O que estamos esperando?

 

Quando é que se inicia a missão dos espíritas? Ela começou no exato momento em que a Doutrina Espírita entrou em nossas vidas. E isso só acontece quando estamos prontos, aptos, habilitados, para recebê-la, entendê-la e aplicá-la!

E o que isso significa? Que nós somos privilegiados por termos em mãos um roteiro minucioso e seguro que nos traça um itinerário perfeito, que nos possibilita cruzarmos sem maiores tropeços, a nossa efêmera estrada no querido planetinha Terra, para darmos mais um passo em direção ao Pai.

Mas não podemos esquecer as sábias advertências: “A quem muito é dado, muito será cobrado” e “Daí de graça o que de graça recebestes.” A última hora é chegada e nós somos trabalhadores da última hora. Portanto agora, mais do que nunca, temos que ter em mente a imagem ímpar do mestre Jesus. Ele é o nosso parâmetro e é nele que devemos focar nossas mais nobres intenções.

Alguns historiadores, com o objetivo de criar uma névoa sobre o brilho intenso das verdades ditas por Jesus, afirmam que alguns pensadores que antecederam ao Cristo, já diziam verdades semelhantes às do Mestre. E é mesmo verdade. Buda, Confúcio, Krishna, Sócrates, Platão, etc., foram precursores do Espiritismo.

Mas há enormes diferenças e as mais importantes, entre os pensadores e Jesus, são duas: Jesus disse tudo o que todos eles disseram individualmente e a mais importante: o Mestre foi a personificação, o modelo mais perfeito das suas próprias palavras! Ele ensinava o que praticava!

Assim, não vacilemos e tomemos o mestre como nosso modelo, como o objetivo a ser alcançado. Agindo dessa forma, estaremos cumprindo a nossa missão de espíritas. Ou temos medo de assumir o que pretendemos ser? Eu falo medo, porque na Terra, tudo ou quase tudo parece girar em torno da coragem...

Quantas e quantas vezes temos medo e falta-nos:

- coragem para enfrentar as críticas dos homens;

- coragem para pregar que é através das reencarnações sucessivas que o espírito se eleva, dependendo de como estamos cumprindo as nossas missões;

- coragem para sacrificar nossos maus hábitos e futilidades;

- coragem para mostrar pelo exemplo, o desinteresse ao avarento, a abstinência ao dissoluto e a mansidão ao tirano doméstico;

- coragem para sufocar dentro do nosso peito, o orgulho e o egoísmo, os cânceres morais da humanidade;

- coragem para regar com o nosso suor e com as nossas lágrimas, o solo estéril onde só germina e cresce o culto ao bezerro de ouro;

- coragem para perdoar aos que nos agridem, mesmo que sejamos chamados de covardes pelos homens;

- coragem para com um único gesto de amor, fazer surgir nos olhos do ancião, o brilho da infância, querendo viver; e nos olhos da criança, o brilho da maturidade, querendo aprender;

- coragem para declarar que Deus nosso Pai, o Criador Incriado, não está em um trono dourado a nos observar e anotar o que fazemos de certo ou de errado. Não!

Se observarmos direitinho, veremos que Deus está:

- dentro de cada um de nós;

- no choramingar tímido da criança;

- na insciência rebelde do homem;

- no marulhar sereno do oceano;

- no balançar suave da palmeira;

- na indolência da folha que cai;

- no murmúrio suave do vento;

- no troar terrível da tempestade;

- na queda brusca da cascata;

- nos pingos cadenciados da chuva fina;

- no rugir forte das feras;

- no canto mavioso dos pássaros e

- na maravilha crepuscular que extasia!

Deus, meus irmãos, está em tudo, porque Ele é o Tudo!

E nós, Suas criaturas, que século após século caminham para Ele, queremos nos aproximar mais rapidamente? Então tratemos de efetivar a nossa reforma íntima!

Se nos sentirmos fracos, vacilantes e incapazes, lembremo-nos que aos cristãos de outrora, o preço pela sua fé era a morte no circo humano e hoje, o preço que nos é cobrado é apenas amor ao Pai acima de tudo e ao nosso próximo como a nós mesmos!

O que estamos esperando?

 

Agnaldo Cardoso