ALLAN KARDEC — BREVE NOTÍCIA.

  

Diz Irmão X1 que, em 31.12.1799, houve reunião de Espíritos sábios em esferas superiores da Terra.

Em meio a reduzido cortejo de sombras, chega Napoleão, para reafirmar compromissos. Kardec chega por uma estrada de luz. Napoleão chora, indo ao seu encontro.

                Uma voz do céu lhe diz: “(...) Eis-te à frente do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento... Renova, perante o Evangelho, o compromisso de auxiliar-lhe a obra renascente!...

                Indicado para consolidar a paz e a segurança, necessárias ao êxito do abnegado apóstolo que descortinará a era nova, serás visitado pelas monstruosas tentações do poder.”

                Bem sabemos, pela História, que Napoleão rendeu-se aos apelos da vaidade, do poder, da ambição e, “(...) por determinação do Alto (...)”, em 1815 foi exilado para a ilha de Elba e, depois, preso na ilha de Santa Helena, onde esperou a morte, ocorrida em 1821.

                Allan Kardec, “(...) apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era espírita-cristã (...)”.

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Renasceu em 3 de outubro de 1804 — em Lião, França — Hippolyte Léon Denizard Rivail, adotando, mais tarde, o pseudônimo  Allan Kardec. Com esse nome, fora sacerdote druida, nas Gálias, revelou-lhe seu guia espiritual.2 Recebeu a tarefa de codificar a Doutrina Espírita, para trazer-nos informações do mundo espiritual, a Terceira Revelação; acabar com os ‘mistérios’, desmistificando a fé; missão que cumpriu integralmente.

Aos dez anos segue para Yverdum (Suiça), a estudar no Instituto de Educação de Yverdum, fundado em 1.805, por Johann Heinrich Pestalozzi.

                Na escola de Pestalozzi os alunos aprendiam, além das matérias curriculares, “a lição da fraternidade, da igualdade e da liberdade”  Ali, “Não havia castigos nem recompensas. Não queria a emulação nem o medo. Só admitia a disciplina do dever, ou melhor, da afeição, do amor.”2

                Aos catorze anos, ensinava aos condiscípulos, como “colaborador” no Instituto.

                Dedicou-se a estudos do magnetismo, provavelmente a partir de 1823.  Escreveu obras sobre a educação.  Conhecia o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol, além do holandês e o francês, sua língua materna.

                Em 1825 fundou a “Escola de Primeiro Grau”, a qual “não sabemos por quanto tempo ... sobreviveu...”.  Fundou, também, em 1826, a “Instituição Rivail; um instituto técnico que funcionou até 1834.”

                A Instituição Rivail era sociedade dele com um tio, o qual, mais tarde (1834) a levou ao fechamento, com o perder grandes quantias no jogo. Com a liquidação, cada um recebeu 45.000 francos.  Essa quantia foi emprestada por ele a um amigo, que, falindo, deixou-o sem um tostão.

                 Fazendo contabilidade de três casas comerciais, recebia cerca de 7.000 francos por ano.  À noite escrevia novos livros; traduzia obras inglesas e alemãs, além de preparar cursos, entre os quais de química, física, astronomia, fisiologia, anatomia comparada. Ministrou-os, gratuitamente, de 1835 a 1840.

Não obstante sábio, cultuando vários ramos do conhecimento, Kardec não era médico, como muitos apregoam. Ele próprio o afirma, textualmente: “Mas a Medicina não é do nosso domínio...”3

                Em 06.02.1832, casou-se com Amélie-Gabrielle Boudet, nove anos mais velha do que ele, mas que não aparentava sê-lo. Dedicada colaboradora do marido. Não tiveram filhos.

                Em 1850, abandona o ensino, por discordar de uma lei que subordinava as escolas à fiscalização dos padres. Dedicou-se, pois, ao ensino, de 1819 a 1850.

Houve, em todo o mundo, no século passado, generalizada manifestação de fenômenos mediúnicos.

                Dentre as mais importantes, as das irmãs  Fox, em Hydesville, Estado de New York.

Tiveram início em 28.03.1848, com pancadas nas paredes de madeira da casa de Kate (Katherine) e Margaretta — 9 e 12 anos —  de família metodista.

                Kate imita as pancadas — acostumada já às manifestações e, assim, cria uma forma de se comunicar com o “desconhecido”.  É, aí, confirmada a sobrevivência do espírito.

                Era um caixeiro viajante que fora assassinado e enterrado naquela casa, no porão. Procuraram seus ossos mas só acharam parte.  Anos depois, encontraram todos os ossos.

                Quem o matou, mudou-o de lugar, talvez temeroso de ser descoberto.

