DORES EM FAMÍLIA

Quando o desamor se aloja no seio familiar, invariavelmente, as dores se tornam superlativas, dilacerando os corações e provocando um acentuado desatino nas pessoas que se agridem fisicamente, ou, moralmente. De imediato, aflui ao pensamento idéias equivocadas de que são indébitas desconsiderações, sempre atribuídas ao outro, nunca a nós mesmos.

O passo seguinte, como decorrência dos pensamentos equivocados, traz o desejo intenso do afastamento do lar, com dores pungentes, pelas impensadas palavras que se lançaram mutuamente.

Nesse momento de dor, cada qual se acha mais agredido e mais injustiçado que o outro, fechando-se em pensamentos de revolta que fomentam, ainda mais, a discórdia e a desunião.

Surge, então, a fuga que nada mais é do que a deserção dos compromissos assumidos antes da reencarnação, compromissos derivados da consciência dos débitos contraídos com esses espíritos que retornam à mesma parentela física para perdoar os desatinos do passado.

Nem todos, porém, conseguem escapar do emaranhado tenebroso que construíram pela invigilância, caindo no precipício do desespero.

Entretanto, antes de permitirmos que a nau de nossas existências naufrague nesses mares de águas revoltas, devemos nos socorrer da Luz Divina que ilumina a todos, e que vem do nosso amado e Divino Mestre Jesus.

Ele, que é a verdade, o caminho e a vida, é o farol a nos guiar pelos mares tempestuosos de nossa vida, aclarando os caminhos a serem percorridos.

Nele encontraremos o refrigério para os nossos espíritos, dissipando as nuvens que toldam a visão obnubilada, desse viajor eterno de multifárias existências.

Jesus, o Cristo misericordioso, não dorme sobre suas promessas de que quem O procurasse obteria o alívio para as suas aflições, a força necessária para passar pelas provas com a resignação que advém da fé raciocinada. Da fé inquebrantável de que não há dores eternas, e que a Justiça de Deus é absoluta.

Sendo absoluta a Justiça do Criador, ninguém sofre sem que exista uma causa igualmente justa, derivada desta, ou das anteriores reencarnações, já que estamos todos estagiando neste santo educandário, que é o planeta terra, para aprender a viver como nos ensinou o Mestre da Vida, Jesus, ceifando o que já plantamos.

De outro vértice, quase sempre, aqueles que se unem na parentela física são credores uns dos outros e aceitaram o compromisso de aproveitar essa nova oportunidade, que nos é concedida pela Misericórdia do Criador, para apagar os erros do passado equivocado. Nesses embates familiares, as dores sempre são causticantes, fazendo o sangue correr estuante pelas veias e provocando desequilíbrios infindáveis.

Porém, não podemos olvidar da lição que nos é ofertada pelo Evangelho do Mestre e Salvador Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, de que o verdadeiro batismo seria o de fogo e não aquele que inicialmente realizou João Batista, pela água.

No verdadeiro batismo, que é o de fogo, devemos passar pelas provas e dores com a calma derivada da resignação que nada mais é que a aceitação pelo coração. Aceitação pelo coração que advém da fé raciocinada, daquela fé que nos permite conhecer as leis de causa e efeito, sabendo a causa das dores.

São dores que devem ser superadas pelo exercício sincero do amor, aliado à fé raciocinada, já que todos os dias plantamos, e todos os dias ceifamos, pois é da lei de Deus. Sendo assim, recebemos a medida exata do que dermos.

De outro lado, como pretender subir as escadas da evolução se não nos dispomos ao esforço necessário à subida, não se podendo olvidar do ensinamento do Iluminado Espírito EMMANUEL, de que toda evolução demanda esforço. Ora, o esforço para suportar as dores da desarmonia em família deve ser hercúleo, já que os sofrimentos são superlativos, atingindo o coração as mágoas lançadas pelos que amamos.

Mágoas e ressentimentos trazidos pelo espírito que, nas anteriores encarnações sofreu de nós mesmos as dores que hoje nos fazem suportar. Devemos lutar para não nos afastar dessa porta estreita de que nos falou Jesus : "Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão." - Jesus. (LUCAS, 13:24.)

Essa assertiva deriva, como já mencionado, da fé raciocinada que nos é proporcionada pela Doutrina Espírita, que é o Consolador Prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo para, realmente, consolar os irmãos de corações doridos para que plantem nas eiras dos corações a semente do perdão.

Do perdão sincero e incondicional, que extermina a erva daninha do egoísmo e da vaidade que, ainda, trazemos no solo do coração.

Portanto, ao filho ingrato que lança o punhal da revolta em nossos corações, devemos retribuir com o amor incondicional e verdadeiro para que ele, credor de nosso passado tenebroso, possa, igualmente, nos perdoar. À esposa exigente e rancorosa, como implacável credora a exigir reparo às dores que suportou, ministra o remédio infalível do amor, perdoando-a sinceramente para que o Pai Misericordioso nos perdoe.

Nesses momentos aflitivos, que quase provocam o extenuar de nossas boas intenções, devemos recorrer ao Divino Médico das Almas, Jesus Cristo, rogando forças para passar por essas duríssimas provas, exemplificando o Evangelho, sendo, como disse Jesus Cristo, a Luz do mundo.

Só Jesus poderá nos dar o alívio que prometeu, refrigerando nossas almas para continuarmos amando nossos irmãos que hoje integram a parentela física, para que um dia, quando do retorno à verdadeira pátria, que é a espiritual, possamos olhar para trás sem medo do que veremos, pois, essas dívidas estarão pagas, não restando mais dores, apenas a luz do amor que dispensamos iluminando a todos, principalmente o nosso caminho.

Que o Cristo Redentor nos felicite a todos com a Sua infinita Paz.

César Luiz de Almeida

Grupo Espírita Fraternidade de Mogi das Cruzes.

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