DISCÍPULOS DE JESUS

 

 

 

        “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

       Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.”1 Jo 13:34, 35.

  O Amor é a essência da  Doutrina de Jesus. Recomenda-nos, sobretudo, sua vivência, traduzida nos atos, palavras e pensamentos de todos os instantes.

Depreende-se dos versículos que seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor recíproco! João Evangelista — o discípulo amado — dá-nos a razão dessa concepção, ao definir que “(...) Deus é Amor.”1 (1 Jo 4:8) E segundo a definição dada por um Espírito a Kardec, Jesus era médium de Deus!2

  Meditando sobre os dois mil anos que se passaram desde Sua vinda até nós; sobre os acontecimentos que presidiram e presidem às ações humanas, concluímos que nem mesmo os chamados “religiosos” assimilamos ainda o verdadeiro espírito da sublime lição do Amor.

  Se a houvéssemos compreendido, não teríamos atrasado nossa evolução pelos mil anos da Idade Média. A História não registraria a existência das Cruzadas, da “Santa” Inquisição e da “Noite de São Bartolomeu”, para ficarmos em movimentos originados, entre outras razões, na “fé cristã”; para não falar das outras guerras, antigas ou modernas, em que as atrocidades ultrapassaram os limites do verossímil, em sociedades ditas cristãs, ou tendo como causa disputas “cristãs”. É claro que interesses econômicos são, em essência, a razão maior de todas elas. E os homens sofismam, enganando-se a si mesmos, apresentando a Fé Cristã como a razão de suas lutas.

Nem existiriam as divisões religiosas dos chamados “cristãos” dos dias que correm; nem seus ataques recíprocos.

Ou seja: ainda não revelamos, passados dois mil anos, o mútuo amor que nos identificará como verdadeiros discípulos do Mestre Incomparável!

Vamos além: a tolerância, a benevolência e a indulgência estariam presentes, se não para com terceiros, pelo menos entre nós, os espíritas, reciprocamente. Apesar da limitação, já seria um progresso.

Mas nem mesmo nós, com a Luz da Terceira Revelação, vivenciamos a máxima lição do Amor. O que revela que também esta não foi compreendida por nós. Que não passa de nossos lábios e ainda não chegou aos nossos corações!

Se não nos amamos, que notícias damos do Cristo, de Sua Doutrina, plena de Amor?

Se não nos amamos entre nós, se não nos respeitamos uns aos outros, como iremos amar os demais, indistintamente? Como convertê-los ao Evangelho, se revelamos que ainda não fomos convertidos ao seu verdadeiro Espírito?

Na questão 886 de “O Livro dos Espíritos”3, respondendo à indagação de Allan Kardec sobre “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?”, os Espíritos revelaram:

  “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Ao participar, recentemente, de reunião ecumênica, onde estavam presentes católicos, umbandistas, messiânicos, integrantes da LBV e espíritas, ouvimos, acertadamente, a nosso ver, que os pontos que nos aproximam são em maior número do que o daqueles em que divergimos; e que podemos “ser diferentes, mas não indiferentes.”

Um companheiro católico afirmou que ali se encontrava por sentir que a convivência ecumênica se impõe a partir da família, cujos integrantes professam a fé através de múltiplos cultos.

Se na família essa é a realidade, por que não estendê-la à comunidade? Por que não nos revelarmos uns aos outros e a todos que somos verdadeiros discípulos do Divino Mestre?

Aludindo à intolerância e às acusações de áreas “neo-evangélicas”, indicou que o silêncio é a resposta adotada. E disse, sinceramente que não sabia  mais o que poderia ser feito. Aliás, essa foi a postura de Jesus, diante de Pilatos — a do silêncio.

Outro integrante da reunião sugeriu que orássemos uns pelos outros, sobretudo para aqueles mais intolerantes, buscando o poder pacificador e transformador da prece, atendendo à recomendação do Divino Mestre, e que orássemos para aqueles que não nos compreendem. Enfatizou, ainda, a necessidade das campanhas, entre todos os cultos, pela oração em família, que é o medicamento mais eficaz, num mundo excepcionalmente enfermo.

  Jesus, o Bom Pastor, referindo-se a nós, suas ovelhas, afirma que “(...) elas [as ovelhas} ouvirão a minha voz; então haverá um rebanho e um pastor.”1 Jo 10-16.

  Unamos nossos esforços; trabalhemos juntos, para contribuir com a chegada desse tempo, em que “(...) haverá um rebanho e um pastor.”

  Se queremos, pois, ser verdadeiros discípulos do Divino Mestre, ouçamos a Sua voz, amando-nos uns aos outros, com mútua benevolência. Só assim nos identificaremos realmente como Seus discípulos e aprendizes de Seu Evangelho de luz!

E a Terra transformar-se-á em bela Oficina de Paz, de Trabalho, de Fraternidade, de Progresso Espiritual, favorecendo nossa Evolução e a conseqüente pacificação de nossas almas inquietas!          Mar/98.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1. Bíblia Sagrada, trad. de João Ferreira de Almeida, Soc. Bíblica do Brasil, Brasília (DF), 1969;

2. KARDEC, Allan. A Gênese 34 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991. 423p. p. 311;

3.KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. 494p. p. 407: Q.  886.

Publicado na edição de abr/99 da Revista “Reformador”.