Materializações de Espíritos Ressuscitados


Carne e sangue não podem herdar o reino dos céus, nem a corrupção herdar a incorrupção (1 Coríntios 15,50). A ressurreição é, pois, do espírito (corpo glorioso), incorruptível. Daí Paulo afirmar que nos transformaremos. Abandonamos nossos corpos corruptíveis, como já o fazemos nas mortes deles em nossas vidas sucessivas, e a exemplo das crisálidas que largam seus casulos ao tornarem-se borboletas. E não é à toa que psique (alma) em grego significa também borboleta.

A ressurreição bíblica do espírito (1 Coríntios 15,44) colide com a da carne da Igreja, no Credo. Por isso, a Igreja transformou a sua em dogma. Mas a ressurreição é mesmo do espírito e na hora da morte, incluída a de Jesus: "Pai, em tuas mãos entrego meu espírito" (Lucas 23,46). A carne (cadáver) para nada serve (João 6,63). Esta tese é defendida também pelo maior teólogo católico atual, o espanhol André T. Queiruga ("Repensar a Ressurreição", Ed. Paulinas). E são Pedro confirma que a própria ressurreição de Jesus é do espírito: "Morto na carne, sim, ressuscitado em espírito" (1 Pedro 3,18). Porém Jesus ressuscitou (manifestou-se) dos mortos para os apóstolos apenas no terceiro dia.

E Jesus não ressuscitou pelo seu poder, mas pelo de Deus que habitava Nele e que, por habitar também em nós, ressuscitar-nos-á, igualmente (Romanos 8,11). E Deus dá aos espíritos desencarnados o poder de "vivificarem" temporariamente os seus corpos mortais através do fenômeno de materialização ou hectoplasmia (Romanos 8,11), usado por Jesus em suas aparições aos apóstolos. Nós encontramos também este fenômeno na Transfiguração com os espíritos de Moisés e Elias (Mateus 17,2), e com os dois espíritos que comem com Ló (Gênesis 19, 3).

Maria Madalena e uma outra Maria não encontram no sepulcro de Jesus senão um anjo materializado assentado na pedra removida (Mateus 28,2). No caminho, ao voltarem, Jesus lhes aparece (Mateus 28,9). Já para João havia no sepulcro de Jesus não um, mas dois anjos, e a primeira aparição Dele foi só para Maria Madalena (João 20, 14 a 16). E Jesus lhe pediu que não tocasse Nele, pois Ele lhe apareceu em espírito, que não é tateável (João 20,17). Já para Tomé, Jesus apareceu materializado, tateável (João 20,27), para mostrar-lhe que o espírito era de Jesus mesmo e não um fantasma ou um outro espírito qualquer!


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