Contestação ao texto Comunicação com os mortos na Bíblia

Apresentamos a você, caro leitor, mais um debate, onde alguém contesta um texto de nossa autoria. Esse debate estava perdido aqui em meus arquivos, razão pela qual só agora o estamos divulgando.

Estaremos omitindo o nome, já que nesse caso, para nós não é importante e visa preservar a identidade da pessoa.

Apenas queremos registrar que poucas pessoas nos tem tratado com dignidade com essa, fato inédito, que queremos deixar registrado.

Vejamos:

-----Mensagem original-----
De: S
xxxxx Bxxxxx [mailto:sxxxx_bxxxxx@uol.com.br]
Enviada em: domingo, 7 de novembro de 2004 22:30
Para: [email protected]
Assunto: Comunicação com Mortos na Bíblia

Caro Sr. Paulo Neto,

Outro dia pesquisando sobre um tema religioso, cliquei num link para o seu site, muito interessante, diga-se.

Sxxxxx como você não disse qual site, ficamos na dúvida, pois vários sites possuem textos de nossa autoria, assim ficamos sem poder saber a qual texto se refere, já que particularmente não temos nenhum site.

Também chamou minha atenção sua citação de I Samuel, capítulo 28 para defender a tese da comunicação entre mortos e vivos. No texto, versículos 7-15, vemos que embora Saul tenha ido consultar uma necromante, foi claramente repreendido pelo próprio espírito que se fazia passar por Samuel. Ou alguém realmente acredita que o espírito de um profeta viria atender a invocação de uma necromante, quando o próprio Samuel, como profeta do Senhor, orientou Saul a banir aquela prática? Se fosse verdadeiramente o profeta Samuel porque então ele subiria para falar com Saul? Onde estava Samuel, no inferno? Um profeta de Deus?! Ou será que o espírito de Samuel estava enterrado junto com seu corpo? Afinal no texto a necromante diz: "Vejo um deus que vem subindo de dentro da terra".

Bom, se o rei Saul foi à procura de uma necromante, para uma consulta aos mortos, é porque com certeza, ele Saul e os de sua época, acreditavam nisso, o que já é um fato a favor da realidade da comunicação com os mortos.

Já ouvimos, por várias vezes, essa argumentação que você usa de que um espírito estava se passando por Samuel, entretanto até o presente momento ninguém ainda nos trouxe uma prova bíblica de que os espíritos enganadores ou demônios, como queira, vêm em lugar dos espíritos que evocamos.

Favor nos mostrar a passagem em que Samuel, quando vivo, orienta a Saul a banir a prática da necromancia. Até onde sabemos Saul realmente fez isso, mas de vontade própria, já que não consta que tenha feito por sugestão de alguém. Necromancia, como você deve muito bem saber, é a evocação dos mortos para fins de adivinhação, coisa que nós espíritas não fazemos, com certeza. Mas veja que interessante: se os mortos não se comunicam então o por quê da proibição? Poderia nos explicar? Mas, antes, por favor nos explique a pergunta anterior, já que poderá justificar como sendo para não sermos enganados por “espíritos enganadores”

Outra coisa que nos deixa encafifados é: se Deus permite aos espíritos enganadores se manifestarem, porque motivo não permitiria, em contrapartida, que os bons espíritos também o façam. Poderia nos explicar se há algum motivo que justifique isso ou o desejo de Deus é que sejamos enganados mesmo?

Sim, podemos lhe afirmar que um profeta de Deus se manifesta. Além de Samuel, podemos trazer a você a prova não só de mais um, mas de dois que se manifestaram. Foram Moisés e Elias, que, muito tempo depois de mortos, apareceram a Jesus no monte Tabor, fato testemunhado por Pedro, Tiago e João. O mais interessante nesse episódio é que aquele que nos traz a notícia de que é proibido comunicar com os mortos aparece depois de morto, ironia do destino, não é mesmo? E se você dizer que Elias não morreu foi arrebatado, perguntaremos: se “Deus é espírito” (Jo 4,24), “O espírito que dá vida a carne de nada serve” (Jo 6,63), “... a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus” (1Cor 15,50) e, finalmente, a fala taxativa de Jesus “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu: o Filho do Homem” (Jo 3,13), o arrebatamento do corpo físico não irá contrariar tudo isso?

E considerando que Jesus disse que “Deus é Deus de vivos”, por que motivo os nossos “mortos”, vivos na outra dimensão, não poderiam se comunicar conosco? A proibição que apresenta é de Deus ou de Moisés? Se afirmar que é de Deus, por que então ela não consta entre os Dez Mandamentos?

Particularmente achamos incoerentes os que se apóiam na Bíblia para dizer que a comunicação com os mortos é proibida, já que não fazem a mínima questão de cumprir inúmeras outras passagens bíblicas. Daí não vemos nenhuma razão para querer que nós outros a cumpramos, já que não fazem o mesmo. Normalmente indicamos para começar, por exemplo, punindo com a morte aos que desobedecem às determinações contidas em Ex 21, 12-17; 22,18; 31,14. Poderemos, se quiser, enumerar outras tantas que você nem faz o cálculo da quantidade de coisas, até absurdas, que os que se baseiam na Bíblia não fazem a mínima questão de seguir.

Também não conseguimos entender porque motivo o espirito enganador teria repreendido a Saul por ter sido evocado, qual a lógica, pois se, conforme você diz, ele era um espirito enganador estava ali um bom momento para praticar mais uma de suas mentiras, já que é assim que você crê que as coisas acontecem.

A questão que você aborda sobre Samuel subir, relacionando esse fato ao inferno, demonstra que você talvez não tenha conhecimento que naquela época se acreditava que todos ao morrerem iriam para o hades ou xeol (sheol), daí a cultura da época só poderia admitir um espírito voltado, para se comunicar com alguém, subindo e não descendo.

Esse conceito de inferno é coisa que buscaram na cultura persa. E mais uma pergunta: poderia nos indicar em qual passagem encontramos Deus criando o inferno? Se ele existe, como parece acreditar, por que motivo Deus ao estabelecer os Dez Mandamentos não diz que os que não os cumprissem iriam para o inferno? Será que Ele mandou gente para o inferno sem lhes dar o direito de saber que suas ações os levariam para lá? E como fica “...a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2, 13) e “...o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca”. (Mt 18,14). Mas veja lá, nos Dez Mandamentos, se logo após eles serem instituídos, se há alguma coisa de ir para o inferno, ou se tudo, benções e maldições, não estão relacionadas a situações terrenas. Daí, podemos concluir, sem medo de errar, que o inferno é aqui na terra mesmo, já que a Terra é um planeta inferior e é por aqui mesmo que pagamos os nossos débitos perante a justiça divina, quando voltamos em nova encarnação para saldar ou pagar pelos nossos erros.

Quanto ao “vejo um deus”, retiramos de nosso texto; Comunicação com os mortos na Bíblia:

Algumas Bíblias ao invés de “vejo um espírito subindo da terra” traduzem por “vejo um deus subindo da Terra”. A frase dessa maneira nos é explicada:

“A palavra hebraica para significar Deus, também designa os seres supra-humanos e, como neste caso, o espírito dos mortos. Havia a convicção de que os espíritos dos mortos estavam encerrados no sheol, e este se situaria algures por baixo da terra” (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 392).

Observar que os tradutores dessa Bíblia explicam essa questão muito bem, só que muitas pessoas não sabem disso ou nem se preocupam em descobrir, pois acham que não existe verdade fora daquilo em que acreditam e o que lêem é somente a Bíblia produzida em seu meio religioso.

E ainda poderemos constatar que a Bíblia mesmo afirma que Samuel mesmo depois de morto profetizou, basta ler Eclesiástico 46,20, livro esse que encontramos em bíblias católicas que é tanto a palavra de Deus quanto às protestantes.

Como espírita o sr. sabe que existem o que vocês mesmos chamam de "espíritos enganadores". Como pode então usar a aparição de um desses espíritos para atestar sua crença na comunicação entre vivos e mortos?

  Por conhecer as várias classificações em que se situam os espíritos, nós, mais que qualquer um adepto das correntes religiosas tradicionais, sabemos como lidar com eles. Mas como se diz popularmente “só lobos caem em armadilhas de lobos” a nós não engana, já que temos conhecimento suficiente para separar o joio do trigo. E mais uma pergunta: na Bíblia, de ponta a ponta, se vê manifestação de espíritos, poderia nos dizer quem são eles? São seres criados por Deus ou são os espíritos humanos que viveram encarnados aqui na Terra? Jesus, dizendo a respeito da ressurreição afirma: que na ressurreição nós seremos iguais aos anjos do céu (Mt 22,30), daí podemos concluir que os anjos são espíritos de seres humanos que já morreram ou estaríamos forçando a interpretação? Teria ou explicação melhor para nos dar?

  Por outro lado, se alteramos o sentido, como diz, aqui você também não deixa por menos, veja:

No versículo 16, consta: “Então disse Samuel”, não está conforme você afirma que aconteceu, pois para isso deveria estar: “Então o espírito enganador, que se passava por Samuel, disse”. Seguindo, versículo 17: “O Senhor te fez como por meu intermédio te disse” que é uma afirmativa absolutamente verdadeira, estranha para um espírito enganador, pois Samuel quando vivo, de fato, já havia advertido a Saul que Deus lhe tiraria o reinado (1Sm 13,13-14; 1Sm 15, 26). Um pouco mais à frente, no versículo 20, lemos: “Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande medo por causa das palavras de Samuel”, deveria estar, para ser conforme você diz que é, assim: Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande medo por causa das palavras do espírito enganador que se passava por Samuel.

  Entender a Bíblia de modo diferente, por temos conhecimentos de uma outra realidade que ainda não é aceita por muitos é uma coisa, mas mudar completamente o sentido do texto como você faz é outra.

  Você sabe que, como espírita, também sabemos que existem os espíritos bons, cuja missão é nos ajudar em nossa caminhada evolutiva, conforme a vontade de Deus.

Que a consulta aos mortos fosse praticada por Saul, não surpreende. Afinal em vários textos vemos que o rei há muito se dedicava a transgredir os mandamentos de Deus. Claro que Saul não era o único e não estou dizendo que não havia invocação ou consulta aos espíritos entre os judeus, mas a Bíblia deixa claro que Deus nunca aprovou essa prática.

  Não entendemos, pois segundo a Bíblia foi Deus quem ungiu Saul como rei de Israel (1 Sm 8,22; 10,1), ora, isso vem demonstrar que Deus não agiu com sabedoria, pois colocou como rei de Israel alguém que iria transgredir Seus mandamentos, onde a onisciência divina? Falhou?

  Se você admite a invocação ou consulta aos espíritos entre os judeus, já estamos a meio caminho andado, muito bem. O que você coloca é que Deus nunca aprovou, certo? Como pode ter absoluta certeza que tal proibição é divina? Por que, como já lhe disse antes, ela não está entre os Dez Mandamentos? Por que Jesus a transgrediu quando conversa com os espíritos Moisés e Elias? Por que mesmo sendo o portador da proibição divina Moisés em espírito parece desconhecer isso? Temos que buscar as causas da proibição para entendermos isso. Moisés necessitando consolidar entre os judeus a idéia de um Deus único, proibiu qualquer coisa que viesse a comprometer essa idéia. Como os judeus não sabiam separar Deus de espíritos (“vejo um deus...”), resolveu por bem proibir tais coisas. Entretanto, Jesus ao conversar com os mortos no monte Tabor, revoga essa proibição de Moisés. Ele mesmo não disse que “tudo o que eu fiz vós podeis fazer é até mais”? Estamos, fazendo exatamente o que Ele, Jesus, fez, daí qual é o nosso crime?

  Por outro lado, outra razão Moisés tinha em proibir tais práticas, já que se consultava aos mortos por qualquer motivo, veja, por exemplo, Saul consultando os mortos para saber do futuro, pois queria saber o que lhe aconteceria na guerra contra os filisteus. Não podemos tirar a razão dele, pois para coisas frívolas dessas, deve mesmo ser proibido se comunicar com os mortos, mas isso não é prática Espírita.

Em I Crônicas 10:4, 6, 13-14 vemos uma mostra dessa desaprovação: "Então disse Saul: Arranca a tua espada, e atravessa-me com ela, para que não venham estes incircuncisos e escarneçam de mim. Mas o seu escudeiro não quis, porque temia muito; então tomou Saul a sua espada, e se lançou sobre ela. Assim morreram Saul e seus três filhos; morreu toda a sua casa juntamente. Assim morreu Saul por causa da sua infidelidade para com o Senhor, porque não havia guardado a palavra do Senhor; e também porque buscou a adivinhadora para a consultar, e não buscou ao Senhor; pelo que ele o matou, e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé."

  Desculpe-nos, mas eta cronista mentiroso, seria um espírito enganador? Mudou completamente a história, como você poderá comprovar. Vamos aos fatos.

  Quando os judeus estavam a caminho da terra prometida encontravam os amalecitas que lhe fizeram guerra. Por causa disso Deus disse que: “... eu vou apagar a memória de Amalec debaixo do céu” (Ex 17, 14). Deus prometendo vingança??? Pode uma coisa dessas? O executor dessa vingança foi escolhido como sendo Saul, cuja ordem recebida de Deus foi: “Assim diz o Senhor dos exércitos: Castigarei a Amaleque por aquilo que fez a Israel quando se lhe opôs no caminho, ao subir ele do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos” (1Sm 15,2-3).

Poderá uma ordem absurda dessa ter vindo de Deus? Nas guerras atuais, quando os exércitos, mesmo por engano, matam a civis, dá uma confusão dos diabos, estaríamos com sentimentos mais elevados que Deus? Só que Saul não matou a todos, pois foi “bonzinho” já que poupou a vida do rei Agag e o gado gordo e os cordeiros, isso foi o suficiente para atiçar a ira divina, que disse; “Estou arrependido de ter feito Saul rei, porque ele se afastou de mim e não executou as  minhas ordens” (15,11), a sentença: “Javé arranca hoje de você o seu reinado sobre Israel e o entrega a outro mais digno do que você”. (1Sm 15, 28). Foi isso que Samuel falou a Saul quando vivo.

Mas vamos mais um pouquinho a frente: “O esplendor de Israel não mente, nem se arrepende, porque não é homem para se arrepender” (1Sm 15,29). Como não se arrepende se acabou de dizer que se arrependeu de ter feito rei a Saul? Veja quanta incoerência encontramos na Bíblia, e ainda quer que a sigamos cegamente?

Os filisteus foram o instrumento da vingança divina (acredite quem quiser) contra o desobediente Saul. Derrotado, ele, Saul, para não cair nas mãos dos inimigos, se atira à sua própria espada.

Poderíamos comparar isso com o relato do cronista enganador:

- disse que Deus matou a Saul, quando a verdade foi que Saul quem se matou, suicidou-se, embora poderia ter sido morto posteriormente, mas fatos são fatos.

- disse que a causa da morte de Saul, foi também por ter buscado a necromante, outra mentira, pois não havia nenhuma promessa divina de tirar a vida de Saul por causa disso, apenas a vingança divina seria quanto ao seu reinado, por não ter cumprido a Suas ordens plenamente.

Não vemos nenhuma desaprovação, o que vemos é mais uma história mal contada, cuja veracidade cabe-nos questionar, principalmente por acreditarmos que Deus seja um pai, não um carrasco.

Em outro momento, o sr., assim como os fanáticos da Bíblia tão execrados em seu site, altera o sentido de um texto (Deuteronômio 18:10-12) para justificar suas teorias. Senão vejamos: "Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor." Aqueles que consultam "espírito adivinhador" podem ser considerados como necromantes, mas quando o texto fala de quem "consulta os mortos", sem dúvida se refere aos que invocam espíritos, os hoje chamados médiuns.

Admitimos, não temos a mínima paciência com fanáticos, pois seguem cegamente a liderança religiosa, não pensam pela sua própria cabeça e ainda por cima querem que sejamos iguais a eles. Somos espíritos diferentes, em diversos graus evolutivos, não há como pensarmos do mesmo modo, isso é contra as leis da natureza. E como queremos ter o direito de agirmos o que quisermos e não passamos a ninguém procuração para escolher a nossa religião, fazemos o que achamos melhor para nós. Se execramos os fanáticos como diz, talvez seja por não suportamos interferência em nossa opção religiosa e mais ainda por saber que todos que falam do Espiritismo não o conhecem, e mesmo assim, sem a menor cerimônia, falam dele. Fora os que por falta de argumentos tentam denegrir as pessoas. Fossem mais éticos e educados nós os trataríamos de diferente maneira.

