A ESTRADA DE JESUS CRISTO

 

 

Todos os que têm a sincera intenção de trilhar os passos de nosso amado e divino Mestre, Jesus Cristo, passam a enxergar com olhos de ver, não mais ignorando as leis de Justiça, Amor e Caridade que emanam de Deus, nosso Pai misericordioso, sentindo-se, o viandeiro, fortalecido para arrostar, com serenidade de espírito, todas as dificuldades que apareçam, tendo a certeza inquebrantável de que se faz guiar pela Luz de Jesus.

 

Percebem, de início, que essa estrada, que é o único caminho que leva até ao Criador, apresenta trechos íngremes, ora com cascalhos e pedras, ora com grandes báratros, exigindo do viajor toda a vigilância que nos recomendou Jesus, ao dizer: Orai e Vigiai. Vigiai, para não cairdes em tentação. Nesses momentos, sentirá o viajante que suas forças se esvaem passando a cogitar da desistência, como querendo desertar dos compromissos assumidos perante o Criador, que nos fez para a vitória, e não para a derrota.

 

Em compensação, ultrapassados esses obstáculos o peregrino passa a se extasiar pelas alegrias incalculáveis que passam a integrar seu coração. Fica esse viandante enlevado das belezas que só aquele que trilhou esse doce caminho pode descrever.

 

Contudo, nos trechos mais difíceis alguns viajores menos vigilantes sucumbem diante do maior inimigo que encontra nessa via, e que são eles próprios e que, muitas vezes, trazem ainda consigo os defeitos morais e vícios que foram adquiridos no passado tenebroso.

 

Esse, sim, é o maior obstáculo que o viajor encontra e que terá, mais cedo, ou mais tarde, que enfrentar, para que possa continuar a sua viagem, já que deste educandário, que é o planeta Terra, não sairá enquanto não tiver pago o último ceitil (S. MATEUS, cap. V, vv. 25 e 26.). Deverá, assim, derrotar o velho homem que ainda habita em seu coração, onde o orgulho, o egoísmo e a descaridade permanecem, tranqüilamente, incrustados no espírito,e que pela influência da carne se tornam exacerbados.

 

Assim, o viajante passa a constatar que não basta conhecer o caminho da Verdade, se não se dispuser à correção de rumo, já que em retorno à espiritualidade nada ficará oculto, onde nos apresentaremos como realmente ainda somos.

 

De volta à verdadeira pátria, que é a espiritual, o viajor verá que não poderá utilizar de subterfúgio para aparentar o que, de fato, ainda não é. Não haverá dissimulação, não conseguindo o egresso da carne fingir, disfarçando o seu coração enodoado de orgulho, egoísmo, maledicência e tantos outros defeitos, e vícios morais.

 

A propósito, não podemos olvidar do alerta feito por nosso Divino Mestre ao dizer que nem todos os que dizem Senhor, Senhor, entrarão no reino dos céus , mas somente aqueles que fizerem a vontade do Pai, demonstrando que não bastará ter o evangelho nos lábios, se o coração não estiver impregnado desses princípios morais. É necessária a longanimidade, ou seja, a virtude de suportar as contrariedades em benefício de outrem.

 

O Iluminado Espírito de Antonio Luiz Sayão, em Elucidações Evangélicas, esclarece que: "Não esqueçamos, porém, que, principalmente, da pureza da nossa consciência é que depende a intensidade da luz que tudo nos clareará, por isso que dessa pureza é que depende o sermos bons Espíritos e, conseguintemente, assistidos, inspirados, protegidos e guiados no conhecimento da verdade, como são os Espíritos bons." Sic (g.n.)

 

De outro vértice, já nos ensinou Allan Kardec que o pensamento é tudo, e a forma não é nada, quanto às comunicações com os irmãos desencarnados, evidenciando que no plano espiritual um pensamento inferior será escutado por todos os espíritos de luz que verão, sem qualquer esforço, todos os vícios e defeitos morais que estiverem escondidos nos escaninhos de nossos espíritos.

 

Portanto, nessa abençoada estrada de Jesus temos muito que burilar em nossos espíritos, promovendo diariamente a nossa reforma íntima fiscalizando, de início, os pensamentos, em seguida as palavras e, por último, os nossos atos.

 

Os pensamentos, palavras e atos devem ser reflexos de nosso esclarecimento do evangelho de Jesus, que como Mestre da Vida, legou à humanidade o único Código Moral capaz de promover, através da fé raciocinada advinda com a Doutrina Espírita, reformas no velho espírito, limpando-o das máculas adquiridas em sucessivas, e equivocadas, reencarnações.

 

Não podemos esquecer, ainda, que o Divino Mestre Jesus disse: Vós sois a luz do mundo (Mateus, 5:14), o que, de igual forma, implica dizer que, em nossa caminhada pelas veredas do Cristo, devemos iluminar o mundo,com o nosso exemplo, para que a nossa luz brilhe, iluminando os nossos passos, e de outros irmãos, sem qualquer simulação.

 

Disse-nos o Mestre Jesus : Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa. (S.MATEUS, cap. V, v.15.), evidenciando que o Santo Evangelho, através de nossos exemplos, se constituirá no farol a iluminar nossas existências, facilitando o nosso caminhar.

 

Em verdade, para conseguirmos trilhar a estrada de Jesus devemos envidar todos os esforços para entrarmos pela porta estreita, porquanto larga é a porta da perdição. Nesse aspecto, é oportuno relembrarmos a lição que nos é ofertada pelo Espírito de uma mulher que foi rainha na terra, cuja mensagem encontramos no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo II – Meu reino não é deste mundo –, guardando esse ensinamento em nossos corações.

 

Essa Rainha disse: Oh! Jesus, tu o disseste, teu reino não é deste mundo, porque é preciso sofrer para chegar ao céu, de onde os degraus de um trono a ninguém aproximam.A ele só conduzem as veredas mais penosas da vida. Procurai-lhe, pois, o caminho, através das urzes e dos espinhos, não por entre as flores. Correm os homens por alcançar os bens terrestres, como se os houvessem de guardar para sempre. Aqui, porém, todas as ilusões se somem. Cedo se apercebem eles de que apenas apanharam uma sombra e desprezaram os únicos bens reais e duradouros, os únicos que lhes aproveitam na morada celeste, os únicos que lhes podem facultar acesso a esta. Compadecei-vos dos que não ganharam o reino dos céus; ajudai-os com as vossas preces, porquanto a prece aproxima do Altíssimo o homem; é o traço de união entre o céu e a Terra: não o esqueçais. - Uma Rainha de França. (Havre, 1863.)

 

Confirmamos, assim, que para seguir os passos de nosso amado e divino Mestre, Jesus, o Filho do Deus vivo, prescinde-se de títulos e poderes terrenos, nem de nada que seja transitório, mas, somente, da vontade sincera de seguir o Mestre, relembrando as palavras de Emmanuel, de que se ainda não nos santificamos, porém, já nos matriculamos na escola do bem.

 

Que Jesus Cristo, Mestre e Salvador, nos felicite a todos com a sua infinita PAZ.

 

César Luiz de Almeida

 

Grupo Espírita Fraternidade de Mogi das Cruzes.

 

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