A missão dos artistas

 

Muito se tem falado, na seara espírita, em missionários, desta ou daquela área, seja na esfera científica, religiosa ou social. Sabemos que o missionário é sempre aquele que vem para trabalhar pela evolução do objeto de sua ocupação. São eles, nos dizeres de Joana de Angelis: "desbravadores de terra; de pessoas; da sociedade e do céu...” Pessoas que vem fazer compreender, e tão pouco são compreendidas.

Os artistas têm igualmente uma missão, que por sinal é grandiosa: elevar a criatura através da beleza, na atividade dinâmica, da qual ela é portadora. Mas vejamos o que diz Emmanuel, no livro 'O Consolador', pág. 100, questão 161, quando lhe perguntam, o que é a arte: "A arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse 'mais além' que polariza as esperanças da alma.

O artista verdadeiro é sempre o 'médium' das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da terra para o infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor”.

E prosseguindo, ainda com o nobre mentor, na questão 162, quando lhe perguntam se todo artista pode ser um missionário de Deus, ele responde:

"Os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas cristalizações do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das idéias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos da atividade que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica. Sempre que a sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para considerar tão-somente a luz espiritual que vem do coração uníssono com o cérebro, nas realizações da vida, então o artista é um dos mais devotados missionários de Deus, porquanto saberá penetrar os corações na paz da meditação e do silêncio, alcançando o mais alto sentido da evolução de si mesmo e de seus irmãos em humanidade".

Como podemos observar, Emmanuel é bem esclarecedor, no que tange à importância da manifestação artística no mundo. Isso, de certa forma, reforça o conceito da grande utilidade da Arte Espírita, integrada nos Centros destinados ao estudo do Espiritismo. Para melhor 'ilustrarmos' isso, recorreremos, outra vez à obra citada, pág., 104, na seguinte questão:

"168 – Os espíritos desencarnados cuidam igualmente dos valores artísticos no plano invisível para os homens?

- Temos de convir que todas as expressões de arte na terra representam traços de espiritualidade, muitas vezes estranhos à vida do planeta. Através dessa realidade, podereis reconhecer que a arte, em qualquer de suas formas puras, constitui objeto da atenção carinhosa dos invisíveis, com possibilidades outras que o artista do mundo está muito longe de imaginar.

No além, é com o seu concurso que se reformam os sentimentos mais impiedosos, predispondo as entidades infelizes às experiências expiatórias e purificadoras. E é crescendo nos seus domínios de perfeição e de beleza que a alma evolve para Deus, enriquecendo-se nas suas sublimadas maravilhas".

Que o senhor da vida, nos abençoe a todos!

 


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