A PSEUDO IMPUNIDADE



1. Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)

 

Nunca essa palavra, impunidade , foi tão falada e divulgada pela mídia em geral,como nos últimos anos quando assistimos o pulular, em todo o orbe, de diversas denúncias de crimes envolvendo autoridades, empresas e pessoas que, até então, se evadiam das responsabilidades pelos atos equivocados que praticaram.

Formou-se, então, uma aura negativa em torno do planeta, sobretudo em nosso País,no sentido de que o indivíduo tido por inteligente e esperto é o que "leva sempre vantagem", que é aquele que, utilizando meios imorais, consegue realizar seus quiméricos desejos materiais, praticando toda sorte de atos deploráveis.

Tais fatos, levados a público, geram, naturalmente, indignação e revolta por parte daqueles que são honestos e vivem, exclusivamente, do produto do trabalho honrado, causando, porém, nos irmãos em Cristo cujo caráter ainda está em formação, uma intenção, errada, de querer seguir os mesmos passos daqueles que, a qualquer custo, procuram a satisfação nas vantagens materiais.

No entanto,todos já sabemos que tudo no planeta Terra é relativo e que só DEUS, nosso Pai de Misericórdia, é absoluto, e que as leis dos homens são transitórias e as do Criador são imutáveis.

Tal assertiva deriva, para muitos, do entendimento adquirido pela fé raciocinada que nos é ofertada pela doutrina espírita, e para outros pela observação empírica da vida quando se constata que a imperfeição é generalizada.

Sendo o planeta Terra santo educandário, composto por seres ainda imperfeitos, não obstante todos sejam perfectíveis, resulta claro que as leis, e a justiça aplicada pelos homens, são imperfeitas permitindo, em muitas situações, a aparente impunidade do irmão em Cristo que faliu na reencarnação, praticando delitos.

Todavia, se esse é o pensamento da maioria, não pode ser daquele que se diz espírita, ou que, pelo menos ,conheça o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, Amado e Divino Mestre.

Com efeito, encontramos no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo V - BEM AVENTURADOS OS AFLITOS, no item 5, o seguinte trecho: A lei humana atinge certas faltas e as pune. Pode, então, o condenado reconhecer que sofre a conseqüência do que fez. Mas a lei não atinge, nem pode atingir todas as faltas; incide especialmente sobre as que trazem prejuízo â sociedade e não sobre as que só prejudicam os que as cometem. Deus, porém, quer que todas as suas criaturas progridam e, portanto, não deixa impune qualquer desvio do caminho reto. Não há falta alguma, por mais leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não acarrete forçosas e inevitáveis conseqüências, mais ou menos deploráveis. g.n. Daí se segue que, nas pequenas coisas, como nas grandes, o homem é sempre punido por aquilo em que pecou. Os sofrimentos que decorrem do pecado são-lhe uma advertência de que procedeu mal. Dão-lhe experiência, fazem-lhe sentir a diferença existente entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para, de futuro, evitar o que lhe originou uma fonte de amarguras; sem o que, motivo não haveria para que se emendasse. Confiante na impunidade, retardaria seu avanço e, conseqüentemente, a sua felicidade futura.

Esse trecho do Evangelho de Jesus Cristo deixa claro que qualquer falta do indivíduo terá a correspondente punição, já que todos estamos sujeitos à imutável lei de Justiça absoluta, que emana do Criador, sempre a dar a cada um segundo as suas obras.

No mesmo sentido é a ilação que encontramos em o Livro dos Espíritos, como se observa da resposta à pergunta 964 , a saber: 

964. Mas, será necessário que Deus atente em cada um dos nossos atos, para nos recompensar ou punir? Esses atos não são, na sua maioria, insignificantes para Ele?

"Deus tem Suas leis a regerem todas as vossas ações. Se as violais, vossa é a culpa.Indubitavelmente, quando um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento, dizendo-lhe, por exemplo: Foste guloso, vou punir-te. Ele traçou um limite; as enfermidades e muitas vezes a morte são a conseqüência dos excessos. Eis aí a punição; é o resultado da infração da lei. Assim em tudo." Todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as conseqüências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futuras. Esta verdade se torna evidente por meio do apólogo seguinte: "Um pai deu a seu filho educação e instrução, isto é, os meios de se guiar. Cede-lhe um campo para que o cultive e lhe diz: Aqui estão a regra que deves seguir e todos os instrumentos necessários a tornares fértil este campo e assegurares a tua existência. Dei-te a instrução, para compreenderes esta regra. Se a seguires, teu campo produzirá muito e te proporcionará o repouso na velhice. Se a desprezares, nada produzirá e morrerás de fome. Dito isso, deixa-o proceder livremente." Não é verdade que esse campo produzirá na razão dos cuidados que forem dispensados à sua cultura e que toda negligência redundará em prejuízo da colheita? Na velhice, portanto, o filho será ditoso, ou desgraçado, conforme haja seguido ou não a regra que seu pai lhe traçou. Deus ainda é mais previdente, pois que nos adverte, a cada instante, de que estamos fazendo bem ou mal. Envia-nos os Espíritos para nos inspirarem, porém não os escutamos. Há mais esta diferença: Deus faculta sempre ao homem, concedendo-lhe novas existências, recursos para reparar seus erros passados, enquanto ao filho de quem falamos, se empregou mal o seu tempo, nenhum recurso resta.

Dessa maneira, se é possível falar em impunidade quando se trata das leis transitórias dos homens, o mesmo não se pode dizer em relação às leis imutáveis de Justiça, Amor e Caridade que emanam de Deus, nosso Criador Misericordioso, já que Deus é infinito em Suas perfeições.

Com efeito, Jesus nos ensinou que: Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; - pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente. (S. LUCAS, cap. VIII, vv. 16 e 17.), indicando que nenhuma das faltas cometidas ficarão sem o conhecimento público e a correspondente punição, como decorrência natural do princípio de que somente se pode colher o que se plantou, já que impossível será a colheita de uvas em um espinheiro.

De outro vértice, não se pode dizer que a justiça de Deus, nosso Pai de Misericórdia, seja implacável , já que esse adjetivo também pode significar inflexibilidade ou incapacidade de perdoar, o que, a toda evidência, não se pode dizer do Criador que disse não pretender a morte do ímpio, mas sim a sua conversão (11 Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do [ímpio], mas sim em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que morrereis, ó casa de Israel?- Ezequiel 33:11).

Destarte, não nos iludamos pretendendo colher o bem se somente plantamos o mal, pois, se a semeadura é livre, a colheita é obrigatória. Não nos devemos esquecer, ainda, da advertência de Nosso Mestre Jesus que disse: Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. - Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil. (S. MATEUS, cap. V, vv. 25 e 26), demonstrando que a justiça de Deus é absoluta.

Portanto, devemos, através da fé raciocinada, obtida pelo Consolador Prometido por Jesus, Nosso Amado e Divino Mestre, que é a Doutrina Espírita, ter a certeza inquebrantável de que a Justiça Absoluta do Criador se realiza sobre tudo, e sobre todos, e que não bastará dizer Senhor! Senhor!para adentrarmos no céu, já que o Divino Mestre nos alertou que somente entrarão aqueles que fizerem a vontade do Pai, Deus de Misericórdia.

Que Jesus nos felicite a todos com a sua infinita PAZ.

César Luiz de Almeida .:
Grupo Espírita Fraternidade de Mogi das Cruzes.

 

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