Não sabemos onde alteramos o sentido do texto, pois admitimos a comunicação com os mortos, até mesmo porque se ela esta sendo proibida é porque existe, não é mesmo? Mas a quem está dirigida essa recomendação aos espíritas? Não! Porque não existíamos naquele tempo. Recomendação válida para os judeus não para nós, já que nos consideramos cristãos. Pense nisso! E conforme já abordamos anteriormente poderia nos provar que cumpre todas as determinações bíblicas? Supomos que deve aceitá-la com a palavra de Deus, principalmente pelos argumentos que nos traz.

Não deveria se esquecer que, também, os profetas eram médiuns. Leia 1Sm 9,9 e depois nos diga se os que chamavam de videntes não eram senão médiuns, inclusive deve saber que dizemos dos que possuem a faculdade de ver os espíritos de médiuns videntes.

Mas se estivesse estudado teria visto que a primeira comunicação de espíritos que se dá como origem do Espiritismo teria percebido que os fenômenos ocorridos com as irmãs Fox, em Hydesville, estado de Nova York, nos Estados Unidos, foram espontâneos não se evocou ninguém, foi o espírito que se comunicou porque quis, e, para nós é evidente, que se houve a comunicação foi porque Deus permitiu, já que nada ocorre sem sua permissão. E para dizer a verdade ninguém sabia quem produzia as pancadas, foram elas, vamos assim dizer, que se identificaram com sendo um espirito chamado Charles B. Rosma, um mascate que foi morto naquela casa, por antigos moradores. Fato confirmado 56 anos depois, quando caiu uma parede do porão e encontraram o esqueleto e a sua mala de mascate. Detalhe importantíssimo a família Fox era metodista.

Outro fato significativo que prova que a comunicação com os mortos está acontecendo por vontade deles, não porque o estamos evocando ocorreu em meados de 1959. Transcrevemos:

A primeira gravação de vozes do além, deve-se russo Friedrich Juergenson. O fato se deu quando em sua residência de campo em Molnbo – perto de Estocolmo, Suécia –- no dia 14 de junho de 1959, estava gravando o cantar dos pássaros se deu a primeira comunicação. Vejamos:

“Uma vez instalado na velha casa de campo, ele preparou seu gravador, colocando-lhe uma fita magnética nova. O microfone foi posto próximo a uma janela aberta situada junto ao telhado. Um tentilhão de fala logo pousou em um galho de árvore, bem próximo da janela, e pôs-se a gorjear. Juergenson ligou o aparelho e rodou a fita durante cerca de cinco minutos, findos os quais ele suspendeu a gravação, retornou a fita e procurou ouvir o que fora gravado. Com surpresa, verificou que o som captado pelo gravador parecia-se com o ruído de uma chuva forte, no meio do qual distinguia-se fracamente o trinado do tentilhão. Juergenson julgou que seu aparelho houvesse sofrido alguma avaria durante a viagem. Retornou novamente a fita e resolveu ouvi-la até o final da gravação. O ruído inicial lá estava, mas, de repente, surgiu um solo de clarim (trompete) executando uma estranha música! Surpreso, passou a ouvir em seguida uma série de sons variados, entre os quais Juergenson reconheceu o canto de um alcaravão, uma espécie de ave noturna. Intrigado, Juergenson prosseguiu na escuta e pode ouvir, a seguir, uma voz humana que falava em norueguês! Embora fraca, a voz era inteligível, confirmando-lhe ‘... cantos de pássaros noturnos’. Findo esse último ruído, surgiu límpido o canto do tentilhão e dos milharoses que estavam mais distantes; a gravação voltara ao normal”.

(...) “De começo, eram barulhos, sinais acústicos, trechos de frases. Uns eram claros. Outros sussurrados mas, ainda mais estranho, as frases nunca ultrapassavam nove sílabas e era ditas utilizando várias línguas em cada fase”.

Assim, como pode bem perceber são os espíritos que procuram entrar em contato conosco, daí não vemos nenhuma razão para evitar, principalmente nos baseando em uma orientação mosaica dada especificamente a um povo para que não praticassem o que os cananeus faziam. Não somos judeus, repetimos, e não fazemos nada do que os cananeus faziam.

Vejamos agora a questão da “consulta ao mortos”. Severino Celestino da Silva, em “Analisando as Traduções Bíblicas, nos informa:

 

(aqui temos o texto em hebraico) = Vedorêsh el-hametim (significa e quem exija a presença dos “mortos”):

A maioria traduz dorêsh él-hametim como consulta aos “mortos”, no entanto, acima já existe o verbo consultar (shoêl) utilizado antes da palavra “necromante e adivinho”. Porém, antes da palavra “mortos” observe que o verbo muda para (lidrôsh) e o primeiro significado do verbo lidrôsh, em hebraico, é EXIGIR, daí, a tradução correta do texto ser: exigir a presença dos mortos. Se este verbo tivesse o mesmo significado de consultar, não teria razão de, no versículo, o autor sagrado trocar o verbo “shoêl por dorêsh” antes da palavra “hametim”, (“mortos”)

Existe ainda o agravante: era costume dos adivinhos se deitarem de bruços sobre os túmulos para tentarem estabelecer um diálogo com os mortos. Acreditavam com isto ser possível o diálogo.

Maimônides, acrescenta ainda que eles jejuavam e depois passavam a noite em um cemitério, a fim de que um morto lhe aparecesse em sonho e o comunicasse sobre assuntos que ele desejasse perguntar. Outros vestiam mantos especiais, pronunciavam certas palavras, ofereciam um incenso especial e dormiam sozinhos no cemitério, afim de que uma pessoa morta lhes aparecesse em sonho e conversasse com eles.

A proibição de Moisés se dirigia exatamente a este método ou a esta prática para se conseguir o intercâmbio. Moisés não diz em nenhum momento se acreditava na eficácia destas práticas. No entanto, proibia o seu uso, o que já é suficiente para entendermos que ele acreditava no retorno dos mortos, do contrário não as teria proibido. O rei Saul, em casa da pitonisa de Endor (I Samuel 28:7-19), comprova esta crença que justifica plenamente a proibição. (grifos do original).

 

Por outro lado, ainda poderemos acrescentar que ninguém é médium por que quer, já que a mediunidade é mais uma faculdade humana que todos possuem, variando apenas quanto ao seu grau. Se as pessoas já nascem médiuns, ou seja, intermediária entre os espíritos e os homens, nascem por vontade de Deus. Assim, não há lógica alguma em Deus criar pessoas com a possibilidade se comunicar com os mortos para depois as proibir, melhor que não tivesse isso entre suas leis. Seria a mesma coisa que uma pessoa colocar numa mesa um chocolate para que todas as crianças vissem e dissessem a elas: não comam desse chocolate. Pura tortura! Pura demência! Que de forma alguma poderemos, em sã razão, atribuir coisa semelhante à divindade.

De certo que esse mandamento, como muitos outros, não era obedecido pelo povo de Israel. E apesar da Lei Mosaica proibir, o povo de Israel continuou a praticar essa "abominação", como também muitas outras. Os chamados profetas de Deus, porém, sempre condenaram tal prática.

  Se os profetas condenaram tal prática a nós não faz a menor diferença, pois não seguimos os profetas, nem mesmo a Moisés, seguimos incondicionalmente a Jesus. Ele fez qualquer tipo de proibição nesse sentido? Poderia nos apontar? E voltamos a dizer, se você não segue totalmente tudo quanto tem na Bíblia, por que motivo vem nos exigir que a sigamos? Ainda mais nós que não seguimos a Moisés (lei mosaica), mas somente a Jesus? Incoerência, não? E os profetas apenas repetiram a proibição de Moisés, já que acreditavam que isso era uma determinação divina, daí esse fato não firmar mais valor à proibição.

Quanto à reencarnação, é interessante notar que se ela era uma crença recorrente entre os judeus, João Batista não partilhava dela. Um Exemplo disso encontramos em João 1:19-21, quando inquirido por sacerdotes e levitas João nega ser Elias. Diz o texto: "E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram sacerdotes e levitas de Jerusalém para que lhe perguntassem: Quem és tu? Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo. Ao que lhe perguntaram: Então quem és? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou."

  O fato de João Batista não saber quem foi numa encarnação anterior não é fundamento para dizer que ele não acreditava na reencarnação, aqui, mais uma vez, você extrapolou na interpretação. Se você acreditasse na reencarnação, com certeza, não diria isso, o que significa dizer que apenas afirma isso porque não acredita. Ora o fato de acreditarmos ou não numa coisa não faz dela uma verdade, nem mesmo poderá mudar alguma lei estabelecida por Deus, Galileu Galilei, quem o diga.

  Se você tivesse estudado o Espiritismo teria percebido que também é da lei divina o esquecimento do passado, coisa necessária para que possamos reencontrar os nossos desafetos e nas relações sociais da atual encarnação estabelecer com eles vínculos de amor, desfazendo, desta forma, os provenientes de ódios de outras vidas.

  Entretanto, entre a afirmativa de Elias e a de Jesus, com qual delas você ficaria? Então veja o que disse Jesus: “Elias já veio, e eles não o reconheceram” (Mt 17,12), “...e se quiseres acreditar João é Elias que devia vir. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 11,14-15).

  O pesquisador norte-americano Ian Stevenson, entre outros, levantou mais de 2.600 casos de crianças que lembraram espontaneamente de outras encarnações. Na TVP inúmeros outros pesquisadores vêm confirmando a reencarnação. E o importante de tudo isso é que quase todos eles não são espíritas. A ciência oficial mais cedo do que muitos desejariam vai aceitar a reencarnação como lei natural. Quem viver verá.

 

Não leve a mal os comentários. Não quero de modo algum alimentar polêmicas religiosas. Acredito que todos têm o direito e o privilégio de adorar a Deus de acordo com sua própria consciência, adorando como, onde ou o que desejarem. Parabenizo-o por seu site que foi muito útil para tirar algumas dúvidas que tinha sobre a doutrina espírita, com a qual não concordo. Porém tenho amigos espíritas que são pessoas ótimas e muito caridosas, como deveríamos ser todos independente de religião. Pois Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras (Romanos 2: 6, 9-11). Tenho certeza que quando Deus reunir suas ovelhas haverá entre elas evangélicos, espíritas, mulçumanos, budistas, judeus, católicos, testemunhas de Jeová, mórmons, esótericos, hindus e até ateus, pois para Deus não há acepção de pessoas.

Deus o abençoe,

Sxxxxx Bxxxxx :)

 

  Esse seu desfecho final, realmente é digno de parabéns, pois são muito poucos os que reconhecem o que você coloca, acham que Deus é exclusivo deles, como se fosse uma propriedade, não admitindo que outros O possam reverenciar de maneira diferente da sua. O fato de não concordamos com os pensamentos das outras pessoas, não pode ser motivo para fazer delas nossas inimigas, isso foge ao senso comum. Mesmo não concordando com o que os outros pensam devermos respeitar esse direito, até mesmo porque, queremos, por nossa vez, ser respeitados.

  Que Deus possa nos iluminar a todos nós que, por caminhos diferentes, queremos segui-lo, norteando-nos pelos ensinamentos do Mestre Jesus.

 

Abraços

 

Paulo Neto

 


 

-----Mensagem original-----

De: Sxxxxx Bxxxxx [mailto:[email protected]]

Enviada em: terça-feira, 9 de novembro de 2004 20:42

Para: Paulo da Silva Neto Sobrinho

Assunto: Comunicação com Mortos na Bíblia

Caro Paulo Neto, Bom Dia!

O texto que vc anexou é um dos que li. Embora vc cite I Samuel 28 em outros artigos.

Certo, entendemos.

No e-mail que lhe enviei também mencionei a questão reencarnacionista, que estava presente em um outro texto porque vc também utiliza textos bíblicos para tentar comprová-la.

Gostaríamos que ficasse claro que, para justificar os princípios espíritas, não nos apoiamos na Bíblia visando sustentá-los, apenas usarmos da mesma arma que usam para combater o Espiritismo. A Bíblia não é um compêndio de ciência e muito menos a palavra de Deus como querem, antes, é a palavra dos homens segundo o pensamento que faziam de Deus. Mas isso é outra história.

Agradeço o envio pois ele me possibilitou uma leitura mais acurada do texto. E aproveito a oportunidade para fazer alguns comentários adicionais. Quando vc cita Isaías 8:19, utiliza a versão católica do texto, a qual apresenta um plural ("seus deuses") ausente em outras versões. Nas outras versões da Bíblia, assim como no Tanach, o texto diz: "Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os feiticeiros, que chilreiam e murmuram: Acaso não consultará um povo a seu Deus? acaso a favor dos vivos consultará os mortos?" O texto diz claramente que o povo deveria consultar o Senhor ("seu Deus") e não adivinhos ou espíritos antepassados ("deuses"). Desse jeito fica parecendo que vc também usa a versão da Bíblia que mais se adequa ao seu objetivo, aquela que está mais à moda da casa, como vc diz.

  Considerando que todos dizem que a versão de sua Bíblia é verdadeira, que está conforme os textos originais, qualquer uma que pegarmos estaremos usando a palavra de Deus. Nós buscamos sim, os textos menos adulterados ou menos forçados aos dogmas, sem dúvida alguma, e o escolhemos entre as diversas Bíblias que dispomos.

  São Jerônimo, eminente teólogo católico, já dizia: “A Verdade não pode existir em coisas que divergem”. Veja bem as bíblicas católicas possuem 73, enquanto que a dos protestantes apenas 66 e se entre as próprias bíblias do mesmo segmento religioso encontramos sérias divergências, qual delas deveríamos usar? Teria como nos responder isso explicando com quem Deus realmente deixou sua palavra?

  Mas, vamos lá a Isaías 8,19:

1 – Bíblias Católicas

Pastoral: Quando disserem a vocês: “Consultem os espíritos e adivinhos, que sussurram e murmuram fórmulas; por acaso, um povo não deve consultar seus deuses e consultar os mortos em favor dos vivos?”

De Jerusalém: Se vos disserem: “Ide consultar os espíritos e os adivinhos, cochichadores e balbuciadores”, não consultará o povo os seus deuses, e os mortos a favor dos vivos?

Do Peregrino: Certamente vos dirão: Consultai os espíritos e adivinhos, que sussurram e cochicham: um povo não consulta seus deuses e os mortos a respeito dos vivos, em busca de instruções seguras?

Paulinas: E, quando vos disserem: Consultai os magos e os adivinhos, que murmuram em segredo nos seus encantamentos, (respondei): Porventura o povo não há de consultar o seu Deus? Há de ir falar com os mortos acerca dos vivos?

Ave Maria: Se vos disserem: Consultai os espíritos dos mortos, os adivinhos, os que conhecem segredos e dizem em voz baixa: Porventura um povo não deve consultar os seus deuses? Consultar os mortos a favor dos vivos? Em nota: seus deuses: os espíritos dos antepassados.

Santuário: Hão de dizer-vos: consultai os espíritos e os adivinhos que murmuram e segredam. Porventura o povo não deve consultar os seus deuses e consultar os mortos acerca dos vivos para obter uma revelação e um testemunho?

Vozes: Se vos disserem: “Consultai os necromantes e os adivinhos que sussurram e murmuram”; acaso não consultará um povo os seus deuses, os mortos em favor dos vivos?

Barsa: E quando vos disserem: Consultai os pitões, e os adivinhos, que murmuram em segredo em seus encantamentos: Acaso não consultará o povo ao seu Deus, há de ir falar com os mortos acerca dos vivos?

2 – Bíblias Protestantes

SBB: Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; - não recorrerá um povo ao seu Deus? a favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos?

Anotada: Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?

Novo Mundo: E caso vos digam: Recorrei aos médiuns espíritas ou aos que têm espírito de predição, que chilram e fazem pronunciações em voz baixa, não é a seu Deus que qualquer poso devia recorrer? [Acaso se deve recorrer] a pessoas mortas a favor de pessoas vivas?

