Dar nó em pingo D'água


Agradeço ao Sr. Rosário Américo de Resende as considerações na coluna "Dos Leitores", de O TEMPO de 5-5-2006, "Sepulcro vazio", sobre a minha coluna "Materializações de espíritos ressuscitados".

A respeito da tese do maior teólogo católico da atualidade, o espanhol André T. Queiruga, autor de "Repensar a Ressurreição", Ed. Paulinas, de que a ressurreição é do espírito (Mateus 27,50 e 1 Coríntios 15,44), as aparições de mortos no momento da morte e ressurreição de Jesus (Mateus 27, 52) são também fenômenos de materializações de espíritos ou de vidência por parte de alguns médiuns. Se essas aparições  fossem mesmo com os próprios corpos dos indivíduos mortos, os evangelistas jamais deixariam de dar mais ênfase ao fato de os corpos estarem vivos do que ao fato de os mortos terem simplesmente aparecido! Esses fenômenos de aparições de mortos são universais, como o comprova o Ph.D. em física quântica da Universidade de Oregon, Amit Goswami ("A Física da Alma - A Explicação Científica para a Reencarnação, a Imortalidade e Experiências de Quase Morte", Ed. Aleph, São Paulo, 2005). E sobre o morto ressuscitado, ao ser lançado na cova de Eliseu, estaria ele mesmo morto?  (2 Reis 13,21). Se se lançar um cadáver no sepulcro de Jesus, esse cadáver reviveria?

Vivemos hoje numa época em que as pessoas estão mais evoluídas, mais filósofas e, portanto, elas querem ver o preto no branco. Que se cuidem, portanto, os políticos e os líderes religiosos (que não é o caso do Sr. Rosário), já que não cola mais um político ficar dizendo "não sei de nada" e nem um líder religioso pregar doutrinas ambíguas imaginadas por teólogos do passado, tentando justificá-las dizendo que se trata de mistérios de Deus, pois o Mestre, ao afirmar que tinha ainda muitas coisas a dizer aos seus discípulos, mas que não o fazia porque eles não estavam preparados para tal, deu-nos uma prova cabal de que tudo o que Ele nos ensinou, fê-lo com clareza meridiana e sem nenhum mistério!

Os políticos e líderes religiosos que insistem com esses seus ensinos fantasiosos e exóticos, tentando, como se diz, passar azeite, como se fosse mel, nos lábios de seus correligionários, estão, pois, perdendo seu tempo, o que nos faz lembrar do conhecido e irônico adágio popular: tentam dar nó em pingo d'água !


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