Encarando a Doença

Quando nos deparamos com alguma doença, vivenciamos uma série de sentimentos. A depender da gravidade vemos em prova a nossa fé, a nossa crença, o nosso amor próprio. A medicina a todo instante dá grandes passos, buscando o bem estar dos pacientes, tendo como objetivo prioritário a cura das doenças. Porém, muitas vezes senti-mo-nos desamparados, desprevenidos, faltando-nos algo, e inúmeras vezes vemos frustrados nosso desejo de cura.

A doença em si é um complexo, indo além de sinais e sintomas. O doente precisa ser encarado como um todo, não devendo ser individualizado como um sintoma. Assim eis que surge uma pergunta; o que leva o ser humano a ficar doente? A medicina oriental, a homeopatia e mesmo a medicina convencional têm compreendido que há algo mais. Adoecemos por desequilíbrio, este, desencadeado por erros alimentares, estresse, vícios, fatores ambientais, genética, herança espiritual, entre muitos outros. Sabemos, atualmente, que a maioria das patologias são consideradas psicossomáticas. Psicossomática, em síntese, é uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, a prática de uma Medicina integral1. O que fazer então?

Ao estudarmos a doutrina espírita encontramos muitas respostas. Compreendemos quão importante é o equilíbrio entre o corpo e o espírito. Somos vulneráveis a inúmeros assédios, perseguições, obsessões, favorecendo assim o surgimento de doenças ou o seu agravamento. Precisamos estar atentos, a fim de não nos descuidarmos. O Mestre nos ensinou sobre a importância de vigiarmos nossos pensamentos. Sabemos que muitas doenças e defeitos na nossa formação fazem parte de uma programação, como objetivo evolucional. Contudo, essa programação pode ser modificada, podendo ser abreviada ou mesmo amenizada. Nada é definitivo. Assim, é fundamental mantermo-nos no prumo, sem estresse, vícios, ou coisas sem importância para nossa intimidade.

O homem e seu perispírito integram-se, influenciam-se e podem ser influenciados pelo meio, pelos sentimentos, pensamentos e atos. Assim nos tornamos vulneráveis, ou não. Tudo depende de quanta atenção depositamos nessa relação. Na teoria tudo parece simples, no entanto, sabemos que não é. Porém, esse entendimento facilita muito a nossa convivência com a doença e a busca da cura.
Estejamos atentos, as nossas atitudes, para não sermos influenciados ou mesmo influenciar negativamente, ou ainda pior, termos nosso livre arbítrio paralisado2, aumentando assim a gravidade de doenças. Kardec afirmou que quando a medicina atentar para os elementos espirituais, ela será capaz de realizar diagnósticos mais precisos e combater de forma mais eficaz as moléstias.

A capacidade de curar ou curar-se se distingue pela elevação moral, pela capacidade de doar-se caridosa e humildemente a todos. A sintonização do perispírito desta forma permite a aproximação de espíritos elevados, facilitando assim a ação dos bons fluídos. Segundo os amigos espirituais e a compreensão de Kardec; Deus confere a cura aos homens de fé2, como compensação pela confiança depositada nele.

Nós médicos não somos melhores que ninguém, estamos aqui, todos em condições semelhantes, submetidos à provas e expiações, colhendo aquilo que plantamos, vivenciando uma ação de uma reação passada. Assim, nos curvemos frente a tantas lições de amor e desapego. Estudemos, sobretudo com olhos e postura de humildade, a fim de buscamos respostas. Quando não a tivermos peçamos auxílio. Tantas vezes André Luiz e seus amigos têm nos mostrado a complexidade de nossos corpos, o amor e a dedicação que a espiritualidade dedica a sua conformação, objetivando o nosso aprimoramento. Têm nos revelado o por quê de tantos distúrbios orgânicos e psicológicos. Oremos, sobretudo em nossa intimidade, orientando assim o nosso pensamento para o Mestre, para nossos amigos espirituais, a fim de termos nossas mãos e mentes guiados para o aprimoramento, para a cura, pelo bem estar dos nossos pacientes.

Biografia:
1. MELO FILHO, Júlio e col. Psicossomática hoje, 1ª ed., Porto Alegre/RS, Artes Medicas I; 19, 1992.
2 KARDEC, Allan. Obras Póstumas, 35ª ed., Rio de Janeiro, FEB, 2005.


Jefferson Kleber Forti - Belo Horizonte


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