 

Vejamos a estatística: os seus deuses: seis ocorrências; a seu Deus; cinco ocorrências, explique-nos qual deles devemos tomar como verdadeira? Com isso também lhe provamos que não usamos a versão que mais se adequa aos nossos propósitos, usamos, isso sim, a que mais se afasta das interpretações equivocadas, das manipulações dos textos e, até mesmo, das vergonhosas adulterações, pois as palavras “médiuns’” e “espírita”, não existem em hebraico, são neologismos criados por Kardec em 18.05.1857, portanto, não poderiam contar de qualquer bíblia, ainda a que dizem ser “fiel aos textos originais”.

Vamos recorrer, outra vez, a Severino Celestino da Silva, em Analisando as Traduções Bíblicas, lemos:

Texto Traduzido

E se vos disserem consulte ou exija a presença dos antepassados ou dos patriarcas (el-haovot) e dos adivinhos, cochichadores e balbuciadores. Por acaso o povo (halo-‘am) não poderá exigir a presença dos seus deuses? Consultar os “mortos” em favor dos vivos?

Após essa tradução literal, fica evidente que o profeta Isaías não via nada demais na consulta aos que estão do outro lado ou “mortos”. E ainda questiona: Por acaso o povo (halo-‘am) não deve exigir a presença dos seus “mortos” (hametim) em favor dos vivos? (hachaim). Chamamos ainda atenção para o fato de que Isaías generalizou essa consulta, quando se referiu ao povo e não a uma minoria ou mesmo aos sacerdotes ou profetas a quem poderia se atribuir esse direito.” (grifos do original).

 

Segundo podemos ver nas colocações de Severino Celestino é que o termo el-elohai = os seus deuses, é a tradução correta para o texto hebraico. Essa informação confere com a dada pela maioria dos tradutores que citamos acima.

Se não for escolher a que nos parece certa, terei que escolher a que você acha que é? Se isso tem sentido para você, para nós não.

Consultar “seus deuses” é muito diferente de consultar o “seu Deus”. Conforme já lhe falamos anteriormente, consideravam os espíritos deuses, lembra-se? Mude na frase seus deuses por espírito e observe que se encaixa perfeitamente no que acreditavam, embora você queira negar. Na nossa maneira de ver a mudança foi para fugir da idéia da comunicação com os mortos, a frase teria, para nós, o seguinte sentido: Por acaso o povo não poderá consultar “seus espíritos”, consultar os mortos em favor dos vivos? ou Por acaso, um povo não deve consultar seus deuses, ou seja, consultar os mortos em favor dos vivos?. Não teria outro sentido senão aquele que fazem questão de esconder.

A sua interpretação de que Jó 8:8-10 se refere a uma consulta direta aos espíritos antepassados, também é dúbia. Obviamente vc sabe que embora não houvesse muitos escritos, havia a tradição oral, através da qual o conhecimento das gerações anteriores era transmitido.

  Se uma pessoa que não acredita na comunicação com os mortos ler esse texto, não verá com os mesmos olhos com que aqueles que acreditam, isso é certo. Mas o significado do verbo consultar é: pedir (a alguém) [sua opinião, conselhos, parecer, instruções etc.]; aconselhar-se, instruir-se com ou; que já não seria a mesma coisa que ouvir a tradição oral dos conhecimentos já que a ordem é direta consulte aos antepassados e não ao que os antepassados passaram a outros.

  A experiência, o estudo e a pesquisa contam muito nesse caso. Sabia que um padre francês pesquisou a comunicação com os mortos através de aparelhos eletrônicos, a denominada transcomunicação instrumental? Veja o que ele diz em seu livro “Os Mortos nos Falam”:

  “Escrevi este livro para tentar derrubar o espesso muro de silêncio, de incompreensão, de ostracismo, erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente. Para eles, dissertar sobre a eternidade é tolerável; dizer que se pode entrar em comunicação com ela é considerado insuportável”.

  “O padre e o teólogo que sou quis, como se diz, certificar-se completamente da verdade. Por que todos esses testemunhos deveriam ser, a priori, considerados suspeitos? Quando o conteúdo das mensagens e das comunicações gravadas reúne, como eu o demonstro, os maiores textos místicos de diversas tradições, existe nisso mais que uma simples coincidência. Eu acompanhei, pois, e estudei apaixonadamente os resultados das pesquisas mais recentes nesse campo. As conclusões deste trabalho ultrapassaram minhas previsões: não somente a credibilidade científica das experiências de comunicação com os mortos encontra-se confirmada e não pode mais ser posta em dúvida, mas a prodigiosa riqueza dessa literatura do além reanimou em mim o que os séculos de intelectualismo teológico haviam extinguido”.

Quanto à aparição de Elias e Moisés junto ao Salvador, creio que ela não transgride os mandamentos do Senhor. A proibição dizia respeito às consultas, ou seja, a invocação de espíritos. Entretanto o fenômeno relatado em Mateus 17:1-9 (também em Marcos 9:2-13 e Lucas 9:28-36) não é uma invocação ou uma sessão espírita como vc afirma em outro texto, mas uma aparição ordenada por Deus para que os profetas dessem testemunho da missão de Jesus como Messias.

  Seja lá por que motivo for que Moisés e Elias apareceram a Jesus, não há como mudar o fato de que dois mortos estavam se comunicando com Jesus na presença de Pedro, Tiago e João. Da mesma forma que você afirma que essa aparição foi ordenada por Deus, diremos que é ocorre o mesmo em relação a todas as outras aparições, baseando-nos no que você mesmo já disse sobre que Deus não faz acepção de pessoas.

Quem está acostumado a uma sessão espírita saberá muito bem que o que correu nessa ocasião é tal e qual acontece em sessões espíritas sim. O que você conhece de sessão espirita, já participou de alguma? Ou não será que está confundido Espiritismo com outras práticas em que também ocorrem manifestações de espíritos, mas que nada tem a ver conosco. Vamos novamente repetir, o que já dissemos para muitos outros: o fato de tartaruga botar ovos não faz dela uma ave. Será que invocamos (ou evocamos) os espíritos ou eles se apresentam mesmo sem serem chamados, igual ao que aconteceu no Tabor? Saberia nos responder ou você apenas acha que é assim?

  Mais uma coisa que achamos interessante é como parece que todo mundo conhece o pensamento de Deus, pois vivem a dizer Deus fez isso, ou aquilo, permitiu isso ou aquilo, como se conseguissem penetrar no pensamento da divindade. O que afirmamos, e por inúmeras vezes, é que a comunicação com os mortos, segundo os próprios espíritos, é uma lei natural, sendo, portanto, uma das incontáveis leis divinas.

Esse fenômeno inclusive levanta uma dúvida: se Elias já havia reencarnado como João Batista, então por que quando apareceu ao lado de Jesus, no monte da transfiguração, Elias não tinha a aparência de João, mas sim a de sua "encarnação" anterior?

  Dúvida justa para quem não conhece e nem estudou o Espiritismo, pois caso contrário saberia que, via de regra, os espíritos se manifestam na forma humana de sua última encarnação, entretanto, dependendo de sua evolução, o espirito pode, caso queira ser identificado, tomar a forma humana que tinha em qualquer de uma das suas encarnações anteriores. Ali poderia ser o caso de ser necessária a manifestação dele como Elias e não como João, coisa fácil de entender. E aqui percebemos que apesar de você tratar-nos com muito respeito, e por isso temos que reconhecer esse seu valor, age como a grande maioria que é contrária aos princípios espíritas, não estudou, não entende, mas mesmo assim se propõe ao combate.

  E se nos permite poderíamos lhe indicar dois livros sobre reencarnação cujos autores não são espíritas, para você mesmo ver que, na verdade, “mataram” essa idéia. Um livro é: Reencarnação – o Elo Perdido do Cristianismo, Elizabeth Clare Prophet, Nova Era, e o outro é Reencarnação, as rodas da alma, Rabino Philip S. Berg, Centro Cabala, esse último o autor é um rabino que vem confirmar que entre os judeus a crença na reencarnação era aceita tranqüilamente.

Será que esse fato tem alguma relação com a resposta de João Batista quando foi inquirido pelos sacerdotes e levitas sobre quem ele era (João 1:19-21)? "E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram sacerdotes e levitas de Jerusalém para que lhe perguntassem: Quem és tu? Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo. Ao que lhe perguntaram: Então quem és? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou."

Sobre João dizer que não era Elias, já falamos anteriormente o porquê disso, não será necessário voltarmos a esse assunto.

Paulo, não estou negando que existam na Bíblia relatos de comunicação com seres celestiais/espirituais (arrebatados, transladados, glorificados). O que digo é que a Palavra de Deus nos ensina que não devemos invocar, consultar ou perturbar esses seres. Quando, porém, eles vêm a nós por ordem de Deus como acontece no caso das aparições de anjos, tudo bem.

  Se sua opinião é essa, o que podemos fazer. De nossa parte não acredito que Deus tenha proibido a comunicação com os mortos isso é coisa de Moisés que precisando disciplinar certas práticas do povo judeu, usou do recurso de dizer que provinha de Deus para poder ser ouvido. Primeiro porque o povo tinha os espíritos como deuses, isso feria a idéia de um Deus único, que Moisés tinha a missão de implantar, segundo porque essa prática era utilizada para as coisas mais frívolas, não para uma revelação ou coisa que edificasse. Nada mais que isso. Pois não conseguimos conceber Deus colocando a possibilidade de nos comunicarmos com os mortos para depois proibir, melhor que não criasse essa possibilidade e tudo estaria resolvido e de uma forma menos cruel, pois o destino dos que evocavam os mortos não era a morte por apedrejamento (Lv 20,27)? Embora aqui também não entendemos como praticar isso sem ferir o “não matarás”, outra determinação divina.

  Nos ocorreu agora lhe perguntar: tem alguma idéia de como os judeus faziam consulta a Deus? Com certeza pior do que, segundo você, fazem os espíritas. Faziam a pergunta a Deus, jogavam-se os dados da sorte, tidos como sagrados – urim e tumim –, a maneira que caiam era a resposta divina à pergunta feita. Pode tamanho absurdo?

Creio que tudo o que precisarmos aprender podemos fazê-lo através das escrituras. Basta que oremos a Deus pedindo entendimento para as coisas que ele deseja nos revelar. Não precisamos incomodar nossos antepassados. Caso contrário, ficamos como o homem rico da parábola (Lucas 16:19-31): esperando que os mortos venham nos ensinar aquilo que já foi ensinado por Jesus e os profetas.

Fique com Deus.

Um abraço,

Sxxxxx Bxxxxx :)

Não concordamos com o seu pensamento, pois as escrituras não são um compêndio de ciência, foram alteradas, adulteradas pela liderança religiosa, que quer que pensemos assim para nos dominar ou arrancar de nós o dízimo. Possuem coisas que fogem ao bom senso, inclusive inúmeras determinações que não são mais aplicadas. E Deus não poderia se relevar à humanidade somente através delas, pois os povos que não acreditam nela estariam deserdados e Deus não faz acepção de pessoas.

E não sei de onde você tirou essa idéia que seria incomodar nossos antepassados. Daí surge-nos um questionamento; um antepassado nosso que tivéssemos muito amor ficaria feliz ou sentiria incomodado se o evocássemos para conversar com ele?

A parábola do rico e lázaro é a maior verdade, pois se não dão ouvidos aos vivos que se vê, que dirá aos mortos que não se vê. Fato que, infelizmente, acontece até nos dias de hoje, pois os mortos vêm nos dar conselhos e não os ouvimos. Nós, não! Vocês outros, já que nós, os espíritas, ouvimos seus conselhos para que não tenhamos que ir para um lugar de tormento depois da morte.

Que Deus, nosso Pai, possa nos iluminar e nos envolver com suas vibrações de amor.

Abraços

Paulo Neto


 

-----Mensagem original-----
De:
Sxxxxx Bxxxxx [mailto:Sxxxxx_Bxxxxx@uol.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 10 de novembro de 2004 21:22
Para: [email protected]
Assunto: Comunicação com Vivos

Caro Paulo,

Grata por sua atenção em responder-me. É sempre bom trocar idéias com pessoas com capacidade de argumentação. Você diz que os espíritas não praticam a necromancia. Entretanto observo que sob o termo genérico de espiritismo, várias correntes se abrigam; algumas delas praticantes do que pode ser considerado necromancia. Não é o seu caso? Ótimo.

Infelizmente pessoas sem o mínimo conhecimento do que é realmente o Espiritismo é que fazem essa confusão, enquanto continuar essa ignorância isso não vai mudar. É um longo caminho a ser percorrido, com certeza.

Agora veja se eu estou raciocinando direitinho: você argumenta que a proibição da invocação dos mortos era uma iniciativa de Moisés, que precisava manter a unidade religiosa do povo de Israel, a crença no Deus único, certo? E que se fosse uma proibição divina deveria constar dos 10 Mandamentos (embora eu ache que se Deus fosse colocar tudo nas Tábuas da Lei, eles iriam virar "Os 1000 Mandamentos"; não haveria tábuas suficientes). Por outro lado, nesse mesmo texto sobre a comunicação com os mortos, você escreve que as tribos de Israel "consideravam deuses os espíritos dos mortos". Assim, não seria errado interpretar que em Êxodo 20:1-3 o Senhor coloca a proibição de consultar os mortos como parte do 1º Mandamento: "Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim." Se Deus é espírito, então de acordo com o primeiro dos 10 Mandamentos, não devemos buscar outros espíritos além dele, certo?

  Errado. Não adianta buscar conceitos que os antigos tinham sobre as coisas para trazer aos nossos dias. Nós, os espíritas, não consideramos os espíritos deuses, daí, reafirmamos, essa proibição não serve para nós. Mas o engraçado disso tudo é que lhe fizemos vários questionamentos até agora você não nos respondeu, principalmente aqueles que pedimos para sua opinião se você os cumpria. Voltaremos a eles, agora numa lista mais extensa que retiramos de nosso texto A palavra de Deus na Bíblia:

Gêneses 17, 9-11: Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência: todo macho entre vós serás circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós.

Gêneses 17, 14: - O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança.

Êxodo 20, 24: - Um altar de terra me farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas, e os teus bois; em todo o lugar onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei a ti, e te abençoarei.

Êxodo 21, 2: - Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá forro, de graça.

Êxodo 21, 7: - Se um homem vender sua filha para ser escrava, esta não lhe sairá como saem os escravos.

Êxodo 21, 12: - Quem ferir a outro de modo que este morra, também será morto.

Êxodo 21, 15: - Quem ferir a seu pai ou a sua mãe, será morto.

Êxodo 21, 16: - O que raptar a alguém, e o vender, ou for achado na sua mão, será morto.

Êxodo 21, 17: - Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto.

Êxodo 21, 23-25: - Mas se houver dano grave, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe.

Êxodo 22, 2: - Se um ladrão for achado arrombando uma casa, e, sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue.

Êxodo 22, 16: - Se alguém seduzir qualquer virgem, que não estava desposada, e se deitar com ela, pagará seu dote e a tomará por mulher.

Êxodo 22, 18: - A feiticeira não deixarás viver.

Êxodo 22, 19: - Quem tiver coito com animal, será morto.

Êxodo 22, 20: - Quem sacrificar aos deuses, e não somente ao Senhor, será destruído.

Êxodo 31, 14: - Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós outros; aquele que o profanar morrerá; pois qualquer que nele fizer alguma obra será eliminado do meio do seu povo.

Êxodo 34, 19: - Todo que abre a madre é meu, também de todo o teu gado, sendo macho, o que abre a madre de vacas e de ovelhas.

Êxodo 34, 20: - O jumento, porém, que abrir a madre, resgatá-lo-ás com cordeiro; mas, se o não resgatares, será desnucado Remirás todos os primogênitos de teus filhos. Ninguém aparecerá diante de mim de mãos vazias.

Êxodo 34, 26: - As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do SENHOR teu Deus. Não cozerás o cabrito no leite de sua própria mãe.

Levítico 11, 7-8: - Também o porco, porque tem unhas fendidas, e o casco dividido, mas não rumina; este vos será imundo, da sua carne não comereis, nem tocareis no seu cadáver; estes vos serão imundos.

Levítico 11, 21-22: - Mas de todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés, cujas pernas traseiras são mais compridas, para saltar com elas sobre a terra, estes comereis. Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie.

Levítico 12, 2: - Fala aos filhos de Israel: Se uma mulher conceber e tiver um menino, será imunda sete dias, como nos dias da sua menstruação será imunda.

