A PROPÓSITO DOS CONGRESSOS ESPÍRITAS NO BRASIL

É lamentável a prática indiscriminada de cobrança de taxas para ingresso nos eventos espíritas realizados por muitas instituições espíritas no Brasil.

São muito comuns os eventos modestos, porém produtivos, serem subestimados . Em sua substituição, surgem congressos, simpósios, conferências retumbantes, patrocinados por cobrança de taxas. Para que se justifique o preço fixado, são exaltados os títulos e "status" dos ilustres convidados, numa inaceitável elitização da mensagem espírita, que deve ser por excelência simples. Não desconhecemos que todas e quaisquer promoções têm seu custo, sobretudo financeiro. Por isso, devem-se envidar todos os esforços, através de um obrigatório estudo de viabilidade, para suas consecuções, a fim de que não haja a necessidade de cobranças de taxas para ingresso dos interessados.

A consciência Kardeciana nos impõe a seguinte reflexão: para suportar despesas, obviamente, é necessário reduzir custos, e, em face disso, é mister que se planeje a programação nos mínimos detalhes, quanto à data e à periodização, com vistas às legítimas necessidades do Movimento Espírita local, lembrando que o evento deve primar pela simplicidade, sem desconsiderar a sua qualidade, adequando sua logística de acordo com o essencial e nada mais que isso.

Para esse desiderato importa captar os recursos com boa antecedência , sobretudo através do rateio espontâneo entre os companheiros interessados na empreitada. Podem-se realizar promoções doutrinariamente corretas para angariar fundos financeiros, com a participação das instituições espíritas bem dirigidas.

Contudo, em nome da difusão doutrinária, algumas instituições tangem nos perigosos jogos da vaidade, realizando congressos, cujos elencos reforçam o palco do estrelismo. Por oportuno, destacamos aqui o editorial do Jornal Mundo Espírita, da Federação Espírita do Paraná, de Junho de 2002, que alerta: "Impensável, também, se é que há, o caso daquela Instituição que queira promover eventos doutrinários pagos visando fazer caixa para sustento de suas atividades gerais. Essa também estará muito distante dos parâmetros efetivamente espíritas."

Nesses Congressos pagos, objetivando a divulgação do Espiritismo, seus coordenadores sempre justificam tal cobrança, alegando que têm necessidade de recursos materiais e financeiros, sem os quais não atingiriam seus propósitos , aliás, objetivos muito ao gosto da fina flor social.

É claro que não podemos nos esquecer de que, se temos liberdade para pensar e agir, desta ou daquela maneira, é mister que nos mantenhamos fiéis aos ensinos dos Espíritos. A propósito, recorremos a André Luiz, em "Conduta Espírita", que nos recomenda não angariar donativos em nossas instituições, para não sermos tomados à conta de PAGAMENTOS POR BENEFÍCIOS. (grifamos) É óbvio que os eventos espíritas têm despesas a serem pagas, mas podemos promover a sua materialização pelas inúmeras alternativas de colaboração espontânea dos profitentes na sua execução. Somos a favor de quem possa contribuir para cobrir os custos com alimentação, material gráfico, hospedagem e outras despesas necessárias ao evento. Que fique bem claro o seguinte: quem não puder colaborar financeiramente, por falta de dinheiro, que possa, igualmente, participar do evento.

O que não podemos, e nem devemos fazer, é cobrar por aquilo que oferecemos em nome do Espiritismo. Por isso, recorremos, mais uma vez, a André Luiz, em "Conduta Espírita", onde ele diz: "QUEM SABE SUPORTAR AS PRÓPRIAS RESPONSABILIDADES, DÁ TESTEMUNHO DE FÉ"! (grifamos novamente).

Recordo editorial da revista "O Espírita", de jan/mar-93: "A FÉ COMEÇA NOS LÁBIOS, OBRIGATORIAMENTE PASSA PELO BOLSO, PARA SE INSTALAR NO CORAÇAO". Lembra, ainda, o referido editorial, as pessoas que foram barradas, em um Estado do Nordeste, por estarem sem dinheiro para o pagamento da taxa cobrada num simpósio espírita.

Será que os consagrados líderes e divulgadores espíritas, que percorrem o País, sabem desses festivais de Congressos pagos? Se têm consciência, e nada fazem, são omissos e a omissão é falta grave ante as Leis de Deus. Sendo verdadeira a última hipótese, transparece o resultado natural das confusas lideranças doutrinárias, salvo raras exceções, que a despeito de terem um bom patrimônio teórico, falta-lhes o que sobrava em Chico Xavier: modéstia.

É por essas e outras que muitos eventos "grandiosos" remetem médiuns, escritores e oradores, em número expressivo, ligados à tarefa de divulgação, a perderem-se "sutilmente" no exibicionismo e na vaidade, quando deveriam experimentar a humildade e esquecimento de si mesmos , para ensinarem, com segurança, a todos os que neles buscam lições.

Jorge Hessen
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