                Ao viajarem, as irmãs Fox verificaram que as manifestações as seguiam. Descobriram, assim, que possuíam faculdade que as distinguiam de outras pessoas. Trata-se da mediunidade de efeitos físicos.

                As manifestações físicas na América espalharam-se pela Europa.  Proliferaram as mesas girantes, dançantes, transmitindo mensagens dos “mortos”, algumas falando de revolução no campo moral. Chegou-se à escrita mediúnica, inicialmente utilizando-se de cestinha de vime e lápis preso a ela. Depois o próprio médium, segurando o lápis, recebia a mensagem.

                Em 1854, o magnetizador Fortier falou, pela primeira vez, a Kardec, das mesas girantes.  Kardec, a princípio, explicou o movimento das mesas como efeito do magnetismo animal, que estudava desde os 19 anos.

                Em maio de 1855, presenciou fenômenos da mesa girando, saltando, correndo e a escrita mediúnica.

                “Naquilo havia um fato que devia ter uma causa. Entrevi, sob essas aparentes futilidades e a espécie de divertimento que com esses fenômenos se fazia, alguma coisa de sério e como que a revelação de uma nova lei, que a mim mesmo prometi aprofundar.”4

                E passou a investigar, fazendo perguntas aos Espíritos.

                Até então, cada um analisava de forma incompleta os fenômenos.  Coube a Kardec enfeixá-los, codificá-los.

                De cinqüenta cadernos reunidos por amigos e mais perguntas que formulou aos Espíritos, resultou a primeira edição de “O Livro dos Espíritos’, com 501 perguntas, em 18.04.1857.  Em março de 1860, passa a ser vendida a segunda edição, definitiva,  com a forma atual: 1.019 questões.

                “Foi a 30 de abril de 1856, em casa do Sr. Roustan, pela médium M.lle Japhet, que Allan Kardec recebeu a primeira revelação da missão que tinha a desempenhar.

Esse aviso, a princípio muito vago, foi precisado no dia 12 de junho de 1856, por intermédio de M.lle Aline C., médium.”4

Na Codificação do Espiritismo, Kardec estabeleceu o controle universal do ensino dos Espíritos.

                “Na posição em que nos encontramos, a receber comunicações de perto de mil centros espíritas sérios, disseminados pelos mais diversos pontos da Terra, achamo-nos em condições de observar sobre que princípio se estabelece a concordância.”5

                As principais obras do Codificador foram:

- “O Livro dos Espíritos’, com 501 perguntas, em 18.04.1857.  Em março de 1860, passa a ser vendida a segunda edição, definitiva,  com a forma atual: 1.019 questões. Esta última esgotou-se em 4 meses. “O Livro dos Médiuns”, na primeira quinzena de jan/186l; “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,  em  abr/1864,  inicialmente  com  o  título  de  “Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo”; “O Céu e o Inferno” (ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo), em 01/08/1865; “A Gênese”  (ou: Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo), em jan/1868; “Revista Espírita”, de 01 de janeiro/58 a mar/1869, ininterruptamente; “O que é o Espiritismo”, em 1859; e “Obras Póstumas”, publicada em 1890.

Em 0l/abr/1858, funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas — o primeiro Centro Espírita da Terra.

Allan Kardec, “...apagando a própria grandeza...”, como mestre-escola, simples homem do povo, cumpriu sua missão na Terra, inaugurando Nova Era para a Humanidade.

                Em 3l de março de 1969, desencarnou em Paris, após vida intensamente laboriosa, sobretudo nos últimos quinze anos, dedicados ao estudo, à codificação e à divulgação do Espiritismo.

                Em seu dólmen, no Cemitério Père-Lachaise, da Cidade Luz, está inscrito:

                “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Tal é a Lei.”6

                Louvor e Honra a Kardec! Gratidão a esse Espírito, a quem tanto devemos!

Gebaldo José de Souza

BIBLIOGRAFIA:

(1) - XAVIER, Francisco C. Cartas e Crônicas. Pelo Espírito Irmão X, Cap. 28, 7 ed., FEB. 181p. pp. 121-127;

(2) - WANTUIL, Zêus e Francisco Thiesen. Allan Kardec. Vols. I, II e III - FEB: Rio de Janeiro — toda a obra;

(3) - KARDEC, Allan. Revista Espírita. Terceiro Ano — 1860. EDICEL: São Paulo. 415p. p. 10;

(4) - KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo.  22 ed., FEB. 217p. pp. 16 e 14, respectivamente;

(5) - KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104 ed. FEB: Rio de Janeiro. 456 p. p. 32;

(6) - KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 26 ed. FEB: Rio de Janeiro. 395p. p.5.

                Publicado na edição de out/nov/97, da Revista Goiás Espírita, da FEEGO.

 


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