Levítico 19, 11: - Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo;

Levítico 19, 26: - Não comereis cousa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis.

Levítico 19, 27: - Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba.

Levítico 20, 9: - Se um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto: amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue cairá sobre ele.

Levítico 20, 10: - Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera.

Levítico 20, 13: - Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram cousa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles.

Levítico 20, 18: - Se um homem se deitar com a mulher no tempo da enfermidade dela, e lhe descobrir a nudez, descobrindo a sua fonte, e ela descobrir a fonte do seu sangue, ambos serão eliminados do meio do seu povo.

Levítico 20, 27: - O homem ou mulher que sejam necromantes, ou sejam feiticeiros, serão mortos: serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles.

Levítico 21, 9: - Se a filha dum sacerdote se desonra, prostituindo-se, profana a seu pai: com fogo será queimada.

Levítico 21, 17-20: - Fala a Arão, dizendo: Ninguém dos teus descendentes nas suas gerações, em quem houver algum defeito, se chegará para oferecer o pão do seu Deus Pois nenhum homem em quem houver defeito se chegará: como homem cego, ou coxo, de rosto mutilado, ou desproporcionado, ou homem que tiver o pé quebrado, ou a mão quebrada, ou corcovado, ou anão, ou que tiver belida no olho, ou sarna, ou impigens, ou que tiver testículo quebrado.

Levítico 26, 7: - Perseguireis os vossos inimigos, e cairão à espada diante de vós.

Deuteronômio 21, 15-16: - Se um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a quem aborrece, e uma e outra lhe derem filhos, e o primogênito for da aborrecida, no dia em que fizer herdar a seus filhos aquilo que possuir, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da aborrecida, que é o primogênito.

Deuteronômio 21, 18-21: - Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe, e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, pegarão nele seu pai e sua mãe e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz: é dissoluto e beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; assim eliminarás o mal do meio de ti: todo o Israel ouvirá e temerá.

Deuteronômio 22, 10: - Não lavrarás com junta de boi e jumento.

Deuteronômio 22, 23-24: - Se houver moça virgem, desposada, e um homem a achar na cidade e se deitar com ela, então trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porque humilhou a mulher do seu próximo; assim eliminarás o mal do meio de ti.

Deuteronômio 23, 1 - Aquele a quem forem trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não entrará na assembléia do Senhor.

Deuteronômio 23, 2: - Nenhum bastardo entrará na assembléia do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará nela.

Deuteronômio 23, 13: - Dentre as tuas armas terás um pau; e quando te abaixares fora, cavarás com ele, e, volvendo-te, cobrirás o que defecaste.

Deuteronômio 24, 1: -Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado cousa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão e a despedir de casa;

Deuteronômio 24, 16: - Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais: cada qual será morto pelo seu pecado.

Deuteronômio 25, 5: - Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer, sem filhos, então a mulher do que morreu não se casará com outro estranho, fora da família; seu cunhado a tomará e a receberá por mulher, e exercerá para com ela a obrigação de cunhado.

Deuteronômio 25, 11-12: - Quando brigarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar o marido da mão do que o fere, e ela estender a mão, e o pegar pelas suas vergonhas, cortar-lhe-ás a mão: não a olharás com piedade.

Deuteronômio 28, 30: - Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não aproveitarás o seu fruto.

Deuteronômio 28, 53: - Comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que te der o Senhor teu Deus, na angústia e no aperto com que os teus inimigos te apertarão.

  Gostaríamos de ver um pouco mais de coerência em suas afirmações, já que quer nos obrigar a cumprir o Dt 18, então nos prove que cumpre todas essas determinações que acabamos de listar.

  E já que nos parece que você tem plena certeza que a Bíblia é a palavra de Deus, por favor, nos diga se uma mulher pode desejar o marido da outra, já que o que não é proibido é permitido e a proibição bíblica é “não desejar a mulher do próximo”. Poderia, também, nos argumentar se isso é mesmo uma ordem divina? Ou é fruto do machismo da época. E por falar em machismo leia, 1Tm 2,11-12, que hoje é letra morta, apesar de ser “a palavra de Deus”.

Quanto à questão de Samuel ter orientado Saul a banir os necromantes e invocadores de espíritos ou não, em I Samuel 9:27 temos: "Quando desciam para a extremidade da cidade, Samuel disse a Saul: Dize ao moço que passe adiante de nós (e ele passou); tu, porém, espera aqui e te farei ouvir a palavra de Deus." Então se Samuel ensinou a Saul a palavra de Deus, ou seja, Seus mandamentos, a Lei Mosaica, não creio que esteja equivocada ao interpretar que Saul baniu o culto à necromancia com base nos ensinamentos (orientação) que recebeu de Samuel.

  Aqui você extrapolou ao que consta do texto, não há como ninguém dizer o que realmente Samuel disse a Saul como sendo a palavra de Deus. A sua interpretação está além do texto. A única coisa que existe sobre o assunto é em 1Sm 28,2, mas lá não está dito que Saul expulsou os necromantes por orientação de Samuel. Mas, voltando, à questão anterior, por que não faz a mínima questão de seguir tais orientações “divinas”? Por que então se agarra a outras?

Outro ponto que dá margem a interpretações dúbias é o fato do espírito de Samuel ter "subido" para falar com Saul. Eu sei que, segundo a crença vigente, todos desciam à mansão dos mortos. Você mesmo afirma que a cultura da época só admitia "um espírito voltado, para se comunicar com alguém, subindo e não descendo". Entretanto diz que os anjos nada mais eram que espíritos de pessoas já falecidas se comunicando com os vivos. Por que então os anjos "desciam"? Se é porque eles são "espíritos superiores", também um profeta não seria?

  Nós afirmamos que os anjos são espíritos dos homens desencarnados, entretanto não disse que o povo hebreu os via dessa forma. Até hoje os anjos são tidos como seres especiais criados por Deus, enquanto que acreditamos que não existe nenhum ser especial, todos, passaram pela fieira da evolução. Os anjos são espíritos que tiveram também sua evolução, e os homens ao vê-los nessa condição acharam que sempre foram assim. Se tiver curiosidade de pesquisar verá que inúmeras passagens bíblicas os anjos são descritos como homens. Em Atos há uma situação em que pensavam que Pedro havia morrido, e quando ele bate à porta da casa de Maria, eles dizem: “só se for o anjo dele”. (At 12, 15). E até mesmo Jesus disse que na ressurreição seremos como os anjos do céu (Mt 22, 30).

O que acontece, Paulo, é que às vezes você usar argumentos com base no conhecimento atual e outras vezes se apega ao conhecimento da época. Tudo depende da conveniência.

Você não vai querer que nós acreditemos que a Terra é o centro do Universo, vai? Que Adão e Eva é o primeiro casal humano, quando a própria Bíblia diz que Caim mudou para uma outra região encontrou outras pessoas. E muitas outras coisas mais. O que fazemos é nada mais que com base nos conhecimentos atuais tentarmos analisar as ocorrências bíblicas. Veja por exemplo, que Moisés ouvia Deus pela voz do trovão (Ex 19,19). Como quer que analisemos isso? Com os conhecimentos atuais ou com os da época? Não temos outra alternativa senão agir dessa maneira, se queremos mesmo entender o que está na Bíblia, o que não ocorre com os que a aceitam sem qualquer tipo de questionamento. A cultura da época é importantíssima em qualquer análise que possamos fazer, para o entendimento de determinado texto da antiguidade mesmo que não seja bíblico.

Gostaria ainda de lhe perguntar: se na interpretação dos espíritas Saul (assim como Davi e outros) era médium - visto que em I Samuel 10:10 diz que "o espírito do Senhor se apoderou dele" -, por que então ele foi consultar uma necromante? Os espíritas não alegam que recebem ensinamentos dos espíritos que vêm a eles? Saul não poderia então saber por si mesmo (ou através de seus "guias") qual seria o resultado não só da batalha contra os filisteus como de muitas outras atitudes que vinha tomando?

Saul foi consultar a necromante porque não encontrou nenhuma resposta aos seus questionamentos, apelou para tudo; sonhos, profetas, urim e tumim (1Sm 28,6-7), como não obteve resposta foi buscar a última opção que lhe restava: a necromante. Mas considerando que se “até os cabelos de nossa cabeça estão contados”, nada que acontece no universo acontece sem que Deus o queira ou permita, assim se Samuel se manifestou a Saul, é porque houve a permissão de Deus, sendo esse o meio pelo qual Deus deu a conhecer, novamente, a Sua vontade ao rei.

Com certeza, recebemos ensinamentos dos espíritos superiores, pois para nós eles são “os anjos” que executam a vontade de Deus.

Você deve ter lido por qual motivo Deus resolveu tirar a realeza de Saul, mas uma coisa fica-nos sem resposta lógica: por que Deus então não fez com que Saul morresse sem que todo o povo de Israel pagasse pelo “crime” de Saul, onde a justiça? Se o desfecho foi da vontade de Deus, nada que Saul fizesse mudaria o que já havia sido determinado por Deus. A única questão agora é acreditar que Deus tenha determinado o fim de Saul por aquele motivo.

Se você responder que isso aconteceu porque ele ainda não tinha "desenvolvido totalmente sua mediunidade", isso significa que Samuel, também médium como todos os profetas, falhou como "guia espiritual", não é? Isso viria frustrar o que disse Moisés: "Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles!" (Números 11:29). Pois se um profeta, que tem o Espírito do Senhor, não consegue guiar sequer um homem, imagine um povo!

Qualquer tipo de mensagem que um espírito possa dar, não provêm somente de sua vontade, outros fatores influem nisso, como, por exemplo, a vontade de Deus para que isso aconteça, que ele tenha as condições espirituais para isso. Não sei de onde você tirou que Samuel era “guia espiritual”. Um detalhe que você não mencionou é que Saul foi escolhido e ungido por Samuel para reinar sobre Israel, lembra-se? Daí, a escolha não foi bem feita, já que Deus precisou tirar a realeza de Saul. Assim, essa escolha do profeta Samuel não foi lá grandes coisas, não é mesmo? Bom, uma coisa que deve saber é que infalível só Deus.

Quanto à falha da onisciência divina ao ungir Saul como rei, creio que essa passagem é um dos maiores ensinamentos que Deus nos transmite através da Bíblia. Permita-me compartilhar com você algumas observações que fiz sobre essa passagem. Como você sabe, desde a morte de Josué, os israelitas vinham sendo governados por juízes e Samuel havia nomeado seus filhos como juízes de Israel, mas eles não seguiram os caminhos do pai (I Samuel 8:3). O que deixou o povo insatisfeito e desejoso de ser um povo igual aos outros, comandado por um rei "como todas as outras nações" (I Samuel 8:20). Samuel advertiu-os quanto aos perigos daquela decisão (I Samuel 8:9–18.). Mesmo assim, Israel preferiu se submeter aos desígnios e juízos de um homem (I Samuel 8:19-22). O Senhor então considerou que não era a Samuel que Israel estava rejeitando, mas a Ele, o Senhor (I Samuel 8:7; 10:19, 12:12-13). Assim Deus ordenou que Samuel atendesse aos pedidos do povo e constituísse-lhes um rei, ungindo Saul pois ele atendia aos desejos do povo: era jovem, belo, alto, forte, despertando "todo o desejo de Israel" (I Samuel 9:20).

No início de seu reinado, Saul mostrou-se um rei generoso, perdoando aqueles que duvidaram de sua capacidade de liderar Israel e reconhecendo a mão do Senhor na vitória sobre os inimigos (I Samuel 11:11-13). Entretanto, o poder começou a alterar negativamente seu caráter, tornando-o arrogante e orgulhoso. Saul julgou que por ser o rei de Israel isso lhe dava o direito e poder para exercer qualquer função que desejasse, inclusive o Sacerdócio do Senhor (I Samuel 13:1-10). Em várias ocasiões ele foi obstinado e rebelde seguindo apenas seus próprios desejos e não os mandamentos do Senhor. Por ter rejeitado a sua palavra, Saul foi rejeitado por Deus. Então Deus ordenou a Samuel que fosse a casa de Jessé, onde Ele lhe revelaria quem seria o novo rei de Israel. Após tentar imaginar quem seria o escolhido do Senhor, Samuel recebeu a revelação de que o Senhor não vê as coisas como nós vemos; Ele não considera a aparência, mas olha para o coração. Por isso, de todos os filhos de Jessé, Ele escolheu justamente o menor, Davi. Quando Samuel o ungiu, o Espírito do Senhor veio a ele e afastou-se de Saul, que passou a ser atormentado por espíritos maus (obsessores?). Saul era um jovem inseguro quando foi escolhido pelo Senhor como rei de Israel, mas encheu-se de orgulho e soberba por conta desse chamado, tornando-se rebelde e irreverente, o que desagradou ao Senhor. Davi, ao contrário, manteve-se humilde durante toda sua trajetória, mostrando que realmente era "um homem segundo o coração de Deus" (I Samuel 13:14).

Quando o profeta Natã mostrou a Davi o seu pecado contra o Senhor (II Samuel 11:2-27), ele reconheceu seu erro e arrependeu-se. Saul, por outro lado, ao ser repreendido por Samuel (I Samuel 13:8-14 e 15:13-27), tentou sempre justificar suas atitudes erradas. As trajetórias de Saul e Davi são emblemáticas e simbolizam as nossas escolhas diante das oportunidades que Deus nos dá. Saul e Davi receberam o mesmo chamado (reis de Israel), mas tiveram comportamentos completamente diferentes. E através deles o Senhor nos ensina a olhar para o interior das pessoas e não nos deixar seduzir por líderes - políticos ou religiosos - carismáticos, mas que não vivem os mandamentos de Deus. Portanto, Paulo, não considero que tenha havido qualquer falha na onisciência divina, pois desde o início o Senhor advertiu Israel que aquela escolha traria conseqüências negativas para o povo. Entretanto como pai maravilhoso que é, Deus respeita nossas escolhas, ainda que equivocadas.

O que disse não muda a nossa opinião, já que se Deus escolheu a Saul para reinar sobre Israel ele sabia que ele não daria conta do recado, falhou a onisciência divina no presente caso. Claro, também que não ira mudar de opinião, já que para você a Bíblia é inerrante.

Respondendo sua pergunta sobre quem são os espíritos que se manifestaram nos relatos bíblicos, creio que os seres celestiais/espirituais chamados anjos, são de dois tipos: alguns já passaram pela mortalidade e ressuscitaram ou aguardam a ressurreição, enquanto outros ainda não tiveram a oportunidade de viver aqui. Veja em Gênesis 1:26: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…" Com quem Deus estava falando? Conosco, sem dúvida. Todos nós éramos espíritos antes da criação dos mundos. Eu, você, Miguel, Gabriel, Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Ana, Samuel, Maria, Pedro, Tiago, Paulo, João, Nero, Gandhi, Hitler, Bush e todos os seres humanos que vivem, viveram ou ainda viverão na terra fomos anjos de Deus, seus filhos espirituais.

Estávamos na presença do Senhor e um dia voltaremos para lá, se formos dignos dessa benção.

  Você o tempo todo vem dizer que interpretamos a Bíblia à nossa conveniência, entretanto a todo hora você diz “creio”, não apresentando nenhuma prova bíblica do que fala, apenas interpretação pessoal. Se os anjos ressuscitaram isto significa que estiveram encarnados? Se os anjos podem se comunicar com os homens, porque motivo os espíritos que ressuscitaram não poderiam?

Essa para nós é novidade; “Que nós estávamos com Deus quando ele criou o homem”. É a primeira vez que ouvimos isso, mas não deixa de ser interessante considerando que o espírito é pré-existente, ou seja, não foi criado junto com o corpo, conforme crêem muitas pessoas. Outras pessoas interpretam que esse “façamos” da passagem seria Deus com os anjos, no conceito tradicional. Agora se fomos criados nessa época que você diz o que os espíritos ficam fazendo até que encarnem como ser humano?

Para finalizar: de modo algum estou exigindo que você siga tudo o que há na Bíblia. O que não entendo é por que você, embora afirme ser a Bíblia um livro adulterado e manipulado, cheio de incoerências, e não aceite o seu conteúdo como sendo totalmente verdadeiro, o utilize como referência para atestar suas afirmações.

  Explicaremos novamente. Só usamos a Bíblia é porque fazem dela uma arma para atacar o Espiritismo, daí não vemos razão para não podermos fazer dela uma arma para nos defender. Ficou claro agora?

