Natureza íntima dos Espíritos Escapa às investigações

 Em O Livro dos Espíritos*, Allan Kardec destinou capítulo específico (capítulo I do livro segundo) e as perguntas 76 a 131 para tratar dos próprios espíritos. Classificando as questões sob os subtítulos Origem e natureza dos espíritos, Mundo normal primitivo, Forma e ubiqüidade dos espíritos, Perispírito, Diferentes ordens de espíritos e Escala Espírita, o livro oferece clara visão sobre o assunto.

Os subtítulos Origem e natureza, Forma e ubiqüidade e Perispírito, objeto da presente matéria, sempre constituiu fonte de estudos interessantes, dada a peculiaridade da imortalidade e seus desdobramentos.

Fomos consultar a Revista Espírita** em busca de esclarecimentos adicionais e no texto Introdução ao Estudo dos Fluidos Espirituais, em seu item IV, encontramos:

      "(...) A natureza íntima da alma, isto é, do princípio inteligente, fonte do pensamento, escapa completamente às nossas investigações. Mas sabe-se agora que a alma é revestida de um envoltório ou corpo fluídico, que dela faz, após a morte do corpo material, como antes, um ser distinto, circunscrito e individual. A alma é o princípio inteligente considerado isoladamente; é a força atuante e pensante, que não podemos conceber isolada da matéria senão como uma abstração. Revestida de seu envoltório fluídico, ou perispírito, a alma constitui o ser chamado Espírito, como quando está revestida do envoltório corporal, constitui o homem. Ora, posto que no estado de Espírito goze de propriedades e de faculdades especiais, não cessou de pertencer à humanidade. Os Espíritos são, pois, seres semelhantes a nós, pois cada um de nós torna-se Espírito após a morte do corpo, e cada Espírito torna-se homem pelo nascimento. Esse envoltório não é a alma, pois não pensa: é apenas uma vestimenta; sem a alma, o perispírito, assim como o corpo, é uma matéria inerte privada de vida e de sensações. Dizemos matéria porque, com efeito, o perispírito, posto que de uma natureza etérea e sutil, não é menos matéria como os fluidos imponderáveis e, demais, matéria da mesma natureza e da mesma origem que a mais grosseira matéria tangível (...). A alma não reveste o perispírito apenas no estado de Espírito; é inseparável desse envoltório, que a segue na encarnação, como na erraticidade. Na encarnação, é o laço que a une ao envoltório corporal, o intermediário com cujo auxílio age sobre os órgãos e percebe as sensações das coisas exteriores. Durante a vida, o fluido perispiritual identifica-se com o corpo, cujas partes todas penetra; com a morte, dele se desprende; privado da vida, o corpo se dissolve, mas o perispírito, sempre unido à alma, isto é, ao princípio vivificante, não perece; apenas a alma, em vez de dois envoltórios, conserva apenas um: o mais leve, o que está mais em harmonia com o seu estado espiritual (...)"

Ampla abordagem

Este estudo é de muita importância para compreensão dos fenômenos produzidos pelos espíritos, que nada mais são que seres humanos - antes ou depois da encarnação - que influenciam-se reciprocamente. O estudo apontado na Revista Espírita**, composto de 11 páginas e 10 itens, oferece vasto campo de pesquisa e reflexão, por isso é de interesse do leitor uma consulta ao texto para aprofundamento do assunto, diretamente ligado à magna questão dos fluidos espirituais.

*3ª edição FEESP, tradução de J. Herculano Pires, São Paulo-SP, 1987.
**Março de 1866, ano IX, vol. 3 - Editora Edicel - São Paulo-SP, 1966, tradução de Júlio Abreu Filho