Equilíbrio na Família

Para construir o equilíbrio na família, indispensável buscarmos a luz do Evangelho, que ilumina os corações, pacifica as mentes, harmoniza personalidades diferentes.

Jesus nos afirma — ao final do Sermão do Monte — que todo aquele que ouve e pratica Suas palavras será comparado ao homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. (Mateus, 7:24).

Os lares formam cidadãos para o mundo. Aprimorar aqueles é a melhor forma de aperfeiçoá-lo. Neio Lúcio (Espírito), no livro “Jesus no Lar”, diz, no Capítulo I, intitulado  O culto cristão no lar:

“... como esperar uma comunidade segura e tranqüila sem que o lar se aperfeiçoe? A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?”

Rui Barbosa, referindo-se à família, em discurso pronunciado no Colégio Anchieta, em 1903, demonstrava que a responsabilidade dos pais transcende as paredes do lar, afirmando:

“A Pátria é a família amplificada. E a família, divinamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício.”

Ilustrando a importância da nossa conversão ao Evangelho, em Atos dos Apóstolos (16:31), Paulo e Silas recomendaram ao próprio carcereiro: “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa.”

Muitos querem uniformizar os membros da família, e buscam impor-se aos demais, para que pensem por sua cabeça. Não vêem que cada qual é um universo à parte, com valores, experiências e sonhos distintos.

Isto não acontece com o verdadeiro discípulo de Jesus, porque, assimilando as lições do Evangelho, transforma-se, amparando e modificando, pelos exemplos, os demais, à sua volta. Aceita-os como são. Aprende a ver beleza na pluralidade de caracteres que compõem sua família. Pois no contraste está o encanto. “Um jardim é mais belo quando há flores variadas. A visão do deserto, sem o oásis, é cansativa.”

Assim, o lar e seus componentes. E isso depende apenas de nos educarmos, renovando hábitos, adotando postura criativa, fraterna. Quando há essa compreensão, os integrantes desse lar ajudam-se uns aos outros, estimulando o crescimento de todos, para que os valores existentes em potencial se desenvolvam e frutifiquem, contribuindo não só para a própria evolução, mas para a do grupo e a da comunidade.

Sofremos mais pela carga de aflição que adicionamos aos problemas do que pelos sofrimentos que eles trazem por si mesmos. Reagimos com desequilíbrio. Devemos agir com serenidade, sem perder a calma e sem agredir aqueles que estão próximos a nós.

Epicuro (341-270 a.C.), filósofo grego, afirmava:

“Os grandes navegadores devem sua ótima reputação às grandes tempestades.” 

É também no lar onde devemos aprender a observar não só as leis humanas, em geral, mas as Leis de Deus. É no lar que se forma o caráter do cidadão. É ali que se dá sua formação moral. Essa é a verdadeira educação que vem do berço, através não só das palavras, mas dos exemplos. Essa é a maior responsabilidade da família.

Para construir um lar cristão, não devemos nos preocupar somente com o pão material, destinado ao corpo que um dia morrerá, mas sobretudo com o pão espiritual, que alimenta o Espírito imortal: a Fé, a Oração, a Esperança, o Amor, a Fraternidade. Judiciosamente nos ensinava Jesus (Mateus, 6:33) “(...) buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”

Para manter o equilíbrio na família, devemos compreender que o respeito não se impõe: é conquista. E deve ser recíproco. Desenvolver o diálogo, estimulando a compreensão; o amor à oração e ao Evangelho no lar; este último não só estudado, mas vivido, é a forma adequada de se construir a harmonia nos corações.

Em “O Livro dos Espíritos”, lemos na resposta à questão 695 que o casamento... “é um progresso na marcha da humanidade.” Devemos encará-lo, pois, com a responsabilidade e o amor indispensáveis a torná-lo a mais bela experiência de nossas vidas!