  Ainda lhe poderemos dizer que para nós o que vale na Bíblia são os ensinamentos de Jesus, o resto são coisas que perdem o valor diante deles. Em várias oportunidades, Jesus afirmou “aprendeste que foi dito” completando “eu porém vos digo”, deixando claro que veio para modificar o que foi dito antes, já que a humanidade já estava um pouco mais desenvolvida. Podemos sustentar isso com a passagem:Lc 16,16: A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.

  Ora, se a lei e os profetas vigoraram até João é porque depois dele está vigorando algo novo que seria o Evangelho do Reino, assim, como seguimos Jesus...

  Em outras passagens poderemos também verificar que isso é abordado:

·              Rm 7, 6: Mas agora fomos libertos da lei [Antigo Testamento], havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.

·              Hebreus 7, 18-19: Desta maneira é que se dá a ab-rogação do regulamento anterior em virtude da sua fraqueza e inutilidade – a Lei, na verdade, nada levou à perfeição [Antigo Testamento] – e foi introduzida uma esperança melhor pela qual nos aproximamos de Deus. Mais ainda. Isso não se deu sem juramento. Os outros, sim, foram feitos sacerdotes sem juramento. Mas este o foi com juramento, por aquele que declarou: O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre. Portanto, Jesus é também o fiador de uma aliança muito melhor [Evangelho].

·              Hebreus 8, 6-7 e 13: Mas, agora, Jesus foi encarregado de um ministério tanto mais excelente quanto melhor é a aliança da qual é mediador, sendo esta legalmente fundada sobre promessas mais excelentes. Se, na verdade, a primeira aliança tivesse sido sem falhas, não teria cabimento ser substituída por uma segunda. Dizendo: aliança nova [Evangelho], Deus declarou antiquada a primeira [Antigo Testamento]. Ora, o que se torna antiquado e envelhece está próximo a desaparecer.

Se esse livro é cheio de "histórias mal contadas, cuja veracidade cabe questionar", utilizá-lo para comprovar as suas teses não é uma incoerência? Ou o livro tem ensinamentos verdadeiros ou não. Se ele é meio verdadeiro, então tanto as suas crenças quanto as minhas são meias-verdades.

  Completando o que já dissemos anteriormente, veja o que colocamos em nosso texto A Palavra de Deus na Bíblia, sobre algumas divergências bíblicas:

Vejamos, então algumas divergências que encontramos no Novo Testamento:

Genealogia de Jesus

Mateus 1:1-17 - Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos; Judá gerou de Tamar a Perez e a Zerá; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão; Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom; Salmom gerou de Raabe a Boaz; este de Rute gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que foi mulher de Urias; Salomão gerou a Roboão; Roboão, a Abias; Abias, a Asa; Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jorão, a Uzias; Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz; Acaz, a Ezequias; Ezequias gerou a Manassés; Manassés, a Amom; Amom, a Josias; Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos, no tempo do exílio em Babilônia. Depois do exílio em Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel; Zorobabel, a Abiúde; Abiúde, a Eliaquim; Eliaquim, a Azor; Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a Aquim; Aquim, a Eliúde; Eliúde gerou a Eleázar; Eleázar, a Matã; Matã, a Jacó. E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao desterro para a Babilônia, catorze; e desde o desterro para a Babilônia até Cristo, catorze.

Lucas 3:23-38 – Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Heli, Heli filho de Matã, Matã filho de Levi, Levi filho de Melqui, este filho de Janai, filho de José, José filho de Matatias, Matatias filho de Amós, Amós filho de Naum, este filho de Esli, filho de Nagaí, Nagaí filho de Máate, Máate filho de Matatias, Matatias filho de Semei, este filho de José, filho de Jodá, Jodá filho de Joanã, Joanã filho de Resá, Resá filho de Zorobabel, este filho de Salatiel, filho de Neri, Neri filho de Melqui, Melqui filho de Adi, Adi filho de Cosã, este de Elmadã, filho de Er, Er filho de Josué, Josué filho de Eliézer, Eliézer filho de Jorim, este de Matã, filho de Levi, Levi filho de Simeão, Simeão filho de Judá, Judá filho de José, este filho de Jonã, filho de Eliaquim; Eliaquim filho de Meleá, Meleá filho de Mená, Mená filho de Matatá, este filho de Natã; Natã filho de Davi, Davi filho de Jessé, Jessé filho de Obede, Obede filho de Boaz, este filho de Salá, filho de Naassom; Naassom filho de Aminadabe, Aminadabe filho de Admim, Admim filho de Arni, Arni filho de Esrom, este filho de Faréz, filho de Judá; Judá filho de Jacó, Jacó filho de Isaque, Isaque filho de Abraão, este filho de Terá, filho de Nacor; Nacor filho de Seruque, Seruque filho de Ragaú, Ragaú filho de Fáleque, este de Éber, filho de Salá; Salá filho de Cainã, Cainã filho de Arfaxade, Arfaxade filho de Sem, este filho de Noé, filho Lameque; Lameque filho de Matusalém, Matusalém filho de Enoque, Enoque filho de Jarete, este filho de Maleleel, filho de Cainã; Cainã filho de Enos, Enos filho de Sete, e este filho de Adão, e Adão, filho de Deus.

  Percebe-se claramente que não são concordes as genealogias narradas por Mateus e Lucas. Algumas pessoas querem, para que não fique evidenciada essa divergência, que a de Lucas esteja baseada em relação à Maria, entretanto se esquecem que naquela época as mulheres não tinham nenhum valor e, por isso, todas as genealogias da Bíblia referem-se aos homens.

Lugar onde seus pais moravam

Mateus 2:1 - Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.

Mateus 2:13 – Tendo eles partido, eis que aparece um anjo do Senhor a José em sonho, e diz: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para matar.

Mateus 2:21-23 – Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe, e regressou para a terra de Israel. Tendo, porém, ouvido que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho, retirou-se para as regiões da Galiléia. E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito, por intermédio dos profetas: “Ele será chamado Nazareno”.

Lucas 1:26-27 – No sexto mês foi o anjo Gabriel enviado da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.

 Lucas 2:1 – Naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se.

Lucas 2:3-5 – Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.

  Pelo relato de Mateus a família de Jesus morava em Belém só depois é que se mudou para Nazaré. Entretanto Lucas coloca a cidade de Nazaré como se fosse o local onde vivia a sagrada família, que teve que ir à Belém apenas para atender ao decreto do recenseamento.

O possesso de gedara

Mateus 8:28 – Tendo ele chegado à outra margem, á terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho.

Marcos 5:1-3 – Entrementes chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos. Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo, o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo.

 Lucas 8:26-27 – Então rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da Galiléia. Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros.

  Mateus diz tratar-se de dois endemoninhados ao passo que Marcos e Lucas dizem ser apenas um.

Cura de um paralítico

Mateus 9:1-2 – Entrando Jesus num barco, passou para a outra banda, e foi para a sua própria cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito.

Marcos 2:1-4 – Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra. Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.

Lucas 5:17-19 – Ora, aconteceu que num daqueles dias, estava ele ensinando, e achavam-se ali assentados fariseus e mestres da lei, vindos de todas as aldeias da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar. Vieram então uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus. E não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus.

  Na narrativa de Mateus o paralítico é levado a Jesus, deixando a entender que não houve nenhum obstáculo para isso. Mas Marcos e Lucas dizem que tiveram que descer tal paralítico do telhado, pois a multidão não deixava que o levassem a Jesus. Mateus diz que Jesus chegou à sua cidade. Seria Nazaré? Marcos diz ser Cafarnaum. Quanto a Lucas não diz em qual cidade.

Filha de Jairo

Mateus 9:18 – Enquanto estas cousas lhes dizia, eis que um chefe, aproximando-se, o adorou, e disse: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a tua mão, e viverá.

Marcos 5:22-23 – Eis que se chega a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostra-se a seus pés, e insistentemente lhe suplica: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.

Lucas 8:41-42 – Eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, lhe suplicou que chegasse até a sua casa. Pois tinha uma filha única de uns doze anos, que estava à morte. Enquanto ele ia, as multidões o apertavam.

  Diferentemente de Marcos e Lucas que dizem que a filha de Jairo estava quase morrendo Mateus já a tem como morta.

Cego e mudo?

Mateus 12:22 – Então lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver.

Lucas 11:14 – De outra feita estava Jesus expelindo um demônio que era mudo. E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se admiraram.      

Mateus diz ser o homem cego e mudo, mas Lucas diz tratar-se apenas de um mudo o que estava possesso.

Cegos de Jericó

Mateus 20:29-30 – Saindo eles de Jericó, uma grande multidão o acompanhava. E eis que dois cegos, assentados à beira do caminho, tendo ouvido que Jesus passava, clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós!

Marcos 10:46-47 – E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho. E, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!

Lucas 18:35-38 – Aconteceu que, ao aproximar-se ele de Jericó, estava um cego assentado à beira do caminho, pedindo esmolas. E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo. Anunciaram-lhe que passava Jesus, o Nazareno. Então ele clamou: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!

  Aqui temos Mateus dizendo que eram dois cegos em contradição com Marcos e Lucas que afirmam ser apenas um. Por que somente Marcos identifica quem era este cego?

Mulher com alabastro

Mateus 26:6-7 – Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa.

Marcos 14:3 – Estando ele em betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosismo perfume de nardo puro, e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.

Lucas 7, 36-38 – Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, corando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento.

João 12:1-3 – Seis dias antes da páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. Deram-lhe, pois, ali, uma ceia; Marta servia, sendo Lázaro um dos que estavam com ele à mesa. Então Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com perfume do bálsamo.

  Mateus e Marcos relatam que Jesus estava em casa de Simão, o leproso e que uma mulher havia derramado o vaso de alabastro na cabeça de Jesus, não identificando quem era ela. Só que João diz que a mulher era Maria a irmã de Lázaro, que o fato acontecia na casa de Lázaro e que ao invés de jogar o perfume na cabeça ela ungiu os pés de Jesus. Em Lucas temos que esta mulher é uma pecadora, portando não poderia ser a Maria irmã de Lázaro.

Ressurreição

Mateus 28:1 – No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.

Lucas 23:54-56 – Era o dia da preparação e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo de Jesus ali foi depositado. Então se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E no sábado descansaram, segundo o mandamento.

Lucas 24:1 – Mas, ao primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado.

João 20:1 – No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida.

  Mateus diz que as Maria Madalena e a outra Maria foram ao sepulcro. João diz que somente Maria Madalena tinha ido e Lucas diz ter sido as mulheres que tinham vindo com Jesus desde a Galiléia, sem especificar quais eram essas mulheres.

Quem apareceu às mulheres?

Mateus 28, 2-3: E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago e a sua veste alva como a neve.

Marcos 16, 4-5: E, olhando, viram que a pedra já estava revolvida; pois era muito grande. Entrando no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito, vestido de branco, e ficaram surpreendidas e atemorizadas.

Lucas 24, 2-4: E encontram a pedra removida do sepulcro; mas, ao entrar, não acharam o corpo do Senhor Jesus. Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes.

João 20, 11-12: Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés.

  Vejam a divergência na quantidade e na forma da aparição. Apesar dela ser registrada por todos os evangelistas Mateus diz ser um anjo, Marcos um jovem, Lucas dois varões e João dois anjos.

Carregar a cruz

Mateus 27:32 – Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz.

Marcos 15:21 – E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.

Lucas 23:26 – E como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.

João 19:17 – Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico.

  Mateus, Marcos e Lucas dizem que o cireneu chamado Simão foi obrigado a carregar a cruz de Jesus, enquanto que João diz que foi o próprio Jesus quem levou a cruz.

Bom ladrão

Mateus 27: 38 e 44 – E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificado com ele.

Marcos 15:27 e 32 – Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.

Lucas 23:39-43 – Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro repreendeu-o dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhes respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

João 19:18 - Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.

  Mateus, Marcos e João nada relatam de qualquer diálogo entre os três crucificados. Os dois primeiros dizem que os ladrões estavam, isto sim, entre os que escarneciam de Jesus. Só Lucas diz que Jesus teria dito para um deles que hoje estarás comigo no Paraíso. Se isso aconteceu temos uma contradição de Jesus, pois ele mesmo disse: a cada um segundo suas obras. (Mateus 16, 27) Quando do episódio com Madalena após sua ressurreição disse Jesus a Madalena: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus (João 20, 17). Ora, se Jesus três dias após sua morte ainda não tinha subido ao Pai como ele poderia ter afirmado ao “bom ladrão” hoje estarás comigo, ou seja, justamente no dia de sua morte na cruz. Por outro lado ao reconhecer que “nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez” ele está aceitando a justiça dos homens, por mais forte razão aceitaria a justiça de Deus que lhe daria uma pena merecida. Também ele não aceitaria uma recompensa por algo que não tenha feito, não é mesmo? Já falamos várias vezes, mas não custa repetir, coloquemos a frase do seguinte modo: “Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso”: é muito mais condizente com a justiça divina, pois somente irá para o Paraíso quando tiver realizado as obras que o façam por merecer, não importando quanto tempo levará para isso.

  Aqui vale a palavra de Paulo: Examinai tudo, retende o que é bom (1Ts 5,21). (Ele não excluiu a Bíblia).

E se você crê que os cristãos só devem seguir o Novo Testamento, então nem use trechos do Antigo! Ele é passado, as exigências da Lei Mosaica já se cumpriram através do Sacrifício Expiatório de Jesus (Lucas 24:44; Atos 10:43; I Coríntios 15:3; I Pedro 3:18). Ah, esqueci que você não acredita nisso.

  Repetimos: Só usamos para nos defender dos ataques gratuitos dos que acham que somente eles têm direito à salvação da forma que entendem as Escrituras. Assim, enquanto usarem dela para nos condenar a usaremos para nos defender.

A passagem de Lc 24,44 está se referindo às profecias a respeito de Jesus. Mas são palavras ditas ou foram colocadas na boca de Jesus? Leia o nosso texto “Será que os profetas previram a vinda de Jesus?”, pelo link:

http://www.apologiaespirita.org/assuntos_biblicos/sera_que_os_profetas_previram.htm

Você diz que não segue Moisés nem os Profetas mas apenas Jesus. Porém Jesus disse: "Se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu. Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras? (João 5:46-47)". Uma boa pergunta: como alguém que não crê que os escritos de Moisés foram inspirados por Deus pode alegar crer e seguir a Jesus?

Como você vê, Paulo, as coisas não são tão simples. "Porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos (I Coríntios 13:9)".

Fique com Deus,

Um abraço,

Sxxxxx;)

  Aqui, novamente encontramos uma passagem colocada apenas para relacionar Jesus a alguma profecia, no caso, Dt 18,15. Mas veja o nosso estudo sobre profecia indicado no item anterior. Se Moisés fosse realmente inspirado por Deus, como Jesus poderia ter dito “aprendeste o que foi dito” eu porém vos digo, alterando sobre maneira o que Moisés colocou. Sabemos que as leis de Deus são imutáveis, daí fica difícil aceitar algo que venha modificar ao que tenha vindo, sem nenhuma dúvida, da divindade. E a passagem de Lucas que colocamos, anteriormente, é clara: “a lei e os profetas vigoraram até João”.

  Algumas considerações finais gostaríamos de colocar, pois você se apegando à letra não reconhece que outras coisas podem ser ditas.

  Chico Xavier passou quase toda a sua vida recebendo mensagens de inúmeros espíritos que vieram dar algum recado aos seus familiares. Todos os casos não houve nenhuma evocação, foram os próprios espíritos que vieram para consolar os seus familiares. Chico sempre dizia “o telefone só toca de lá para cá”. Muitas mães que estavam desesperadas, inconformadas e até desiludidas com a vida mudaram completamente após lerem as mensagens recebidas, nas quais tiveram vários elementos para uma perfeita identificação seus filhos. Daí, lhe perguntamos onde está o mal disso? Se eles vieram sem serem evocados é porque houve permissão de Deus, caso contrário não aconteceria. E se o fruto é bom, sinal que a árvore é boa.

  Poderíamos lhe indicar o nosso livro “A Bíblia à Moda da Casa”, onde poderá completar tudo quanto pensamos da Bíblia. Após termos feito esse profundo estudo chegamos à conclusão que ele é usada somente para poder e dinheiro. Longe daquilo que se deveria esperar de um livro religioso.

