestação do desespero doentio; a dos ociosos sistemáticos, é a fuga ao trabalho; a dos arbitrários, é a satisfação dos próprios caprichos; a dos vaidosos, é o aplauso da ignorância; a dos vingativos, é a destruição dos adversários; a dos maus, é a vitória da crueldade; a dos negociantes sagazes, é a exploração inferior; a dos que se agarram às sensações de baixo teor, é a viciação dos sentidos; a dos comilões, é o repasto opulento do estômago, embora haja fome espiritual no coração.

No entanto, considerando a imensurável Misericórdia de Deus, Nosso Pai, todos têm a mesma oportunidade e o amparo que o Alto sempre dispensa à humanidade em nome da Caridade de Jesus, e chegará o dia em que o inerte sofredor aceitará as palavras do Cristo Salvador, que soerguerá o viajor em desalinho, chamando-o de volta ao caminho do eterno bem que vem do Criador.

 Rogamos ao Divino Médico das Almas, Jesus Cristo, força para que consigamos promover a necessária reforma íntima que nos dará a PAZ que tanto desejamos.

 

Que Jesus Cristo, nosso Mestre e Salvador, nos felicite a todos com a Sua infinita PAZ.

César Luiz de Almeida .:

Grupo Espírita Fraternidade de Mogi das Cruzes.



[1] Qualidade de pacífico.

[2] 13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos idéia completa de Seus atributos? Parte da resposta: É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.

[3] "Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus, mas somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus." ESE - Kardec

[4] "Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão." - Jesus. (LUCAS, 13:24.)

[5]  “Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. (S. MATEUS, capítulo XI, vv. 28 a 30.)

[6] Passividade: Qualidade de passivo. Passivo: Que não atua; inerte; indiferente, apático

[7] "A paz vos deixo, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá." -Jesus.(JOÃO, 14:27.)

 

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