Balanço de Fim de Ano

 

 

 

José Medrado

 

 

 

Chegou o momento do balanço moral de fim de ano. Contabilizamos em nosso âmago os ganhos e perdas. Pomos em revista tudo, aí vem o conceito do ano bom ou ruim. Naturalmente, após tal contabilização é que concluiremos se o ano que finda é para que esqueçamos ou lembremos como um bom ano, onde as coisas deram certo.

 

        O filósofo estóico Epíteto, sabiamente afirmava: Os homens não se perturbam pelas coisas que acontecem, mas por suas opiniões sobre as coisas que acontecem. Verdade!         

        Geralmente, o efeito devastador ou consolador que os acontecimentos terão sobre nossas vidas será em decorrência do conceito que tenhamos sobre elas, ou mesmo em função do entendimento que façamos sobre as mesmas.

        Assim, precisamos estar sempre atentos às nossas verdades, pois elas podem ser grandes mentiras, nascidas de visão distorcida, que pode ser gerada pela ignorância ou preconceitos que carregamos de toda ordem. Aqui, cuidados com as pregações falaciosas de religiosos que ouvimos, e atenção às nossas  carências e problemas de fundo psicológico.

        É preciso, portanto, que nestes momentos de balanço não nos fixemos nas coisas em si, pois elas já estão contaminadas com as nossas opiniões, mas ampliemos a nossa avaliação para os ganhos, principalmente de experiência.

        É seguro que o nosso presente sempre será o reflexo do nosso passado, da mesma forma que o hoje refletirá no amanhã. Todavia, há pessoas que vivem a prisão das alegações de situações vividas ontem, como instrumento justificador de suas frustrações, traumas e derrotas no hoje. Prendemo-nos às feridas da nossa juventude e continuamos a culpar aquelas experiências desastrosas pelas nossas circunstâncias miseráveis atuais. Sempre alegando que esses motivos não nos deixam prosseguir.

        O doutor em psicologia, Wayne Dyer, aconselha: Pense em quando você sofreu um ferimento, como um corte na mão. A natureza do seu corpo toma providências para fechar o ferimento. É claro que ele precisa ser limpo para curar, assim como as feridas emocionais. Então a cura ocorre com bastante rapidez, porque a sua natureza diz: Feche todos estes ferimentos e você estará curado. Entretanto, quando a sua natureza lhe diz: Feche todos os ferimentos do passado, você muitas vezes a ignora e cria um vínculo com esses ferimentos, guardando-os na memória e usando tais murmúrios do passado para viver a ilusão de que eles são a origem de sua imobilidade ou incapacidade para seguir em frente.

        Destarte, enxugue as lágrimas que foram símbolo de 2003. Apague a tristeza e autopiedade, pois elas não mudarão nada. Carinhosamente, lembre à sua parte ferida que aquilo passou, que o seu viver é agora. Aprenda com aquelas experiências. Abençoe tudo de ruim que lhe aconteceu e volte para a sua unidade motriz do agora. Existe um passado, não agora. Existe um futuro, não agora. Compreenda essa simples verdade: faça a sua vida agora.

 José Medrado é fundador e presidente da Cidade da Luz

   


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