 

Abraços

 

 

Paulo Neto

 


 

-----Mensagem original-----

De: Paulo da Silva Neto Sobrinho [mailto:[email protected]]

Enviada em: quarta-feira, 1 de dezembro de 2004 17:02

Para: 'Sxxxxx Bxxxxx'

Assunto: RES: Os Mortos, os Vivos e as Profecias

 

Sxxxxx,

 

Em resposta ao seu último e-mail temos as seguintes observações:

Caro Paulo,

Pra começo de conversa, se há ignorância em relação ao que é ou não espiritismo, muito se deve aos próprios espíritas. Se pessoas praticantes de magia negra, bruxaria, candomblé, macumba, esoterismo ou seja lá o que for se autodenominam espíritas e/ou espiritualistas, a culpa não é minha. Isso mostra que existem muitas "pessoas sem o mínimo conhecimento do que é realmente o espiritismo" inclusive entre os espíritas.

Mas como nos culpar disso se não temos patente do nome Espírita, só assim poderíamos exigir na justiça que não usassem esse nome. Já não sei quantas vezes vimos “Terreiro Espírita Pai Joaquim” ou coisas do gênero. A ignorância do povo faz com que acreditem que onde há manifestação de espíritos é Espiritismo. Não sabem que “o fato de tartaruga botar ovos não faz dela uma ave”, por isso não é fácil tirar o que existe na cultura popular. Em momento algum dissemos que a culpa era sua, mas se isso lhe pareceu, retiramos valendo essa explicação.

Quanto ao fato de que muitos espíritas não saberem também é uma verdade, já que muitos apenas freqüentam casas espíritas e se dizem espíritas sem se preocuparem em estudar, comportamento necessário, já que trazem conceitos que podem não ter nada a ver com o Espiritismo. Por isso sempre dizemos, aos que chegam, que devem estudar muito.

Por outro lado muitas pessoas se dizem espíritas só pelo fato de serem simpatizantes, especialmente as que não freqüentam nenhuma religião. Assim, como pode ver tem de tudo.

Não é meu objetivo atacar quem quer que seja por defender um ponto de vista ou crença diferente, apenas expressar minha opinião. Creio que a crítica, sem ofensas, pode e deve ser praticada, pois a diversidade de opiniões e o debate de idéias contribui para a ampliação de nosso entendimento das escrituras. Afinal, "Deus é nosso culto racional" (Romanos 12:1).

Concordo plenamente com você, entretanto só faremos uma ressalva a maioria das pessoas que se propõem ao debate querem no íntimo é convencer seus opositores ao que pensa, pois acredita que é sua forma de pensar que é a verdadeira.

Digo isso porque lendo seus e-mails, às vezes, sinto um tom de agressividade. Não se aborreça. Estou apenas questionando sua doutrina, comparando-a com os (poucos) conhecimentos que tenho. Você, sem dúvida, é um estudioso do assunto e sabe muito, enquanto eu apenas sinto e busco aprender - com você, inclusive.

Pode ter razão, já que não conseguimos dominar o nosso inconsciente, ele fala o que procuramos ou nos esforçamos para que não venha à tona. Mas confesso que ficamos completamente irritados com o que vemos de debatedores por aí, que não têm o mínimo respeito à crença alheia, outros querem forçar a que todos pensem como eles. Se uma pessoa quer saber sobre qualquer assunto do Espiritismo o faremos de bom grado. Entretanto mesmo sem querem, algumas vezes, a nossa “dupla personalidade” entra em ação. Se deixamos escapar alguma coisa, não sinta que é pessoalmente contra você, mesmo porque até agora você sempre manteve um nível elevado de debate e em nenhuma oportunidade sentimos que estava querendo desmerecer nossa crença.

Uma coisa: se você não é psicóloga pode estudar que dará certo na área.

Quanto às suas perguntas, vamos lá:

Em primeiro lugar, me diga quando foi que eu quis obrigar você, ou quem quer que seja, a cumprir o que diz Deuteronômio 18?

No primeiro e-mail que nos enviou lemos a seguinte colocação sua:

Em outro momento, o sr., assim como os fanáticos da Bíblia tão execrados em seu site, altera o sentido de um texto (Deuteronômio 18:10-12) para justificar suas teorias. Senão vejamos:

"Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor."

Aqueles que consultam "espírito adivinhador" podem ser considerados como necromantes, mas quando o texto fala de quem "consulta os mortos", sem dúvida se refere aos que invocam espíritos, os hoje chamados médiuns.

Ora se você diz que interpretamos errado é porque você tenha a interpretação correta para a qual quer que sigamos, não vemos de outra forma a não ser essa. E a sua conclusão não deixa dúvida quanto à questão da “consulta aos mortos”, citado no Dt 18. Mesmo que não queira nos obrigar, essa palavra pode estar forte, mas você acha que devemos cumpri-lo, o que no fundo dá no mesmo.

Você sim é que às vezes parece um fundamentalista, querendo impor aos que crêem ser a Bíblia inspirada por Deus que vivam como se estivéssemos no Deserto do Sinai. É claro que entre as revelações do Pentateuco, por exemplo, existem coisas relacionadas àquele momento e lugar, que vinham atender às necessidades específicas de Israel - embora num sentido lato, Israel seja formado por todos que aceitam Jesus como Redentor. A própria parte cerimonial da Lei de Moisés é transitória e limitada, apontando o Messias como o único que pode nos aperfeiçoar (Hebreus 10:1-10).

Bom, a característica principal de todo fundamentalista é querer que os outros pensem como ele, daí não perde uma oportunidade, e quando não tem ele a cria, para tentar convencer ao outro ao que pensa. Temos percebido isso claramente em todos os e-mails que recebemos, até mesmos os disfarçados em “quero somente aprender”, porquanto, ainda sim sempre aparece um “mas” na história.

Gostaríamos que nos apontasse um momento sequer que nós tenhamos enviado pelo menos um e-mail a alguém querendo impor nosso pensamento ou até mesmo para dizer sobre o que pensamos? Em todas as situações você verá que sempre algum fundamentalista iniciou o debate ou quis denegrir o Espiritismo, esperamos que não queira tirar o nosso direito de defesa. E para nos defender usamos algumas vezes um pouco de energia, digamos assim, contra os que não admitem que outras pessoas possam pensar diferente deles.

Por outro lado, temos recebido alguns e-mails de pessoas em busca de uma alternativa religiosa, nem nesses casos tentamos convertê-los à nossa crença, fazemos questão absoluta de dizer-lhes estudem e pesquisem para que vocês mesmos possam encontrar os seus próprios caminhos, a única coisa que podemos fazer por você é lhe explicar o que possa ter de dúvida em relação ao Espiritismo, mas a escolha sempre será sua.

Invariavelmente todos que contestam o Espiritismo querem que sigamos a Bíblia ao pé da letra, não o fazemos isso pelos motivos que se seguem. Por várias vezes Jesus disse “aprendestes o que foi dito, eu porém vos digo” (Mt 5, 21.27.31.33.38.43) demonstrando uma alteração na lei mosaica, leia-se, Antigo Testamento. O que nele existia de útil ao nosso aperfeiçoamento moral foi resumido em: ... tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7,12). Mas Jesus limitou no tempo a aplicabilidade do AT quando diz: A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele” (Lc 16,16), ou seja, somente até João Batista, pois a partir dele, seria o Evangelho, quer dizer ensinamentos de Jesus, que deveriam prevalecer para a nossa conquista do reino de Deus. Fato confirmado por Paulo (1 Cor 15,2, 2 Cor 3, 6) e pelo autor de Hebreus (7, 18.22; 8, 6-7.13). Ora, diante disso tudo, como ainda querem alguns que sigamos o Antigo Testamento? Sempre estamos reafirmando: somos cristãos e não judeus!

Qualquer pessoa de bom senso, mesmo que queira segui-lo verá claramente que nem tudo que está lá poderá ser seguido ao pé da letra, exceto, obviamente, os fundamentalistas que existem por aí.

Entretanto, Deus usa simbolismos, metáforas, servindo-se de coisas temporais para falar das eternas, e materiais para revelar as espirituais. O apóstolo Paulo nos explica isso em I Coríntios 9:8-10 quando cita Deuteronômio 25:4 para mostrar que nem sempre as escrituras falam (apenas) daquilo que está escrito. "Porventura digo eu isto como homem? Ou não diz a lei também o mesmo? Pois na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca do boi quando debulha. Porventura está Deus cuidando dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Com efeito, é por amor de nós que está escrito; porque o que lavra deve debulhar com esperança de participar do fruto."

Você que acredita que a Bíblia é a palavra de Deus tem todo o direito de pensar dessa forma, entretanto, nós não pensamos assim. Particularmente, para nós, fora as passagens em que Jesus fala por parábolas, nada mais é na Bíblia simbolismo, metáforas, etc, tudo não passa do próprio pensamento do autor bíblico. Muitas vezes querendo salvar a passagem, tentamos interpretá-la buscando algum coisa simbólica, podemos fazer isso sem problema algum, mas daí dizer que foram escritas deliberadamente no sentido simbólico é outros quinhentos.

A passagem que você aponta de Paulo, segundo percebemos pelo contexto, ele está apenas defendendo o que julga um direito a quem prega o Evangelho receber pelo que faz, ou seja, viver da pregação, daí para justificar cita Dt 25,4.

Agora me admira você, Paulo! Usando as mesmas artimanhas daqueles que tanto critica, você pinçou versículos excluídos de seu contexto original tentando dar outro sentido à escritura. Por exemplo, citou Deuteronômio 28, versículos 30 ("Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não aproveitarás o seu fruto.") e 53 ("Comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que te der o Senhor teu Deus, na angústia e no aperto com que os teus inimigos te apertarão."), mas omitiu o início do capítulo onde são enumeradas diversas bênçãos para os que "ouvem atentamente a voz do Senhor Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos". Os versículos que você utilizou dizem respeito aos sofrimentos que recairão sobre os que desobedecem os mandamentos do Senhor, citados a partir do versículo 15 ("Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão".) Ou seja, você pegou "parte de um texto, que, fora do seu contexto, se aplica muito bem aos seus propósitos". Reconhece a frase?

Isto que você está se referindo, na verdade é parte de um nosso texto intitulado “A Palavra de Deus na Bíblia”, cujo objetivo era deixar a descoberto a incoerência dos que querem que os outros sigam a Bíblia, quando eles mesmo não a seguem fielmente. Listamos algumas determinações, ao todo em número de quarenta e seis, entre as quais conscientemente citamos essas duas. Propositadamente a colocamos tal qual fazem em relação aos textos usados para combater o Espiritismo, esperando mesmo que falassem algo sobre isso, para lhes responder: “estamos usando a mesma arma que usa contra nós”, isso em primeiro lugar, em segundo era mesmo para medir o conhecimento bíblico, já que a maioria apenas repete o que o pastor ou padre lhes ensinou, só sabem determinadas passagens, as que lhes interessam ou as que lhes servem aos propósitos.

Mas o que achamos interessante de sua observação é que você foi pegar para falar justamente dessas duas enquanto que das outras, em número de quarenta e quatro, não fala nada. Seria tática para desmerecer tudo o que colocamos, já que é mais fácil apontar os erros que aceitar as verdades.

Causa-me espanto que uma pessoa que diz seguir os ensinamentos de Jesus utilize sofismas ("o que não é proibido é permitido") como argumentação para induzir um irmão ao erro. Que decepção!

Quem tem uma pequena noção de direito saberá perfeitamente que isso não é sofisma, é um princípio consagrado de justiça social. Veja por exemplo que a Constituição Brasileira, em seu art. 5º, II, diz: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”; e no inciso XXXIX, desse mesmo artigo estabelece: “não há crime, sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”. Será que a justiça divina é inferior à humana?

Vamos a um exemplo prático do nosso “sofisma”; você dirigindo pela cidade resolve estacionar, verifica pelo local onde há um lugar que é permitido estacionar. Encontrado estaciona o seu carro tranqüilamente, sem se preocupar com uma eventual multa imposta pela legislação de trânsito. Perguntamos:por que você estacionou exatamente naquele local? Não entendeu? Bom, explicamos, porque não tinha nenhuma placa “é proibido estacionar”, ou seja, foi exatamente porque não era proibido. Assim vale o nosso “sofisma” o que não é proibido é permitido.

Quanto ao machismo bíblico, você sabe que o fato de Êxodo 20:17 mencionar apenas a mulher, não significa que nós, mulheres, estamos livres para cobiçar o marido alheio. Basta ver o versículo 14 do mesmo capítulo. Além disso, eu encaro esse mandamento como uma mostra do quanto Deus conhece seus filhos e sabe que a cobiça pelo cônjuge alheio é uma característica muito mais masculina que feminina - pelo menos na época era. ;)

O que estávamos querendo demonstrar é que nem tudo da Bíblia é proveniente de Deus, já que não poderemos atribuir à divindade comportamentos nitidamente humanos. Não estamos advogando que a mulher possa desejar o homem da outra. O versículo 14 fala-se de uma coisa o 17 de outra completamente diferente. Nesse a idéia é não desejar o que pertence ao seu próximo.

Mas voltando à questão do machismo bíblico, característica do povo hebreu, veja o mandamento que citamos na integra: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo” (Ex 20,17). Aliás aqui até podemos dizer que o mandamento é um só, não sabemos porque razão sempre é dividido em dois. Observe que a mulher é colocada como uma coisa que pertencia ao homem, daí juntá-la com a casa, o servo, a serva, o boi e o jumento, porque a cultura daquela época era assim mesmo, mulher não tinha nenhum valor. Quem sabe se por isso é narrada a criação do homem em primeiro lugar, a mulher sendo tirada de sua costela para demonstrar que enquanto o homem veio de Deus a mulher veio do homem, significando “para o homem”. Até mesmo no tal de “pecado original”, e haja original nisso, o homem só “pecou” por culpa da mulher, pela resposta de Adão a Deus, conforme Gn 3,12.

Todas as genealogias bíblicas são tomadas em relação ao homem. O pai que não tinha filho homem, pensava que sua descendência não haveria de continuar. Poucas vezes aparece na Bíblia alguma situação em que a mulher é destaque.

Na Epístola a Timóteo, Paulo está claramente falando do sacerdócio - a instrução religiosa. Mas é importante observar que nela o apóstolo usa o termo "não permito". Quem não permite, Deus ou Paulo? Em I Coríntios 7:10 e 12, por exemplo, Paulo escreve:"Todavia, aos casados, mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido; Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher incrédula, e ela consente em habitar com ele, não se separe dela." Ou seja, nessa outra epístola, Paulo deixa claro que às vezes o que ele está expressando é uma opinião dele, não uma revelação. Conhecendo o caráter dos textos paulinos é fácil constatar que, nesse caso que você mencionou, o machismo era dele.

Como você poderá dizer que é apenas uma passagem em que há machismo bíblico apresentamos outras:

“Quero porém, que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo”. (1 Cor 11,3); “Pois o homem, na verdade, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus; mas a mulher é a glória do homem” (1 Cor 11,7); Porque o homem não proveio da mulher, mas a mulher do homem;” (1 Cor 11,8); “nem foi o homem criado por causa da mulher, mas sim, a mulher por causa do homem (1 Cor 11,9) e E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão;” (1 Tm 2,14).

Gostaríamos apenas que nos dissesse, já que nos parece em certas situações admitir, qual é o seu critério para dizer que uma passagem é revelação ou não? Mas de qualquer forma não lhe entendemos, pois está dito peremptoriamente:“Toda Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3,16).

Pessoalmente somos mesmo dessa opinião, ou seja, que muitas coisas que estão lá são apenas opiniões dos autores bíblicos.

Agora quanto à questão das mulheres que você relaciona com sacerdócio, parece-nos que extrapolou o texto, vejamos:

Que as mulheres fiquem caladas nas assembléias, como se faz em todas as igrejas dos cristãos, pois não lhes é permitido tomar a palavra. Devem ficar submissas, como diz também a Lei. Se desejam instruir-se sobre algum ponto, perguntem aos maridos em casa; não é conveniente que a mulher fale nas assembléias”. (1 Cor 14, 34-35).

