Estão Distorcendo...

 

 

O mínimo que se espera dos que se propõem a dirigir uma Casa Espírita, como também dos dirigentes de grupos, é que tenham o conhecimento básico da Doutrina Espírita, alicerçado nas Obras de Allan Kardec!

 

Entretanto, é comum encontrarmos Instituições que não mantém o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita e quando mantém, seus dirigentes não participam. Seja por comodismo ou por julgarem não mais precisar, porque já sabem o suficiente ou até demais!

 

Assim, em algumas Casas Espíritas, com a flagrante falta de conhecimento de alguns dirigentes, onde em princípio predomina apenas o mediunismo e o personalismo, surgem práticas absolutamente contrárias à coerência doutrinária.

 

 Mas quais seriam essas práticas? Principalmente nas reuniões públicas? É até difícil de acreditar, mas vejam:

 

           - Para se fazer uma prece, as luzes precisam estar apagadas e o precista em pé!

          - Ficamos em dúvida de que o “silêncio seja uma prece”! Deveria ser! E em alguns casos até é, mas o comum, é que enquanto a boca cala, a mente passeia de forma vertiginosa entre a crítica, a vaidade, inveja, curiosidade, etc.;

          - O mesmo silêncio que propicia um bom cochilo e possibilita que trabalhadores caras de pau que ao serem acordados porque roncavam e a saliva lhes escorria pelo canto das bocas, afirmam sem qualquer constrangimento:

          - Estava desdobrado,  e essa saliva é doação de ectoplasma!         

          - Os ventiladores devem estar desligados para não dispersar fluidos;

          - As garrafas de água, têm que estar destampadas para poder haver a fluidificação;

            - Nas reuniões mediúnicas, as portas têm que estar fechadas para os espíritos não fugirem;

          - Gente demais à mesa no salão de palestra;

          - Pessoas chamadas para dirigir ou fazer as preces, sem o devido preparo;

          - Exórdios intermináveis que prejudicam o tempo de palestra;

- Dirigente da reunião recomendando que a platéia não cruze os braços, para poder receber os efeitos positivos da prece;

                - Preces tão longas, que mais parecem uma doutrinação;

          - Antes da prece, o dirigente manda que as pessoas dêem as mãos como sinal de união;

- Dirigente da reunião pede palmas para Jesus! Outros mais entusiasmados, ainda gritam: Viva Jesus!

- E pasmem! Recomendação para que durante a prece, as pessoas fiquem com um olho fechado e outro aberto! Caso contrário, como praticar o “orar e vigiar”? Ou seja o olho fechado, ora! O olho aberto, vigia!

Alguns de vocês podem estar pensando:

É proibido fazer prece em pé? Qual o problema das luzes apagadas? Qual o mal em nos darmos as mãos e batermos palmas para Jesus?

O erro está em achar que a prece só será válida se for com o ambiente na penumbra e o precista em pé.

Dar as mãos é desnecessário. Primeiro porque fazendo assim, embora não se esteja cometendo nenhum erro, não deixamos de dar margem a comentários do tipo: estão copiando a igreja católica! E não se caracteriza a união de um grupo, pelo simples pegar nas mãos.

A união se caracteriza pela coesão de princípios, unicidade de propósitos, sentido de cooperação mútua e, principalmente, ausência de inveja, melindres e fofocas! E não pelo fato de um grupo dar-se as mãos.

Jesus não precisa nem deseja as nossas “palmas” e os nossos “vivas”. Ele anseia que tenhamos mais atitudes, principalmente em relação aos nossos irmãos. O que ele mais espera de nós, é o “amai a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”!

Já que os modernistas de plantão pensam tanto em mudar alguma coisa, que tal o dirigente, após a prece, o exórdio e a apresentação do palestrante, deixar a tribuna?

O que se ganharia com isso? Atenção ao palestrante! Os precistas já estariam sentados entre a assistência, e de lá mesmo fariam a prece e o dirigente só retornaria à mesa, após o expositor encerrar a sua apresentação.

É só prestarmos atenção que vamos encontrar dirigentes e precistas que ficam o tempo todo a balançar a cabeça em sinal de concordância, com tudo o que é dito pelo palestrante. E nesse menear de cabeça, ficam desviando a atenção do público.

E sabem o pior? É quando de forma totalmente deseducada, dirigente e precistas ficam a cochichar em plena exposição, tirando a atenção do expositor e do público, que deveria estar voltada totalmente para a pessoa e palavras do palestrante.

Assim, estaríamos corrigindo algumas distorções, sem entrar em choque com a Doutrina Espírita. Mas tudo isso só é possível, quando a Doutrina é estudada na sua essência e colocada em prática na sua pureza, evitando assim que se faça dentro dos Centros, o que der na telha de certos dirigentes, apenas pelo fato de serem dirigentes.

Espíritas! Cuidado com as invenções! Cuidado com os modismos e achismos! A manutenção inteligente da pureza doutrinária, é uma missão indelegável de todo espírita!

                                                         

 Agnaldo Cardoso