EVANGELHO - FALAR E NÃO FAZER

O sincero aprendiz ao discipulado de Jesus Cristo, vez por outra, é atormentado por dúvidas quanto ao prosseguir no trabalho de divulgação da Doutrina Espírita, que é o Consolador prometido pelo Divino Mestre.

Não raro às vezes, o neófito da seara espírita se sente inseguro em continuar a disseminar os ensinamentos do Evangelho, esclarecendo os irmãos em cristo, em espírito e verdade, já que na vida cotidiana encontra grande dificuldade em aplicar esses ensinamentos.

Com o pensamento enleado nessa dúvida indaga de si mesmo, em verdadeiro solilóquio, como continuar esse trabalho de divulgação do Evangelho de Jesus, quando sente a sua alma impregnada de vícios, defeitos e más tendências, tudo o que foi adquirido no passado tenebroso em multifárias reencarnações equivocadas.

Essa dubiedade, entretanto, é normal quando o verdadeiro aprendiz tem o sincero desejo de se reformar intimamente, diante dos preceitos morais advindos do Evangelho. Digo normal, porque ninguém que se encontre neste planeta de provas e expiação atingiu, ainda, a perfeição, e se encontram neste orbe justamente para, através das provas e obstáculos diários, promover a sua reforma íntima.

Porém, não deve o autêntico aprendiz de discípulo do Cristo se deixar dominar por essas dúvidas que, também, são obras dos espíritos trevosos que insistem em acossar aquele que deseja caminhar para Luz.

Não podemos olvidar, ainda, do que disse o Nosso Senhor Jesus Cristo de que quem quisesse seguir os seus passos deveria renunciar a si mesmo, pegar a sua cruz e seguí-lo.

Assim ocorreu com os discípulos da primeira hora que não encontraram qualquer facilidade, ou conforto, nos trabalhos de divulgação dos ensinamentos do Mestre Jesus. Ao contrário, todos sofreram toda sorte de acossamento com dores, morais e físicas.

A esse respeito, encontramos a orientação do Iluminado Espírito de Joanna de Angelis, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, que esclarece: São ainda características da natureza humana a dubiedade, como também a dicotomia entre a palavra e a ação, o ensinamento e a conduta, o que vem dificultando o progresso de cada qual e da humanidade em geral. (Espírito Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco - Livro "Fonte de Luz).

Ora, ter a humildade de se reconhecer, ainda, imperfeito não é, entretanto, se acomodar com a inócua divulgação do Evangelho somente pela palavra, pois, a propagação dos ensinamentos de Jesus pelos atos vale mais que muitas palavras.

A propósito, ainda, é bom lembrar da lição que foi ofertada pelo Caridoso Espírito Emmanuel, através do Francisco Cândido Xavier, onde relata que um conhecido ator de teatro, que havia recentemente ingressado para a Doutrina Espírita e estava realizando palestras num centro espírita e andava em grande conflito, pois, não conseguia praticar o que ensinava e que, por isso, pensava em abandonar os comentários evangélicos. Procurou o Chico Xavier relatando sobre esse problema. O Chico Xavier lhe respondeu que Emmanuel mandava perguntar se ele havia plantado o feijão que comeu. Ao responder que não, Emmanuel lhe disse: Então, continue comentando o Evangelho, pois, alguém haverá de alimentar-se de suas palavras.

Portanto, devemos continuar a luta diária e constante, com sincera vontade para a obtenção da nossa reforma íntima, prosseguindo no trabalho de divulgação do Evangelho de Jesus Cristo, Nosso Amado e Divino Mestre, interpretando o Evangelho em espírito e verdade, desapegando da letra que mata, atento ao espírito que vivifica.

Devemos nos lembrar, também, da orientação de Jesus Cristo que disse: "VIGIAI E ORAI, PARA NÃO CAIRDES EM TENTAÇÃO", pois sabia o Divino Mestre da superlativa imperfeição dos espíritos que jornadeiam pelo orbe terrestre.

Prossigamos, pois, Irmãos em Cristo, o importante trabalho dos comentários evangélicos, atentos que mais vale chorar sob o aguilhão da resistência, que sorrir sob o narcótico da queda.

Que Jesus Cristo nos felicite a todos com a sua Paz infinita.

 

César Luiz de Almeida – Um irmão em Cristo.

Grupo Espírita Fraternidade de Mogi das Cruzes.

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