Quanto às mulheres, que elas tenham roupas decentes e se enfeitem com pudor e modéstia. Não usem tranças, nem objetos de ouro, pérolas ou vestuário suntuoso; pelo contrário, enfeitem-se com boas obras, como convém a mulheres que dizem ser piedosas. Durante a instrução, a mulher deve ficar em silêncio, com toda a submissão. Eu não permito que a mulher ensine ou domine o homem. Portanto, que ela conserve o silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva”. (1 Tm 2, 9-13)

O que Paulo está falando é claro: nas assembléias, reuniões religiosas para estudo ou práticas religiosas, a mulher deve ficar calada. Não há nenhuma coisa relacionada ao sacerdócio, embora nem isso algumas religiões observam, já que há inúmeras mulheres pastoras. Não que sejamos contra, muito ao contrário, não vemos nenhuma razão para as mulheres ficarem excluídas de qualquer coisa relacionada às praticas religiosas. Não deveríamos fazer o que faziam antigamente onde até no Templo de Jerusalém havia um lugar separado para elas e pelo que podemos notar, nas figuras que reconstituem o templo, ficavam completamente de fora dos rituais, que somente era permitido aos homens. Ver que o “pátio das mulheres” ficava numa situação que as impediam de assistir as cerimônias.

Agora se você se incomoda realmente com o machismo, recomendo que não leia alguns textos, bem mais recentes do que a Bíblia, psicografados por Chico Xavier.

Com certeza, já que para nós nenhuma diferenciação deveria haver entre os homens e as mulheres a não ser as que a própria natureza já estabelece. E quanto ao machismo que você insinua das psicografias de Chico Xavier ficaremos no aguardo que nos indique, onde se encontram localizados, citando todos os detalhes para que possamos conferir pessoalmente essas informações, a fim de evitar que possa estar havendo algum erro de interpretação de sua parte. Mas se o encontramos não estaremos em defesa de ninguém que seja machista, não importa de onde possa estar vindo isso e nem mesmo uma assinatura de quem quer que seja irá nos impressionar para compactuar com uma coisa dessa.

E aqui infelizmente parece que você se comportou como os detratores acusam sem apresentar as provas. Se de fato tem alguma coisa seria melhor que já tivesse citado onde e quando Chico Xavier psicografou alguma coisa de conotação machista.

E interessante, parece que você é a única mulher que encontramos até agora que não concorda com o nosso posicionamento em defesa das mulheres.

Quanto à questão Samuel x Saul x Necromantes, me parece que você desconsidera que no hebraico o termo "palavra" também é interpretado como "mandamento, instrução", daí os 10 Mandamentos também serem conhecidos como "As 10 Palavras". Ora, se o texto relata que Samuel disse a Saul que o faria "ouvir a palavra de Deus" não resta dúvida que o profeta instruiu Saul e lhe falou sobre os mandamentos do Senhor contidos na Lei de Moisés, o que inclui Deuteronômio 18:11.

Apesar de que Samuel poderia ter mesmo instruído em muita coisa e o Dt 18,11 esteja incluído, ainda sim se trata de uma suposição, já que o texto não é claro quanto ao que exatamente um passou ao outro. Daí ser campo aberto para qualquer hipótese.

Você alega que não há como afirmar que Samuel falou a Saul sobre a palavra de Deus e cita I Samuel 28:2 ("Respondeu Davi a Áquis: Assim saberás o que o teu servo há de fazer. E disse Áquis a Davi: Por isso te farei para sempre guarda da minha pessoa.") como única referência ao assunto?! Por essa citação, vejo que sua Bíblia é completamente diferente da minha; talvez por isso esteja havendo essa divergência.

Houve erro de digitação, pois o que queríamos citar era: “Samuel tinha morrido. Todo o Israel participara dos funerais, e o enterraram em Ramá, sua cidade. De outro lado, Saul tinha expulsado do país os necromantes e adivinhos”. (1Sm 28,3), como algo a respeito dos necromantes. Mas ressaltamos necromantes eram os que evocavam os mortos para fins de adivinhação, prática não Espírita. Aliás, se bem observar, todas as recomendações do Dt 18 se prendem à questão de adivinhação.

Você diz que uso apenas de interpretação pessoal, não apresento provas bíblicas. As provas estão aí; você é que não quer aceitá-las. Por outro lado, aquilo que você chama de "provas", não passam de interpretação dos textos bíblicos sob a ótica espírita.

Demonstramos no nosso texto original várias passagem onde vemos a questão da comunicação com os mortos, para você poderá parecer questão de interpretação. Entendemos perfeitamente seu ponto de vista, já que não tem o conhecimento que nós espíritas temos a respeito dos espíritos. Para nós não há anjos nem demônios, no sentido tradicional desses termos, mas apenas espíritos bons (anjos) e espíritos maus (demônios), daí, tudo quanto há na Bíblia a respeito de manifestação de anjos e demônios nós a vemos como sendo de espíritos bons ou maus, conforme o caso. Quanto a anjo ser espírito já lhe explicamos anteriormente.

Claro que os espíritas têm todo o direito de interpretar os ensinamentos bíblicos à luz de sua própria doutrina, como o fazem as demais exegeses. Embora entenda que você utiliza a Bíblia apenas para rebater as críticas ao espiritismo com as mesmas "armas", há uma falha na sua estratégia: as pessoas que utilizam a Bíblia para combater o espiritismo, o fazem acreditando ser esse livro verdadeiro. Você, ao contrário, alega que ele é "manipulado e cheio de histórias mal-contadas, cuja veracidade cabe questionar". O que eu posso concluir com isso? Que você usa conscientemente argumentos que considera vindos de fonte duvidosa para defender a doutrina espírita! Desculpe, mas sua estratégia precisa ser revista.

Não há outra forma de agir. Se os que denigrem o Espiritismo acreditam piamente na Bíblia, procuramos mostrar a eles que é naquilo que acreditam como verdade que buscamos a informação para defendemos dos ataques gratuitos. Agora gostaríamos que alguém nos apresentasse uma passagem apenas onde Jesus tenha feito algo semelhante que fazem com os espíritas. Ou mesmo que Jesus tenha se preocupado em converter a quem quer que seja, impondo o seu pensamento. Ou que Jesus tenha dito que só que se salvariam os que seguissem a essa ou àquela Igreja.

A questão da Bíblia ser a palavra de Deus é muito interessante, pois teriam que primeiramente nos apontar qual delas: a católicas ou a protestante? Já que a primeira possui 73 livros e a segunda apenas 66.

E para você ver como as coisas são, leiamos no livro Eclesiástico, quando se fala de Samuel: “Mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim. Mesmo do sepulcro, ele levantou a voz, numa profecia, para apagar a injustiça do povo” (Eclo 46, 20). Interessante que já ouvimos que não foi Samuel quem se manifestou foi o demônio ou que os mortos não se comunicam, quem está falando a verdade?

Por outro lado, o fato de não concordamos que a Bíblia seja, de capa a capa, de inspiração divina, não quer necessariamente dizer que não acreditemos no que está ali escrito. Acreditamos sim, mas como coisas do homem, como pensamentos do homem ou naquilo que realmente acreditavam. Só que foram tomados à conta de revelação, conforme você mesma chegou à conclusão em relação a Paulo.

Outra coisa: quando uso o termo "creio", o faço por que para mim a Bíblia é um livro que trata de fé. Erram aqueles que exigem dela precisão histórica ou científica. Se formos analisar à luz das ciências, a maioria dos fatos relatados na Bíblia desafia a lógica e não pode sequer ser comprovado, o que não significa que sejam inverdades ("Para Deus nada é impossível", Lucas 1:37).

Esse é o argumento daqueles que já percebem alguma coisa estranha na Bíblia, daí saindo para a questão de fé acham que resolvem tudo. Pode até ser para os que ficam satisfeitos com qualquer resposta, entretanto, quer queiramos ou não, qualquer coisa que possa vir da divindade não poderá contrariar as suas próprias leis. A questão de para Deus nada é impossível é uma frase que não poderá ser tomada pé da letra, já que Deus não poderia, por exemplo; mudar o que Ele fez ou revogar alguma lei que tenha criado, pois se fizer isso estaria contrariando a sua imutabilidade, que inevitavelmente é refletida em suas leis, fora a questão da onisciência. Talvez seja difícil de entender, mas não estamos querendo dizer que não teria poder para fazer isso, o que estamos afirmando é que se o fizer estaria contrariando a Sua a própria natureza.

Mas de qualquer forma, os fatos Bíblicos não podem contrariar os princípios científicos já descobertos pelo homem. Por exemplo, no livro de Josué esta dito que ele parou o Sol (Js 10, 12-13), isso teve como conseqüência o dia ter aumentado. Entretanto, isso jamais poderia ter ocorrido, pois o que faz o nosso ciclo dia-e-noite é rotação da Terra sobre o seu próprio eixo, assim, pouco importa se o Sol está parado ou não. Outra questão: se isso de fato ocorreu, forçosamente refletiu no planeta como um todo, mas como ninguém mais dá notícia de um fenômeno desse? E a sombra do Sol recuar, como isso pode ter acontecido? Ora o Sol teria que ter voltado a uma posição anterior, fato que traria conseqüências catastróficas no cosmo. E não adianta querer levar tudo isso pelo lado simbólico, pois colocaram o que acreditavam.

Como sabemos, os livros que compõem a Bíblia não foram transcritos por um mesmo autor, o que por si já dificulta a unidade das narrativas e provoca até algumas divergências entre os relatos. Isso não os invalida enquanto ensinamento moral, espiritual e revelação. "Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça" (II Timóteo 3:16).

Ah! Tá certo. Mas você lá atrás disse que uma passagem era o pensamento de Paulo, assim, você mesma joga por Terra essa “inspiração” ponta a ponta. Mas não se esqueça que os mesmos autores que fala foram os que colocaram a citação que realça. Daí fica com a mesma credibilidade das outras informações.

Eu sei que a Bíblia não contêm tudo o que Deus revelou ou que Jesus fez e ensinou. Até por que, no início, a tradição oral era mais forte que a escrita. As descobertas arqueológicas de Qumran e Nag Hammadi mostram que muita coisa permanece oculta ou se perdeu; enquanto outros ensinamentos foram mudando de sentido diante das traduções ("Traduttori, traditori", dizem os italianos).

Uma questão abordada por Rodhen é que se a Bíblia é mesmo a palavra de Deus, teremos que convir que Ele fechou o expediente, pois após aproximadamente o 100 d.C nada mais teria sido revelado ao homem uma vez que a Bíblia continua com as mesmas revelações.

Mas para mim realmente não importa quantos anjos apareceram no túmulo de Jesus, por exemplo; o importante é que o túmulo estava vazio, pois o Salvador havia ressuscitado.

No caso estávamos querendo realçar duas coisas. Primeira, se a fonte de inspiração da Bíblia é mesma como explicar a divergência de quantidade? Segunda, é que, para nós, viam os anjos como homens mesmo, pois os anjos são exatamente isso: homens. É claro que não irá achar importante, já que não teria como explicar essa divergência se achasse, não é mesmo?

Em relação aos anjos, gostaria de perguntar: se os anjos são espíritos "desencarnados", como poderiam existir antes que o homem tivesse morrido? A Bíblia fala que os anjos pecaram (II Pedro 2:4) antes até do homem, uma vez que foi um anjo caído que convenceu Eva a provar do fruto da árvore do conhecimento. Por isso, embora concorde com você sobre a fala de Cristo em Mateus 22:30, creio que os anjos são também espíritos que ainda não "encarnaram", como dizem vocês, espíritas.

Não sei de onde tirou que foi um anjo caído que convenceu Eva a provar do fruto da árvore, enquanto que a maioria diz ter sido satanás. Normalmente os que acreditam em anjos dizem serem eles seres perfeitos. Ótimo, então que nos explique como um ser perfeito pode decair? Algum defeito de fabricação?

Ainda persiste na maioria das pessoas a crença de que a vida só existe aqui na Terra, parecem que se esqueceram de que Jesus disse categoricamente: “Há várias moradas na casa de meu Pai” (Jo 14,2). Por que Deus criaria o Universo, na imensidão que é, apenas para colocar nesse mísero planeta os espíritos? Por aí, temos que Deus tem criado espíritos deste a eternidade e encarnam nessas várias moradas em busca da perfeição. Assim, quem vê a Terra como ponto de partida para tudo fica sem entender, mas aos que aceitam que no cosmo infinito existem espíritos e incontáveis planetas habitados, não.

Quanto a questão da lei e dos profetas, gostaria de fazer um comentário:

Muita gente, alguns espíritas inclusive, distingue o Decálogo como a parte mais importante da lei - a espiritual e moral -, delegando às demais partes - cerimoniais e civis - papel secundário ou inferior. Essa distinção não é bíblica. O Decálogo não é a única parte moral na lei, mas parte integrante do todo que foi transmitido a Moisés no Sinai.

Então por que não se cumprem a determinações do Levítico, por exemplo? Antes lhe listamos quarenta e seis determinações bíblicas, das quais você contestou duas, que ninguém faz questão de cumprir. De duas uma: ou toda a Bíblia é a palavra de Deus e deve ser cumprida integralmente ou não é e não deve ser cumprida no todo. Aqui não há meio termo. Mas como já o dissemos: “a lei e os profetas vigoraram até João” (Lc 16,16), ficamos com Jesus, sem nenhuma dúvida.

Se toda a lei transmitida no Sinai deve ser cumprida, pedimos que nos explique porque não as cumprem todas? Veja a lista que fizermos anteriormente.

Vamos, para não ficar repetindo sempre a mesma coisa, dar apenas uns poucos exemplos:

- Não lavrarás com junta de boi e jumento (Dt 22, 10);

- Aquele a quem forem os trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não entrará na assembléia do Senhor. (Dt 23, 2)

- Quando brigarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar  marido da mão do que o fere, e ela estender a mão, e o pegar pelas suas vergonhas, cortar-lhes-ás a mão: não a olharás com piedade. (Dt 25, 11-12).

- Dentre as tuas armas terás um pau; e quando te abaixares fora, cavarás com ele, e, volvendo-te, cobrirás o que defecaste. (Dt 23, 13).

Poderia nos dizer se acredita sinceramente que essas leis tenham vindo de Deus.

Na Bíblia, ao se referir à lei, não há distinção entre lei moral, cerimonial ou civil. A parte cerimonial é chamada lei (Lucas 2:27); a parte moral é chamada lei (I Timóteo 1:9); a parte civil também é chamada lei (Atos 23:3) - Lei do Senhor ou Lei de Moisés. Obviamente alguns interpretam de forma literal quando a Bíblia fala em "Lei de Moisés". Porém, a lei era chamada de Moisés porque ele foi o profeta que a transmitiu, não porque foi o autor dela (Números 16:28).

Como já afirmamos, por várias vezes, a nossa opção em seguir é a Jesus, daí só nos interessa suas recomendações, entre elas: “Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus para o tentar: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Jesus respondeu: "Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos." (Mt 22, 34-40), ou seja, tudo que da Lei e os Profetas não estiver contido nisso é legislação humana, com absoluta certeza. Daí, não fazermos a menor questão de seguir.

Entretanto, observe que o mesmo Paulo que escreve: "Mas agora fomos libertos da lei para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra (Romanos 7:6)", também afirma que "a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom (Romanos 7:12)" e que "a lei é boa, se alguém dela usar legitimamente" (I Timóteo 1:8).

Ao que nos parece Paulo era inconstante, o quem sabe falava de acordo com o público. Assim, havia necessidade de mudar o discurso de conformidade com os que o ouviam. Mas até Pedro reclama dele: “Considerem que a paciência de Deus para conosco tem em vista a nossa salvação, conforme escreveu para vocês o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada. Em todas as suas cartas ele fala disso. É verdade que nelas há alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes distorcem, como fazem com as demais Escrituras, para a sua própria perdição. pelas suas cartas difíceis”. (2 Pe 3, 15-16):

Como a lei pode ser boa e má ao mesmo tempo? Vejamos uma breve história.

A tradição judaica explica que havia, digamos, duas Torah (Lei) - uma escrita e outra oral. Na verdade o que havia era a Torah escrita e uma explicação oral dela. Essa explicação oral foi recebida de Deus por Moisés, repassada por ele a Josué, a Arão e aos anciãos de Israel, que por sua vez, após a morte de Moisés, a repassaram aos juízes e assim por diante ao longo das gerações que se sucederam.

A Torah oral tinha o propósito de ser transmitida de mestre para discípulo, como fazia Jesus, por exemplo. Desta forma, o aluno não confiaria em sua própria interpretação do texto escrito, e buscaria esclarecimento para suas dúvidas com seu mestre, evitando que as pessoas começassem a interpretá-la como o desejassem. E já que essa Torah não podia ser escrita, dependeria dos sábios e autoridades para preservá-la e ensiná-la sem dar margem a ambigüidades. Esses sábios e autoridades encarregadas de preservar e interpretar a Torah oral eram, como sabemos, os juízes, fariseus e doutores da lei.

Embora originalmente a Torah oral não devesse ser escrita jamais, os juízes, membros do Sinédrio, codificaram essa Torah durante o período da destruição do Segundo Templo, quando ela corria o risco de ser esquecida. Então, preocupado com a diminuição do número de eruditos estudiosos da Torah e a dispersão dos judeus pelo mundo, o Rabi Yehuda Ha-Nasi escreveu a Torah oral para que mesmo que os judeus se afastassem de seus mestres, ainda pudessem estudar e seguir a Torah oral e assim preservar o judaísmo. A partir daí, diversos mestres começaram a escrever comentários e textos interpretativos da Torah.

Assim surgiu o Talmud, que é composto pela Torah oral, seus comentários e interpretações. Alguns afirmam que durante o cativeiro na Babilônia, o Talmud original acabou sendo contaminado, digamos, pelos costumes pagãos, gerando o chamado Talmud Babilônico, que depois foi aceito pelos judeus como sendo a autoridade máxima e suprema em todas as questões sobre a religião e a lei judaica. As leis da Torah então passaram a só ter validade legal se fossem baseadas nesse Talmud.

O que acaba de colocar prova que você é uma pessoa que busca outras fontes de informação, por isso, tomamos a liberdade de lhe indicar o livro “Reencarnação As Rodas da Alma” do Rabino Philip S. Berg, (São Paulo: Centro de Estudos da Cabala, 1998), onde o autor tece comentários sobre a Cabala que define como: “A Cabala é o judaísmo místico. É o significado mais profundo e oculto da Torá, ou Bíblia”. Nesse livro ele prova que a reencarnação fazia parte dos conhecimentos do judaísmo. Interessante, não é mesmo?

Observe que a Torah (Lei) dada por Deus passou a ser subordinada às interpretações dos homens. Essa interpretação da lei também era considerada como lei, uma vez que era ensinada por aqueles que supostamente conheciam as escrituras, mas era justamente contra ela e seus "doutores" que Jesus pregava.

Da mesma forma podemos dizer que atualmente a Bíblia, como você diz, dada por Deus continua a ser subordinada às interpretações dos homens, que fazem dela uma lei para dominar ou extorquir dinheiro através do dízimo, com raríssimas exceções.

Como o número de iletrados era muito maior que o de alfabetizados, obviamente o povo só tinha acesso à Torah oral, transmitida pelos escribas e fariseus, que seguiam muito mais a tradição oral (o Talmud) do que a revelação (a Torah).

Apesar de estarmos em pleno século XXI, esse quadro não mudou muito, pois a liderança religiosa que está aí, mais estudada que a maioria dos fiéis, fazem exatamente a mesma coisa, em relação aos conhecimentos bíblicos, só que os transmitem ao povo conforme suas conveniências.

A prova de que a Torah oral acabou sendo desvirtuada justamente por aqueles que diziam preservá-la está em Mateus 15:3-6: "Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e, Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O que poderias aproveitar de mim é oferta ao Senhor; esse de modo algum terá de honrar a seu pai. E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus."

Se Jesus voltasse aqui, fatalmente ira dizer o mesmo em relação a alguns líderes religiosos dos nossos dias, mutatis mutandis, tudo é a mesma coisa, modificou apenas de tradição para interpretação: “nada há que seja novo debaixo do sol” (Ecl 1, 9).

Por isso, em Mateus 5:17, Jesus afirma que não veio destruir a Lei de Moisés e os Profetas; seu objetivo era, na verdade, restabelecer a pura Lei de Deus, desvirtuada ao longo dos tempos por aqueles que se ocuparam mais da forma que do conteúdo.

Ao declarar: "Ouviste o que foi dito  Eu, porém, vos digo ", Jesus está, na verdade, colocando os mandamentos num nível mais alto e profundo do que era ensinado e praticado pelos juízes, escribas e fariseus, mostrando que odiar o irmão era o mesmo que matá-lo, ou olhar para uma mulher com cobiça, já constituía um adultério. Mas não se pode simplesmente identificar o Antigo Testamento com a Lei e o Novo Testamento com o Evangelho, dando ao primeiro uma conotação negativa e ao segundo positiva. O Evangelho já era pregado no Antigo Testamento; ele é a essência da Lei de Moisés.

Segundo pudemos perceber essa afirmativa não se trata de cumprir a Lei e os Profetas genericamente, mas apenas em relação às profecias relacionadas a ele. Caso contrário não teria modificado substancialmente a Lei de Moisés, conforme pode-se ver na seqüência da passagem, principalmente, no versículo 19, quando diz: “Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu”. Daí para frente é começa com o “aprendeste o que foi dito eu porém vos digo”, onde relaciona os mandamentos a que se referiu anteriormente. O que diferencia uma lei humana para uma divina é exatamente a imutabilidade das leis de Deus, assim, se Jesus mudou, modificou ou alterou alguma lei é porque a origem dela é humana não divina. Inclusive já apontamos algumas determinações que somente, por completo absurdo, poderemos atribuir a Deus. E, francamente, hoje em dia, nem mesmo temos, particularmente, mais certeza que Jesus tenha dito mesmo isso ou se colocaram em sua boca tais palavras. “Dizendo ‘aliança nova’, Deus declara que a primeira ficou antiguada; e aquilo que se torna antigo e envelhece, vai desaparecer logo” (Hb 8, 13), isso ainda não aconteceu por conta justamente de quererem atrelar o Antigo e o Novo Testamento. Temos ainda: “... de sorte que podemos servir a Deus conforme um espírito novo e não segundo a letra antiga” (Rm 7, 6).

Em Mateus 22:36-40, ao ser interrogado por um doutor da lei, que queria experimentá-lo, sobre qual era o mais importante mandamento, Jesus respondeu: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." Ora, de onde Jesus tirou esses mandamentos? Eles estão em Deuteronômio 6:5 ("Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.") e Levítico 19:18 ("Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.") - livros do Antigo Testamento.

Mais fácil entender quando buscamos em outras traduções essa passagem (Mt 22,36-46). Veja o que encontramos em relação à última frase: “Esses dois preceitos sustentam a lei inteira e os profetas”, “Nestes dois mandamentos se resume toda a Lei e os Profetas” e “Nesses dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas”, com isso, podemos perfeitamente entender que Jesus estava dizendo que de tudo quanto foi passado o que prevalece como lei divina são esses dois mandamentos. Por outro lado, podemos ver que é uma síntese perfeita dos Dez Mandamentos. O fato de buscar no Antigo Testamento algumas passagens não quer dizer que Jesus estaria sancionando-o todo. Já sem paciência com os fariseus de sua época, que insistiam na observância da lei mosaica, diz-lhes: “Não se coloca remendo de pano novo em pano velho, nem vinho novo em odres velhos” (Mt 9, 16-17).

Em nossos estudos bíblicos chegamos a uma importante conclusão em relação ao primeiro milagre de Jesus, quando transforma água em vinho. Fácil de entender se prestarmos a atenção na fala do chefe da cerimônia ao noivo: “Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora” (Jo 2, 10). Buscando o sentido profundo dessa fala, vamos entender que no momento exato em que inicia a sua pregação Jesus se coloca como sendo o vinho bom que foi guardado até agora, ou seja, coloca seus ensinamentos como de melhor qualidade em relação aos de Moisés (vinho pior).

Embora acreditamos que, de fato, os Dez Mandamentos sejam mesmo ordenações divinas, pois servem a todos os povos e a qualquer tempo, ressalvada apenas a forma inadequada da redação do 9º e 10º mandamentos, uma coisa nos deixa encafifados. Veja:

Em Ex 3, 1-3, está dito que o anjo de Javé apareceu a Moisés numa chama de fogo no meio da sarça e em Ex 24, 12 Deus entrega as tábuas de pedra com da lei com os mandamentos a Moisés, mas por outras passagens quem sempre se apresentou a Moisés foi um anjo (ou anjos), veja:

               Atos 7, 30.53: Quarenta anos depois, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo na chama de uma sarça que ardia. Vocês receberam a Lei, promulgada através dos anjos, e não a observaram! [Estevão].

               Gálatas 3, 19: ... A Lei foi promulgada pelos anjos, e um homem serviu de intermediário.

               Hebreus 2, 2: De fato, se a palavra transmitida por meio dos anjos se mostrou válida, e toda transgressão e desobediência recebeu um justo castigo,

O que de fato terá acontecido? Quem realmente apareceu a Moisés e quem lhe entregou as tábuas de pedra com os Dez Mandamentos? Fica aí essa dúvida.

Sem dúvida, os aspectos "carnais" da lei, como disse Paulo (Romanos 7:14), foram consumados, e com eles não temos nenhuma obrigação. Entretanto os valores "morais e espirituais" contidos na Lei de Moisés continuam sendo válidos, pois são eternos. "Porque em verdade vos digo que, mesmo que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só jota ou um só til, até que tudo seja cumprido" (Mateus 5:18).

Prestando mais a atenção ao final dessa fala “até que tudo seja cumprido” e relacionado-o a “Então, começando por Moisés e continuando por todos os Profetas, Jesus explicava para os discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele”. (Lc 24, 27). Se for verdade que Jesus disse tudo isso, estava se referindo as profecias a seu respeito que deveriam ser cumpridas: não passará da lei um só jota e ou um só til (profecias a seu respeito).

Se você afirma que "o que vale na Bíblia são os ensinamentos de Jesus, o resto são coisas que perdem o valor diante deles", não pode negar os escritos de Moisés, pois Ele nunca fez isso. Mas se essas escrituras não ter valor pra você.

Leiamos:

“Jesus disse: ‘Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede’” (Jo 6, 35).

“Jesus continuou dizendo: ‘Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas possuirá a luz da vida’" (Jo 8, 12).

“Jesus continuou dizendo: ‘Eu garanto a vocês: eu sou a porta das ovelhas. Eu sou a porta. Quem entra por mim, será salvo. Entrará, e sairá, e encontrará pastagem’” (Jo 10, 7.9).

Observar que em todas essas situações Jesus se coloca como sendo o condutor da humanidade a quem devemos seguir, não disse absolutamente nada em relação a Moisés. Sem falar no que disse, taxativamente: “O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras não desaparecerão” (Mt 24, 35).

Há também uma outra passagem que merece uma reflexão mais aprofundada:

“Um jovem se aproximou, e disse a Jesus: ‘Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?’ Jesus respondeu: ‘Por que você me pergunta sobre o que é bom? Um só é o bom. Se você quer entrar para a vida, guarde os mandamentos’.O homem perguntou: ‘Quais mandamentos?’ Jesus respondeu: ‘Não mate; não cometa adultério; não roube; não levante falso testemunho; honre seu pai e sua mãe; e ame seu próximo como a si mesmo”. O jovem disse a Jesus: ‘Tenho observado todas essas coisas. O que é que ainda me falta fazer?’ Jesus respondeu: ‘Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois venha, e siga-me’. Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico”. (Mt 19, 16-22).

Considerando que, segundo pensa, Jesus não tenha revogado o Antigo Testamento, por que será que Jesus então não disse ao moço rico para que seguisse a Lei e os Profetas? Mandou isso sim seguir exatamente o que “resume” a Lei.

Quando afirma que "a lei e os profetas vigoraram até João (Lucas 16:16)", Jesus está, obviamente, proclamando seu ministério messiânico, uma vez que tanto a lei quanto os profetas serviam para anunciar a vinda do Messias, o que, a partir daquele momento, não era mais necessário.

Dentro de qualquer ordenamento jurídico a expressão vigorar limita a lei a uma determinada circunstância, que pode ser inclusive uma data. Vigorar, neste caso, então é o espaço de tempo em que se deve seguir uma lei. Mesmo que seja como queira, que Jesus tivesse proclamando o seu ministério estaria revogando o ministério que alguém praticava anteriormente: Moisés. Juntado essas passagens com as outras sobre a revogação da antiga aliança, fica claro que é sobre a revogação mesmo dos preceitos mosaicos.

Será que aqueles que hoje se pretendem seguidores de Cristo, mas desprezam o Antigo Testamento, Moisés e os profetas, não estão cometendo um erro semelhante ao dos judeus que rejeitaram Jesus como Messias?

Com certeza que não. Mas não podemos dizer dos que querem que sigamos a Moisés o mesmo erro dos fariseus no tempo de Jesus, aqueles que ficavam preocupados com a questão das mãos não lavadas ou com as curas nos dias de sábado.

Por outro lado, coisa interessante é que os judeus que eram biblicamente o povo eleito para quem viria o messias. Ironicamente não aceitam o “messias” dos cristãos, por que será? Acreditamos que simplesmente porque os cristãos fabricaram o seu messias dizendo ser ele Jesus, daí conforme estudo que lhe recomendamos, adaptaram os textos às profecias não deixando é claro de colocar palavras na boca de Jesus que cremos não ter pronunciado.

Aliás o que vemos aí nada tem de cristianismo, apenas “paulinismo”, já que a base de quase todas as religiões tradicionais são os ensinamentos de Paulo e não os de Jesus. Veja que a Pedro foi destinada a missão de pregar aos judeus, falhou completamente, ao contrário de Paulo que conseguiu expandir o cristianismo entre os gentios. Mas devemos convir cristianismo é uma coisa, catolicismo e protestantismo são outra completamente diferente.

Agradeço a sugestão de leitura de seu texto ("Será que os profetas previram a vinda de Jesus"). Muito interessante o seu estudo sobre as profecias. Não vou nem entrar no debate sobre se as profecias falavam ou não sobre Jesus. Porém permita-me observar que, embora muito bem realizada, sua argumentação apresenta um problema: se você mesmo afirma que os autores do Novo Testamento deturparam vários fatos e colocaram muitas palavras "adequadas às suas próprias conveniências" na boca de Jesus para criar forçosamente uma figura messiânica e relacioná-la às profecias, quem pode nos garantir que Jesus realmente disse coisas como: "João é Elias" (Mateus 11:14). Isso também não foi invenção daqueles que queriam pegá-lo para Cristo?

Se Malaquias profetizou que Elias viria primeiro restaurar todas as coisas, como poderiam sustentar a mitificação de Jesus e identificá-lo como Messias, sem também providenciar um Elias para antecedê-lo? Da mesma forma, surgem dúvidas quanto a alguns fatos como, por exemplo, a aparição de Moisés e Elias ao lado de Jesus no alto do Monte Tabor (Mateus 17:3-9 , Marcos 9:4-8, Lucas 9:30-35). Não poderia ser tudo parte da mesma manipulação para convencer os cristãos que Moisés (a Lei) e Elias (os profetas), expoentes do Velho Testamento, vieram prestar testemunho do "Messias" Jesus?

Podemos ficar nessa dúvida: se foi ou não. Mas isso não nos preocupa nem um pouco, sabe por que? Porque a reencarnação é, para nós espíritas, uma lei natural, não tem nada a ver com questão religiosa. Apenas procuramos demonstrar aos que não a aceitam que no livro que acreditam ela está lá, da mesma forma que muitos procuram contradições nos livros Espíritas. Veja a fala do Rabino Philip, cujo livro citamos anteriormente: “Como já expliquei em Introdução à Cabala, não se trata aqui de uma questão religiosa. A reencarnação não é uma questão de fé ou de doutrina, mas de lógica e razão”, exatamente como acreditamos.

Só nos resta esperar.

"Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas um dia veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou conhecido (I Coríntios 13:12)."

Foi um prazer trocar idéias com você, fique com Deus.

Um abraço,

Sxxxxx :)

É podemos reservar ao tempo a elucidação das nossas questões, pois, com certeza, mais cedo ou mais tarde, nós estaremos diante da verdade que liberta.

 

Abraços

 

 

Paulo Neto

 

  Aqui termina o debate. Não faremos nenhum comentário a mais, pois acreditamos que o próprio texto é suficiente para que cada um tire a suas conclusões.

 

 

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Set/2005.